Contrato de Casamento
24 Capítulo 24
Ela voltou para o fogão e Bella começou a comer. Naquela manhã apesar do enjoo, o cheiro das panquecas lhe despertou a fome e acabou comendo duas. Cerca de vinte minutos depois, Bella estava dirigindo rumo à sua primeira aula de culinária. A turma era composta em quase sua totalidade por mulheres e estas eram como ela: não tinham experiência com cozinha. A primeira aula foi uma introdução básica de utensílios e foram ensinados a preparação de cookies de chocolate. Até que se saíra bem. Queimou um pouco a base, mas no geral ficaram gostosos. Conseguiu acertar o ponto da massa e isso foi o mais importante naquela lição.Quando saiu, verificou a hora em seu relógio e viu que precisava se apressar para encontrar Alice. Quando chegou ao restaurante, a amiga já estava sentada em uma mesa e apreciava uma água com gás.
– Desculpe pelo atraso, estava no curso. – Bella se desculpou se sentando à mesa.
– E que história é essa de curso? Você não me contou que havia começado.
– De culinária, comecei hoje. Estou tão animada, Aly. – sorriu e viu o garçom se aproximar – Vamos fazer o pedido agora?
– Sim, eu já decidi. Quero pato ao molho de laranja.
– Então vou pedir o mesmo. Com um suco de uva.
– Outro para mim. – Alice pediu levantando o dedo para o garçom que anotou os pedidos e se afastou – Fico feliz que esteja tão animada com o curso.
– Quero me sentir útil de alguma forma. Não quero parecer um encosto em Edward o tempo todo. – meneou a cabeça – É claro que o curso é pago por ele.
– Mas pelo menos é algo que está investindo em você. – inclinou-se e apoiou os braços sobre a mesa – E essa história dos gêmeos? Bella, eu fiquei em choque!
– Pois é... – sorriu e colocou a mão sobre o ventre – Gêmeos idênticos, acredita?
– Estou tão feliz, me sinto titia. – disse sorrindo – Meus parabéns, Bella.
– Obrigada. – suspirou – Você sabe que apesar da minha situação, eu estou muito feliz em ser mãe. É um sentimento que te domina, sabe? Não importam as circunstâncias, você só pensa nos bebês e no bem estar deles.- Deve ser mágico!
– É uma sensação única. Quando eu ouvi os coraçõezinhos deles batendo, foi um som tão delicioso que eu poderia ficar ouvindo pra sempre.
– E Edward ainda não sabe, né?
– Não. – negou com a cabeça – Eu pretendo fazer um jantar quando ele voltar e vou contar a próxima novidade. Ontem ele me ligou, por um momento eu pensei em contar quando ele me perguntou sobre a consulta, mas preferi ficar quieta. Quero mesmo ver a reação dele pessoalmente.
– Ele não vai dar pulos, você sabe, Bella.
– Eu sei, mas quero ver como vai reagir em um primeiro momento. Como será o choque.
– Entendi.
Durante todo o almoço e durante a tarde, as duas conversaram sobre suas vidas e seus planos, Bella olhou algumas lojas de bebês e não conseguiu resistir. Comprou dois macaquinhos brancos e saiu satisfeita por ter comprado a primeira roupinha dos seus filhos. Olhou mais algumas lojas e comprou dois vestidos de primavera para a estação que estava se aproximando. Comeu uma salada de frutas com Alice e quando anoiteceu foi para casa.
Ao chegar, Tia imediatamente se aproximou quando ela entrou na sala de estar. Sentia os pés cansados e precisava de um banho urgente para relaxar.
– Sra. Cullen, o Sr. Cullen ligou lhe procurando porque disse que não conseguiu falar com a senhora pelo celular.
– Ah, eu saí com Alice e o telefone ficou dentro da bolsa, vou tentar ligar para ele. Obrigada, Tia.
– Aceita comer alguma coisa?
– Não, obrigada. Talvez antes de dormir eu aceite uma sopa.
– Claro. – assentiu com a cabeça – Com licença.
Bella subiu carregando suas sacolas para o quarto e pegou o celular na bolsa. Havia três chamadas perdidas de Edward e ela retornou, ouvindo a voz dele logo após o segundo toque.
