Contra o Tempo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Jane e Maura estavam juntas e a espera de um bebê, e só esse fato já faziam delas um casal feliz.
Não haviam se passado 2 meses desde que Maura havia voltado para Boston, para acompanhar a inesperada gravidez de Jane, abortando assim seu projeto na Imperial College of Science,Technology and Medicine, em Londres .
Qualquer profissional ficaria triste por ter desperdiçado a experiência de ministrar aulas em uma universidade tão renomada como essa, mas não Maura, não alguém que antes de qualquer coisa, queria ser feliz no amor, queria estar e ter em seus braços alguém que ela sempre amou, mas que só agora tinha certeza da dimensão desse sentimento, e o que a deixava ainda mais feliz, a certeza de que Jane também a amava.
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–Hey !Bom dia dorminhoca !
Maura oferecia entre beijos e leves toques com o dorso de sua mão passeando pelo rosto de Jane.
Ainda sem abrir os olhos, Jane sorri pra Maura, e toma o ar profundamente.
Jane definitivamente não se importava de acordar cedo quando era Maura quem lhe acordava com a sensação de liberdade que o cheiro de seu perfume de rosas lhe trazia.
–Bom dia meu amor!
A voz de Jane estava ainda mais rouca do que de costume, o que deixava Maura encantada.
–Como estamos essa manhã?
Maura relaxa a cabeça sobre o ombro à espera da resposta da mulher, e não resiste em tocar seu ventre .
–Well, parece que as fases dos enjoos matinais cessaram, yay ! Estamos bem meu amor,e você ,dormiu bem ?
Jane se sentava na cama, e enquanto aguardava a resposta de Maura, ajeitou por trás da orelha da loira uma mecha de cabelo loiro que insistia em cobrir parte de seu rosto.
–Melhor impossível. Você dormiu em meus braços!
Maura sorri ao ver que Jane ainda não se acostumou com todo seu romantismo.
Jane está visivelmente corada, e para tentar disfarçar a vergonha, e saciar a vontade de ter Maura mais junto dela, ela se inclina e carinhosamente beija os lábios rosados da mulher, que sorri com seus lábios encostados aos da morena.
O beijo é delicado, e não demora muito a ser interrompido. Jane havia dormido um pouco mais pois estava de folga, mas ao ouvir seu celular e o de Maura tocar ao mesmo tempo, ela tinha certeza que sua folga havia ido para o espaço.
–Rizzoli
(.....)
–Isles
(.....)
–Okay estamos indo para aí.
–Jane, você deveria tomar café antes! Você precisa se alimentar melhor, agora que você está grávida.
Maura dizia ao ver que a morena, logo se apressou em se vestir sem ao menos tomar banho antes.
–Não dá tempo Maur, pela descrição do Korsack, a cena é pitoresca, e você mais do que qualquer um sabe o quanto cada segundo faz diferença num corpo.
–Sim, eu sei, mas de qualquer forma, a sua vistoria não vai interferir nas evidências deixada no corpo, e como eu sou a legista, eu posso e vou –Maura enfatizava a palavra ‘vou‘ dando a Jane a certeza de que ela não tinha escolha senão , aceitar as resoluções da mulher- eu vou na frente!
Jane tenta interromper, e se opor à resolução, mas Maura apenas levanta sua mão, pedindo que Jane nem tentasse dissuadi-la.
–... e você faz seu desjejum como deve ser feito, a cena vai ser impecavelmente preservada, eu garanto. Vá tomar seu café, nos vemos lá em breve.
Maura estala os lábios no de Jane e sai, mas não sem antes recomendar:
–Dirija com cuidado, e sem pressa, eu me certifico de que Frankie tomará nota de cada detalhe na cena do crime.
–Okay Doutora, recomendações anotadas. Dirija com cuidado também, até mais.
Jane vai em direção à cozinha, e após alguns minutos, e muitas torradas,bacon e ovos que Maura havia lhe preparado ela enfim parte em direção à cena do crime .
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–Em todos esses anos, eu nunca vi tamanha crueldade
Korsack parecia consternado. A cena diante dos olhos dos detetives eram torturantes, e eles se sentiam mal por estarem diante de Maura, eles sabiam que para mulheres , presenciar cenas assim , cenas pitorescas por predadores sexuais era ainda mais difícil.
–Pobre garota, tinha um futuro inteiro pela frente, ela não devia ter mais que 24 anos.
Maura dizia as palavras sem levantar o olhar, e num tom quase inaudível.
