Contrato de Casamento
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Bella ficou ouvindo tudo em completo silêncio, mas sua mente dava voltas e passava por lugares que incluíam Edward, os membros da família Cullen, seu pai e seu futuro como esposa com prazo de validade. Olhou para a tela com atenção, mas não via nada, apenas alguns borrões que somente a Dra. Jane entendia, mas o sentimento poderoso que sentiu vendo a primeira imagem dos seus filhos fez com que sentisse as lágrimas brotarem em seus olhos. A sua felicidade dobrara de tamanho, fora presenteada em dobro com a dádiva de ser mãe e por mais que não estivesse preparada o suficiente, sabia que Deus escolhera aquele momento por algum motivo e ela aprendera a abraçar o momento de coração.
– Bella, eu preciso desligar o ultrassom porque tenho coisas muito importantes para conversar com a senhora.
– Claro, eu estou bastante curiosa sobre isso. – respondeu e viu a ginecologista desligar o aparelho.
Jane limpou o gel da barriga dela e as duas se acomodaram em suas respectivas cadeiras para falar sobre aquela nova condição da gravidez. Bella sabia que gêmeos precisariam de muito mais cuidado, mas precisava saber de tudo nos mínimos detalhes.
– Eu vou falar primeiro sobre a situação em relação aos gêmeos. Como eu já disse, você está esperando gêmeos univitelinos, o que significa que eles serão fisicamente idênticos, sendo assim terão o mesmo sexo. – a Dra. Jane explicava de maneira calma e Bella ouvia com atenção cada uma das palavras – Eles são univitelinos porque estão crescendo na mesma placenta e são idênticos porque eles são gerados a partir do mesmo óvulo e do mesmo espermatozoide, mas esse embrião acabou se dividindo em dois. É preciso muito cuidado para que não haja nenhuma complicação. Eu vou aumentar o número de consultas para acompanhar muito bem sua gravidez. Precisa de repouso, muita calma e se alimentar de maneira saudável.
– Pode deixar, doutora. Eu vou cuidar dos meus bebês. – colocou a mão sobre o ventre – Eles são tudo para mim.
– Há outra coisa que quero conversar com você. – ajeitou os óculos na face – Eu vi na sua ficha que é casada, gostaria de falar com seu marido.
– Claro, eu entendo. – afirmou com a cabeça – Edward não pode vir porque precisou viajar com urgência por conta da empresa.
– Diga a ele que assim que voltar, preciso que lhe acompanhe à uma consulta. O pai é uma peça importante nessa gravidez também.
– Doutora... – remexeu-se na cadeira – É muito arriscada a minha gravidez? – perguntou um pouco apreensiva.
– Não, Bella. Toda gravidez de gêmeos univitelinos requer uma atenção especial, mas se você seguir tudo que lhe for recomendado, terá uma gestação tranquila.
– Obrigada, doutora. – ficou menos tensa.
– Vou marcar uma consulta para essa segunda. – começou a digitar algumas coisas em seu teclado – Sugiro que compre algumas revistas e pesquise na Internet mais informações sobre a gravidez de gêmeos.
– Eu farei isso.
Minutos depois, ela já estava fora da clínica e se dirigia de volta para casa pensando no que descobrira. Naqueles últimos meses sua vida mudara radicalmente. Havia se casado e agora seria mãe de gêmeos. Apesar de ainda se julgar um pouco nova para tal responsabilidade, podia sentir uma mudança em sua maturidade refletida em seu sentimento maternal. Só pensava no bem estar de seus filhos, queria poder ser a melhor mãe possível e conversaria com Esme sobre o assunto, já que nunca tivera uma mãe ao seu lado e não tinha a quem pedir conselhos. Foi para casa e notou o vazio que sentia em seu estômago, não comera nada sólido antes de sair, apenas tomou um copo de suco e se lembrou das palavras da ginecologista recomendando que devia se alimentar com cuidado.
Tia estava na cozinha mexendo em uma panela quando ela entrou e o cheiro aguçou ainda mais sua fome. Sorriu inconscientemente pensando que aquilo não se tratava apenas da sua vontade de comer, mas também a dos seus filhos. Achou melhor não contar a novidade dos gêmeos para a governanta, ainda precisava decidir como contaria para Edward e não queria que ninguém acabasse contando a ele sem querer.- Tia. – chamou a governanta.
