Notas iniciais
Ééééé isso ai, galere! Finalmente, o último capítulo o/
Seguinte, eu não reli, não revisei e o capítulo nem foi betado ainda, mas se eu não postasse AGORA, eu talvez nunca mais postasse kkkk
Espero que gostem, eu sinceramente odiei o final, mas eles são sempre chatos, não tem o que fazer! D:
Ah, sim, antes que eu me esqueça: feliz dia do Rock pra vocês! :3

Deixei que meus lábios vagassem pela pele de Bill enquanto me punha calmamente por cima dele. Eu não estava acreditando que estávamos mesmo fazendo aquilo... mas estávamos.

Eu não podia evitar sorrir como um idiota enquanto descia minhas mãos até a barra do maldito vestido e o puxava para cima. Bill se desencostou da cama e o vestido deslizou com facilidade por seu corpo.

Permiti que meus olhos se desviassem por seu corpo e ri ao ver que ele não havia colocado porra de sutiã nenhum.

– O que aconteceu com toda aquela superprodução que Viktoria estava arranjando? – perguntei, passando a mão em seu peito. Bill deu de ombros.

– Ora, eu posso fingir ser uma garota, mas usar sutiã é pedir demais, não acha? – respondeu ele, agarrando-me pelo pescoço e selando nossos lábios. Suas mãos foram para a barra da minha camisa e eu não pude conter um gemido quando ele desceu os beijos pelo meu pescoço.

Em um movimento brusco, invertemos as posições e Bill se deitou por cima de mim, as mãos atrevidas indo de encontro ao zíper da minha calça. Estreitei os olhos vendo-o se abaixar e deslizar minhas calças para fora do meu corpo.

Encostei-me à cabeceira da cama e o puxei para mim, tomando seus lábios. Nossas línguas se encontraram e dançaram em um ritmo extremamente diferente de um momento antes, intensas e rápidas. Eu o sentia incrivelmente quente, seu peito encostado no meu, seu quadril se movimentando inconscientemente no meu colo. Gemi baixinho. Aquilo estava me enlouquecendo.

De repente, ele parou.

– Tom – disse ele, olhando nos meus olhos, as mãos pousadas no meu ombro. – Lembrando que eu nunca fiz isso antes, certo?

Olhei-o confuso quando ele saiu de cima de mim e levou as mãos ao elástico da minha samba-canção, tirando-a em um único movimento e envolvendo meu pênis semi-desperto entre os dedos.

Nossos olhos se encontraram durante uma fração de segundos antes dele se abaixar. Timidamente, ele deslizou a língua para fora da boca, tocando-me como se tivesse medo.

Arqueei as costas e não consegui controlar um gemido rouco. Eu não acreditava que ele estava fazendo aquilo. Era tão inacreditavelmente bom que eu quase podia gozar só com aquilo.

Um momento depois, ele pareceu se acostumar com a sensação e deixou que seus lábios envolvessem meu falo. Seu rosto corado parecia uma obra de arte refletindo em minha retina, meu coração batia em ritmo super acelerado. Eu estava quase sem ar quando ele começou a movimentar a boca, tocando minha glande com o piercing da língua. Mais uma vez, arqueei minhas costas.

– B-Bill – chamei-o, enlaçando meus dedos em seu cabelo e o obrigando a parar. Eu não sabia como, mas ele parecia ter nascido para fazer aquilo, a boca quente e os lábios macios ao redor do meu membro, os olhos cerrados com uma expressão de divertimento.

– Não está certo? – perguntou sorrindo. Gemi amaldiçoando-o por ser tão bonito. – O que você quer que eu faça, então? – acrescentou, masturbando-me devagar, literalmente me torturando. Eu não sabia o que queria, não sabia nem o que estava fazendo, só sabia que era bom. Muito bom.

– Quero que você me beije – respondi, puxando-o para mim e tirando sua boxer da maneira mais rápida que conseguia. Seus lábios se moldaram aos meus, mas tive que interromper o contato, apenas pelo tempo suficiente de lançar um olhar crítico sobre seu corpo, agora nu, deitado a minha frente; cada tatuagem se insinuando de forma tentadora na minha direção. Tudo o que eu queria naquele momento era ele, vê-lo tão submisso sob mim me fez gemer um pouco mais alto e ficar ainda mais excitado.

– Tommy – disse ele, parando de me beijar e invertendo as posições mais uma vez, sentando-se em meu quadril. Quase ejaculei, apenas com a visão. – Eu quero você agora!

Assenti feito um bobo e estendi a mão em direção ao criado mudo, pegando minha carteira. Bill a arrancou da minha mão e a abriu à procura de uma camisinha, logo a achando e abrindo-a rapidamente.

