Contos Desencantados
1 O lado negro do lago
Sexta-Feira, no começo da manhã, ainda no tempo de ver o sol nascer, Mykael estava na estrada dirigindo seu Opala vermelho com seus amigos Johnny, que estava no banco do lado. Emily, Chris e Helena, se espremiam nos bancos traseiros.
Mykael é um jovem inteligente de 19 anos, tem altura média, caucasiano de longos cabelos pretos e lisos se moviam com vento que entrava pela janela aberta do Opala, seus olhos negros e com pouco brilho, fitavam a estrada sem muita emoção. Ele olha para Johnny (um cara alto, caucasiano de cabelo louro e com olhos verdes, um rapaz mulhereiro que vivia com ar de valentão) e percebe algo diferente no amigo, mas não consegue distinguir o que é. No banco de trás Chris (Pequeno e todo moleirão, caucasiano de cabelos curtos e pretos) apenas se movia quando o carro fazia curvas, Emily (Garota de pele morena muito bonita, cabelos longos e pretos) olhara com seus olhos castanhos escuros para Chris e em seguida pisoteou-o o pé esquerdo, Chris soltou um grito e disse:
–Você está louca?
–Ainda não — Respondeu.
–Podem calar a boca? Estou tentando dormir — Disse Helena (Ruiva dos olhos azuis, altura média e um tom bem claro na pele) que estava senta no banco que ficava atrás de Johnny.
Depois disso, o clima volta a ser de paz dentro do carro e Mykael continua dirigindo na estrada, que parecia infinita, mas logo encontrou uma placa que dizia ''Lago dos ...ores 500 M''. As primeiras letras da segunda palavra na placa estavam apagadas.
–Lago dos Amores? Fala sério, Myke — Disse Johnny com ar de desgosto.
–Nem eu sabia, John, só estou seguindo ordens — Respondeu Mykael.
Passados quinhentos metros havia uma outra placa, até parecia a outra, porém indicando à esquerda com uma seta. Mykael virou e por ali seguiu mais um pouco, logo encontraram uma casa de dois andares toda branca e recheada de flores na frente, nos lados e nas quatro janelas (duas em cada andar). Mykael estacionou o carro, logo Johnny e ele desceram, em seguida saiu Helena pela porta direita, Chirs, quase acordado, levou um empurrão de Emily.
–Me deixa em paz — Disse Chris sem que quase Emily pudesse ouvir.
–Desça logo — Disse Emily com impaciência.
Mykael abriu o porta malas do Opala para que todos pegassem suas bagagens. Logo após o feito, caminharam em direção à casa. Mykael retirou uma chave sinistra de seu bolso (era uma chave normal, tirando o fato de ser modelada em forma de crânio em uma ponta) e abriu a porta da recepção, todos estranharam, mas permaneceram em silêncio e entraram. Todos adoraram a casa, estava vazia e sentiram um ótimo clima de paz quando sentaram no enorme sofá branco que ali estava no meio da sala, sem dúvida, o sofá mais macio que qualquer um deles já sentaram.
–Mas cadê a tevê? — Perguntou Chris quase deitado no sofá.
–Não tem tevê — Disse Mykael em resposta
–Como assim Myke, você não pode estar falando sério, o que vamos fazer nesse fim-de-mundo então?
–Descansar um pouco da cidade, ficar em paz, sem barulho, sem rede social, sem nada.
–Sem re... -Chris não conseguiu terminar a frase, pois ficou chocado ao perceber que ali não havia rede nenhuma para ele usar o celular. Todos riram.
–A casa está bem abastecida — Disse Johnny pegando quatro cervejas da geladeira e entregando uma para cada, exceto para Emily, que era sua irmã mais nova.
–Ah, John, fala sério, eu também quero... eu já vou fazer dezoito anos.
–Já vai, mas ainda não fez — riu ironicamente enquanto Emily se sentava toda emburrada no sofá.
Depois de duas rodadas de cerveja, todos subiram para o segundo andar procurando os quartos, havia ali quatro quartos, três de solteiro e um de casal.
–Eu fico com esse — Disse Chris entrando no quarto de solteiro mais próximo, que ficava à direita, atirando-se preguiçosamente na cama.
Johnny e Helena ficaram com quarto de casal, Emily e Mykael se repousaram um em cada um dos quartos de solteiros que sobraram. No final do corredor no segundo andar havia uma janela maior que as outras que dava visão do lago, era por do sol e Emily resolveu ver aquela linda cena enquanto os outros tomavam banho, havia apenas dois banheiros na casa, quando chegou sua vez, tomou um banho e deitou-se na cama. Passando de meia-noite, Emily não estava com sono por conta de seu irmão mais velho não ter deixado ela beber cerveja, mas não tinha do que reclamar, ele foi generoso o bastante de ter deixado ela vir. Lendo um livro qualquer que encontrou em uma estante velha naquele quarto, escuta um certo barulho, era barulho passos no piso de madeira da casa, resolve não olhar, continua lendo até ficar com sono e dorme.
