Contos da Seleção - Parte Dois
11 O Chefe da Guarda - Capítulo 1
Notas iniciais
Tristan
Estou distraído, pensando em Shae novamente.
Sei que não devia, que aquela reunião era séria, mas ela é o único escape para não pensar no meu pai, ferido na cama. Pensar em como não percebi que os olhos verdes em que esbarrei na Twenty Five eram os mesmos que tinham me visto crescer era mais fácil do que pensar na maior falha de segurança desde sempre.
–Podemos discutir feito criancinhas o dia todo sobre nossa falha. –Disse Callaway, colocando-se em pé acima da bagunça de gritos que se acusavam havia quase uma hora. – Mas não podemos ignorar o elefante na sala. Estamos sem Woodwork, o nosso chefe da guarda. Sardinha sem cabeça não tem como nadar.
–Nada consegue nadar sem cabeça, Stryde.
Resmungou Dorian, com a cabeça enfaixada.
–Cale a boca, Sefiss.
A discussão voltou a se elevar. Dedos foram apontados e palavras foram cuspidas. Veteranos contra novatos. Quase deslizei para o pensamento confortável dos cabelos acobreados de Shae e como ela fizera para escondê-los sob o chapéu naquela noite, Charlie se impôs.
–Ei! Ei! Ei! Callaway está certo. Antes de começar a discutir qualquer coisa, precisamos de um novo chefe da guarda. – Ele olhou cauteloso para mim. – Pelo menos até o Woodwork pai voltar para nós.
O silêncio caiu, tenso. Todos adoravam meu pai e detestariam ter que tomar o lugar dele, mesmo que por pouco tempo. Eu entendia, afinal, me sentia exatamente igual.
–Alguma indicação?
Perguntou um dos principais cabeças da guarda. Nem os veteranos nem os novatos disseram nada. O alto escalão continuou mudo e os recrutas, nos cantos, calados. Charlie ergueu a mão.
–Eu indico Tristan.
Quase pulei da cadeira. Olhei para ele, surpreso. Antes que pudesse me negar, Callaway endossou a moção, e Dorian depois e Lester também. E depois não era só nosso pequeno grupo que se uniu à proposta. Anciões de altas patentes apoiaram a causa.
–Mais alguém?
Perguntou Callaway. Ninguém se opôs. Eu concorria sozinho para um cargo que não queria. Nunca imaginei que eu tivesse o respeito de toda aquela gente. Levantei-me, sentindo o peso da autoridade.
–Deus abençoe o rei!
Gritei, percebendo que eles precisavam que eu dissesse algo.
–Deus abençoe o rei!
Ecoou a guarda. A minha guarda.
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