Olívia passou o fim de Fevereiro para Março recebendo visitas de Gene: eram flores, ligações e conversas sobre o dia. Ele havia dito a ela que fariam uma sessão de fotos e ela daria uma entrevista para falar de sua vida. Ligou para Dennis para saber se havia alguma novidade do grupo secreto que alertavam meninas contra as garras da sexualidade precoce em Hollywood e que a cada dia que passava o grupo conseguia afastar as meninas de lá com a ajuda também da Igreja Batista.

Ela continuava a escrever seus pensamentos sobre aquela indústria, as injustiças cometidas pela MGM e seu envolvimento com a propaganda Nazista.Ela escreveu duras críticas na introdução do livro ao cinema que não dera valor algum a pessoas inteligentes como Donald O’Connor, Gene Kelly, Pier Angeli, James Dean, Marilyn Monroe.

Depois que a MGM destruiu todo o trabalho de Buster Keaton, ficou claro que Hollywood é maquina de fazer dinheiro e não cultura. Quantos homens e mulheres de notável inteligência foram obrigados a se rebaixar a papéis imbecilizantes? Você duvida que daqui para 2019 ou 2024 ou talvez até 1990, somente imorais e pessoas de mente fraca serão as estrelas desta nação? Qualquer um que se oponha ao cristianismo, ao amor à verdade e até aos presidentes republicanos será a estrela digna de vários Oscar. Você duvida?

Já haviam 174 páginas datilografadas.

Olívia queria evitar a morte de Marilyn Monroe mas havia uma grande barreira que ela não conseguiria romper: seus abusadores disfarçados de médicos psiquiatras. Ela teria que esperar chegar os anos 60 em diante para poder digitar algo sobre ela até sua morte. Tentou salvar James Dean mas apenas mudou a forma de morrer e com isso entendeu que ninguém morre na hora errada, apenas de forma terrível. Estava sendo cuidadosa em relação a sua intromissão na vida dos atores e Dennis já havia dito a ela que não se metesse em nada.

— Olívia, Betty Page não é nenhuma menina inocente. Ela não está neste mundo da pornografia esperando ser chamada para fazer algum filme.

— Pornografia? – disse Olívia incrédula – Ela bate foto de calcinha e soutien murchando a barriga.

Denis virou-se e abriu a gaveta de sua mesa de trabalho. Procurou algumas fotos e separou para ela. Olívia arregalou os olhos ao ver que estava terrivelmente enganada.

— É pornografia. – afirmou ele

— Nunca vi estas fotos antes.

— São divulgadas em revistas vendidas no mercado negro, digamos assim. Lá se vende filmes pornôs feitas com aspirantes a Hollywood.

Betty Page estava nua e em várias posições e ela logo se lembrou de James Dean.

Ele entregou outra foto de uma mulher em vestidos de seda com um gato nos braços.

— Bonita. – disse Olívia – Quem é ?

— Audrey Munson a super modelo de 1910. Ela fazia nus artísticos o que era considerado inapropriado para a época, ou seja, pornografia. Depois que a acusaram de ter envolvimento com o assassinato de uma mulher pelo marido por que ele queria casar com Audrey, ela sumiu da vida pública.

Olívia admirava aquela mulher de beleza simples, natural. Ela se assemelhava muito com as mulheres pintadas nos quadros de John William Waterhouse e alguns de Howard David Johnson que por coincidência eram os favoritos de seu pai. Em uma das fotos, Audrey estava nua e completamente depilada o que era bastante raro para a época.

— Disseram que ela está em uma clínica psiquiátrica por tentar suicídio e culpar os judeus por sua queda. O que eu quero dizer é que pessoas são problemáticas e bom seria se você apenas observasse.

— Culpar os judeus? – Olívia riu – Melhor não espalhar isso para ninguém. Disseram que Martinho Lutero foi quem incentivou o Nazismo por ter a infeliz ideia de escrever Dos Judeus e Suas Mentiras, se souberem disso,vão dizer que a Audrey foi quem incentivou o governo Alemão.