No dia seguinte, todos acordam e logo dão por falta de Chris, era muito cedo, o que era estranho já que não o viam acordado antes do meio-dia. O procuraram desesperados por toda a casa, cansados de procurar ali dentro resolvem procurar ao redor da casa.
–Esse lago é maravilhoso — Dizia Chris todo risonho enquanto passava pela porta.
–Chris, onde você estava? — Perguntou Johnny impaciente enquanto sacudia Chris pelos ombros.
–Vai com calma John, ele disse que estava no lago — Disse Mykael em defesa de Chris.
–É, mas ouvi passos de noite, quer dizer que estava lá até agora? — Continuou Johnny.
–Ei, como assim? Eu dormi a noite toda, e fui cedo para lá.
–Você acordar cedo? Até parece.
–Não é bem assim — disse Chris, mas o som de suas palavras saíram baixas devido a risada de todos.
–Então, vamos nadar no lago — Disse Helena e todos concordaram, exceto Chris.
–Acabei dei sair de lá, vou ficar aqui dentro mesmo.
– Você quem sabe — Disse Johnny. enquanto pegava o engradado no qual havia colocado uma dúzia de cerveja e todos foram em direção ao lago.
O dia passou rapidamente, todos se divertiram muito nadando no lago, que era magnifico água toda transparente e diversa flores coloridas ao seu redor, o lugar era todo preenchido por uma grama verdíssima. No fim da tarde todos resolvem voltar para casa.
–CHRIS — Gritou Johnny, mas não teve resposta — caraca, o filho da mãe já está dormindo.
Mas para o choque de todos, uma coisa horrível estava diante de seus olhos, Chris estava no quarto amarrado com uma corda que o pendurava pelo pescoço, estava morto sem dúvidas, Johnny corre na cozinha e pega uma faca para cortar a corda, as garotas choravam em um canto, todos estranhavam Mykael, ele estava pálido não expressava nenhuma emoção. Com o corpo de Chris no chão, Johnny tenta sentir alguma pulsação, mas não sente nada.
–Por que diabos ele fez isso? — Disse johnny sem obter respostas.
–O que vamos fazer? — Pergunta Mykael sem tremor nenhum na voz.
–Temos que ir embora logo — Respondeu Emily aos prantos.
–Não, não podemos — Disse Mykael — Seria loucura sair de noite, acho que devemos enterra-lo aqui mesmo e vamos para nossas casa amanhã cedo. — Todos concordaram e não muito longe da casa cavaram a cova e colocaram Chris ali. Estavam voltando para casa.
–Essa casa parece menos branco que antes — Disse Emily curiosa — O lago, também está diferente, não acham?
–É a falta da luz do dia — Respondeu Mykael.
–Vamos dormir, quero sair logo daqui — Concluiu Johnny.
De manhã, todos foram logo juntando suas coisas e levando para o carro. Johnny encontra Emily olhando para o além totalmente pasma, mas ao olhar na mesma direção que ela, e ficou boquiaberto com o que via, era o túmulo improvisado que fizeram para Chris, estava aberto e vazio, mas não era só isso, lá também estava uma placa, era a mesma placa que avistaram no caminho, mas estava com a segunda palava completa por sangue agora ''Lago dos HORRores''.
–MYKE — Gritou Johnny — temos que sair logo daqui, vamos.
–É eu sei — Disse Mykael, olhando Johnny que não estava entendendo a situação.
–Então vamos, espera, cadê a Helena?
–Eu não sei.
–Ah, seu desgraçado, que lugar é esse?
–Calma, é só um lago.
Agora Johnny e Emily olharam para casa, estava com cor de madeira pura e com aparência velha, o lago... já não parecia um lago, a água estava com uma cor que se aproxima de um vermelho bem escuro, e exalava uma podridão insuportável.
–Vamos embora logo — Repetia Emily enquanto chorava.
–Não vamos sair daqui sem a Helena — Disse Johnny.
–Não vão mesmo.. hahaha — Disse Mykael que ria num tom amedrontante enquanto apontava uma arma em direção aos dois.
–Qual é Myke, deixa de doideira, larga essa arma.
–CALE A BOCA — Gritou Mykael — agora vão em direção ao lago.
