Contrato de Casamento
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Hesitou um pouco, mas deu a mão a ele. Edward tinha a mão quente, mas seu olhar permanecia frio. Precisava se acostumar com aquilo rapidamente. Ele fez com que se sentasse em uma de suas coxas e lhe deu um beijo calmo. Não havia mais ninguém ali além dos dois, mas pelo visto Edward estava levando a sério a conversa da noite anterior e era melhor se acostumar com essas atitudes.
– Pedi o café no quarto, já deve estar chegando. Hoje vamos até Siena, aluguei um carro e vamos passar o dia fora. Portanto não use salto, vai ser desconfortável passear pelas vinícolas.
– Tudo bem, eu vou tomar banho enquanto o café da manhã não chega.
Tomou a atitude e deu um selinho nele. Edward não disse nada o que a deixou um pouco mais relaxada após fazê-lo. Fora o primeiro passo, tinha que parar de agir como uma adolescente virgem e agir como uma mulher. Nunca fora tímida, sempre soubera o que fazer em cada ocasião e não seria intimidada por Edward, afinal, agora eram marido e mulher. Tomou um banho, lavou os cabelos com seu shanpoo de morango e se arrumou. Colocou uma calça jeans escura, um suéter creme e uma sapatilha dourada. Fez uma maquiagem leve e ajeitou os cabelos. Quando voltou para a sala, a mesa do café já estava arrumada e Edward já havia fechado o notebook. Fizeram a primeira refeição do dia e desceram. O carro alugado era uma BMW, Bella não entendia muito sobre os modelos, então apenas se limitou a sentar no banco do carona e por o cinto.
– Não teremos um guia?
– Não precisamos, Bella. – ligou o motor e saiu pegou a rua já movimentava àquela hora da manhã – Apenas relaxe.
– Posso por uma música?
– Claro.
Escolheu a rádio e recostou no banco relaxado enquanto ouvia uma música que reconheceu ser Mariah Carey. Gostava do jeito que ela cantava, tinha uma bela voz. Edward não demonstrou estar incomodado com o tipo de música, apenas limitou-se a prestar atenção na estrada à sua frente. Meia hora depois ele pegava uma estradinha estreita de terra onde Bella podia ver ao longe uma vasta plantação.
– Para onde estamos indo? – perguntou curiosa se ajeitando no banco.
– Avignonesi. – disse enquanto parava o carro – É uma das mais famosas vinícolas da Toscana.
Céus! Como a voz dele ficava ainda mais sexy falando italiano. Fora apenas uma palavra, mas o suficiente para que ela sentisse um calor percorrer o interior do seu corpo. Edward desceu o carro e deu a volta, ajudando-a a sair logo em seguida. Vamos experimentar alguns vinhos, almoçar e passear pelo lugar.
–Fiz reserva para o almoço à uma da tarde, então temos tempo para visitar as adegas antes disso.
– Estou ansiosa, é a primeira vez que visito uma vinícola.
– Parece que suas viagens foram reduzidas à Paris e Milão, lojas e restaurantes, Bella. – ele diz, mas sem o tom acusador, e ela podia jurar que era um tom brincalhão por trás do comentário.
– Tenho que admitir que sim. – sorri, pela primeira vez em boa parte do tempo – Mas fico feliz que você preferiu a Toscana ao invés de uma lua de mel em alguma cidade cheia de glamour.
– Eu sabia que você já teria visitado todas.
Edward deu a mão a ela e ambos caminharam juntos até a entrada da vinícola. Era uma bela propriedade revestida de tijolos alaranjados que davam destaque em meio à grama em um tom de verde escuro. Haviam árvores, o cheiro de plantas era delicioso e Bella respirou fundo. Um homem estava parado na entrada da propriedade e sorriu abertamente ao ver o casal. Parecia simpático e receptivo, tinha alguns cabelos grisalhos e um pouco mais alto que Edward. Usava óculos de grau e uma camisa social sob uma jaqueta de linho marrom.
