Contos da Seleção - Parte Dois

16 O Chefe da Guarda - Capítulo 6


Tristan

Sério? A garota que você ama vai se casar com um idiota completo e você vai perder tempo lendo?

–Se você falar mais alto, vai perder a cabeça.

Avisei, passando os olhos pelas sessões. E, F, G! Encontrei o que procurava. Genealogia.

–Preciso encontrar algum argumento que impeça Illéa e a França de se unirem. Esses casamentos são todos apoiados em política externa. Se houver um motivo bem sólido...

–E se não houver?

Dei de ombros, pegando o livro. Minha mandíbula começou a doer com a força com que a fechei. Não queria pensar nisso, não podia me dar ao luxo.

–Eu não tenho nada a oferecer a ela, C. Você sabe disso.

Ele suspirou e me ajudou com a pilha crescente de volumes.

–É o que você pensa, Trist.

Segui as linhas das árvores genealógicas desde Gregory Illéa várias vezes, lendo as descrições de cada união. Estudei a história das relações comerciais entre a França e Illéa desde antes das guerras. Importunei a bibliotecária até ela sair atrás de um comprimido para dor de cabeça. Mas foi em vão. Nada impedia que um filho da França se casasse com Shae, especialmente agora que ela permaneceria como regente e ele não teria nenhum poder real além do de Conselho.

Deixei cair a cabeça sobre os livros. Charlie parecia ter mais sorte do que eu, rabiscando furiosamente um pedaço de papel na mesa ao lado, cercado de tantos livros quanto eu.

–Ei, Charlie, alguma sorte aí?

Ele se levantou, trazendo seu papel e estendendo-o para mim. Uma lista.

–O que é isso?

–Nomes. Todas as princesas, rainhas, duquesas e todo o resto desse pessoal real com seus chefes da guarda. Literatura e na vida real. É um hábito bem comum se você quer saber. No mundo todo.

Passei os olhos pelos nomes, seguidos dos seus países e datas de casamento. Imaginei se todos aqueles homens amavam aquelas mulheres e queriam tanto protegê-las quanto eu queria com Shae. Não soube o que dizer à Charlie. Ele queria abrir uma porta que eu sempre imaginei fechada. E conseguira. Não era a toa que queria ir para aquela escola de aviação de elite desde sepre.

Charlie se encostou à mesa.

–Você ainda acha que não tem nada a oferecer? – Ele cruzou os braços. – Você a ama, Trist. O que mais Shae iria pedir de alguém? Não uma rainha ou uma princesa qualquer que quer joias, dinheiro, terras... A nossa Shae. Aquele francesinho mal a conhece, mas você e eu... Nós a conhecemos de verdade. Você e eu sabemos que ela nunca desejaria nada mais.

Encarando a lista, assentiu, sorrindo para ele.

–Obrigado, irmão.

–É um prazer. Agora vamos embora antes que aquela senhora volte e nos mate por bagunçar todos os livros dela.