Olívia já não tinha mais nada para digitar. Entregou uma cópia para Dennis e esperou, um dia após o outro algum acontecimento. Depois de limpar a mesa da cozinha pela bagunça de rascunhos e de tirar o lixo cheio de papéis e levar para rua, ela decidira começar a ler os livros que ganhara de Gene até a hora que ele viesse vê-la ou ligasse. No corredor, ela tropeçou na linha do telefone e ambos caíram. Ela cortou o cotovelo na queda e seu pé estava enrolado, não se sabe como, nos fios. O telefone fora completamente destruído e Olívia tentou colocar os fios expostos dentro e fechar a tampa mas algo a fez congelar: ela reconheceu um objeto de escuta no telefone. Este era o barulho insuportável que ficava no telefone sempre que Gene ligava. Ela arrancou o objeto e certificou-se que o telefone ainda funcionava. Observando o objeto, veio a sua mente que a Van provavelmente não era de vizinho algum mas de alguém que estava ali para escutar a conversa. Ficou na janela fitando a Van mas não tinha certeza se havia alguém, então pegou seus óculos de grau e ficou observando mas não viu nada nem ninguém. Ela passou toda a tarde rodando a casa em busca de escutas: achou 1 no abajur, 3 nas lâmpadas pela casa e 1 dentro de seu pote de cerâmica de flores de plástico.

Colocou em uma caixa de presente do tamanho de sua mão e os isolou dentro do armário que havia na sala onde também estava a televisão. Ela sentou-se no sofá e ficou imaginando se alguém havia voltado dos mortos para vingar-se da guerra. Não que seja comum nazistas caçarem agentes femininos infiltrados mas mesmo assim ela estava desconfiada. Dois dias depois, ela e Dennis estavam em um carro monitorando pelo binóculos o trabalho dos “Guardiões” que faziam visitas as casas de meninas que estavam fazendo testes para um papel em Hollywood. Eles se disfarçavam de Assistentes Sociais e faziam perguntas quanto ao abuso, remedinhos para ajudar a ficar acordada, para emagrecer ou convites para beber.

— Dennis, encontrei mais de 5 escutas na minha casa – disse Olívia no escuro do carro, olhando pelo binóculos.

— Escutas?

— Você acha que estamos sendo observados? Tem uma van parada na porta da minha casa há algumas semanas.

— Você recebeu alguma ameaça?

— Não.

— Talvez alguém esteja desconfiando de você por andar comigo... talvez você devesse dar um tempo longe da iniciativa dos Guardiões .

Voltou para casa às 23 horas e veio andando para disfarçar que estivera com ele como sempre faziam. Ao pôr a chave na porta de casa percebeu que a porta estava aberta e seu coração fraquejou. Alguem estivera na sua casa.

Ela tirou sua Beretta da bolsa e deixou a sandálias e a bolsa no chão e só depois tomou coragem para entrar na casa. O abajur da sala estava aceso mas isso havia sido omitido pela grossa e pesada cortina da sala. Ela andou devagar, com um pé na frente do outro e pedia a Deus que não a deixasse errar o tiro. De relance viu alguém sair de seu quarto mas rapidamente voltou ao perceber que havia mais alguém na casa.

Olívia simplesmente puxou o gatilho e pedaços de madeira voaram.

— Você tem 1 segundo para sair daí ou eu vou entrar neste quarto e fazer de você uma peneira, engraçadinho.

Ela estava com o coração acelerado. A cozinha a seu lado estava apagada e ela temia que houvesse alguém lá, espionando. Ela teria feito isso.

— Largue a arma. – disse o homem

— Fora de questão.

Olívia apressou os passos para entrar no quarto. Ao chegar na porta, por entre a escuridão, seus diários de viagem do tempo, seus livros e sua gaveta de calcinha estavam bagunçados em cima da cama. Ela pode ver o homem do outro lado da cama apontando uma arma para a escuridão do corredor esperando o momento que Olívia aparecesse.

— O que você quer? – disse ela mantendo a arma mirada nele

— Saia da escuridão.

— O que você quer?

Ele não respondeu.

Eles se fitavam em silêncio com as armas direcionadas um para o outro.

— Eu vou atirar. – disse ela

— Se eu fosse você eu não faria isso.

