Notas iniciais
Demorei, eu sei, mas as provas estão pesadas... Seguinte, pessoal bonito! Essa parte da fic foca mais no Charlie, na Astra e nas suas aventuras na Academia Aérea de Illéa, deixando Shae e Tristan em segundo plano já que eles tiveram dois contos só para eles. Mas não temam amantes de Trishae, porque o último capítulo vai ser um extra só dos dois e irá transbordar o coração de vocês de felicidade! Sem mais, O Piloto, Capítulo 1!

Charlie

A Academia Aérea de Illéa fora criada pelo rei Maxon na ocasião da dissolução das castas. Um lugar de ensino militar que todas as moças e rapazes bons o bastante poderiam se tornar parte de um grupo de elite, destinado a salvar vidas e ajudar pessoas. Um jeito de melhorar a moral e fortalecer o armamento e o treinamento no caso de uma nova guerra com a Nova Ásia. Mas, com o longo período de paz proporcionado pelo rei, os voadores da Academia acabaram ganhando um papel mais importante, de heróis.

Dentro da Academia, você poderia escolher uma grande diversidade de grupos. Havia os grupos de resgate que trabalhavam nas montanhas, os que trabalhavam na Nova Ásia trazendo para casa soldados perdidos, os que apagavam incêndios em áreas de risco e os que alimentavam regiões com déficit de produção. E havia os Illéa Thunders, a elite da elite, os voadores mais bem treinados e bem condecorados da academia. Eles desafiavam o ar em performances nas horas vagas. Em serviço, eram enviados para as missões mais perigosas e nos lugares mais remotos possíveis.

E desde brotinho eu queria, precisava, necessitava desesperadamente ser um deles.

Meu pai era um herói de guerra. Ele salvara o rei num ato de bravura. E tudo o que ele fazia parecia bem legal, não me leve a mal... Mas os aviões... Eles sempre foram minha paixão. E não era só o glamour, o prestígio... Era toda a emoção. A animação de vê-los decolar e aquela sensação logo abaixo do diafragma que aquela coisa era pesada demais para voar. Aquela sensação incrível de vê-los riscar o céu.

Meu único grande problema era a prova.

Na escola, meus professores constantemente chamavam meus pais, preocupados. “Ele é brilhante”, diziam. Eu os ajudava no quadro, os corrigia. Via soluções onde não havia nenhuma. “Mas não consegue atingir notas boas. Ele tem algum problema em casa?”. Não era culpa minha, nem deles. Mas eu não conseguia pensar em uma só resposta, me prender a uma solução, aos dados. Queria ir mais longe.

Infelizmente, disciplina mental era cobrada na escola.

Eu fizera a prova duas vezes antes. Entrara como guarda como plano B. No meu terceiro ano de provas, já começava a pensar que ficaria para sempre no castelo.

–Ei, Charlie, alegre-se! Esse é o ano, eu sei!

Astra fazia as provas comigo. Era a quinta vez dela. Ela era a única menina que eu conhecia que queria entrar na academia e isso deixava tudo mais difícil para ela. Mas eu sabia que ela era muito mais brilhante do que eu. E era isso que me deixava mais nervoso.

Ela me ajudava bastante com os problemas de concentração. Às vezes passava a noite toda comigo, impedindo-me de me distrair, fazendo-me focar nas provas dos anos anteriores. Além de Shae e Tristan, ela era uma das únicas pessoas que tinha paciência comigo.

–Ele só está acuadinho porque precisou cortar o cordão umbilical que o liga a Tristan para vir aqui.

Callaway decidira fazer pela primeira vez a prova esse ano. Eu não tinha medo e ele não tinha expectativas. Ele estava só brincando por ali e sabia disso.

–Acho que é a última vez que faço a prova.

Contei a eles, cabisbaixo.

–Mas por quê?

Perguntou Astra. Callaway uniu as sobrancelhas.

–Já é meu terceiro ano. E eu sei que você tentou cinco, Ás, mas se eu não conseguir esse ano... Acho que vou ficar na guarda. Não é um emprego ruim.

–Não se preocupe, Charlie. – Disse Astra, tocando meu ombro. – Você vai conseguir esse ano, eu posso sentir.

O campus estava sempre vazio de estudantes da Academia, que estavam em recesso quando íamos fazer a prova. Eu gostava de imaginar minha vida ali. Como seria a cafeteria, os dormitórios, os hangares cheios de aviões...

Subimos as escadas do prédio principal.

–Boa sorte para vocês.

Disse Callaway, partindo para sua sala. Astra me deu um beijo na bochecha.

–Lembre-se. Foco. Não se distraia.

–Vou tentar.

Prometi, ficando sozinho nas escadas.