Charlie

E foi assim, Tristan, que acabamos nessa situação.

O que fizemos foi absolutamente proibido. Se fôssemos descobertos, seríamos expulsos. Qualquer coisa que possa... Decorrer daquela noite nos expulsaria. Ou melhor, à ela, porque aposto que ela jamais admitira que foi comigo.

No dia seguinte, quando acordei, Astra já tinha ido embora. No início foi estranho. Depois foi desesperador. E no fim, foi decepcionante. Ela é a única coisa não cruel nessa escola. A única que, como você e Shae, tem paciência para lidar com o meu jeitinho. E acho que estraguei tudo.

Quando estamos na mesma sala, ela dá um jeito de ficar o mais longe possível. Quando eu a cumprimento, ela faz o mesmo, mas faz o possível para fugir. No ar, quando estamos voando, é como se estivéssemos em frequências totalmente diferentes. Quase caímos uma vez!

Não sei para onde vamos a partir daqui. Mas não se preocupe, devo dar um jeito logo

Sinto falta de você, Trist. Espero que você e Shae estejam se dando bem. Nos vemos no fim do ano, no recesso.

Com amor, Charlie.

–Ei, Ás. Podemos conversar?

Ela levantou os olhos do seu prato de comida e vi o pânica cruzar seus olhos.

–Hum... Claro. Sente aí, C.

Posei minha bandeja em frente a dela e sentei na cadeira. Tentei olhá-la nos olhos, mas ela voltou a encarar o prato. Mexeu uma árvore de brócolis para lá e para cá, sem motivo aparente.

–Nós temos que fazer alguma coisa sobre isso, Astra. Não podemos ficar nessa situação.

Ela respirou fundo e assentiu.

–Eu sei... – Às levantou os olhos, abrindo a boca e voltando a fechá-la, medindo suas palavras. – Eu só... Não quero que você ache que eu sou... Assim. Ou que... Ou que jamais possamos ter... Alguma coisa. Eu vim aqui para estudar e, com muita, muita sorte, conseguir trabalhar com o resgate de refugiados na Nova Ásia.

–Não. Não, Astra, eu nunca pensaria nada assim de você. Foi só... Uma noite. Eu sei disso perfeitamente. Eu nunca faria nada que fosse prejudicar nossos sonhos. E eu não quero que isso atrapalhe nossa amizade.

Ela deixou-se sorrir e assentiu.

–Também não ia querer nada disso, C.

Estendi a mão, sorrindo também.

–Amigos?

Ela voltou a assentir, apertando minha mão.

–Mais do que isso. Co-pilotos.

Notas finais
Own