Contos Hiccstrid
6 O nascer de uma nova vida (Continuação)
Notas iniciais
O Nascer de uma nova vida
Parte Três — A Salvação de uma guerreira
—Carrasco, é melhor largar a foice — escutei uma voz estranha atrás de mim, ordenando ao homem que empunhava a causadora da minha morte nas mãos.
Saindo da posição em que eu estava, me deparei com uma garota que aparentava ter a minha idade, de cabelos pretos e olhos verdes, ela empunhava uma um grande machado nas mãos que já estava localizado bem na garganta do carrasco, que se encontrava imobilizado. Olhei em minha volta e havia pessoas vestidas de preto, e armadas com vários tipos de machados assim como ela, e ao lado deles os guardas abatidos no chão. Não via sangue, então acho que não estavam mortos, apenas nocauteados. As pessoas que estavam ali para presenciar o show que a minha decapitação proporcionaria, agora estavam com medo de chegar perto, até mesmo para saber o que estava acontecendo. A corte assim como a população, também estava acanhada porém não existia medo em seus olhares.
O Líder da corte assim como os outros membros, não parecia ter nem um pouco de temor ao que estava acontecendo e sim fúria em seus olhos. Ele saiu correndo, não por covardia, mas para localizar mais guardas e chama-los.
—Acho melhor nos irmos — Falou a garota, ainda com o machado na mesma posição — Sou Heather, prazer lhe conhecer Astrid. — Finalizou golpeando com o cabo do machado a cabeça do carrasco.
—Como sabe meu nome ? Por acaso estava no julgamento ? — Perguntei surpresa
—Sim estava. — Disse enquanto me puxava em direção a um cavalo parado ao lado esquerdo da praça. — Vamos loirinha o príncipe esta esperando por você. Dagur! — Gritou para uma das pessoas vestida de preto que estava espancando um dos guardas — Não exagere, vamos !.
Ele logo largou o guarda machucado ao chão e montados nos cavalos, partimos galopando da praça, as pessoas vestidas de preto, seguiam atrás de nós. Quando chegamos a uma bifurcação, Heather deu uma ordem a seus seguidores.
—Vocês voltem ao acampamento, vamos buscar a Gothi.
Segundos depois todos os cavaleiros negros desapareceram rapidamente seguindo pela estrada da esquerda que levava para algum lugar que era desconhecido para mim. Enquanto eu e Heather seguimos pela direita. Com muitas dúvidas na cabeça sobre o que estava acontecendo, comecei a perguntar.
— Quem é Gothi ?.
—A melhor curandeira do reino. Seu namorado está com um ferimento na perna, e com um pequeno cortes nas costas, o corte meio que foi minha culpa. Quem mandou ele chegar encapuzado no meu território! -Respondeu
—Ele não é meu namorado — Restruquei como se apenas tivesse prestado atenção naquela parte, mas continuei — Como você pode ferir ele e como assim '' seu território '' ? — Perguntei
—Pensei que estavam juntos, a forma como ele insistiu em salvar sua vida, tenho que dizer que foi impressionante, mas o príncipe esta machucado e mal consegue andar, então eu me ofereci para lhe resgatar, além disso presenciar a reação de Thord ao me ver foi incrível. Ele achava que eu estava morta.
—Quem é Thord ?
—Nossa, você pergunta muito. Thord é o líder da corte.
—Esse é o nome daquele homem desprezível ?
—Sim. Assim que chegarmos no acampamento poderemos conversar melhor. Bom chegamos — Falou parando em frente ao nada.
—Não tem nada aqui. — Disse olhando a minha volta, apenas areia e algumas pedras se encontravam naquele lugar.
—É que iremos precisar andar um pouco, vamos.
Descemos do cavalo e andamos em direção a um amontoado de pedras escondido atrás de uma vegetação que não conhecia, e por trás daquilo havia um muro feito de pedra que formava uma espiral. Não fazia ideia da pessoa que havia construído aquilo, mas era incrivelmente lindo.
