Contrat D'amateurs
1 Prólogo
Notas iniciais
Tá, eu não quero demorar muito aqui, só quero dizer que pode ser que seja meio no-sense tipo Falling In Love e-e e quero que saibam que eu estava com essa ideia fazia tempo, mas só consegui parar e escrever agora, então u.u
Não que estivessem acostumados àquilo, mas aquela fora uma das sessões de terapia mais cansativa que já tiveram. Tanto ela quanto ele. E o assunto era um dos mais sérios. Eles. Cliff Wolfe falava desde o começo sobre amizade, compreensão, companheirismo e sobre como os dois haviam chegado ali, quando, de repente, Castle conseguiu retirar seus olhos da janela, enquanto ela retirava os olhos de qualquer objeto inanimado e prestaram atenção à última frase que saiu da boca do psicólogo.
- Por isso, chego à conclusão de que a tensão sexual de vocês dá-se porque vocês se imaginam em situações com o qual pensam que não podem lidar com, ou seja, um dos dois se imagina beijando o outro em um ambiente de trabalho, mas não chega a fazer isso, quer, mas não faz, porque pensam que não podem, então só ficam imaginando como seria, porque acham que seria errado e que estariam quebrando as regras.
- E estamos! – gritou Castle – Quer dizer... Estaríamos, se tivéssemos feito algo, o que não fizemos.
O psicólogo pigarreou, voltando seu olhar para a policial, que nada dissera desde que chegara naquele consultório. Castle percebeu-a quieta, olhando-a também. Não demorou muito até que ela percebesse os olhares penetrantes voltados para si, o que a incomodou de certa forma.
- Eu não vim aqui para tratar de uma suposta tensão sexual. – ela disse – Estou aqui porque minha chefe pediu-me para vir com ele, para tratarmos o assunto do trabalho.
- Assunto do trabalho? – indagou Castle.
- Você não querer mais trabalhar comigo porque eu disse que não lembrava de nada. – ela suspirou.
O olhar do psicólogo agora trazia um brilho maldoso, quase como se soubesse o que acontecera. Porém, antes mesmo de falar alguma coisa, Kate sorriu para ele com deboche, perfurando-o com palavras hábeis:
- Eu levei um tiro. – ela disse.
- Eu me declarei, e ela quase morreu em meus braços. – ele completou.
- Mas eu lhe disse que não me lembrava – ela suspirou, voltando o olhar para as nuvens – E então, ele está bravo comigo, e se recusa a colaborar na delegacia.
O psicólogo assentiu, anotando algo numa folha. Não que aquilo tivesse que ser escrito e lembrado, mas seria uma boa desculpa para o que ele tinha em mente e poria em prática. Os olhos de Castle seguiam qualquer movimento da caneta no papel, tentando decifrar qualquer coisa que se passasse pela cabeça do homem.
- Certo – o homem disse – Minha avaliação está completa, e acho que gostariam de escutá-la.
Como nenhum dos dois disse nada, ou emitiu som algum, Cliff prosseguiu com a fala:
- Vocês estão aqui para eu abaixar o nível de tensão sexual entre vocês, para que possam continuar suas vidas pessoais com outras pessoas – ele pausou, olhando para ele, e, em seguida, para ela – Mas isso só dá certo se vocês realmente quiserem isso. Ou seja, só dará certo se vocês não se sentirem atraídos um pelo outro.
Castle não se pronunciou, mas os olhos da policial saltaram das órbitas. Por mais que quisesse, ela não devia se envolver com ele, nem com ninguém no ambiente de trabalho – e ela já havia feito isto, o que não fora nem um pouco bom para sua vida profissional.
- Nós já sabemos que o Sr. Castle tem algum tipo de atração por você, senhorita. – ele sorriu – Mas a minha questão é: por que você não poderia sentir algo por ele?
Essa foi a vez dela de engasgar com o nó na garganta. Não que não estivesse esperando o dia que alguém lhe perguntasse isto, mas, certamente, ela não esperava que fosse ao lado dele, com ele ouvindo.
- Verdade, Kate. – ele sorriu – Afinal, sou bonito, habilidoso, mantenho a forma, faço você rir, e, além do mais, sou o escritor mais sexy de toda a Nova York! – ele riu – Você esqueceu?
- Não, Castle. – ela disse, revirando os olhos – Ter você e a sua humildade ao meu lado todos os dias não me deixam esquecer.
Os olhares foram dirigidos a ela, que deu de ombros, ignorando qualquer suspeita de sentimento – que ela tentava a muito, esconder de todos.
- Querem saber? – indagou Cliff. – Tenho uma proposta de experiência para vocês.
- Qual? – quis saber Castle, receoso.
- Vão tirar folga por dez dias e vão fingir que são um casal. – ele sorriu, ao ver a expressão atordoada da policial – Vão sair juntos.
- Ora, tudo bem. O que temos que fazer? – foi a vez de o escritor perguntar.
- Não acredito! – ela exclamou, pondo-se de pé – Não acredito que vai entrar nessa e me arrastar junto!
- Por quê? – ele indagou – Vai ser como sempre fazemos, ou fazíamos depois de um caso! – ele riu.
- Não, não vai – interferiu o psicólogo –... Vocês terão de andar por aí, fingindo serem namorado e namorada. Vão sair juntos à noite. Você vai convidá-la para jantar, vai lhe entregar flores, e vão ser carinhosos um com o outro como se estivessem realmente num relacionamento. Ou melhor, como se estivessem verdadeiramente apaixonados um pelo outro e você, senhor Castle, como se estivesse mesmo tentando seduzi-la.
- Afinal, por que isso? – indagou Kate, impaciente.
- Porque, vejam bem, quando eu tento diminuir a tensão sexual de vocês, ela só aumenta. Então, veremos se eu fizer completamente o contrário, ela diminua de vez. – ele sorriu, orgulhoso de seu raciocínio.
- E se nós nos recusarmos? – indagou a policial.
- Então, serei obrigado a preencher uma ficha dizendo que vocês não querem colaborar comigo, que não são aptos para trabalharem juntos, e aí serão imediatamente separados pelo departamento. – ele sorriu.
- Você não faria isto! – exclamou Castle, levantando-se.
- Duvida?
A detetive pôs-se de pé, ignorando o psicólogo a sua frente. Castle pigarreou, e, com um pouco de receio, pôs o braço por cima dos ombros da policial, que lançou-lhe um olhar raivoso, quase que o induzindo a retirá-lo de si.
- Ah, e, à propósito, já falei com o departamento: ambos estão temporariamente expulsos por três semanas! – ele disse, expressando felicidade.
- Mas você disse dez dias! – gritou ela, empurrando o braço do escritor. – Você não pode fazer isso!
- Sim, eu posso... – ele disse, levantando-se de sua cadeira, guiando o casal para fora de seu consultório. – E espero vê-los com uma relação melhorada daqui a dez dias.
Antes de fechar a porta, e vê-los se afastando, Cliff rugiu:
- Ah, esqueci! Vocês não podem contar a ninguém que o romance de vocês é só fachada. – ele sorriu – Quero dizer, quanto mais as pessoas acreditarem, melhor será.
- O quê?! – ela berrou.
- Boa sorte, pombinhos! – ele disse, fechando a porta, trancando-se do lado de dentro.
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