A porta da sala havia sido aberta e várias lanternas tomaram a casa.

— Largue a arma, aqui é o FBI.

***

Tamborilando os dedos na mesa com suas unhas, Olívia estava sentada na sala de interrogatório da delegacia. Ela agora entendia que estava sendo ouvida pelo FBI mas o porquê não sabia. Com uma mão no queixo e a outra tamborilando cada vez mais rápido e mais alto, ela estava tentando se livrar da raiva que sentiu quando um bando de policial entrou na sua casa, mandou-a largar a arma e a puxou pelo braço e a enfiou no carro. Ela tinha problemas em se submeter a autoridades e odiava ser tratada como uma marginal.

A porta se abriu educadamente e um homem que ela reconheceu ser aquele que estava em seu quarto, entrou. Olívia tinha uma fraqueza por homens altos e loiros e o Agente Ruppert era o tiro no alvo: 1,90 de altura, sem aliança no dedo, muito loiro, sem barba, olhos azuis. A fraqueza veio à cavalo. Neste caso, no carro do FBI.

Ela se manteve na mesma posição se prendendo para não rir ou flertar. O Agente estava com uma caixa de papelão e uma prancheta com papeis. Ele a olhou calorosa e afetuosamente mas ela já sabia que olhar era aquele: um homem muito lindo olhando da forma certa para fazer suas vítimas femininas fraquejarem e responder. Ela já conhecia esta tática. Malditos loiros dos olhos azuis: por que tão lindos?

— Senhorita Weiss, – começou ele, puxando uma cadeira – sou o Agente do FBI Edward Ruppert. Gostaria de fazer algumas perguntas de sua vida privada e quero que seja bastante objetiva nas respostas e assim poderemos esclarecer qualquer mal entendido e você poderá ir para casa mais rápido.

— Certo. – disse ela . Sua expressão estava dura e seu mal humor já estava dando sinais.

Ele respirou fundo e levantou algumas folhas.

— Você serviu ao Exército britânico?

— Correto.

— Você foi dada como desaparecida em uma explosão dentro de um bar na França. Por que nunca voltou para reclamar suas medalhas, sua compensação financeira?

— Meu jovem, eu estava matando nazista. Você acha mesmo que eu ia voltar e mostrar pra todo mundo que estou viva?

Ela viu que ele se convenceu da resposta.

— Você manteve contato com qualquer aliado de guerra?

— Não e não acredito que após a explosão alguém tenha ficado vivo.

— Você tem certeza?

— Certeza, certeza não, mas o bar explodiu né ?

— Você não teve contato com absolutamente ninguém ?

— Ninguém.

— Conhece Joshua Zimmerman?

— Sim, ele era o Tenente do nosso grupo e morreu no bar.

— Joshua Zimmerman está vivo.

O rosto de Olívia se desfez de aborrecida para espantada. Era inacreditável.

— Você está tirando com a minha cara, não é ? Não tem graça. – disse ela séria com a voz trêmula. – Ele morreu e eu segui em frente.

— Joshua Zimmerman está preso, aqui nos Estados Unidos. Ele foi capturado tentando entrar com documentos falsos e foi preso na fronteira com o México. Ele faz parte de uma guerrilha internacional onde ele abre caminho para que comunistas soviéticos entrem na América Latina, Brasil e Cuba.

Olívia sentiu sua pressão subir. Ela subitamente se levantou da cadeira e fez sinal de negação com o dedo indicador.

— Este é outro Joshua Zimmerman. Não é ele, o senhor pegou alguém com o nome parecido.

— Ele faz parte do Partido Comunista Stalinista.

Olívia virou-se para a parede e sentiu todo o stress da guerra voltar. O homem que a pedira em casamento estava envolvido com aquilo que ela mais odiava. Era outro golpe que sofrera naquela semana. Ela passou anos dizendo a si mesma que ele estava morto e que ele não estava sofrendo sua “morte” e casado com outra mulher que não amava.

— Senhorita Weiss?

— Oi.

— Quer beber alguma coisa?

— Não... obrigada. Por que, exatamente, estou aqui?

— Vasculhamos os documentos dele e descobrimos que você sobreviveu e que estava trabalhando na Warner Bros.