–Frankie? Você pode pedir que a cubram?–Maura pedia enquanto Frankie atentamente a escutava.
–Claro que sim Maura, com licença.
Maura lhe dá o consentimento com um breve menear de cabeça, mas dessa vez o sorriso gentil não veio em seguida.
–Você está bem doutora?
–Sim, Korsack, mas não é todos os dias que a gente se depara com cenas assim, por mais profissional que sejamos, uma ou outra nos toma de maneira diferente.
–É verdade, e com a experiência que eu tenho, e que já tinha antes mesmo de você ser a Doutora Maura Isles – Korsack salienta o prestígio que a legista obtivera– foram poucas as vezes que eu vi tamanha crueldade.
–Prontinho doutora, o corpo está coberto!
–Ah, Okay , obrigada Frankie , essa garota já foi exposta demais .
–Bom dia!
Uma voz grave, mas que parecia trazer espanto em seu tom, ecoava dentro do cômodo da casa.
–O que diabos aconteceu aqui?
–Isso é você que vai nos dizer detetive!
Korsack tentava descontrair. A cena era realmente chocante, e ele estava ainda mais tenso por estar agora diante de duas mulheres.
–Jane? Você está bem?
Maura notava a expressão de Jane, ela sabia que assim como ela, poucas cenas como aquela a morena havia presenciado. Jane estava perplexa, e isso porque sequer havia visto o corpo que Maura solicitou que cobrissem.
–Eu estou Maura, mas eu juro, quem fez isso não vai ficar bem quando eu puser as minhas mãos nele!
–Então vamos começar essa busca o mais rápido possível. Korsack dizia um pouco mais seguro
–Me atualizem enquanto eu vou dar uma olhada no corpo.
Jane dá dois passos em direção do corpo, quando Maura a interrompe
–Jane, eu acho que você deveria deixar esse caso nas mãos de outros detetives.
–O que? Como assim? Por que eu deixaria Maura?
–Jane, é realmente um caso a se pensar, eu não acho que mulheres deveriam estar à frente de crimes dessa natureza contra outras mulheres, mas em todo caso, esse caso, essa vítima, exige estômago forte, e sangue frio, e nós sabemos que seu estômago até era forte há pouco mais de três meses, mas seu sangue, ah, esse nunca foi frio.
Korsack sabia que Maura e Jane eram um casal, mas desconhecia a gravidez da morena e estranhava que se tornou hábito de Jane ter acessos de vômito na cena do crime.
–Oque? Não! Claro que não! Eu nunca dispensei um caso, e não será esse o primeiro.
Jane tentava manter a voz firme, mas ela sentia que aquele caso seria diferente, só não previa o quanto.
–Jane! Por favor? Frost, Korsack e Frankie podem muito bem assumir esse caso.- Maura a olhava com um olhar de súplica que deixou Jane balançada.
–Meu Deus o que diabos esses lençóis escondem? É pior do que essas paredes lavadas de sangue? Jane perguntava, mas antes que Maura a respondesse uma voz soma-se no local
–Conseguimos descobrir quem é a nossa vítima.
Frankie falava adentrando na cena do crime novamente.
–Hey Jane!
–Hey Frankie !
Jane lhe sorri, mas logo o apressa pelas informações
–E então, quem é nossa até então Jane Doe?
–Brenda Grey, ela tinha 24 anos, morava em Nova York, veio para Boston à passeio, conheceu Liam, mas voltou para Nova York e mantiveram o relacionamento pela internet, e viviam em ponte aérea, até que 3 meses atrás resolveu vir para cá.
–Certo, quem é Liam, o que ele faz? – Perguntava Jane atenta aos fatos.
–Liam Hamilton. Ele é soldado, e está numa missão no Afeganistão, segundo informações de um primo que mora nesse condomínio, e que dividiu aluguel com ele antes de Brenda se mudar para cá, segundo esse primo, Liam deveria voltar em 4 dias para o casamento deles.
–Ela não usava um anel de compromisso – Interrompia Maura surpresa com a informação– mas deixa eu ter certeza.
Maura caminha até o corpo e levanta o lençol deixando somente a mão direita da vítima à mostra, ela sabia que era improvável, mas também verificou em seguida sua mão esquerda à procura do anel.
–E então? –Jane pergunta fitando Maura
– Bom, como eu disse, ela não usa nenhum anel de compromisso.
–O que faz do suposto noivo nosso primeiro suspeito. –Jane arqueia sua sobrancelha esquerda, gira nos calcanhares e vai em direção ao corpo que ela ainda não vira.
