Notas iniciais
A história é bem bobinha, mas eu gosto de coisas assim, então eu resolvi postar e compartilhar com vocês.
Se acharem qualquer erro de português, por favor, me avisem.
Nos vemos lá em baixo?

Irritante. Aquilo era realmente irritante.

Não lembro ao certo quantas vezes me virei, de um lado para o outro, em minha cama, mas me lembro muito bem de ficar horas sem conseguir dormir. Essa era uma das desvantagens de ter um gêmeo. Aparentemente, não conseguíamos dormir longe um do outro. Irritante. Por que tinha que sofrer por causa disso? Não havia pedido pra ter um clone.

As palavras de meus pais ainda vagavam em minha mente, sem utilidade alguma, elas diziam: “Vocês já são grandes demais para dormirem na mesma cama. Vocês têm dez anos, temos que acabar com isso.” Bem, não era como se fosse um crime, ou como se eles estivessem errados. Na verdade eles tinham toda a razão, não é saudável estimular relações desse tipo entre gêmeos, afinal, mais cedo ou mais tarde eles têm de se separar. Está bem, esse tipo de pensamento sempre me irrita. Na verdade, tudo o que era em relação à ele me irritava. Eu não queria precisar dele pra dormir direito. Não queria precisar dele pra me sentir mais confortável na escola. Não queria ser o único a entendê-lo, e muito menos queria que ele fosse o único a me entender.

Cocei meus olhos cansados me sentindo realmente irritado, ele nem ao menos estava tão longe de mim. Seu quarto era bem em frente ao meu, se eu me concentrasse bastante, era como se eu pudesse sentir seu coração bater. Mas, se ele estava assim tão próximo, por que raios eu ainda não conseguia dormir? Claro, meu subconsciente precisava de mais contado com ele.

Meus devaneios foram interrompidos por passos suaves vindos do corredor. Virei-me para porta no momento exato em que Nathan a abria sorrateiramente. Seus olhos estavam vermelhos e marejados, seus cabelos negros, levemente mais compridos que os meus, desgrenhados no topo da cabeça. O idiota deveria estar chorando até agora. Como isso me irritava. Ele sempre foi chorão.

-O que foi? – perguntei sem precisar, de fato, de uma resposta.

Ele me olhou choroso, enquanto esfregava seus pés uns nos outros – provavelmente as meias cor-de-rosa não esquentavam o suficiente. Pude ver, pela luz pálida da lua, que seu rosto estava corado.

-Não consigo dormir – declarou agarrado na barra do pijama.

-O que eu tenho a ver com isso? – Bem, eu não era uma criança muito fofa.

-Sei que você também não consegue dormir – disse com o cenho franzido.

Odiava quando ele lia meus pensamentos.

-O que você quer? – quase exclamei com a voz irritada.

-Dormir com você...

Suspirei. Não tinha muito espaço na cama.

-Você tem sua própria cama, não tem?

-Você sabe que o problema não é a cama – disse esfregando os olhos em uma cópia de meus movimentos. – Não consigo dormir se não estiver perto de você.

O olhei ali, parado no vão da porta, e pensei bem no que aconteceria se não o deixasse dormir comigo. A ideia de ficar a noite inteira acordado não me agradou nenhum pouco. Suspirei.

Empurrei meu corpo para o lado, deixando espaço para o corpo de Nathan se deitar ali. Seus olhos verdes, idênticos aos meus, se iluminaram com o meu gesto, e no segundo seguinte, o espaço vazio da cama havia sido preenchido pela segunda parte de mim mesmo. Uma parte minha com vida própria. Tão diferente.

-Obrigado, Nick – me agradeceu envolvendo-me com seus braços em um abraço quente. Seu sorriso, ainda que copiado de mim, se abria mais do eu poderia sorrir.

-Tudo bem – disse minimamente. – Mas não se esqueça de que essa é a ultima vez. Você tem que aprender a dormir sozinho.

-Prometo que vou me esforçar – suas bochechas coradas me fizeram corar também.

Nathan me apertou mais forte contra si e fechou os olhos levemente. Seu coração batia de uma forma tão suave que acalmou as batidas de meu próprio. Batendo como se fossem apenas um. O silencio dominou o quarto, e em meros minutos eu mesmo comecei a pegar no sono. O hálito de Nathan, acariciando meu rosto levemente, me acalmava. Tudo nele me acalmava.

Mesmo hoje, depois de tantos anos. Ele me deixa em sincronia comigo mesmo.

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Ah? Se isso é contraditório?

Notas finais
Se chegou até aqui pode deixar um review, adoraria saber a sua opinião, sendo ela positiva ou negativa - vamos bater um papo? uahsuahs'
Apenas lembrando que isso é fictício e eu não faço ideia se gêmeos se comportam assim fora da ficção dos filmes e todo esse mimimi. Espero não ter incomodado, ou generalizado, ninguém com isso.
Obrigada por ler e espero que tenha gostado.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!