Contos da Seleção - Parte Dois

19 O Chefe da Guarda - Capítulo 9


Notas iniciais
Lá vem a tão esperada resposta!

Shae

Toda conversa cessou quando as portas foram abertas para mim. Suspirei, nervosa e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha.

Tristan tinha razão, no fim. O cabelo solto sob a coroa era mais o meu estilo, por mais selvagem que ele fosse e me encheu de confiança para andar até o palanque. Senti os olhares – especialmente o de Cormier – sobre mim, seguindo-me até a mesa. Minha mãe sorri para ele, mas estou tão nervosa que não consigo sorrir de volta. Subi ao palanque e tomei meu lugar ao lado dos meus pais.

Bati de leve na taça para chamar a atenção de quem não tinha notado minha entrada. Respirei fundo e cruzei os dedos atrás das costas.

–Eu sei que todos estão esperando minha resposta à proposta do príncipe Cormier, da França. E vocês a terão. – Melhorei minha postura. – Espero que todos entendam os motivos pelos quais eu serei forçada a dizer não.

Houve uma comoção no salão. Mocinhas suspiraram, nobres cochicharam e a rainha Daphne escondeu o rosto. Cormier não desviou o olhar de mim, sério e duro.

–A verdade é que existe algo entre o príncipe e eu. Algo... De certa forma precioso, que poderia aflorar caso dado a chance. Mas em primeiro lugar eu percebi que... A única coisa que eu amo romanticamente por enquanto... É o meu país.

E talvez Tristan. Mas isso é complicado demais para vocês. Já é complicado até para mim.

–No passado, eu quase fui forçada a desistir dele e, embora isso fosse meu dever, isso me magoava profundamente. Felizmente, meu pai decidiu confiar em mim o bastante para me deixar governar esse país. Cormie... Digo, príncipe Cormier não tem essa obrigação. Eu não posso pedir que ele faça isso por mim. Mesmo que ele esteja tão prontamente disposto à tal, eu jamais me sentiria bem com um débito desses.

A fofoca recomeçou e os flashes das câmeras também. Cruzei os braços atrás de mim e tentei parecer o mais certa possível da minha decisão. Vi os nobres assentindo em aprovação aos meus motivos e soltei o ar que vinha prendendo.

–Então eu imploro à rainha Daphne e ao rei Fredrick que desconsiderem o pedido do seu filho e que ele continue os seus estudos para regente. Porque eu sei que ele vai fazer um ótimo trabalho na França e eu realmente espero que nossas relações permaneçam as mesmas. Tendo isso dito, por favor, vamos voltar ao jantar.

Sentei-me, fechando os olhos para não ver os olhares, apenas ouvindo o burburinho da sala.

–Isso quer dizer que eu não vou mais ser rei?

Perguntou Giuseppe, em algum lugar do salão.

Notas finais
TCHARAM!