–Jane, você tem certeza?
– Certeza de quê? Que o suposto noivo, que eu acho que é ex noivo que não se conformou com o fim, e é agora um suspeito? Sim, eu tenho!
–Não Jane! Você tem certeza que, que ...Você vai mesmo ficar à frente desse caso?
–Claro que sim Maura! Eu já vi tantos outros casos de violência contra mulheres, esse seria só mais ....
–OH MY GOD! Oh My God! –
Jane se assusta ao ver a perversidade do assassino, que cortou a garganta da vítima. Agora Jane entendia o porquê de tanto sangue nas paredes e agora ela estava atenta a esguichos de sangue até no teto sobre eles.
–Jane, você está bem? Maura perguntava, passando as mãos por sua cintura, e buscando pelos olhos negros ainda arregalados com a cena que vira.
–Vocês tinham razão, é uma cena como eu acho que nunca vi. Mas esse não era um crime sexual?
–Nós tentamos poupá-la, mas você é teimosa detetive. Mas sim, é um crime sexual, ela foi torturada, estuprada, e por fim quase degolada como você pode ver.
–Foi uma morte terrível.
– A morte em si não demorou tanto, tenho certeza que se ela soubesse que a tortura, findaria com sua jugular cortada, ela teria pedido clemência, teria implorado pela morte, que não levou sequer dois minutos entre o corte da jugular e seu último suspiro.
–Pobre garota, ela era tão jovem. Mass nós vamos pegar esse monstro! Ele não vai trazê-la de volta, mas ele vai ter o fim que merece na cadeia.
–Jane, acho que já varremos toda a cena do crime, podemos seguir para o departamento?
–Ah, claro Korsack, esse cheiro de sangue está me deixando enjoada.
–Jane, tem certeza que está bem, deixa eu verificar sua pressão arterial?
–Não Maura, não precisa eu só estou enjoada! Você sabe ...
–Isso tem se tornado hábito inclusive! -Korsack completa fazendo Jane e Maura trocarem olhares de cumplicidade.
–Espera, Maura, o que é aquilo?
–Aonde?
–Ali próximo ao banheiro, na entrada do corredor? -Jane indica o local e Maura acompanha com o olhar
Eu não sei, será que Frankie não anotou, foi ele quem varreu a cena
Maura dirige se ao local onde Jane apontou e coloca suas luvas.
–Frankie, você achou alguma evidência física na cena do crime?
–Não,nada , nem um pedaço de unha .E por incrível que pareça mesmo com a luz negra também não encontramos DNA, sequer líquido seminal, ele deve ter usado preservativo, e luvas , porque só encontramos duas digitais pela casa , uma que certamente são dela , e a outra , já confirmamos é do noivo dela , que por ele ser militar , está no nosso sistema.
–A cada segundo desconfio ainda mais desse noivo
–Jane?
–Sim Maura?
–Seja lá quem foi o monstro capaz dessa atrocidade, essa foi provavelmente sua primeira vítima.
–E o que te faz pensar isso, com toda essa cena macabra ao nosso redor?
–Bem , olhe – Maura aponta e Jane segue a direção indicada– isso , é um chiclete , vamos torcer que tenha estado na boca do assassino , e que o suco gástrico contido nesse vômito não invalide a evidência .
–Ele vomitou? Na cena do crime?
–Eu não especulo, você sabe.
–C’mon Maura !
– Mas tenho quase certeza que sim, contando claro com a possibilidade do vômito ter sido da própria vítima, mas pela distância do copo , eu duvido muito , mas em todo caso eu preciso de alguns testes no laboratório pra ter certeza .
– Espera! Jane atenta-se à janela do banheiro
–Frankie, alguém mais esteve aqui no banheiro da vítima?
–Não, só nós.
– Então essa janela estava aberta quando vocês chegaram?
–Aberta? Aberta como? Totalmente?
– Não importa, o que importa é que está destravada.
–Jane, você acha que?
Jane interrompe antes que Maura expresse sua nova suspeita.
–Nós já vimos isso antes. É o Thompson, tenho certeza.
– Mas Jane, ainda tem pouco mais de 20 dias que o investigamos e ainda estamos na cola dele, ele não seria capaz de tamanha tirania, seria?
–Se não for ele, ele tem um imitador, mas como? Nunca foram divulgadas suspeitas sobre ele.
– Frankie, ela era noiva, e o casamento seria nos próximos dias, desce e fala com o porteiro, pergunta se ela recebeu alguma encomenda , enquanto Korsack tenta um mandado para levarmos o computador dela para a central .
