Contos de Hogwarts - Marotos

5 A primeira fuga de Sirius Black


Notas iniciais
Sirius Black, aos seus 16 anos, decidi fugir de sua casa no Largo Grimmauld para junto de seu melhor amigo, James Potter. Largo Grimmauld - 1976

O sol de verão se punha ao longe banhando o Largo Grimmauld com o alaranjado dos últimos raios de luz do dia. Observando tristemente através de uma das janelas do número 12, estava Sirius Black. Já fazia alguns dias que o garoto tinha voltado de Hogwarts para suas férias de verão, mas, desde que chegara, tinha se enfiado no quarto e quase não saia, apenas algumas escapadas de madrugada para roubar algumas sobras da janta. Sirius esperava ansiosamente pela coruja de seu amigo, James Potter, que traria a resposta que ele tanto queria. Mal conseguia dormir há dias com a ansiedade da possibilidade de ir embora da casa de sua mãe para sempre.

Desde que fora selecionado para a Grifinória e feito amizade com James, Remus e Peter em seu primeiro ano em Hogwarts, Sirius sofria com a rejeição da mãe. Basicamente ela queria que ele fosse para Sonserina, saísse por aí defendendo a pureza de sangue e odiando trouxas, como não fazia nada disso e ainda se posicionava contra a toda essa loucura, passava seus dias em casa discutindo e ouvindo “por que você não é mais como o seu irmão?”. A cada volta de Hogwarts se tornava mais difícil suportar seus pais e... seu irmão... Eles costumavam se dar bem quando eram crianças, mas Regulus tinha algumas amizades suspeitas em Hogwarts, defendia tudo o que a mãe deles acreditava e... não era mais a mesma coisa

Sirius estava usando seu kit de manutenção de vassouras, tentando se distrair, quando ouviu uma batida na porta:

— Minha senhora pediu para Monstro chamá-lo para o jantar. – Era o elfo doméstico da família.

— Diga à minha querida mãe que não darei o prazer da minha companhia hoje. – Respondeu Sirius de forma seca.

Monstro não respondeu, mas foi possível ouvir seus pequenos passos se afastando pelo corredor. Foi quando uma batida na janela assustou Sirius, que foi correndo para abri-la e permitir que a coruja catedral entrasse, ela pousou no braço da cadeira da escrivaninha e rapidamente o garoto desamarrou a carta que estava em sua perna.

“Caro Padfoot,

Conversei com meus pais e eles disseram que ficariam muito felizes em recebê-lo na nossa casa pelo tempo que quiser ficar. Minha mãe disse que já o considera da família e meu pai acha que passar mais tempo com você poderia me dar um bom exemplo (talvez ele tenha te confundido com o Moony).

De qualquer forma, esperamos por você amanhã de manhã conforme havíamos conversado. Pode usar a rede de flu.

Prongs”

Talvez nem a carta de Hogwarts tenha o deixado tão empolgado. Sirius imediatamente começou a recolher todas as suas coisas e jogar dentro do malão, mal tinha desfeito as malas, então essa tarefa não deu tanto trabalho.

A noite caiu, a rua foi silenciando e a lua cheia brilhava lá fora. “Espero que o Moony esteja bem” pensou enquanto estava deitado na sua cama observando o céu lá fora, afinal, o amigo enfrentava um problema pior que o dele.

Sirius sentiu seu estômago doer de fome e, como já passava da meia-noite, decidiu ir pegar alguma coisa para comer. Saiu silenciosamente do seu quarto e desceu as escadas em direção da cozinha. Monstro dormia profundamente em seu armário, Sirius pegou algumas sobras da janta e comeu rapidamente. Aproveitou que estava ali e já preparou um lanche para comer pela manhã, limpou a bagunça e voltou para o seu quarto. Quando subia as escadas, avistou a silhueta de Regulus, que saia do banheiro.

— Decidiu sair da caverna? – Falou Regulus.

— Sentiu minha falta? – Provocou Sirius.

— Pensei que ia passar o verão escondido e sem falar com ninguém.

— Bom, não é como se alguém fizesse questão de falar comigo. Além do mais, não vou passar o verão todo... – Sirius parou. Não tinha certeza se queria contar os seus planos ao irmão.

— Eu sei o que você vai fazer. – Regulus interrompeu, ele soava frio e indiferente. – Ouvi você e seus amiguinhos conversando em Hogwarts. Você vai fugir pra casa do Potter, não vai?

— Anda me espionando, Reg? – Zombou Sirius. – Não tem coisas mais importantes a fazer?

— Vocês não fazem muita questão de serem discretos.

— O que vai fazer? Contar para nossa mãe?