Com medo e sem reclamar, foram em direção ao lago e ás margens, que agora parecia mais com um pântano, avistaram o corpo de Helena, sendo cuspida toda mutilada por um monstro, que não era menor de dois metros, tinha uma aparência horrenda, podia-se notar que tinha pernas humanas, não era quaisquer pernas... eram as pernas de Chris, perceberam que estava com restos da calça que Chris usava, as pernas com certeza aumentaram, ficaram do tamanho total que Chris tinha, da cintura para cima era um tronco só, com cor verde bem parecido com lodo, havia um líquido todo gosmento que vazava por todo o corpo da criatura. A cena do corpo de Helena saindo daquele monstro foi horrível, a parte de cima dele se abria em quatro partes parecendo uma planta, havia inúmeros dentes afiados naquela criatura.
–Meu deus, o que é isso? — Perguntou Johnny.
–Isso é meu filhote, gostou? — Disse Mykael em resposta — Se chama Rurekan, está na minha família há séculos.
–Você é um filho da puta.
–E vocês são uns tolos, mas devo agradece-los, pois me ajudaram a completar o rito, aliás, ainda vão, é só deixar Rurekan devora-los.
–Vai se foder, seu desgraçado.
–Aceite, não há nada que possam fazer, hahaha. Rurekan, hora do lanche.
Rurekan vinha na direção de Emily e Johnny, era um pouco lento, até lembrava um pouco o Chris, ainda mancava. Johnny pensava no que fazer quando o monstro chegava para abocanha-los, sabia que podia ser digerido em uma mordida apenas devido ao tamanho de Rurekan. Johnny esperou até o ultimo momento, quando Rurekan ia abaixando o tronco para abocanha-lo, empurrou Emily para o lado oposto em que saltou, e em movimentos rápidos foi em direção de Mykael, que se deliciava com a cena, tirou a arma de suas mãos meteu-lhe uma coronhada que o deixara no chão e foi empurrando Mykael desmaiado para a entrada da casa. Johnny atirava em Rurekan, mas não fazia efeito algum, apenas deixava Rurekan mais furioso soltando um barulho alto e medonho ''RUUUUUUUUUUUURGH''. Ainda atirando em Rurekan, correu em direção à Emily.
–Tem algum plano? — Ela perguntou.
–Não faço a mínima ideia, aliás — ficou animado com a ideia que teve — vai ter que confiar em mim.
–Tudo bem, o que vai fazer?
–Vamos queima-lo, deve resolver. É o seguinte: você fica aqui dentro e atrai esse tal de Ru... sei lá o que — Emily não gostou muito da ideia, mas acenou com a cabeça concordando enquanto Johnny passava o resto do plano.
Mykael acordando em frente a casa levantou levemente, sentiu algo chegando por trás, olhou entre o ombro e viu Rurekan, foi a ultima coisa que vira, Rurekan sem piedade o abocanhou de uma vez só, mas ficara ali mastigando ele em sua enorme boca. Johnny estava no Opala, com sorte Mykael esquecera a chave no carro, avistou galões extra de gasolina no porta malas, não tinha muito tempo, olhou Rurekan e viu que já estava terminando de degustar Mykael.
Lá estava Rurekan cuspindo os restos de Mykael, com isso ganhou um pouco mais de tamanho, e logo começou a ir mancando para dentro da casa onde Emily chamava sua atenção. A porta, claro não era de seu tamanho, foi totalmente destruída por Rurekan com certa facilidade, pois a madeira estava quase podre, Rurekan teve de ir ajoelhado e um pouco curvado para continuar indo atrás de Emily.
– AGORA — Gritou Johnny, e Emily saiu correndo pela porta do fundo da casa enquanto Johnny ia com o carro em direção à casa.
Saltou do carro em movimento e deu alguns giros no chão, o carro só parou quando se chocou com Rurekan. Emily, já ao lado de Johnny, viu o irmão atirando no Opala, Emily cortou deixou o botijão da cozinha soltando gás, conforme o plano, então o carro explode e imediatamente a casa começa pegar fogo, era possível ver Rurekan se contorcendo na casa e ouvir seus últimos gemidos, até que finalmente morre.
–Nossa... — Disse Johnny — vamos embora — completou.
–Sim... mas, o que vamos dizer para as famílias deles?
–A verdade.
–E acha que vão acreditar?
–Não.
Os irmãos foram saindo andando, pensando em encontrar uma carona na estrada, quando ouviram um barulho extremamente alto parecido com o de Rurekan, quando olham para trás, avistam um Rurekan no mínimo cem vezes maior que o outro saindo do lago fétido vindo até eles e os abocanhando numa mordida só.
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