– Okay – Frankie sai e vai à procura do porteiro
–Maura, se for ele a gente tem que descobrir algum material genético que o incrimine dessa vez.
–Eu sei que sim, mas a julgar pelos crimes anteriores, ele não vomitaria na cena do crime, ele certamente teve um novo cúmplice
Maura se levanta e caminha entrando no banheiro
–O que você vai fazer? Pergunta Jane
–Eu vou verificar a trava da janela se há digitais, e nos tapetes do banheiro se há algum fio de cabelo.
–Korsack, manda buscar o cúmplice do Thompson na clínica.
–Jane não há nada além do vômito aqui, as nossas esperanças estão todas aqui.
Frankie volta à cena do crime depois de falar com o porteiro.
–Jane, como você suspeitava, a vítima recebeu a visita de um entregador. Temos imagens dele, o porteiro vai disponibilizar uma cópia.
–Sem pedir que lhe mostrássemos um mandado para isso?
–Sim, ele disse que foi instruído a sempre colaborar com a justiça em casos assim
– Menos mal.
Korsack chega à cena do crime com o suspeito algemado, e antes mesmo que Jane faça contato visual com ele se sobressalta ao ouvir o grito:
– É ele, foi ele! Foi o doutor Thompson.
–Você tem certeza?
–Absoluta! É o jeito dele agir, mas eu confesso que em todas as cinco vítimas anteriores ele nunca havia feito algo tão macabro assim.
–Eu preciso que você nos acompanhe à central, vamos levar as fitas de segurança para serem analisadas, a vítima havia recebido uma entrega hoje pela manhã.
–É ele detetive, eu não tenho dúvidas. E agora só aumenta meu medo.
– Calma, você está seguro, e permanecerá enquanto colaborar com a polícia.
Frankie havia saído para pegar a cópia das imagens e entrava novamente à cena do crime.
–Jane, já temos as imagens.
–Certo Frankie, obrigada. Maura, podemos ir?
–Podemos sim, nada além do vômito havia passado sem ser notado, nossas esperanças estão nessas evidências.
Todos seguiram para a central enquanto a equipe de Maura ficou no local para promover a remoção do corpo.
Já na delegacia, Jane ao lado do suspeito assistem as cenas do entregador .
–É ele detetive !
–É ele quem ?
– Julio , Julio Acosta se não me engano .
– Tá , Frost , já busca o nome que ele falou .
–Okay.
– E o que ele faz?
–Bom, ele é imigrante ilegal , e o Thompson defendeu ele numa causa , assim como fez comigo, e de graça , conseguiu inclusive o green card para ele , pagando tudo . Até hoje eu suponho, ele não devia saber o que Thompson queria em troca .
– Usar como vigia no seu lugar !
–Isso .
–Frost , consegue um mandado e vai atrás dele, eu o quero aqui ainda hoje.
– Okay .
Frost sai e Jane é chamada por Maura no necrotério, mas antes ela pede que Korsack leve a testemunha de volta à clínica .
– Maura , você me chamou ?
–Chamei , eu preciso que você veja isso, mas eu preciso que você não surte .
– O que você achou Maura ?
–Dentro do corte do pescoço da vítima havia algo que só aqui eu pude identificar.
– E o que era?
– Um micro sd , uma memória externa para dados .
–Eu sei o que é um micro sd Maura , mas o que tinha nele ?
–Fotos ,vídeos , da sua casa , inclusive uma em que você aparece na janela como se verificasse se algo estava diferente do que deveria estar .
Jane engole seco com as informações de Maura , ela sabia que era um aviso claro de que ele sabia onde encontrar Maura , e que era uma questão de tempo .
–Maura , você olhou todas as imagens ?
–Sim , olhei .
– E o que mais tem ? Em algum momento aparece sua casa , seu bairro ?
– Não Jane , eu não apareço nenhuma vez , o que me deixa preocupada .
–Não se preocupe Maur, preocupe-se com você , com seu bem-estar , que eu já sei lidar com essas escórias
–Jane , nós estamos há mais de 20 dias sem ter notícias desse monstro , e logo agora num crime que traz o mesmo modo operandi dele , e com isso encravado no corpo , é definitivamente algo com o que se preocupar.
–Meu amor , vai ficar tudo bem , eu prometo
Jane toma o rosto de Maura em suas mãos e num beijo delicado, ela tenta aclamá-la , quando na verdade ela própria teme pela vida de Maura.
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22 dias atrás
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