—Gothi! -Gritou Heather
Uma senhora com um cajado saiu de trás da parede de pedras, por uma pequena fenda que não havia visto, olhou para a garota com os olhos verdes e sorriu e para minha surpresa, para mim também e assim eu retribui o gesto.
—Gothi, precisamos leva-la até o acampamento, o príncipe está lá e precisa de cuidados. — Pediu heather e a senhora com uma leve cara de espanto, balançou a cabeça afirmando.
Depois de dar uma volta e retornar a bifurcação que passamos, continuamos cavalgando em direção ao acampamento que heather havia falado, eu não sabia exatamente onde ficava até chegarmos a estrada que ia em direção a aldeia do sul, que eu soube que fora destruída assim como a minha e logo as ruínas das antigas casas apareceram, pessoas vestindo os mesmos trajes dos que tinham me salvado, surgiram dos destroços e para meu espanto, por trás da destruição um mar de pequenas barracas se estendia por todo o lugar.
Descendo do cavalo, heather levou a mim e a senhora até uma das centenas de barracas e entrando pude ver o príncipe dentro de uma delas deitado de lado em uma cama improvisada. Ele estava machucado, sangue estava em sua perna e em suas costas.
Corri em sua direção, mas o príncipe estava desacordado. A senhora começou a escrever algo no chão, olhei para heather sem saber o porque dela estar fazendo aquilo, e ela me respondeu que era daquela forma que gothi se comunicava.
—Vai ficar tudo bem, Gothi é a melhor curandeira — Falou heather vendo minha cara de preocupação com o príncipe. — Ela disse que irá precisar de uma ajuda e...
—Eu me ofereço — Falei antes mesmo dela terminar de falar
—Achei que iria dizer isso — Disse com um sorriso no rosto enquanto saia da barraca.
Gothi começou a pegar potes com algumas coisas dentro e me pediu através de gestos para misturar todos em um só. O cheiro daqueles ingredientes não era nada agradável, de tão forte acabei espirrando. Assim que tudo estava misturado a senhora me entregou uma bacia com água e um pano, entendi que era para limpar o sangue que estava no príncipe.
Passei o mais leve que pude para não machuca-lo ainda mais, ele continuava desacordado, mesmo com o toque e o barulho. Depois das feridas estarem limpas gothi passou a mistura que havia feito em seu ferimento na perna e envolveu com um tecido. Já no corte nas costas, ela colocou algum tipo de folhagem umedecida em um liquido que assim como a mistura, eu não sabia o que era.
Assim que terminou, a senhora me empurrou para fora da barraca e encontrei heather conversando com o homem com que ela havia gritado para que, parece de espancar o guarda. Ele carregava em seu rosto uma marca, talvez de algum animal, ou feita por algum ser humano em alguma batalha que ele tivesse participado.
Gothi explicou com seus desenhos com o cajado que agora o príncipe precisava descansar e que em pouco tempo ele já estaria melhor e que poderiam prosseguir com o plano. Ao perguntar a hether o que era esse plano, ela apenas desconversou e disse que falaríamos depois de comermos alguma coisa.
Fomos até um espaço coberto por uma tenda, era grande e estava localizada bem no centro do acampamento que eles tinham construído. Um cheiro de carne sendo assada, exalava daquele lugar. Muitas pessoas olharam para mim quando me aproximei. Até um menino veio falar comigo, ele parecia ser mais novo que eu, me chamou de sobrevivente do norte, se apresentou como gustav e que estava interessado em me mostrar todo o lugar.
Heather que me acompanhava, logo tratou de espantar o garoto para longe.
—Esse ai não tem jeito. Por que não está em seu posto gustav. Vá agora ! — Mandou — Vamos astrid, você precisa comer alguma coisa.
Sentados em uma mesa heather me apresentou ao seu general Dagur, que parecia não ter todos os parafusos da cabeça em ordem, mas parecia ser leal. Falou para mim que ele era como um irmão para ela. Comemos um pouco até aquele instante não tinha dado conta da fome que eu estava sentindo. Ainda com muitas duvidas achei que já tinha passado da hora de perguntar sobre o que estava acontecendo.
—Heather — Comecei — Posso perguntar algumas coisas ? Preciso de explicações.
