Notas iniciais
Agora eu tenho que estudar, mas de noite posto o último capítulo. E sabe o que vem depois dele? EXTRA TRISHAAAAE!

Charlie

Tristan tinha oferecido para me levar à Twenty Five, mas um buraco na guarda o fez ficar no castelo e não me importei em acompanhá-lo. Embora aquilo estivesse quase 5 anos no passado, eu sentia falta das nossas noites de vigília juntos.

–E como vai o casamento com Shae?

Ele suspirou, feliz.

–Como eu imaginava que seria. Tumultuado. Trabalhoso. Estamos sempre reescrevendo as regras. Às vezes ela tem que se desdobrar em duas porque eu não tenho o treinamento adequado, ou porque estou ocupado com a guarda. – Ele deu de ombros. – Já deixei bem claro à ela que ninguém a culparia se ela pedisse um divórcio.

–Ah é? E o que ela disse?

–Bem, ela me deu um chute nas bolas e me mandou parar de bobagem porque ela me amava.

–Típica Shae, então.

–Sim.

Sua mão repousou sobre a arma no cinto, mas parecia tranquilo. Depois de todo aquele tempo, eu não imaginava se um dia conseguiria me acostumar àquele peso mortal novamente. Talvez fosse isso que me atraísse tanto para a Aeronáutica. Era uma carreira militar em que eu não precisava carregar armas o tempo todo.

–E Astra?

–O que tem ela?

–Nada desde aquela noite?

–Nah... – Coloquei as mãos nos bolsos e olhei para a lua acima de nós. Soltei o ar em forma de fumaça no clima frio da noite. – Todos os anos você pergunta e todos os anos eu digo não. Já é hora de parar.

–Acho que, no fim, eu sou um romântico.

Dei de ombros.

–Ou talvez você só queira ser um bom amigo.

–Porque eu sei que você a ama.

Não foi uma pergunta. Assentiu.

–Às vezes acho que confundi mesmo as coisas. Que eu e Astra fomos feitos para sermos só amigos, parceiros no ar. E outras... Outras eu me lembro daquela noite e dói não poder... Não poder tocá-la porque foi tão... Tão bom.

Senti a mão firme de Tristan no meu ombro e tentei sorrir para ele. Era como tentar engolir vidro quebrado. O guerreiro da friendzone, era como se referiam a mim quando Astra não estava perto. E talvez eu o fosse. Porque havia uma coisa que eu sabia sobre guerreiros, pela minha família estar cheia deles.

Guerreiros não desistiam.

–Você devia dizer a ela. Em algumas semanas ela vai para a Nova Ásia.

Balancei a cabeça.

–Deixe-a ir. Nós fomos feitos para voar, Trist. E eu não cortaria as asas dela. – Cruzei os braços. – Além disso, não acho que estejamos prontos. Apressar as coisas só estragaria a nossa amizade. Certo?

Tristan olhou, distraído, para cima. Havia uma sacada nos protegendo do sereno. Depois de tanto tempo longe, eu mal fazia ideia de quem era aquele quarto ou sequer de que lado do castelo estávamos.

–Eu acho... Que você devia ir lá para dentro.

–Já deprimi você, não é? Está certo. Já vou indo.

Comecei a caminhar na direção da porta secreta da Guarda.

–Ah, e Charlie?

Olhei para ele por cima do ombro.

–Não há de quê.

Uni as sobrancelhas.

–O que isso devia significar?

Ele deu de ombros, me deu as costas e começou a cantarolar de forma suspeita. Empurrei a porta e entrei, desconfiado.

Notas finais
O que será que o Tristan está aprontando? Descubra mais tarde em mais um emocionante episódio de... O Piloto!