Conto aos sinos de Notre Dame
1 Um conto e homenagem a Notre Dame
Notas iniciais
O céu estava estranhamente nublado para uma época tão feliz. Os adultos da cidade se reuniam para orar, enquanto as crianças buscavam alegremente os ovos escondidos nos cantos dos pastos e prédios. Todos se ocupavam com preparações para a Páscoa, exceto um rapaz.
Notre andava pela cidade, cabisbaixo. Ele já estava pronto para as festas: usava uma guirlanda de galhos e flores por cima de seus cabelos preto-acinzentados e sua capa colorida com mosaicos se arrastava pelo chão. Ele se esgueirou pelos portões da igreja, depois passou por suas enormes portas e se ajoelhou na frente do altar. Seus olhos marejados cruzaram com os do Filho, pintados no vitral atrás do altar. Em seu desespero, Notre disse, melodiosamente:
—Me sinto cansado, Senhor; sinto que não veem mais o meu real valor. O mundo já não é o mesmo que era quando me pôs aqui. Não há brilho no olhar, não há compaixão, a fidelidade é difícil de achar, o dinheiro move cada ação. – Ele abaixou sua cabeça – Eu Vos servi tão bem, por isso peço-lhe, Senhor: “Peço luz, peço unção, peço à cruz com fé em oração, alguém fiel a quem clamar...” ¹ Só peço, Senhor, que me leve a um melhor e perfeito lugar...
Lá fora, ninguém percebeu quando a vela do altar caiu; só sentiram o cheiro agridoce de incenso, fumaça, tristeza e fé.
Cansado, o rapaz, já não tão rapaz, deixou-se levar. Pouco por pouco, deixou-se acalmar. Dele, salvou-se somente a guirlanda.
E assim, como lhe conto, foi-se nosso velho rapaz, nosso jovem senhor; sua beleza mortal deixou-nos sós. Nunca nada será tão bonito como foi nosso menino, Senhor Notre Dame.
Notas finais
Escrever é minha forma de mostrar luto. Obrigada por lerem.
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