– Sra. Cullen, não a vi entrando. Deseja alguma coisa? – perguntou com sua eficiência e sua tamanha necessidade de agradar aos patrões.
– Eu gostaria de almoçar.
– Claro, eu estou terminando o purê de batatas, há carne assada e uma salada de brócolis que tenho certeza que vai adorar.
– Parece delicioso. Eu vou tomar um banho e desço para o almoço.
– Sim, senhora.
Era estranho ser tratado como senhora, passou toda sua vida sendo a Srta. Swan, mas quando era chamada de Sra. Cullen era como se seu casamento realmente fosse real em todos os parâmetros. Tomou um banho quente e relaxante e desceu para a sala de jantar onde Tia já havia colocado a louça e os talheres juntamente com as travessas de comida. Serviu-se um pouco de cada e almoçou em silêncio com um suco de uva que substituía o vinho. Comeu um bolo de nozes de sobremesa e agradeceu à Tia o delicioso almoço que fora preparado. Recordou-se que no dia seguinte faria aulas de culinária e pensou em contar com Tia seu desejo de começar a cozinhar.- Tia, amanhã começarei um curso de culinária. Gostaria de tentar fazer alguns pratos. Se você pudesse me ajudar com algumas dicas pelo menos no começo eu ficaria muito feliz.
– Sra. Cullen, nada me daria mais prazer do que lhe ajudar a cozinhar. – disse sorridente – Tenho certeza que o Sr. Cullen ficará muito contente se lhe preparar alguns pratos.
– Eu estou pensando nisso. Na verdade Edward vai ficar fora cerca de três semanas, acha que até lá sou capaz de preparar um jantar ou um almoço para quando ele chegar?
– Claro que sim. – confirmou enquanto começava a retirar tudo da mesa – Tenho certeza que fará algo delicioso.
– Obrigada, Tia. – sorriu – Eu vou pensar em um cardápio simples, afinal, ainda estarei no começo.
– Fale comigo quando decidir, Sra. Cullen. Assim poderei comprar os ingredientes que faltarem.
– Obrigada novamente, Tia. Não sei o que faria sem você.
Voltou para o quarto mais animado pensando que com a ajuda de Tia em alguns detalhes, poderia surpreender Edward. Sabia que ele achava que não tinha nenhum talento, que a única coisa que sabia fazer era compras em lojas de grife, mas mostraria para seu marido arrogante que poderia sim fazer algo do qual iria se orgulhar. Lembrou que precisava ligar para o pai e lhe dar a notícia da gravidez e tomou a decisão de só contar a Edward sobre os gêmeos quando ele estivesse de volta. Queria ver a reação nos olhos dele. Pegou o celular e ligou para o pai que atendeu no segundo toque.
– Bella, minha princesa. Que maravilha você me ligar! – exclamou Charlie bastante contente.
– Papai, que saudades. Como vai?
– Muito bem e você?
– Estou bem. Na verdade te liguei para lhe dar uma notícia. – fez uma pequena pausa – Eu estou grávida de gêmeos.
– Gêmeos? – ouviu o tom de voz surpreso do pai – Meu Deus, é uma surpresa e tanto!
– Sim. – sentou-se na cama – Eu estou esperando gêmeos idênticos. – sorriu ao pensar que teria duas crianças fisicamente iguais correndo pela casa – Estou tão feliz, papai!
– Mesmo, Bella? – ele perguntou inseguro – Eu achei que você ficaria um pouco tensa com toda a situação.
– No começo tive medo, Edward não queria ser pai agora. Deixou claro que eu não poderia engravidar, mas quando aconteceu ele não terminou tudo, ele mudou o contrato.
– Apesar de tudo, querida. Cullen é um homem inteligente e tem caráter suficiente para saber que é responsável também por essa gravidez e que por ser pai ele tem suas responsabilidades.
– Sim, eu sei. – mordeu o lábio e soltou – Papai, vou precisar desligar, tenho que ligar para Alice e contar a novidade.
– Claro que sim, minha filha. Nos falamos depois, eu amo você.