—Sim, faça — Respondeu
—Por que aquele garoto me chamou de sobrevivente do norte. ?
—A noticia de que você é a unica sobrevivente do primeiro vilarejo destruído se espalhou muito rápido. Você meio que é famosa agora. Bom pelo menos aqui no acampamento.
Revirei os olhos com sua resposta. ''Famosa'' ainda mais essa.
—E o que fazem nas ruínas do vilarejo do sul ? — Continuei com as perguntas que estavam fervilhando na minha cabeça
—Nossa, direto ao ponto então. — Falou heather cruzando os braços se preparando para me explicar — Estamos seguindo nosso plano e nos preparando para seguir para o próximo vilarejo localizado ao leste, quase todos que estão aqui pertenciam ao vilarejo do oeste, consegui salva-los a tempo, antes que o governador atacasse. Mas infelizmente nem todos do vilarejo do sul acreditaram no que eu contei. Muitos deles ainda idolatravam o governador. Os que confiaram em mim se salvaram. Os outros infelizmente morreram e tudo foi destruído.
—Espera, como você sabia do plano do governador ?
—Na verdade o plano não é só dele, também é do meu pai. A algum tempo, ouvi uma conversa dele com o governador, eles falavam que todo o vilarejo do norte tinha sido destruído como tinham planejado e que o próximo ataque iria acontecer em breve no oeste, mas fui burra e acabei sendo notada por eles. Eu fugi naquele momento, meu pai mandou seus guardas irem atrás de mim, acabei caindo de uma grande altura, acho que os guardas pensaram que eu estava morta pois não continuaram a me perseguir. Gothi me encontrou em uma de suas andanças por ai e cuidou de mim, logo no dia seguinte já estava melhor e segui para o oeste, contei a eles quem eu era e o que eu tinha descoberto e assim consegui salva-los. Para minha sorte o governador já tinha se mostrado a eles quem era realmente.
A minha volta só se ouvia a respiração de cada um, ninguém falava apenas heather, estavam prestando atenção no que ela estava me contando. Alguns com a cabeça baixa, talvez se lembrando de algum ente que infelizmente perdera. Naquele momento dentre todas as duvidas que se passavam na minha cabeça, uma nova surgiu.
—Quem é seu pai heather?
—Thord — Respondeu, mas vendo minha cara de espanto ao saber, ela tentou me explicar — Sei que ele é meu pai biológico e que sem ele eu não existiria, mas desde que nasci nunca recebi carinho vindo dele, varias vezes ele falou na minha cara que queria um menino e não uma menina mas minha mãe me criou muito bem e quando ela morreu, tudo pirou entre nós. No dia em que escutei a conversa entre eles dois, foi exatamente no mesmo dia em que ele me deixava sair do quarto em que me mantinha trancada quase todo tempo. Tenho certeza que ele se arrepende disso até hoje.
—Seu pai é uma pessoa horrível — Disse após ouvir tudo aquilo
—Eu vou acabar com ele — Disse em voz alta Dagur, que estava sentado ao lado da gothi que devorava uma tigela de sopa.
A senhora largando a tigela de lado, se levantou e andou até uma pequena barraca próxima a grande tenda, retornou com um objeto na mão e entregou a heather e em seguida começou a escrever no chão. Ela entendeu o que gothi havia falado e me entregou um colar com um pingente de madeira nele.
—Gothi falou que comprou isso da ultima vez que foi ao norte. Ela agora está dando a você, pelo menos para ter uma lembrança de casa com isso.
Com lágrimas de felicidade por ter recebido um presente, tão singelo mas com um grande significado, não pensei duas vezes e abracei a pequena senhora, que sorriu para mim. A agradeci por aquilo.
—Preciso organizar algumas coisas — Falou hather — Ainda a muito a ser explicado mas não quero despejar tudo em cima de você de uma só vez. Seria bom você ir ver como seu namorado está.
Ela fez questão de dizer a ultima frase para todos que estavam próximos conseguissem ouvir.
—O príncipe não é meu namorado — Falei corada, enquanto saia de lá o mais rápido que pudesse.
