Contratempo

1 O despertar das paixões


Notas iniciais
Olá, como vai? Essa é a primeira vez que estou publicando algo, então caso queira enviar alguma mensagem ou dar seus feedbacks a respeito do que estão achando da história, podem me chamar no twt: Aricaco1 . Fico aberto para os apontamentos referentes a erros de ortografia e semântica. Muito obrigado a todos vocês, Boa leitura!

Era por volta das onze e meia da manhã de um domingo quando acordei, abri os olhos e me espreguicei.Quando vi, já tinha perdido uns seis alarmes, mais uma semana em que não organizei meus horários.

“Bom, amanhã será diferente, será um dia importante”, pensou e virou para o lado enquanto assistia a alguns vídeos na internet e acompanhava as notícias do dia. Após um tempo nesse marasmo, olhei ao redor e meu quarto estava uma bagunça, faz umas duas semanas em que prometi que iria organizar essas tralhas e não o fiz. Um cansaço pelo ambiente em que estava tomou conta de mim e decidi dar um basta, nem que seja só para tirar a poeira. Na manhã seguinte terei um teste para realizar em uma escola de música, farei uma audição. “Não passarei sendo desleixado assim, a música é objetiva, direta!”, pensou.

Levantei e fui preparar uma xícara de café para me acompanhar nessa jornada, também peguei os produtos de limpeza e coloquei uma música animada para me motivar. Música é algo que constantemente altera o meu humor, foi o que escolhi para não adiar isso novamente, me manter motivado e em foco.

Sempre fui uma pessoa acumuladora, guardava muitas coisas sem motivo algum. Tinham caixas e caixas de memórias sem sentido ou sem motivo especial qualquer para estar ali. Por isso, bolei um plano de organização que iria começar pelo armário e pegar todas as caixas e ir arrumando de cima para baixo. No início, encontrei muitos documentos, folhas e rascunhos referentes ao período em que frequentei a escola e a faculdade, não tinha mais necessidade de manter eles então descartei. Juntei também diversos livros, revistas e histórias em quadrinhos que estavam ali para a doação. Um dos objetivos era encontrar as partituras que ganhei quando mais novo, quando iniciei meus estudos no piano. Encontrei uma caixa um pouco empoeirada no fundo do armário com diversos pertences meus da infância, nela estavam as partituras e junto a elas, uma foto de um grupo de amigos da rua em que morava quando criança. Vi a foto e automaticamente minha vista ficou focada em uma pessoa, esbocei um leve sorriso quando a vi.

-Nossa, eu tinha uns 13 anos nessa foto, era bem mirradinho — falei rindo — E olha só ele haha, ele sempre esboçou essa energia, se destacando dos outros. Nós éramos bons amigos, como será que ele tem passado?

Ao longo do dia pensei em como ele estaria hoje em dia, afinal, a última vez em que nos vimos, foi há 12 anos atrás e nem sequer mantivemos algum tipo de contato. Durante a noite , antes de dormir, tentei procurar por ele nas redes sociais ,alguma coisa que me trouxesse informação sobre ele, não encontrei e acabei adormecendo durante a pesquisa.

Na manhã seguinte, o quinto alarme tocou e quando vi, levantei desesperado. Estava atrasado. Me arrumei da forma que pude, coloquei algumas trocas de roupa e as partituras na mala, peguei junto a foto e guardei-a no bolso . Saí às pressas de casa enquanto pegava uma fruta para comer no caminho. Subi na bicicleta e pedalei o máximo que meu corpo era capaz de aguentar, estava nervoso com a audição, não poderia deixar essa oportunidade escapar. Depois de 20 minutos pedalando, cheguei ofegante ao local, parei a bicicleta onde era possível e a larguei lá no estacionamento, seguiu-se apressado para o auditório.

Correndo pelos corredores, mesmo nesse estado, não pude deixar de pensar nele.

“Será que ele acabou seguindo o mesmo caminho que o meu? Acho que ele estaria aqui me assistindo…”.

Enquanto me perdia em pensamentos, esbarrei em alguém que saia do banheiro, pedi desculpas e segui de forma acelerada pois estava com pressa. Cheguei ao auditório.

-Você está atrasado, suba logo! Estamos esperando — disse o reitor

-Sinto muito, não irá ocorrer novamente. — disse enquanto subia no palco

O nervosismo tomou conta de mim, sentei, me posicionei e respirei fundo.

-O que você irá tocar para nós? — perguntou um dos avaliadores

-Beethoven, a Sonata ‘Pathetique’ No. 8.

-Muito bem, pode começar!

Quando comecei a tocar, as notas fluíam da minha mente e escorriam para as mãos, mas nesse turbilhão todo, uma coisa veio à tona para mim. O rosto familiar desse alguém com quem esbarrei nos corredores e finalmente me recordei, “Como pude não perceber na hora? Você está aqui”. E segui tocando, com um sorriso no rosto.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.