Notas iniciais
Isso não é um capítulo, é uma vergonha, eu sei. Mas no próximo capítulo quero tentar um recurso de intertextualidade que nunca tentei. Uma cena extra que vou postar no meu blog e prefiro postar já com o link, para ninguém ficar ser ler. Tendo isso dito, here it goes.

Charlie

Por três anos eu tentara. Por três anos tinha subido as escadas daquele mesmo prédio imaginando ver todos os alunos da Academia ali. E, no terceiro ano, finalmente, lá estava eu vendo o campus cheio pela primeira vez.

Jatos voavam no céu, cadetes marchavam em blocos e alguns grupos, à paisana, observavam os novatos. Alguns pareciam genuinamente curiosos, embora outros estampassem a expressão de quem vai aprontar alguma coisa. Os prédios pareciam implodir com vida jovem e suas vozes pareciam transcender o ar em que se propagavam. A elite da elite. E eu era um deles.

Entramos no prédio principal, onde dois meses atrás tínhamos entrado para procurar nosso ensalamento. Fomos recebidos em um anfiteatro. Observei a concorrência. Não cheguei a nenhuma conclusão.

Muitos se pareciam comigo: Boa forma, militarizados, sem pinta de inteligente. Também havia os cabeças de ovo. E aquele tipinho irritante. Aquela gente perfeita que nunca parecia ter problemas na vida para nada. Bonitos, inteligentes... Ugh! Revoltante.

–Charlie, se você não parar de morder sua bochecha, vai acabar arrancando ela.

Relaxei o maxilar. Nem tinha percebido o que estava fazendo. Olhei para Astra.

–Desculpa. – Ela deu de ombros, se recostando na cadeira. Parecia nervosa. – Você está bem?

–Acho que sou a única menina aqui...

Olhei ao redor. Realmente, há um número absurdamente reduzido de meninas no anfiteatro. Não é preciso saber se concentrar para perceber isso.

–Isso quer dizer que você é a melhor.

Ela sorriu para mim. No momento seguinte, o diretor subia ao palco, para nos receber e dar algumas palavras de incentivo. É. Até parece.

–Eu gostaria de iniciar sua estada na nossa amável instituição deixando algo bem claro: Os senhores não são alunos. Não são cadetes. Vocês ainda não conquistaram nada. Passar naquela prova era o básico, sua obrigação quando quiseram se tornar aviadores. – Senti-me encolher no banco. Senti-me diminuído, como se aquele militar severo estivesse pisando em mim como em uma formiga. – Isso não é uma escola interna. Não é um lugar para desenvolver suas habilidades e personalidades. É um instituto dedicado a formar pilotos, aviadores. E se vocês tem qualquer ambição além dessa, é bom saírem agora porque não serão bem vindos aqui. – Cruzando os braços, o senhor prosseguiu. – Vocês serão testados. Examinados. Seus cérebros, suas habilidades físicas, suas vocações. Cada aspecto da sua vida será descascado e posto em uma mesa de legista.

Engoli em seco enquanto ele prosseguia, apresentando os professores de faces severas. Pela primeira vez, pensei que devia ter dado sorte, não devia estar ali. Era um estranho no meio daqueles gênios. Olhei para Astra, meus olhos arregalados, mas ela continuava observando tudo com olhos fascinados. Ela não sentia o mesmo que eu.

Queria Tristan e Shae comigo...