Contos do desconhecido...
1 Prólogo
Notas iniciais
O fumo do cigarro espalhava-se por toda a sala, inquietando os outros. Uma senhora de cabelos longos levantou-se dizendo com voz acusadora:
-Nem mesmo aqui largas esse vício? Não percebes que estás a fazer mal a ti e a todos os que te rodeiam?
O homem que fumava tirou o cigarro da boca e deitou um pouco de fumo fora. Deu um largo sorriso e respondeu, com ar divertido:
-Desculpe estar a incomodá-la minha senhora… — Apontou o cigarro na sua direção – Quer um bocado?
A mulher começou a ficar vermelha e estava prestes a explodir toda a sua raiva, mas foi interrompida pela voz de um homem:
-Quietos os dois! Esqueceram-se de onde estão? E apaga-me esse cigarro de uma vez!
O homem assim fez, entre resmungos, enquanto a mulher se sentava. Um homem sentado ao pé dela resmungou:
-Não se pode ter uma conversa normal convosco, não vos podeis esquecer da missão que temos!
Outra mulher sentada ao pé do homem do cigarro falou com ar cansado:
-Vamos mas é acabar com isto de uma vez! – Virou-se para o homem que tinha parado a discussão – Fala de uma vez! Tenho mais que fazer!
O homem suspirou. Tinha o cabelo castanho totalmente desalinhado e tinha um ar totalmente desleixado. Usava uma camisa branca e umas calças pretas. Tinha o ar de quem não dormia há dias, com olheiras que sobressaíam mais que os seus olhos. Estava sentado numa cadeira, na ponta da mesa. No seu lado esquerdo estava o homem do cigarro e a mulher com ar cansado. No seu lado direito estava a mulher que se tinha levantado e o homem que os tinha chamado á atenção. Cinco pessoas no total.
O homem com ar desleixado levantou-se e declarou com voz grave que se arrastava em cada palavra que dizia:
-A todos os presentes tenho o prazer de anunciar que o nosso projeto está cada vez a melhorar, não tem havido advertências até agora e esperemos que assim continue – Fez uma pausa para observar os outros. No seu lado direito teve um aplauso forte, mas no seu lado esquerdo mostravam-se desinteressados. Pediu silêncio e prosseguiu. – Mas para mim isto não basta. Vou descer e ver em que pé estão as coisas. Não sei quanto tempo demorará a minha visita, só vos peço que permaneçam aqui e que não causem nenhuma confusão…
Os presentes anuíram, mas após um longo silêncio a mulher que se tinha levantado antes voltou-se a levantar e falou com voz preocupada:
-Qual é o propósito dessa viagem?
-Apenas curiosidade. Só para ver se está tudo como eu penso.
A mulher sentou-se e o homem dirigiu-se então á porta. Antes de a abrir virou-se para os outros. Fitou-os de cima a baixo e então levantou a mão e disse:
-Até uma próxima vez!
Abriu a porta e embrenhou-se na escuridão á sua frente. A porta fechou-se. E o silêncio instalou-se naquela sala…
Fale com o autor