'' Se ela falar isso mais uma vez, vou pegar aquele machado dela e acabar com ela '' Pensei com raiva. Mas levando em conta o que ela me falou, decidi ir ver o príncipe para saber como ele estava.
Passei pelas barracas que se alojavam pais e filhos, percebi em seus rostos que havia tensão e medo. Heater não explicou detalhadamente sobre seu plano, mas todo o seu povo parecia estar apreensivo com o que poderia acontecer.
Cheguei na barraca em que o príncipe se encontrava e para minha surpresa ele estava acordado.
—Como está príncipe ? — Perguntei enquanto me aproximava da cama improvisada que ele havia sido colocado, estava coberto por uma manta para aquece-lo.
—Estou bem, mas sabe, pode me chamar de...
—Soluço ? — O interrompi — Seu pai me falou, sua mãe tinha uma criatividade impressionante.
—Como vossa alteza está se sentindo ? — Perguntou heather entrando na cabana
—Estou bem, obrigada por tudo heather, estou lhe devendo uma. Está tudo pronto para amanhã?
—Sim senhor iremos partir antes do amanhecer. — Olhando para mim perguntou — Esqueci de perguntar se gostaria de descansar um pouco. Pode dormir na minha cabana se quiser.
Antes mesmo de eu responder soluço se adiantou.
—Ela ficará comigo. — Disse pegando na minha mão — Precisamos conversar.
—Vou deixar vocês...sozinhos...para...''conversarem'' — Falou heather em tom sarcástico — E vou indo... ir...resolver algumas coisas.
Quando olhei novamente para soluço, tinha certeza que estava mais vermelha que um tomate. Não tinha notado que ele segurava minha mão. Ele me puxou para mais perto dele, se afastou um pouco e deu espaço o suficiente para deitar junto com ele. Nunca passou pela minha cabeça que um dia isso iria acontecer.
—Você parece mesmo cansada — Sussurrou acariciando minha mão — Olha sei que falei que temos que conversar, mas o que acha de apenas dormir um pouco agora ?
Afirmei e me deitei ao seu lado. Com minha cabeça deitada em seu peito, ouvia a batida do seu coração que assim como meu estava acelerada, não tanto quanto a minha é claro. Soluço levou sua mão que estava ao seu lado sem fazer nada para minha cintura, puxou o cobertor que apenas cobria ele e colocou sobre nós dois. Eu não conseguia dizer nada, mas acabei adormecendo depois de um tempo.
Acordei com soluço acariciando meus cabelos, a luz de uma pequena toça iluminava a escuridão que nos cercava.
—Boa Noite Milady. — Disse o príncipe com um sorriso no rosto.
—Eu dormi muito pelo visto. — Falei enquanto me espreguiçava — Como você está ?
—Bem o suficiente para sair dessa cama, quer me ajudar ?
Levantei rapidamente para conseguir ajudar ele, ainda estava com uma pequena dor na perna, mas nas costas disse que não sentia mais nada. Saímos da barraca e encontramos heather conversando com Dagur que logo veio ajudar com o soluço.
Fomos até uma outra barraca não muito longe. Lá estavam reunidos algumas pessoas, um se apresentou como perna de peixe, o outro melequento ''Nomes estranhos '' Pensei. Um grande mapa de todo o reino estava estendido sobre o chão. Soluço se sentou junto junto deles e eu fiquei ao seu lado, heather e dagur ficaram na outra lateral. Como eu não sabia sobre o que aquela reunião se tratava apenas fiquei calada e escutei atentamente.
—Precisamos definir os detalhes da viagem e do ataque. — Falou perna de peixe
Iremos amanha. O príncipe não pode caminhar muito bem, então teremos que conseguir um cavalo para ele. E assim que chegarmos ao leste, eles já estarão prontos para seguirmos para o ataque, enviei os gêmeos para avisa-los que iremos partir amanhã. Teremos que...
Quando Heather ainda explicava todo seu plano, duas pessoas que se assemelhavam bastante apareceram diante de todos.
