Notas iniciais
Waycest.
- Não acredito que estou fazendo isso – pensou Mikey, enquanto colocava um pedacinho de papel dentro de uma meia. — É loucura, mas não custa tentar.

De fato, ele estava desesperado.

Suspirou, beijou a meia e foi à sala. Pendurou ao lado da outra. Assim que terminou, Gerard apareceu.

- Entregou-se ao espírito natalino?

- É... só dessa vez – respondeu Mikey, envergonhado.

- Sabe, não acredito nessas coisas. Apenas tento manter a tradição. A mamãe e o papai sempre estão ocupados e não ligam para o feriado. Bom... boa sorte.

Faltavam três horas para o Natal. Seus pais não haviam chegado. A mãe ligara para avisar que estavam na casa da avó.

Gerard foi ao quarto contar ao irmão.

- Mikey, somos só nós dois esta noite.

- Eles não vêm?

- Não. Algum problema?

- Não.

- Está triste por que eles não virão?

- Que papo gay!

- Você que sabe... A comida está pronta. Pelo menos tiveram a decência de pensar na nossa ceia. Vamos comer?

- Claro.

Desceram a escada juntos.

- Ah! Deixaram os presentes perto da árvore. A mamãe espera que a gente abra NO Natal, mas estou certo de que isso não vai acontecer.

Mikey riu.

Gerard ficou contente por ter aliviado a tensão dele.

Serviram-se. Gerard levou seu prato e um copo de Coca-Cola para a sala. Sentou no sofá, ligou a televisão.

Mikey não quis comer sozinho na sala de jantar. Juntou-se ao irmão.

- Só porcaria na TV – reclamou Gerard. – Escolhe um DVD.

- Qualquer um.

- Então eu escolho.

Gerard pegou “O filho de Chucky”.

- Ah, que droga, Gee. Tô comendo.

- Fecha o olho.

- Saco...

* * *

- Ai... Tô cheio – reclamou Gerard.

- Você nem comeu as batatinhas.

- Não vai caber. Amanhã eu como. Vamos abrir os presentes.

Sentaram no chão, próximos à árvore.

- Gee.

- O que?

- É Natal.

- Eu sei.

- Estamos abrindo os presentes no Natal.

- Puxa... É mesmo.

Riram.

* * *

- Nossa, estou cansado. Vou dormir.

- Eu também.

- Feliz Natal, Mikey.

- Feliz Natal.

* * *

- Boa noite, Gee.

* * *

Mikey acordou à tarde; encontrou Gerard na cozinha, comendo as batatinhas Chips e lendo a embalagem do suco de laranja.

- Boa tarde, maninho – cumprimentou, sem interromper a “leitura”.

- Boa tarde, Gee.

- Se quiser comida, esquenta no microondas.

- Não, vou comer biscoito mesmo. Cadê eles?

- Saíram de manhã. Uma glória.

- É. Tem sido muito legal.

- Bom, vou ouvir música. Licença.

Gerard foi para o quarto. Ligou o som, deitou na cama.

Logo, Mikey apareceu. Ele não gostava de ficar sozinho.

- Hum... Green Day – disse, sentando em sua cama.

Por um momento, pôde-se ouvir apenas música.

- Mikey... – Sentou na cama do irmão. – Eu sei o que você quer de Natal.

- Sabe?

- Ahãm. E vou realizar seu desejo.

Gerard beijou seus lábios.

- Esperava um pouco mais.

Beijou-o novamente, um beijo intenso desta vez.

- Li seu pedido.

Mikey ficou vermelho.

- “Eu quero o Gee” – disse Gerard.

Riram.

- E consegui?

- Preciso provar de outra maneira?

- Precisa.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!