– Eu também te amo, pai.
Assim que encerrou a ligação, procurou o número da amiga na lista de contatos e esperou que ela atendesse. Estava na esperança de que fosse cair na caixa postal quando ouviu a voz animada de Alice do outro lado da linha.
– Oi, Bella. Como vai?
– Bem, Aly. E você?
– Estou bem, animada com sua ligação e também um pouco preocupada. O que houve?
– Estou ligando para te contar uma surpresa. – cruzou as pernas sobre a cama – É sobre a minha gravidez. Estou esperando gêmeos.
– Oh, Bella! Não acredito! – ela quase gritou ao telefone – Gêmeos?!
– Sim, idênticos. – respondeu sorrindo – Terei dois bebês, Aly!Acredita?
– Estou em choque, mas muito feliz também.
– Eu estava com medo quando pensei que era apenas um, agora recebo a notícia de que serão dois, mas já não tenho mais medo.
– E o Edward? O que ele disse sobre isso?
– Nada, ele ainda não sabe. Edward está viajando, ficará fora por três semanas e só contarei a novidade quando ele estiver de volta. Quero poder ver sua reação, entende?
– Entendo. Acha que ele ficará feliz?
– Não vai pular de alegria, isso é um fato. – olhou para um ponto fixo no chão sabendo que aquilo lhe chateava – Mas não vai reclamar. Vai ficar em choque, eu acho.
– Eu só quero que você e os bebês sejam felizes e eu estarei sempre aqui para te apoiar, amiga.
– Eu sei que posso contar com você sempre, Aly. É a melhor amiga do mundo. Quando estiver livre me avise, queria que me acompanhasse para dar uma olhada em alguns móveis para o quarto dos bebês. Não sei o sexo ainda, mas gostaria de ter uma ideia do que fazer se forem meninos ou meninas.
– Claro, eu te mando uma SMS para lhe avisar.
– Certo, vou esperar. Agora vou deixar você trabalhar, conversamos melhor depois. Beijos.
Assim que desligou, se ajeitou debaixo das cobertas e ficou pensando sem seu futuro. Passaria vários meses naquela mansão, cuidaria do primeiro ano de vida de seus filhos, mas logo em seguida teria de ir embora. Uma ponta de tristeza tomou conta dela pensando no dia em que teria que sair daquela mansão e nunca mais dividir a cama com Edward.
Era assustador se dar conta de que tinha dúvidas se realmente queria terminar aquele casamento. Estava pensando no bem estar de seus filhos, apenas isso. Colocou a mão no ventre e o acariciou.Pouco antes do jantar, o telefone tocou e Tia veio lhe entregar na sala de estar onde estava sentada lendo um artigo no computador sobre gravidez de gêmeos idênticos.
– Alô? – atendeu sem desgrudar a tela do computador.
– Bella, como está?
– Estou bem e você? Como foi a viagem?
– Um pouco cansativa, mas está tudo bem. – ele respondeu e sua voz ainda conseguia ser sexy mesmo ao telefone – Tem se sentido bem?
– Sim, não tenho muitos enjoos. E como vão as coisas com a empresa?
– Ainda não sei, estamos verificando as finanças e espero que não tenha nenhum problema com a filial aqui em Orlando.
– Vai dar tudo certo.
– Espero que sim. E a consulta?
– Foi ótima, vou voltar semana que vem.
– Certo. Agora vá descansar, Bella. Nos falamos depois. Me ligue se precisar, estou com o celular vinte e quatro horas.
– Não se preocupe, Edward. Bom trabalho.
Ela desligou e colocou o telefone sobre o sofá ao seu lado. Edward falara de um jeito frio ao telefone e era nessas horas em que ficava em cima do muro. Uma parte de si queria continuar ali com ele e outra parte torcia para que aquele prazo acabasse o mais rápido possível. Seria uma luta interna por um longo tempo, então preferiu afastar todos esses pensamentos e retornou ao que estava fazendo. Ficou lendo uma variedade de artigos e curiosidades e acabou perdendo a hora do jantar, sendo alertada por Tia que lhe perguntara se gostaria de comer. Aproveitou para se alimentar com algo leve e depois se deitou.