– Onde você se meteu? – perguntou de imediato sem se preocupar em perguntar como ela estava.
– Eu saí com Alice, demos umas voltas e eu acabei deixando o celular dentro da bolsa todo o tempo.
– Eu estava atrás de você, me deixou preocupado, Bella! – disse em um tom de voz um pouco mais irritado.
– Me desculpe, Edward. Eu estou bem.
– Na próxima vez que sair, avise à Tia para onde vai.
– Tudo bem. – sentou-se na poltrona – Como vão as coisas por aí? Resolveu algo?
– Por enquanto está tudo certo com a filial aqui. A polícia acha que está perto de encontrar quem roubou a empresa de Nova York.
– Eu espero que isso logo seja resolvido.
– Será, Bella. Agora preciso ir, tenho uma reunião ainda.
Ele desligou a ligação e ela ficou com o aparelho na mão olhando para a tela. Ouvir a voz de Edward, mesmo irritado, fazia com que sentisse sua falta. Não sabia que tipo de poder ele tinha, mas era algo bastante poderoso que mesmo apesar do seu jeito grosseiro e frio, poderia fazer com que sentisse sua falta e desejasse que ele estivesse ali ao seu lado.Passar duas semanas longe de Edward estava sendo uma missão bastante difícil para Bella. Cada dia que dormia sozinha naquela cama enorme sua vontade aumentava em relação à companhia do marido. Por mais que ele tivesse uma grande quantidade de defeitos, para ela aquilo já não era mais um problema. De alguma forma o jeito dele a atraía, fazia com que sentisse bem quando o olhava nos olhos ou quando estava em seus braços. Nem mesmo o incidente que acontecera entre os dois, quando Edward a possuiu contra sua vontade, fez com que ela acrescentasse mais um item a lista de comportamentos inaceitáveis.
Emmett apareceu para que ela assinasse o contrato e este não havia muitas modificações, mas haviam cláusulas assegurando aos filhos que tivesse todo o suporte financeiro do pai, assim como direito na empresa Cullen.Ele ligou poucas vezes naquelas duas semanas e já caminhavam para a terceira. Bella muitas vezes quase cedeu ao desejo de dizer a ele que estava esperando gêmeos, mas desistia no último momento.
Precisava se segurar, não queria contar quando ele estivesse a quilômetros de distância. Por conta das aulas de culinária, conseguiu aprender a cozinhar um salmão grelhado ao molho de alcaparras. Recebeu elogios do chefe de cozinha e se julgou capaz de preparar aquilo para o jantar quando Edward estivesse de volta.O celular tocou enquanto ela lia seu livro e sorriu ao ver no visor que se tratava de Edward. Devia estar sentido saudades dele por conta dos hormônios da gravidez que alteravam seu comportamento.
– Oi, Edward. – atendeu a ligação.
– Estou ligando para avisar que amanhã estarei de volta. Ainda não sei a que horas vou chegar, mas amanhã ligo para avisar. Quero que esteja em casa.
– Você vem amanhã? – perguntou sem esconder a felicidade em sua voz.
– Sim. Não quer que eu volte?
– Eu quero, na verdade estou sentindo sua falta aqui.
– Então nos vemos amanhã, Bella. Eu ligo para avisar o horário. Boa noite.
E tão de repente ele desligou que ela continuou com o celular no ouvido, porém totalmente mudo. Havia acabado de dizer que sentia a falta dele e Edward simplesmente não se importou. Retirou o aparelho devagar um pouco chocada com a frieza dele. Às vezes era difícil se acostumar com aquele tratamento. Seria tão difícil ser mais emotivo? Precisava mostrar para Edward que não era apenas uma esposa que gastava seu dinheiro, alguém que ele contratou para bancar a esposa dedicada. Precisava deixar claro que era muito mais do que uma mulher fútil, sentia a necessidade de fazer com que ele soubesse o quanto podia ser útil como pessoa e que tinha alguma função no mundo. Subiu para o quarto e ficou pensando melhor na sobremesa, queria surpreender Edward mostrando que tinha algum talento, algo que merecesse algum elogio além da sua beleza física. Pensou em um cheesecake com cobertura de frutas vermelhas.