Ela voltou a se sentar mas estava sentindo-se zonza.

— Então, você não sabia de nada disso?

— Se eu soubesse que ele estava vivo, eu iria atrás dele mas não ficaria com ele se soubesse que ele tava fazendo essa merda.

— Queria que você me dissesse o que é isso que encontrei no seu quarto.

Ele abriu a caixa e viu que ele retirava livros. O coração dela gelou: se o diário dela estava lá seria o fim e teria que inventar que era FanFic.

— A Filosofia do Nazismo, A Mente Esquerdista, Caos Planejado... livros peculiares para uma moça.

— Livros excelentes para quem encheu o rabo de nazista de bala. Você não entra numa guerra e depois volta pra casa e assiste novelas. Tudo isso explica a ideologia estranha que está invadindo a Europa desde a Revolução Francesa.

— Então, você nega que seja Comunista?

—Não! Eu afirmo que não sou Comunista. Chega a ser até um insulto!

— E seu namorado, Gene Kelly?

Olívia o olhou rapidamente.

— Você sabe que ele é listado no FBI por apologia ao Comunismo?

—Ele não faz apologia, apenas comia uma gatinha Comunista. Eu já dei uma prensa nele sobre isso. Ele é simpatizante do Partido Democrata por causa dessas idéias de Revolução Francesa e “Libertê Igualitê” e por ai vai.

Ele viu o agente fazer anotações . Ela estava aliviada por saber que não tinha nada a ver com suas investigações contra a pedofilia e abuso infantil em Hollywood mas ainda estava chocada com a descoberta de Joshua Zimmerman.

— Notei algo nos seus livros. – disse ele – São livros que foram publicados em 1979, 1984 e tiveram suas reedições feitas em 2010 , 2013, 2015. O que isso significa?

— Não faço a mínima idéia.

—Que loja você comprou?

— Comprei na Inglaterra, comprei no Sul do Brasil. Não sei a loja, apenas entrei e vi e comprei.

Eles ficaram se olhando.

— O que ? Acha que sou alguma Viajante do Tempo?

— Isso é muito estranho. Livros de anos que nem se quer existem.

—Que coisa, né?

Ele continuou a olhá-la.

— Há quanto tempo conhece Gene Kelly?

—Me diga você que fica ouvindo a conversa dos outros no telefone.

Agente Rupert comprimiu os lábios tentando não rir.

— E eu vou levar meus livros pra casa. Não volte lá pra pegar meus livros ou eu vou meter isso na capa do jornal: “Polícia arromba casa de artista e escuta conversa privada e rouba seus livros.”.

— Você não faria isso.- disse ele com malicia

— Faria sim! Você emputeceu a mulher errada, jovem. Ah! E não quero ver uma nota sobre minha prisão no jornal porque se o Gene for prejudicado por causa dessa sua neura com comunista, ai que publico mesmo.

Ele voltou-se para sua escrita mas desta vez estava rindo. Olívia estava com medo de que eles passassem a vigiá-la mais de perto.

— Aliás, seu namorado está na outra sala sendo interrogado. – disse ele empilhando os livros e passando para ela.

— O Gene? Vocês tiraram o coitado da cama ?

— Ele estava numa Casa de Jogos que também é uma Boate.

Olivia arregalou os olhos.

—Boate? Ora ,ora vejam só.- brincou ela — Quantas revelações esta noite!

Depois de algumas perguntas, Olívia foi dispensada sem nenhuma recomendação de “Não deixe a cidade” mas com uma clara advertência de “esqueça que conhece Joshua Zimmerman e não o visite”. Ela vira Gene Kelly sentado no corredor e ele levantou-se rapidamente quando a viu. Ela realmente queria um abraço e sair de lá. Ela largou os livros na cadeira e o abraçou como nunca antes.

— Tão bom te ver. – disse ela

— Você está bem?

—Não. Recebi péssimas noticias e meu mundo caiu. Eu soube que você estava numa festa. – disse ela, sem tom de reprovação. – Eles te tiraram de lá por minha causa?