Queria descansar, por conta da gravidez se cansava com facilidade e pegou no sono rapidamente.O sol fraco entrava no quarto entre as frestas das cortinas e ela se remexeu na cama ouvindo seu celular tocar. Ainda sonolenta, estendeu o braço e pegou o aparelho em cima do criado-mudo sem olhar no visor o nome de quem estava ligando.
– Alô? – atendeu com a voz arrastada de sono.
– Bella, acho que te acordei. – a voz de Alice soava um pouco constrangida.
– Ah, sim. – passou a mão sobre os olhos – Eu tenho dormido muito depois que fiquei grávida, mas está na hora de levantar. – se sentou na cama após um longo bocejo.
– Me desculpe por isso, Bella. Eu te liguei pra saber se você estaria livre hoje à tarde. O ensaio foi cancelado e pensei que poderíamos dar umas voltas.
– Estou livre sim, tenho um curso pela manhã, mas durante à tarde não estou ocupada.
– Curso? – perguntou curiosa.
– Sim, hoje eu te conto os detalhes.- Tudo bem. Que tal almoçarmos juntas?
– Perfeito. Podemos nos encontrar às uma da tarde no Aquavit.
– Então está marcado! Desculpe te acordar, Bella. Até mais.
– Até!
Bella se levantou e sentiu um leve enjoo. Respirou devagar tentando afastar aquele desconforto matinal. Caminhou devagar até o banheiro e lavou o rosto. Estava com um pouco de sono ainda, mas tinha de se arrumar e ir para sua primeira aula de culinária. Quando entrou debaixo do chuveiro, começou a se sentir melhor e conseguiu tomar banho rapidamente. Escolheu uma calça jeans clara, uma sapatilha preta e um casaco vinho sobre uma blusa marfim de gola alta. Escovou os cabelos e fez uma maquiagem leve para o dia.Quando desceu, Tia estava na cozinha preparando panquecas e sorriu ao vê-la. Aquela era a governanta e cozinheira mais eficiente que já conhecera e cada vez mais ia se acostumando à ela.
– Bom dia, Sra. Cullen. Estou preparando panquecas, gostaria de tomar o café da manhã?
– Sim, eu vou aceitar uma de suas deliciosas panquecas. – se sentou no balcão – Eu espero conseguir preparar uma tão gostosa quanto as que você prepara, Tia.
– Vai conseguir, Sra. Cullen. – olhou-a de relance – Pode me pedir ajuda sempre que precisar.
– Eu sei. – sorriu – Edward deu muita sorte em ter você trabalhando aqui.
– Eu gosto muito de trabalhar para o Sr. Cullen.
– Há quanto tempo trabalha para ele?
– Cerca de cinco anos. – respondeu sem tirar os olhos do que estava cozinhando – Eu trabalhei na casa dos Cullen durante muito tempo e vim para cá quando o Sr. Cullen comprou esta mansão.
– Entendo. – apoiou o cotovelo no balcão e o queixo na mão – Edward confia muito em você.
– E eu fico muito satisfeita com isso. Meu trabalho é deixar tudo aqui organizado para vocês dois.
– Tia, posso lhe fazer uma pergunta pessoal?
– Claro, Sra. Cullen.
– Você tem família? Filhos? Marido?
– Tenho um filho que mora na Austrália. É biólogo e acabou de completar trinta anos. Meu marido faleceu há quase dez anos.
– Entendo, sinto muito. Eu imagino que sinta saudades do seu filho.
– Sim, mas eu aprendi que não podemos viver agarrados aos nossos filhos pelo resto da vida. Uma vez ao ano tenho férias e vou visitá-lo. O Sr. Cullen paga minha passagem, ele é um homem com bom coração. Meu filho também vem me visitar no Natal. Ele é casado e tem uma filha. Minha neta está com quatro anos.
– E como ela se chama?
– Juliana. – sorriu – É uma menina muito esperta.
– Eu posso imaginar. – sorriu de volta.
– Gostaria da sua panqueca com geleia de framboesa ou de morango, Sra. Cullen?
– Framboesa. – esperou Ruth lhe servir – Obrigada.
– Qualquer coisa é só pedir, Sra. Cullen.
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