Contos da Seleção - Parte Dois

20 O Chefe da Guarda - Capítulo 10 - Season Finale


Notas iniciais
Trishae para os shippers!

Shae

–Bem... É isso, então...

Cormier enfiou as mãos no bolso do paletó. Não usava nenhuma das suas charmosas gravatas borboleta e não sorria mais como antes, mas também não parecia devastado. A bem da verdade, ele já parecia saber da minha resposta antes mesmo que eu a dissesse.

–Eu realmente sinto muito.

Ele ergueu as mãos, dispensando minhas desculpas. Parecia conformado. Com o tempo ele perceberia que o que eu dissera era verdade. Ele seria um ótimo governante para a França.

–Eu não devia ter apressado as coisas. E agora eu imagino que esteja proibido de vir à Illéa por um tempo.

–É, é de se imaginar.

Cormier respirou fundo.

–Desculpe deixar a mídia em cima de você.

–Não se preocupe. Eu lido com eles.

Ele assentiu e sorriu.

Bon soir, Shae.

Bon soir, Cormie Boy.

Revirando os olhos, Cormier foi até o carro oficial que o levaria até o aeroporto. Fiquei ali até que o carro desaparecesse pelos portões. Assenti, sentindo uma paz inesperada ao respirar o ar da manhã.

Tristan estaca fiscalizando o treinamento dos seus novos subordinados. Os braços musculosos estavam cruzados sobre o peito e o queixo estava tenso. Não sabia quando o menino tímido da minha infância se transformara em um homem responsável e maduro e nem como não percebera o pequeno geodo que me acompanhava para toda a parte. Meu menino. Meu guarda. Meu chefe da guarda.

Era engraçado que toda aquela história tivesse tido que acontecer para que eu percebesse que nunca ficaria sozinha.

–Trist.

Ele desviou os olhos para mim. Balancei nos calcanhares, mostrando as mãos nuas.

–Sem anéis.

Ele notou.

–Não.

Tristan sinalizou para que Charlie assumisse sua tarefa e nos afastamos do grupo de guardas musculosos sem camisa correndo no lugar e chutando o ar a sua frente. Depois do ataque eu já não me sentia não protegida por eles, mas olhar não era algo ruim de se fazer.

–Cormier acabou de ir embora. Acho que perdemos a diplomacia com a França por um tempo. A rainha Daphne parecia ultrajada. Meu pai diz que está furioso comigo pela desfeita mal planejada, mas no fundo eu sei que ele está orgulhoso por eu ter feito o que acreditava.

Tristan assentiu.

–Sinto muito. – Disse, por nada em particular, baixando a cabeça como se tivesse alguma culpa. – Você fez isso...

–Por mim, Trist. Não foi só por você, embora você tenha tido alguma parte. Eu não vou me casar com alguém que me conheça tão pouco a ponto de me pressionar.

Ele sorriu, mas não disse nada. Revirei os olhos.

–Ah, nem vem. Pode começar a falar. Como é que você sabia que era eu?

–Eu ouvi você cantar para Shalom no abrigo.

–A música que a minha mãe fez para mim. Ela sempre dizia que tinha poderes mágicos.

Ele virou-se para mim e eu parei, olhando fundo nos seus olhos escuros como o da mãe.

–Shae, eu... Eu não posso esperar me equiparar ao príncipe francês. Eu mal falo inglês, que dirá outra língua. Eu não tenho nada fora desses muros. Eu não...

Peguei uma das suas mãos.

–Trist?

Interrompi-o.

–Sim?

–Cala a boca.

Fiquei na ponta dos pés para beijá-lo. Ele precisou se inclinar um pouco para frente devido à diferença de altura, mas imagino que ele não tenha se incomodado.

Era estranho beijar meu melhor amigo. Era de se imaginar que eu soubesse tudo sobre ele, mas seu beijo era uma surpresa completa, como se eu o tivesse conhecido pela primeira vez ali, naquele jardim, naquela manhã.

–Eu não preciso de um príncipe, Tristan. – Sussurrei contra a pele da sua bochecha. – O viveram felizes para sempre é tão mainstream...

Notas finais
O próximo conto será O Piloto, narrado pelo nosso querido Charlie e protagonizado por ele e pela nossa fofíssima Astra! O que será que vai rolar com eles na Academia Aérea de Illéa?