Contos da Seleção - Parte Dois
18 O Chefe da Guarda - Capítulo 8
Notas iniciais
Shae
Dispensei as criadas depois de vestir o vestido azul que usaria. Comecei a lutar para prender o cabelo no topo da cabeça de forma real o bastante. Mas, como de costume, ele estava brigado comigo.
Ouvi outra batida na porta.
–Srta. Shae. É Tristan.
–Deixe entrar.
Terminei de prender o cabelo com um grampo, embora não estivesse nem perto de satisfatório, mas eu sabia que Trist não iria se importar. Virei-me para encará-lo. Mexi na saia do vestido, ensaiando uma pequena reverência.
–O que você acha? Apresentável?
Ele estava muito bonito no uniforme do chefe da guarda. Sorri, orgulhosa do molequinho que brincava de soldado comigo na pequena floresta do lado de fora do casteo.
–Está muito bonita, S.
–Olhe só para você... – Fui até ele, ajeitando o colarinho, sentindo o calor da pele do seu pescoço contra os dedos. – Todo adulto. Veio me parabenizar pelo noivado?
Estava prestes a lhe dizer que nesse caso tinha vindo ao lugar errado quando senti uma dor inesperada no peito. Tristan e os outros eram meus meninos e eu era a princesa deles. Algum dia ouvir Tristan falar do meu casamento seria como se eu estivesse desistindo deles.
–Na verdade, não. Tem algo que eu... Que eu preciso dizer. Sobre a garota que eu estava procurando.
Arregalei os olhos, sentindo outra pontada dolorida.
–Você a encontrou?
Ele engoliu em seco.
–Sim.
–E qual o problema? Porque você está aqui?
–Ela vai se casar.
–Ah, Tristan, eu sint... – Senti minha voz sumir a medida que a conclusão caía sobre mim. Dei um passo para trás atordoada. – Tristan...
–Eu a vi na Twenty Five. Na festa pós-prova da AAI.
Dei um tapa na minha própria testa.
–Tristan, eu...
–Não, Shae, eu não estou decepcionado. Eu finalmente entendi porque fiquei tão obcecado em encontrá-la. Foi o jeito que eu encontrei de dizer a mim mesmo que eu já não vi mais você como a minha amiga. – Ele parou, dando um tapa na própria testa. – Isso soou tão melhor na minha cabeça...
Não sabia que fazer. Meu coração estava tão acelerado quanto no momento em que Cormier me pediu a mão.
–Trist... Eu...
–Não diga nada. Não precisa. Eu só não queria que você desse sua resposta sem saber.
Ainda estava sem palavras. Ele estendeu a mão e puxou o grampo de prendia meu cabelo.
–Eu preciso ir. Vou estar nos jardins essa noite, se precisar de mim. – Ele entregou-me o grampo. – Deixe solto. É mais você.
Ele fez uma pequena reverência e saiu do quarto. Tonta, tropecei para trás e caí sentada no chão.
–Tristan...
Sussurrei baixinho, tocando meus lábios.
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