— Não vou arranjar problemas que não são meus. Só estava curioso... não sabia que fugir fazia parte da coragem da Grifinória. – Sirius sentiu uma raiva crescer dentro de si, se aproximou mais do irmão, mas não queria comprar esse jogo, muito menos discutir com Regulus.

— Existe muita coisa que você não sabe. – Falou Sirius com um leve ressentimento na voz. – Principalmente das coisas que eu passei com nossa mãe para que você não precisasse passar.

Regulus desfez toda a postura indiferente e arrogante que estava, não esperava ouvir aquilo. Ele abriu a boca como se fosse dizer algo, mas não sabia o que.

— Nos vemos na escola, quem sabe. – Concluiu Sirius entrando em seu quarto.

Diversas vezes durante a infância, Sirius tinha se colocado à frente de Regulus e até assumido uma culpa ou outra para defender o irmão dos castigos da mãe. Regulus talvez fosse muito novo para se lembrar... ou talvez apenas fosse mais fácil para ele esquecer. Sirius também não pensava muito nisso, não se arrependia, mas sabia que não teria mais seu irmão mais novo de volta como era antes.

Sirius mal conseguiu pregar os olhos naquela noite, cochilou apenas por alguns minutos, sem nem colocar o pijama. Assim que o sol invadiu o quarto pela manhã, ele se levantou em um salto, já havia revisado se todos os pertences estavam bem acomodados no malão, verificado se os cartazes e fotos estavam bem pregados na parede para que sua mãe não conseguisse tirar e até escrito uma carta avisando que estava indo embora. O garoto pegou o papel amassado e dobrado em seu bolso e releu:

“Sr. e Sra. Black

Fui embora e não vou voltar mais.

Ass: Sirius Black”

“Acho que assim está bom”, pensou consigo, dobrando o bilhete e colocando-o de volta no bolso.

Sirius abriu a porta do quarto com todo o cuidado para não fazer barulho. Desceu as escadas pé ante pé, mal respirando para não chamar atenção dos retratos nas paredes, que dormiam em suas molduras. Entrou na sala de visitas, que só recebia algumas rajadas de sol através das janelas e cortinas, portanto, estava meio escura. Quando se aproximava da lareira, foi surpreendido:

— Decidiu sair um pouco, Sirius? – Era a não tão suave voz da Sra. Black. A mulher estava sentada em uma poltrona do lado oposto à lareira. Usava um longo robe de cetim verde e os cabelos negros presos em uma longa trança, seu olhar era severo e frio.

— Mãe, acordada já, tão cedo? – Falou o garoto se virando para ela.

— Sabe que tenho insônia. – Ela olhava de Sirius para seu malão. – Está indo à algum lugar?

— Ah, sim! – Sirius pegou o bilhete em seu bolso e entregou para ela. – Isso é para você. – Ela leu o breve recado sem esboçar nenhuma reação.

— E posso saber para onde o senhor pretende ir assim? Para não voltar mais? Como pretende se sustentar?

— Estou indo para a casa dos Potter e vou usar o dinheiro que o tio Alfardo deixou para mim.

— Eu sabia! – Ela se levantou. — Aquele seu amiguinho traidor do sangue que faz a sua cabeça... Assim como seu tio... Não consigo nem dizer o nome dele. Tinha tanta esperança de que você não se envolvesse com essa gente, poderia ser mais como seu irmão.

— Tenho certeza de que a gente com quem eu me envolvo é muito melhor do que a do meu irmão. E posso garantir que os Potter são muito melhores do que você! – Nesse momento a voz de Sirius começava a se elevar e ele sentia o coração bater rapidamente.

— Meça suas palavras, Sirius! – Ela também elevou a voz, mas ainda soava fria. – Você pertence a nobre família Black e não deveria se misturar com a escória! Dia infeliz quando você entrou para Grifinória e começou com essas... ideias impuras.

— Se ser um Black significa me envolver com magia das trevas e me tornar um ser humano desprezível não faço questão nenhuma de ser como vocês! De ser um de vocês! Dia feliz quando fui para Grifinória! – Ele sentia a raiva crescer.

— Não deveria esperar grande coisa de você, mesmo. – Ela voltou a abaixar a voz e falava com um tom de desprezo. Apontou a varinha para tapeçaria que continha a grande árvore genealógica dos Black. – Se é do seu desejo, não fará mais parte dessa família. – Era possível sentir o ódio em suas palavras. Um jato de luz voo de sua varinha e a imagem de Sirius na tapeçaria foi queimada.

— Você me faz um favor, Walburga. – Concluiu o garoto tentando disfarçar a voz embargada.