Correu para a solta e pegou seu livro do curso e procurou a receita. Precisava pedir a Tia que lhe comprasse os ingredientes do jantar. Desceu até a cozinha para falar com a governanta.A manhã começou com o sol brilhando imponente, longe das nuvens que enfeitavam o céu azul. Os primeiros sinais da primavera se aproximando estavam refletidos nas flores bem coloridas do jardim. Espreguiçou-se e abriu os olhos devagar sabendo que aquele seria um dia longo. Bocejou e se sentou na cama afastando o edredom macio, levantando-se em seguida para fazer sua higiene matinal. Desceu ainda com sua camisola, mas agora vestindo um hobby de seda azul claro. Tia já estava na cozinha de maneira eficiente mexendo no fogão e preparando o café da manhã. Por sorte não tinha aula naquele dia e nenhum compromisso marcado. Seu estômago roncava e ela sorriu pensando que parte daquela fome era por conta dos bebês.
– Bom dia, Tia. – disse se acomodando no balcão.
– Bom dia, Sra. Cullen. – olhou-a e sorriu – A senhora parece radiante hoje.
– Obrigada. – colocou as mãos sobre as coxas – Talvez eu esteja um pouquinho mais feliz porque Edward vai chegar de viagem.
– Oh, sim! – exclamou – Eu vou ao mercado comprar os ingredientes que me pediu. Tem algum problema que eu vá logo depois do café da manhã?
– Não, de maneira nenhuma. – balançou a cabeça levemente – Enquanto isso tento me preparar e falar com Edward para saber que horas ele vai chegar, espero que não seja na hora do almoço, não terei tempo de preparar nada assim.
– Geralmente o Sr. Cullen chega à noite. O que vai querer para o café, Sra. Cullen?
– Acho que uma tigela de frutas com granola.
– Vou preparar.
Logo após o café da manhã resolveu ligar para Edward a fim de saber a que horas ele chegaria em casa. Usou a discagem rápida e ouviu os toques de chamada, tocou mais do que estava acostumada ouvir já que ele sempre atendia rápido.
– Oi. – ouviu a voz rouca do outro lado da linha.
– Oi, Edward. Não queria te atrapalhar, apenas queria perguntar a que horas você vai chegar.
– Meu voo está previsto para chegar às seis e meia. Então acredito que por volta das sete da noite eu esteja chegando em casa.
– Tudo bem, vou te esperar. Boa viagem.
– Obrigado.
Rapidamente ele desligou e ela ficou mais uma vez parada sem reação após falar com ele. Até quando ele faria isso? Sempre desligava rápido, não lhe dedicava muito tempo de atenção e não prolongava as conversas vias telefone. Era melhor que Edward voltasse logo, estava sendo pior tê-lo longe, ele parecia muito mais frio em sua maneira de falar e agir. Tomou um banho, vestiu uma calça rosa clara justa ao corpo e uma camisa branca de mangas até o cotovelo. Esperou Tia voltar do supermercado enquanto repassava a receita para ver se conseguiria seguir todos os passos.
Tia chegou carregando as sacolas e Bella a ajudou a colocar todos os ingredientes sobre a mesa agradecendo à governanta por ter ido ao supermercado. Com algum auxílio de Tia, Bella começou a preparar a sobremesa, já que esta precisava de algumas horas dentro da geladeira pra se firmar. A calda ficou espessa e Bella ficou satisfeita com o resultado. Pelo menos não ficaria aguada e sem graça. Preparou toda a torta e colocou-a na geladeira. Fez uma pausa para almoçar e descansar, já que deveria sempre repousar um pouco por conta da gravidez. Acabou cochilando e quando acordou já eram cinco horas da tarde.
Eu uma hora Edward estaria pousando em Nova York e precisava correr para preparar o salmão e a salada.Rapidamente desceu e foi para a cozinha, pegou uma tigela para misturar todos os vegetais para começar preparando a salada. Cerca de uma hora depois, ela terminava de preparar o salmão e o molho.