– Buongiorno! – ele cumprimentou em italiano.
– Boungiorno! – Edward disse em um italiano que estremeceu o interior dela – Come esta?
– Bene e tu?
– Molto bene, grazie. – Edward acenou de leve com cabeça – Sou, Edward Cullen e essa é minha esposa Isabella Cullen, ela não fala muito italiano.
– Muito prazer, Sr. e Sra. Cullen. – sorriu – Benvenuti! Sejam bem vindos! Sou Carlo Montini.
– Muito prazer, Sr. Montini. – Bella disse se sentindo mais relaxada em estar ali sem a pressão de ter pessoas perseguindo-a como a mais nova esposa do milionário Edward Cullen.
– Nós gostaríamos de conhecer a adega. Sou um apreciador dos vinhos. – Edward disse sem tirar as mãos da cintura dela.
– Claro, por aqui. – Carlo deu meia-volta e começou a conduzi-los para os fundos da propriedade. – Aqui fabricamos uma diversidade de vinhos. Tinto, seco e branco. No momento está acontecendo a degustação.
– Gostaríamos de participar. – Edward disse enquanto caminhava a passos firmes.
– Como quiser, Sr. Cullen.
O local onde acontecia a degustação de vinhos era fresco e tinha uma linda visão para a plantação das vinhas. Bella sorriu se sentindo pela primeira vez realmente feliz desde que descobrira sobre a falência declarada da empresa do pai.
– Parece que realmente acertei te trazendo aqui. – Edward disse colocando as mãos nos bolsos olhando para ela.
– Com toda certeza, cada vez que conheço fico mais encantada. – respondeu com o olhar fixo na bela paisagem.
– Tem um lindo sorriso, Bella. Seria bom se sorrisse com mais frequência.
– Sr. Cullen, temos o primeiro vinho. – Carlo chamou a atenção do casal não dando oportunidade para Bella responder alguma coisa sobre o comentário do marido.
– O que temos aqui? – Edward perguntou vendo um garçom servir com elegância duas taças abauladas.
– Este é vinho Rosso di Montepulciano.Edward pegou a taça e girou o líquido em sentido anti-horário, aproximou-o do nariz sentiu o aroma antes de beber um gole. Todo aquele movimento o fazia parecer um sommelier.
– É possível sentir um leve gosto de cereja. – disse com uma expressão indecifrável.
– O senhor tem um paladar bastante apurado, Sr. Cullen. É sommelier?
– Não, mas como disse sou um admirador de vinhos. – colocou a taça sobre a mesa e olhou para Bella – Prove, querida. Tenho certeza que vai gostar. – pegou a taça dela e entregou-lhe – Minha esposa prefere os vinhos tintos.
– É delicioso! – ela exclamou assim que provou um gole da bebida.Em seguida, provaram mais dois vinhos. Um branco e um seco. O primeiro chamado Vignola Toscana IGT e o segundo Vin Santo di Montepulciano.
– Qual o melhor vinho de vocês? – Edward perguntou curioso, parecia realmente satisfeito com a qualidade das bebidas.
– Com certeza o Vino Nobile di Montepulciano. – Carlo respondeu seu titubear.
– Quero duas garrafas dele.
– Vamos providenciar, Sr. Cullen.Edward levou Bella para dar um passeio pelo vinhedo Il Settonce, onde as parreiras eram pequenos arbustos e não em espaldeira, como da maneira mais convencional e seu formato hexagonal deixava cada uma das plantas distantes de maneira igual.
– Quero uma uva. – mordeu o lábio.
– Apenas escolha um cacho e retire-o. – ele a incentivou.
– Pode? – olhou-o um pouco insegura.