A Sra. Black ainda olhava Sirius com um olhar de desprezo. Ele pegou seu malão, se virou para a lareira e, com o pó de flu, desapareceu daquela casa, para não mais voltar.

Sirius caiu de cara no chão de madeira da sala de estar dos Potter, espalhando fuligem por todo lado. Ainda se sentia muito nervoso pela discussão com a mãe, mas também se sentia aliviado de ter saído de lá. Ele se levantou e limpou um pouco da poeira da roupa, o sol ainda estava nascendo no horizonte e a casa estava em completo silêncio. Talvez tivesse chegado cedo demais.

A casa dos Potter era grande e iluminada, cada coisa estava perfeitamente arrumada em seu devido lugar e tinha um ar muito aconchegante. Sirius olhou em volta e reparou nos diversos porta-retratos com fotos de James e de seus pais sorrindo e acenado, eles pareciam muito felizes em todas elas.

— Quem está aí? – Disse uma voz masculina vinda do corredor. – Não, James, volte aqui!

A cabeça de James Potter apareceu no portal da sala. O cabelo dele estava mais bagunçado do que nunca e ele sorria.

— É só o Sirius, pai. Avisei que ele viria. – Ele entrou na sala e os dois amigos se abraçaram.

— Podia ser um bruxo das trevas! – Falou o Sr. Potter entrando na sala, os dois ainda vestiam pijamas. – Nunca coloque a cabeça primeiro, filho. Varinha à frente!

— Bom dia, Sr. Potter. Desculpe chegar tão cedo. – Cumprimentou Sirius estendendo a mão, o homem retribuiu o gesto.

— Não tem problema nenhum, Sirius. – Ele fez uma pequena pausa. – Vou chamar Euphemia para servimos o café. Ajude o garoto com a mala, James. – O senhor Potter voltou para o corredor subindo as escadas para o segundo andar.

— Venha, vamos levar suas coisas para o quarto.

Sirius pegou suas coisas e acompanhou James pelo caminho até o quarto do amigo, que ele já conhecia há muitos anos.

— Puxa, estou tão aliviado de estar aqui. Nem sei como posso agradecer por terem me deixado vir para cá. – Falou Sirius colocando as malas em um canto.

— Não é como se você já não morasse mais aqui do que na sua casa. — Falou James rindo. – Minha mãe que sugeriu que viesse para cá, quando contei sobre alguns episódios que se passaram na sua casa. Foi mais fácil do que pensei. – Saber que a Sra. Potter tinha sugerido a vinda dele o fez se sentir ainda melhor. – E como foi com a sua mãe?

Sirius contou a James sobre seus últimos dias no Largo Grimmauld, a conversa que tivera com Regulus e a discussão com sua mãe. Enquanto contava, se sentou na cama do amigo e James trocou de roupa.

— Sinto muito pelo que aconteceu, Padfoot. – Comentou James.

— Não sinta. Não faço questão nenhuma de ser da família dela. – Falou Sirius dando de ombros.

— Bem... me refiro mais ao que aconteceu com Regulus. – Acrescentou James. Ele sabia tudo sobre a relação do Sirius com o irmão e, mesmo que nunca tenha contato diretamente, o sentimento que Sirius tinha de que os dois voltassem a se dar bem.

— Está tudo bem. – Respondeu Sirius sem se estender no assunto.

Os dois amigos desceram para a cozinha e era possível sentir o cheiro delicioso de comida sendo preparada. A Sra. Potter estava fritando algumas panquecas enquanto o Sr. Potter terminava de colocar a mesa com ajuda de sua varinha.

— Sirius, querido. – Falou a Sra. Potter virando para os garotos enquanto eles se sentavam na mesa. – Fico feliz que tenha vindo.

— Olá, sra. Potter! – Cumprimentou Sirius. — Sinto muito por ter chegado tão cedo.

— Não tem problema nenhum, querido. Fleamont precisava acordar mais cedo hoje, não é mesmo, querido?

— Com certeza, meu amor. – Respondeu Sr. Potter, enquanto se sentava e abria o Profeta Diário. – Assuntos para resolver no ministério.

A Sra. Potter enviou as panquecas pelo ar para a mesa com um aceno da varinha e se sentou junto a todos.

— Obrigado mesmo por me receberem. – Falou novamente Sirius se servindo de ovos mexidos.

— Querido, você já faz parte da família. – A Sra. Potter lhe deu um sorriso gentil.

Sirius sempre se sentiu bem com os Potter, James era como um irmão e todos sempre o tratavam muito bem. Já passara muito tempo nos últimos verões e até em natais ali e podia dizer que se sentia parte de uma família de verdade.

Notas finais
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