– Ficou excelente, Sra. Cullen. – Tia elogiou-a.
– Obrigada, pela bondade. – sorriu – Acho que para um primeiro jantar saiu muito bom. Espero que Edward goste.
– Tenho certeza que o Sr. Cullen vai adorar.
– Obrigada novamente, Tia. Eu vou por a mesa.
– Não quer que eu faça isso, Sra. Cullen?
– Não, não precisa. – olhou-a – Por que não me chama de Bella?
– O Sr. Cullen não iria gostar muito disso. E eu particularmente prefiro tratá-la como Sra. Cullen. É como estou acostumada.
– Tudo bem, eu entendo.
Era estranho ser chamada sempre de “Sra. Cullen”, mas entendia o lado de Tia que sempre trabalhou para Edward e se acostumara a chamá-lo daquela forma em sinal de respeito. Verificou o grande relógio redondo de platina preso no alto da parede da cozinha e percebeu que faltava menos de vinte minutos para as sete da noite. Rapidamente Bella pegou os pratos de porcelana e os talheres de prata e arrumou-os cuidadosamente sobre a mesa da sala de jantar.
Os pratos eram brancos e quadrados, os talheres muito bem lustrados refletiam perfeitamente as imagens e Bella teve o trabalho de dobrar os guardanapos da maneira que aprendeu quando teve aulas de boas maneiras na escola que frequentou quando criança.Ao levantar o olhar para pegar as taças de vinho, assustou-se com Edward parado na entrada da sala de estar em completo silêncio mirando-a intensamente com os olhos azuis profundos. Ele estava com a barba por fazer,e o cabelo havia crescido um pouco e estavam levemente desajeitados, o que o deixava com um ar ainda mais sexy. Olhar para ele foi a prova de que realmente sentira sua falta.
Foram três semanas complicadas e quase tediosas, se não fosse pela consulta e pelas aulas de culinária. Ele estava com o colarinho da camisa azul marinho aberto e a calça social modelava seus quadris e o corte sob medida realçava as coxas masculinas. Edward continuou parado no mesmo lugar sem mover um único músculo. Após o choque, ela conseguiu esboçar alguma reação.
– Eu não o vi parado aí. Chegou há muito tempo? – perguntou tentando esconder o quanto a presença dele a abalava, principalmente depois de ter confessado que sentia falta dele.
– Não, acabei de chegar. – disse com aquele timbre de voz que lhe provocava pelo sonido rouco – Está colocando a mesa do jantar desde quando?
– Desde hoje. Fui eu quem preparou o jantar. Queria fazer algo para quando estivesse de volta. – respondeu tentando deixar de lado a expectativa pela reação dele.
– Então eu vou tomar um banho e desço para jantarmos.
– E eu vou terminar de por a mesa.
Bella chegou a pensar que receberia um beijo, mas Edward se limitou a olhá-la por mais dois segundos antes de se virar e sumir novamente. Droga, como sentira a falta dele! Como ele conseguia se manter tão impassível daquela forma após tantos dias longe? Edward era controlado e mantinha a pose distante quase todo o tempo. Onde estava aquele homem que agira de maneira mais carinhosa em seu aniversário?
Edward apareceu na sala de jantar vestido com uma calça de abrigo cinza e uma camisa branca. Estava com os cabelos molhados e o aroma da sua colônia pós-banho tomou conta do ambiente. Ela sentira falta daquele cheiro, principalmente quando dormia. Era acolhedor e reconfortante. Queria correr e abraçá-lo para ter certeza de que estava ali, mas apenas o observou em silêncio.
– Posso me sentar? – ele perguntou segurando o encosto de uma cadeira.
– Claro. – confirmou balançando a cabeça com certo exagero e se acomodou de frente para ele – Eu fiz todo o jantar, inclusive a sobremesa. Espero que goste.
– Posso garantir que estou faminto.
– Como foi a viagem? – ela perguntou enquanto o via se servir com a salada.
– Cansativa, mas fizemos vários progressos. Me alivia saber que em Orlando tudo está caminhando bem. A polícia aqui em Nova York já está interrogando os suspeitos.
– Que bom. – sorriu e se serviu logo em seguida.
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