—Cabeça quente, cabeça dura, eu mandei vocês irem até o leste! O que fazem aqui? — Disse irritada
—Nos estávamos indo, como mandou, mas johann apareceu na estrada com notícias sobre o reino. — Disse a garota de cabelos longos e loiros.
—O rei foi preso pela corte. Está sendo mantido nas masmorras. — Falou o garoto que assim como a outra também tinha cabelos longos e loiros. — Logo depois que a assassina do governador foi salva pela o que o líder da corte denominou "revolta", Thord consegui convencer a todos de que o rei foi o responsavél pela morte do governador e de que ele estava planejano a tempos isso. Que o rei queria que a corte fosse eximada para assim ter poder completo sobre tudo. — continuou
—Eu escolheria outro nome. Talvez motim, revolução rebelião, sublevação, ou até sedição — Falou a garota fazendo um movimento com os braços de acordo com o que dizia
—Concordo irmã mas talvez esteja se esquecendo...
—Cabeças ! — Interrompeu heather — Não agora. Precisamos pensar.
Fiquei preocupada com o rei estando preso naquele lugar em que eu estava a alguns dias atrás, um homem como ele com certeza não merecia estar passando por isso. Olhei para soluço ao meu lado, parecia estar abatido com a noticia que acabou de receber. Estiquei um pouco minha mão e coloquei em cima de seu ombro, na esperança de que talvez eu poderia conforta-lo. O príncipe me olhou com tristeza em seu rosto, mas sorriu em agradecimento.
—Agora que o rei foi preso, não poderemos continuar com o mesmo plano. Príncipe sinto muito pelo seu pai, mas tem alguma ideia ? — Perguntou Melequento
—Continuaremos com a primeira parte do plano, iremos para o leste amanhã. Vocês — Falou apontando para os gêmeos — Vão agora e tentem chegar o mais rápido possível, mandem todos se prepararem. — E assim os gêmeos saíram — Eu irei retornar ao castelo com... — Soluço parou de falar e olhou para mim. — Apenas agora percebi que não sei seu nome milady.
—Astrid, meu nome é astrid — Disse com vergonha por ele ter me chamado de milady na frente de todos.
—Eu irei retornar ao reino como o planejado e nós iremos atrás de Thord. Teremos que ter pessoas do lado de fora preparados para atacar quando os guardas forem chamados e sei que iram. Agora fico preocupado com meu pai. Temos que pensar em alguma forma de...
—Eu posso ir até a masmorra e salvar o rei. — Falei o cortando
—É perigoso astrid.
—Se lembra no que disse no dia em que dançamos, eu sei me cuidar muito bem. Além disso sei de uma pessoa no castelo que pode me ajudar a entrar.
—Quem ? — Perguntou curioso
—Marie, ela me agradeceu por eu ter matado o governador. Sei que se encontra-la ela irá me ajudar a chegar até as masmorras e irei poder salvar o seu pai e o levarei para um lugar seguro.
—Tem certeza ?
Meneei a cabeça em afirmação. Eu podia fazer aquilo, sei que era competente o suficiente para aquela missão. Soluço estava com incerteza estampada em seu rosto, mas concordou com a minha ideia.
—Tudo bem então, Astrid ficará responsável por isso. Nunca nenhum membro da corte gostou da minha família, esse golpe que eles querem nos dar já está sendo planejado desde que Thord assumiu como líder. Não vejo a hora disso acabar. E o que mais me frusta é saber que durante todo esse tempo, nem eu e meu pai pensamos que tudo isso estava acontecendo. Se não fosse por Rainer não teria descoberto nada, e nem tão pouco teria chegado até vocês
—Quem é Rainer ? — Perguntei
—Quem era, na verdade — Respondeu — O conheci naquele ultimo dia que lhe vi nas masmorras. Ele era um recente integrante da corte. Ele se candidatou, pensando que seu trabalho seria justo, certo. Assim que me despedi de você fui até meu pai e lhe contei tudo. Ele me aconselhou a ir a corte atrás de respostas. Encontrei rainer, acabei brigando com ele, na verdade quase o matei com a raiva que estava sentindo naquele momento. Queria matar a todos na verdade. Então para minha surpresa ele me contou tudo, todos os planos sujos do Thord e do governador. Disse que me ajudaria e me ajudou, quando o líder nos viu conversando, mandou guardas atrás de nós. Mas Rainer foi ferido na fuga eu tentei ajuda-lo mas fui atingido pela flecha que me machucou na perna.