— Não. Eles têm meu nome no FBI como apologista do Comunismo e disseram que você tem livros estranhos em sua casa e queria saber se era eu quem estava te influenciando. Olívia, você está bem? Eles te machucaram?

—Não... só arrombaram a minha casa e a gente quase trocou tiro.

Gene a olhou sem entender.

— Eu tenho porte e posse legal de arma e quase matei um agente do FBI quando eu o vi no meu quarto, vasculhando minhas coisas. Os amiguinhos dele entraram na minha casa e me mandaram largar a arma .

Olívia se sentou e massageou as têmporas com os cotovelos apoiados em suas coxas.

— Minha pressão subiu no interrogatório. Eles vasculharam minha vida na guerra, queriam saber se eu sou guerrilheira comunista e descobriram que o Tenente Joshua Zimmerman, o cara de quem te falei que queria casar comigo após a guerra, está vivo e virou guerrilheiro comunista. Ele está infiltrando comunista na América e foi pego aqui com documento falso. Eu estou decepcionada! Eu nem consigo raciocinar.

Ela levantou-se com um semblante pesado: um misto de decepção e tristeza.

— Eu vou para casa.

— Venha para casa comigo. Eu estou vendo você muito perturbada.

Olívia concordou.

No carro, ele contou que seu interrogatório havia sido engraçado. Queriam saber se ele ainda tinha contato com sua ex-mulher e se tinha “aqueles livros estranhos” de Karl Marx nas prateleiras.

Olívia fingiu achar graça.

— Eu não te contei mas o FBI colocou escuta no meu telefone e na casa. Achei várias.

— Eu não acredito que eles fizeram isso com você!

— Fizeram. Queriam saber quanto tempo eu te conhecia e eu respondi : “ Diga você que fica ouvindo a conversa do outros no telefone”.

Gene gargalhou.

— Mentira que tu falou isso!

— Falei! E o Agente Ruppert ficou com cara de quem queria rir.

— Que noite louca! – disse ele, parando na porta da casa dela. – Qualquer coisa me chame, vou te esperar aqui na porta.

Olívia entrou na sua casa e certificou-se que tudo estava no seu devido lugar, jogou os livros na cama, pegou algumas mudas de roupa , seu material de higiene e foi embora.

***

Olívia estava parada debaixo do chuveiro quente. Ela sabia o que estava incomodando: ela havia sido enganada mais uma vez por outro homem. Pelo pouco de história política que ela sabia,Joshua já fazia parte do partido Comunista ou era militante da causa mas o Nazismo veio com fúria e matou tanto comunistas como conservadores. Quando ela voltou no tempo, após a explosão, ficou se perguntando se ele estava morto ou se estava vivo e com saudades dela . Ela se martirizou por sua covardia de não voltar para saber se ele estava morto ou por não querer procurar seu nome na internet e saber que ele foi um herói de guerra que casou e não teve filhos e era infeliz e alcoólatra. Ela tinha medo de ser culpada por qualquer coisa mas depois que descobriu que ele foi um dos responsáveis por infiltrar comunista na América Latina e transformar as nações do Ocidente na merda que se tornaria em breve, a raiva da traição subiu. Mais uma vez, no passado, se apaixonou e chorou por alguém que não valia a pena. Ela reconheceu que Deus estava expondo todo mundo que um dia passou pela sua vida sentimental e que teve extremo significado.

Quando saiu do banheiro, Gene havia deixado uma xícara fumegante de chá de Camomila ao lado da cama. Ela sentou-se na cama e bebeu goles adocicados esperando por ele. Ela estava aliviada em passar aquela noite atormentada ao lado dele porque ela realmente estava precisando de companhia. Quando já havia bebido todo o chá, Gene entrou no quarto e jogou-se na cama, por cima dela.

— Eu soube que dia 9 de Março é seu aniversário. – disse ele. – Quero fazer uma festa para você.

Olivia o olhou com surpresa.

—Festa? Oh... eu adoraria.

— Mas vai ser alguns amigos apenas. Vou te apresentar para eles. Farei um jantar e um bolo de aniversário.

— Oh, Gene. Assim você me constrange. – ela sentiu seu rosto ficar quente.

— Melhor vai ser a surpresa.