– Claro.Ela parecia uma criança satisfeita ao pegar o cacho de uvas. Edward a conduziu até o restaurante e lá fizeram uma refeição completa. Visitaram a adega logo em seguida e depois deram uma volta por Siena a pé, já que era proibido andar de carro por lá. Bella estava extremamente cansada dentro do carro a caminho do hotel em Florença. Ao chegarem, Edward a conduziu para um banho acompanhada por ele, mas não transaram, apenas aproveitaram um pouco mais a companhia um do outro e Bella gostou daquele momento. Ele sabia que aquilo seria importante para ajudá-la a relaxar naquele casamento e estava ajudando.
– Vamos dormir, Bella. O dia foi bastante movimentado.Ambos se ajeitaram entre os lençóis e pegaram em um sono profundo quase que instantaneamente e pela primeira vez, Bella havia conhecido um lado de Edward que era um pouco mais receptivo.
Quando os raios de sol entraram pelas pequenas frestas das cortinas, mais uma vez ela acordava sem a presença do marido ao lado da cama. Será que ele sempre se levantaria tão cedo? Quando teria a oportunidade de ver Edward adormecido ao seu lado? Chegava a duvidar de que aquele homem dormia em algum momento. Levantou-se e não se seu ao trabalho de colocar o hobby, caminhou com uma camisola roxa até a sala e viu Edward com os cabelos molhados tomando uma xícara de café.
– Bom dia. – ela se aproximou – Quais são os planos para hoje?
– Eu vou voltar à vinícola. – respondeu sem olhar para ela, sua atenção estava em alguma notícia no jornal que segurava em uma das mãos.
– Você vai sozinho?
– Vou, Bella.
– Por quê?
– Porque vou tratar de negócios. – colocou a xícara sobre a mesa – Há um shopping aqui perto, pegue um táxi e vá até lá. – levantou-se e largou o jornal sobre a mesa – O cartão que te dei é internacional, não se preocupe.
– Edward, eu não falo italiano, não posso sair sozinha por aí.
– Bella, não se preocupe. – colocou o celular no bolso – A maioria dos italianos fala inglês.
Principalmente em uma região turística como essa. Qualquer coisa me ligue.Ele lhe deu um beijo rápido e saiu pela porta deixando-a sozinha e sem saber o que fazer. Estava em um país diferente e com pessoas diferentes, sem nenhum tipo de referência e com uma língua que não se parecia nem um pouco com a sua. Edward era seu único apoio, mas ele não estava ali, preferira cuidar de negócios, era o que sabia fazer muito bem. Suspirou e decidiu tomar um banho de banheira. Relaxou, ouviu algumas músicas italianas no rádio do quarto e aproveitou os sais de banho. Em algum momento, imagens de Edward nu invadiram sua mente. Ele estava poderosamente rígido, dentro da banheira, mirando-a com um olhar selvagem. Suspirou e se sentou com a postura reta e a respiração um pouco ofegante.
– Oh, o que foi isso? – colocou a mão sobre o peito e sentiu seu coração um pouco mais acelerado.
Estava tendo visões eróticas de Edward. Realmente não podia mais negar que o desejava, que eram sexualmente compatíveis e que esperava ainda mais. Sabia que ele era totalmente capaz de lhe dar prazer da maneira que jamais tivera. Edward tinha um olhar quente quando estavam na cama, quando ele a olhava meticulosamente analisando seu corpo e a forma como a possuía dizia que sem dúvidas, ambos tinham química sexual. Ele não havia feito nada antes de casarem e Bella se pegou pensando como teria sido a lua de mel se já tivesse experimentado prazer nos braços de Edward.
– Seus gemidos seriam ouvidos por outros hóspedes, Bella. – disse para si mesma respondendo seu próprio questionamento.