Senti pena por uma pessoa que nem conhecia. É triste saber que existem pessoas como thord e o governador. Aquele sentimento que estava fazendo com que eu não me sentisse feliz por ter tirado a vida de uma pessoa, foi completamente embora do meu corpo. E pelo que eu entendo agora, não foi apenas o governador culpado pela morte dos meus pais, mas thord também foi.
—Fugi até chegar aqui ao acampamento, quando fui golpeado nas costas — Continuou soluço, agora olhando para heather. — Ela me falou sobre o que tinha descoberto a alguns anos. E então bolamos um plano. Mas lembrei de você — Olhou novamente para mim — Sabia que era o dia do seu julgamento e depois de tudo que descobri tinha certeza que seria condenada. Eu tinha que salva você, mas como eu estava não iria conseguir. Então heather se ofereceu.
—Ainda não agradeci por me salvar heather. Obrigada.
—Agradeça ao seu namorado por ter me dado a chance de ver Thord antes de mata-lo — Falou
Com vergonha por ela ter dito ''namorado'' na frente de todos novamente desviei meu olhar para qualquer outro lugar que não fosse para o soluço. Mas não consegui me segurar por muito tempo. Olhei para ele, que me encarava com um sorriso no rosto.
—Já está tarde, devemos ir dormir — Disse heather — Vamos.
—Quer ajuda vossa alteza — Perguntou perna de peixe
—Sim, obrigada.
Voltamos para a barraca em que soluço estava descansando, gothi esperava por nós, ela trocou a bandagem que tinha colocado na perna machucada do soluço e também trocou as folhagens das costas enquanto ele comia um pouco. Ajudei a senhora como pude, mas não conseguia desviar meu olhar do príncipe estando sem camisa na minha frente. Quando limpei os ferimentos na primeira vez tinha tanto sangue que nem parei para pensar nisso.
Depois que a senhora saiu deixando eu e soluço sozinhos ele me puxou novamente para cama improvisada, e senti conforto e carinho ao me deitar ao seu lado.
—Eu notei você ficar vermelha quando heather me chamou de seu namorado — Falou na escuridão que agora nos tomava.
Eu não sabia o que dizer, na verdade sabia sim, queria falar que eu gostava dele, que meu coração batia rápido toda vez que estava com ele. Mas eu não conseguia falar.
—Saiba que quando tudo isso passar, não terá que se sentir envergonhada por alguém falar isso. Porque seremos namorados, se assim quiser. — Disse enquanto acariciava meu cabelos, não o conseguia ver mas sentia aqueles olhos verdes me encarando. Juntando a pouca coragem que tinha naquele momento eu disse.
—Adoraria ser sua namorada.
Sentindo sua respiração ainda mais perto meu rosto, sabia o que ele iria fazer. Mas de tanto estar nervosa, deixei meu impulso me levar e o beijei. Quanto senti seus lábios correspondendo aos meus, foi como se meu coração parasse de bater e voltasse no mesmo instante. Mas assim que nossa respiração já estava faltando, senti falta quando eles se separaram.
—Agora é melhor dormir milady — Disse beijando o topo da minha cabeça enquanto a inclinava em seu peito.
—Vai continuar me chamando de milady ? — Perguntei
—Sim, como já disse você tem a beleza de uma, não vejo porque não chama-la assim.
Eu sorria no escuro, não tinha ideia do que aconteceria nos próximos dias, do que nos aguardava pela frente, mas eu iria guardar aquele momento para sempre em minha memória. Eu estava feliz, realmente feliz, como costumava ficar com meus pais. Me abraçando, soluço me apertou ainda mais a ele. Quase dormindo um nos braços do outro ele susurrou
—Boa Noite milady.
—Boa noite soluço.
Continua...
Fale com o autor