Conto de Uma Fada

16 Capítulo 16 – Será ansiedade?


Voltei pra casa de Frank com Joan e eles ficaram muito preocupados comigo, ou com o que eu poderia fazer. Joan tinha medo de que eu saísse voando e fosse atrás de Aguane assim que um dos dois virasse o rosto ou se distraísse. Mas eles não sabiam que eu estava muito nervosa pra isso, eu não conseguiria voar tão longe ou até onde quer que Aguane tenha o levado.

- Joan, você tem alguma idéia de onde essa tal de Aguane pode estar? – Frank perguntava enquanto enchia um copo com coca-cola.

- não. Ela voa né? Pode estar em qualquer lugar. – ela disse cabisbaixa – eu só fico preocupada com a Maya. Ela parece amar muito o Gerard.

- ela alguma vez já se apaixonou antes de conhecer o Gerard?

- não, mas alguns guardiões lá em Guhur já foram apaixonados por ela.

- e você?

- eu, o quê?

- já se apaixonou alguma vez?

Joan se engasgou com a coca-cola que bebia pela primeira vez.

- cof... cof...

- calma, deve ser o gás. Você não está acostumada mas com o tempo vai aprender a gostar de Coca-Cola. – ele riu.

- que troço mais esquisito... arde o nariz. – Joan começou a rir também. – vou procurar a Maya. – e se levantou da cadeira.

- você não me respondeu.

- o quê?

- se você já se apaixonou antes.

- ah... uma vez sim, mas não tinha futuro.

- por um humano?

- não, ele também era de Guhur, mas era filho de uma fada muito importante e ela nunca ia aceitar uma mestiça na família.

- mestiça? Como assim?

- a minha história é complicada, Frank. Minha mãe foi uma fada muito poderosa também, e ela me contava que meu pai era um humano. – ele abriu a boca surpreso.

- e como... como aconteceu??

- ela me dizia que era fada de um belo rapaz aqui da Terra e ele conseguia vê-la quando ninguém podia. Os dois se tornaram amigos, se apaixonaram e um dia, apenas um único dia, eles... é, eles... fizeram o que pra nós é proibido, entende?

- é proibido uma fada se apaixonar por um humano? Eu nem acredito que to dizendo isso, parece loucura né? – ele riu sem graça.

- é, parece. Mas não é, e é bem sério. A Maya se apaixonou perdidamente pelo Gerard e eu não sei como seria se ela voltasse pra Guhur. Talvez ela nunca mais possa voltar.

- nossa... mas eles se amam, ela não precisa voltar. E nem você.

- hã?? Por que eu não posso voltar?

- porque.... eu...

De repente, eles olharam pro lado e me viram correndo pro banheiro. Joan foi atrás de mim e me viu vomitando no vaso.

- Maya!!! Você está bem?? – ela me ajudou a levantar. – O que houve?

- eu não sei... – joguei água no rosto e me olhei no espelho. Eu estava horrivelmente pálida – acho que é nervosismo. Eu preciso achar o Gerard ou não sei o que acontecerá comigo.

- eu acho que sei... – Frank disse baixinho e elas não ouviram.

Me deitei na cama e adormeci. Eu estava passando muito mal e sentia meu corpo inteiro doer, principalmente meu coração. Tive a sensação de dormir horas até que acordei com uma sensação ruim e me assustei quando vi que não estava sozinha no quarto.

- ahhhhhh o que você faz aqui?? – dei um pulo da cama e fiquei de pé.

- queridinha, você acha que eu vim aqui só pra te ver dormir, foi? Claro que não, fadinha idiota! Eu vim pra terminar minha vingança.

- Joan!! Frank!!! – gritei em vão.

- não precisa gritar. Eles não vão te ouvir.

- onde está o Gerard?? O que você fez com ele??

- não se preocupe com ele, eu nunca machucaria aquele ser tão belo. – por um instante me senti melhor – ele está muito bem longe de você.

- e o que você quer comigo, hein? Quer me matar?? Mate-me logo mas não machuque o Gerard nem os meus amigos, ta me ouvindo Aguane?

- eu não sou surta, idiota. Claro que ouvi. Mas eu não vou te matar assim tão fácil, antes vamos dar um pequeno passeio.

Ela me segurou pelo braço e meus pés saíram do chão. Saímos pela janela e logo estávamos sobrevoando pelo céu de New Jersey.

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