Tomou café procurando espantar os pensamentos eróticos que de repente a assolaram naquela manhã. Teria sido efeito da frustração de não ter transado com Edward na noite anterior? Estavam juntos há pouco mais de dois dias e já sentia uma necessidade de sentir prazer com ele mais vezes. Vestiu uma calça jeans, uma bota preta de cano médio, um suéter roxo e um lenço lilás. Ajeitou os cabelos, maquiou-se e saiu determinada a caminhar um pouco pelo shopping, afinal, não tinha muita segurança para sair pelas ruas de Florença explorando o lugar sem a companhia de Edward.Olhou as lojas, havia tanta coisa para comprar e ela decidiu levar algo para o marido ao ver que uma das lojas era especializada em vinhos. Entrou com a certeza de que não tinha muito dinheiro para gastar. Queria dar um presente a Edward e não seria justo fazer isso com o dinheiro dele. Olhou em volta até se decidir por algo discreto que cabia perfeitamente na quantia que dispunha para gastar. Um kit de vinhos, onde havia alguns acessórios que ela não sabia identificar pelo nome e nem para que serviam, mas com certeza estavam relacionados à abertura da garrafa. Ficou satisfeita com a compra: a caixa era vinho, totalmente aveludada e os utensílios ficavam dispostos de maneira organizada. Andou um pouco mais, almoçou em um restaurante que servia um delicioso ravióli e caminhou devagar olhando as vitrines. Viu um vestido verde esmeralda que a encantou. Tinha um lindo decote em V e quando o provou notou o quanto seus seios ficaram realçados. Sorriu diante da imagem e olhou-se novamente no espelho antes de decidir ficar com ele. Era justo em seu corpo e tinha o comprimento ideal indo até um pouco mais da metade das coxas.Quando chegou ao hotel, encontrou Edward de pé recém-saído do banho próximo à janela contemplando a vista usando um roupão branco enquanto fumava seu cigarro. Virou o pescoço ao ouvir o barulho da porta se fechar e Bella respirou fundo. Nunca aprovou muito aquele tipo de vício, mas Edward ficava extremamente sexy enquanto fumava. O jeito com que segurava o cigarro, como expelia a fumaça e a forma como se deleitava de prazer com aquilo fazia com que sentisse vontade de ficar admirando-o por um longo momento. Tudo o que ele fazia era sexy e bastante masculino. Ele costumava apagar o cigarro sempre que ela aparecia, mas dessa vez não o fez, apenas ficou onde estava mirando-a com aqueles intensos olhos verdes esperando que dissesse algo.
– Que bom que já está aqui. – foi tudo o que conseguiu dizer enquanto se aproximava do sofá e colocava as sacolas sobre ele.
– Estava me perguntando onde você havia se metido. – bateu as cinzas do cigarro em um cinzeiro colocado no parapeito da janela – Começava a me preocupar o fato de estar sozinha por aí sem saber falar italiano.
– Você disse que não havia com o que se preocupar.
– Mas estava mudando de opinião já que estou aqui há mais de uma hora e você não aparecia. – desviou sua atenção para as sacolas – O que comprou?
– Tenho um presente para você. – pegou a sacola preta com letras em dourado.
– Presente? – apagou o cigarro no cinzeiro e se aproximou dela com curiosidade – É meu aniversário?
– Sabe que não. – colocou as mãos dentro dos bolsos traseiros da calça – Eu comprei porque me lembrou você e além do mais, era o que eu podia comprar com o que tinha.
– Bella... – estreitou os olhos – Como assim era o que você podia comprar com o que tinha? – meneou a cabeça – Até onde me lembro, minha situação financeira não restringe nenhum tipo de presente.
– Mas a minha sim. Eu comprei com meu dinheiro, Edward. O pouco que me restou. É um presente pra você e eu não queria comprar com seu dinheiro. – explicou.
– Tudo bem, deixe-me ver.
Ele abriu a sacola e viu a caixa de veludo vinho. Retirou-a e colocou-a sobre a mesa, abrindo em seguida e vendo do que se tratava. Bella estava apreensiva, era o primeiro presente que comprava para ele e começava a se arrepender do impulso que tivera. Não conhecia bem seu marido, além do mais, era um homem milionário que já possuía de tudo.
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