Tudo começou com arrepio que senti em minha espinha. Cheguei cansado do trabalho, estava com dores em muitos nervos e extremamente exausto. Passei o dia pensando na hora que iria chegar em casa, tomar um bom banho e poder dormir.

Mas não dormi.

Não por muito tempo.

Eu estava deitado, já coberto, pronto para repousar, quando um leve arrepio percorreu minhas costas. Sentei-me na cama e vi que a janela do meu quarto estava aberta… Mas… Eu havia a fechado. Ou será que deixei aberta? De qualquer forma, fui até ela e a fechei e tranquei novamente.

Deitei novamente na minha cama, quando senti algo em meus pés. Eu já nervoso e alucinado, acendi rapidamente a luz do abajur que ficava no meu criado mudo ao lado cama, já questionando em minha mente “Será que alguém teria entrado no período em que a janela estivera aberta?”, “será que algum animal estranho teria entrado?”, “e se essa coisa me matar?” e quando consegui ter uma visão, era Alfred, meu cão, apenas procurando um lugar para se aconchegar em minhas pernas, meu gato gostava muito de ficar próximo a mim.

Fechei os olhos e tentei dormir novamente. Dessa vez eu consegui. Entretanto, fui assolado por um pesadelo assustador. Sonhei que era um homem, alto, um tanto quanto estranho, não conseguia ver meu rosto ao certo; e tinha um vizinho, eu só tinha olhos para a casa dele, e quando eu olhava diretamente para meu vizinho, ele tinha um véu azul por sobre o olho esquerdo, parecia o olho de um abutre, me observando, e, toda vez que ele pousava aquele olho em mim eu gelava, me arrepiava e pouco a pouco, eu queria tirar a vida do velho, para me livrar daquele olho. Quando vi, já estava criando planos mirabolantes, formas astutas de matar o velho sem que ninguém percebesse, como invadir sua casa e tudo mais.

Criei coragem e decidi, entraria na casa do velho, o assassinaria e depois, só venderia minha casa na imobiliária e iria embora, era o plano mais rápido e prático para acabar com aquele ser imundo de uma vez por todas, e, ainda me safar. Nos meus planos, é claro, incluía fazer parecer ou que era uma morte natural, ou suicídio.

O Velho tinha perdido um filho a pouco tempo, isso justificaria o suicídio… Sim… Isso justificaria o suicídio, seria fácil arrumar um álibi, “estive em casa” pensei eu “inclusive, estive assistindo filmes na Netflix, senhores policiais, entrem em contato com a empresa que ela irá vos garantir que no horário do homicídio, estava assistindo séries!”. Quem é Atena perto do que seria minha estratégia?

Quando tudo do meu plano estava prestes a se realizar, eu já havia entrado na casa do velho silenciosamente pela porta de trás (pelo curto jardim que o desgraçado tinha, ninguém me veria entrar pela porta da frente, muito menos sair), e eu estava com a arma empunhada para enfiar no peito do velho, acordo com um barulho alto, a janela havia aberto novamente, entrando uma forte ventania que fez meu cão correr rapidamente para baixo da cama e a porta do meu quarto se abrir, vendo que uma luz próxima ao corredor estava acesa.

Devo contar a você, que eu possuo Transtorno Obsessivo Compulsivo, então, quando digo que fechei uma janela e apaguei uma luz, muito provavelmente eu realmente fiz isso. E afirmo em dizer que, agora me recordo, que na primeira vez também havia trancado a janela, e eu sempre apago todas as luzes da casa antes de ir dormir, é de lei.

Levantei-me bem estressado com todo o problema, fui até a sala e apaguei a luz. Porém, ao virar-me de costas, a luz acendeu novamente. Apaguei-a mais uma vez. E quando cheguei na porta do corredor, a luz acendeu novamente. O que estaria acontecendo? Seria um defeito no interruptor? Olhei e ele havia se movido, não era um problema na ligação. E quando apaguei pela terceira vez, senti um vento frio passando pelo meio de minhas pernas. Um frio que arrepiou todos os meus pelos corporais. Ouvi meu cão chorando e retornei rapidamente ao meu quarto.

Olhei no corredor e pude ver que a luz estava acessa, e vi de relance uma forma humana no corredor, como se fosse um vulto.

“Ah, foda-se, quem nunca viu um vulto na vida?”

Voltei para o meu quarto, fechei a porta, fechei a janela, deitei-me na cama, e só coloquei a mão para baixo, onde consegui sentir meu cão lambendo minha mão. Alfred está ok. E comecei a ouvir algo pingar.

Pingar, pingar, pingar, pingar…

A gota se formava rapidamente gorda e caía em algo que soava como porcelana. Fechei os olhos novamente e tentei ignorar aquele som, aquela agonia, aquele… Som insuportável de algo pingando. Sentei na cama, e vi que a porta do banheiro do meu quarto estava aberta. Devia ser alguma torneira, da pia ou da banheira não sei ao certo… Mas estava começando a me incomodar.

E pingava, pingava, pingava, pingava.

Num surto de raiva joguei as cobertas para o lado e fui até o banheiro, apertei o interruptor e foi então… Que eu vi o que estava pingando.

A banheira possuía uma estrutura de ferro para prender a cortina de plástico. Alfred estava preso nela pelo pescoço, com o seu corpo aberto e as estranhas de fora, num surto, comecei a piscar, me arrepiar e vi que na parede de pequenos azulejos brancos estava escrito:

“Humanos também sabem lamber”

E senti o último vento frio passando pela minha espinha.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.