Colou nossos lábios mais uma vez enquanto desenrolava a camisinha em meu membro, me fazendo gemer ainda mais entre o beijo.

– Bill, vai doer assim – falei ofegante, segurando-o pela cintura. Bill não respondeu, apenas envolveu meu pênis com as mãos e se ergueu, encaixando-se de maneira torturantemente sutil.

– Eu aguento – respondeu, me beijando e esperando meu próximo movimento. Eu temia que ele pudesse se machucar, mas não aguentava mais a expectativa.

Coloquei minha glande de encontro à sua entrada, deslizando levemente por lá e ouvindo-o gemer de ansiedade com a testa apoiada no meu ombro, extremamente próximo ao meu ouvido. Forcei entrada lentamente, sentindo seu anel de músculos começarem a ceder com extrema dificuldade.

Bill tentava respirar calmamente, seu hálito quente batendo no meu pescoço e me deixando arrepiado. Parei de me mover por um momento, beijando seu ombro tão exposto aos meus lábios naquele momento.

– Apenas relaxe – sussurrei com uma das mãos subindo e descendo em suas costas, afagando-o calmamente – A camisinha faz o resto.

Bill assentiu devagar, se impulsionando para baixo, fazendo com que meu pênis finalmente começasse a invadi-lo. Beijei seu ombro sem conseguir me conter mais uma vez, tentando abafar um gemido extremamente alto enquanto me sentia deslizar cada vez mais para dentro dele, centímetro a centímetro, cada segundo pulsando como se fosse o último.

Quando finalmente conseguiu, Bill apenas ficou parado, recuperando o fôlego, abraçado a mim pelos ombros. Levei uma de minhas mãos até seu membro, acariciando-o lentamente para que se acostumasse à sensação. Um segundo mais tarde, ele se ergueu mais uma vez.

Meu pênis deslizou para fora; enquanto eu mordia os lábios, tentando não gritar de prazer, Bill apenas se sentou mais uma vez, ofegante.

Coloquei minhas mãos em sua cintura novamente, ajudando-o a se movimentar, sentindo-me entrar e sair dele inúmeras vezes, ouvindo seus gemidos e palavras desconexas saindo de seus lábios sem pudor, sem conseguir me controlar e gemendo junto. Eu gostaria de poder dizer que, enquanto ele subia e descia em mim, eu o ajudava a sentir prazer, mas a sensação de tê-lo ali, em meus braços, era tão boa que eu simplesmente não conseguia fazer mais nada além de guia-lo e ajuda-lo a se movimentar, gemendo cada vez mais alto.

Eu nunca havia feito uma coisa daquelas, mas ao sentir Bill cravar as unhas em meus ombros, eu tivera a incontrolável vontade de dizer que o amava. Mas não o fiz. Estranhamente, me contive. Apenas levantei seu queixo com as pontas dos dedos e o beijei, da melhor maneira que pude, tentando fazê-lo perceber como ele era importante para mim.

Desci os beijos por seu pescoço, ainda com as mãos em sua cintura, ajudando-o a se mover. Aquilo era tão bom que eu simplesmente não conseguia pensar em mais nada além do prazer que sentia. Eu sentia que estava me aproximando do momento final, então o fiz parar os movimentos e o deitei na cama, ficando por cima dele e beijando seu pescoço, seus ombros, seu peito, acariciando as laterais do seu corpo e apertando levemente, deixando marcas com os lábios em sua pele.

Continuei me movendo, sabendo que era inevitável agora, mas me contive tempo o suficiente para levar as mãos até o membro de Bill, que de repente deu um grito agudo.

– O que foi? – perguntei, parando de me mover – Eu te machuquei?

– N-não! – gaguejou ele, se contorcendo – Apenas faça isso outra vez, com mais força!

Sorri, beijando-lhe mais uma vez e fazendo o que ele pedia, arrancando-lhe suspiros e gemidos cada vez mais altos. Eu me sentia no céu.

– Bill – falei, diminuindo o ritmo das estocadas – Eu acho que estou vindo...

Ele colocou as mãos em meus quadris, me forçando a parar de vez com os movimentos.

– Tira – disse ele, ofegante.

– Como é? – perguntei, olhando-o desentendido, mas ele permanecia de olhos fechados, sem me encarar.

– Tira a camisinha! – praticamente gritou, fincando as unhas na minha pele.

Não consegui conter um sorriso enquanto deslizava para fora de Bill e tirava a camisinha, jogando-a em direção ao banheiro e me abaixando para beija-lo.

Mais uma vez, forcei minha glande em sua entrada, que acabou me repelindo.

– Ai, meu Deus – gemi, enfiando a cabeça na curva do pescoço de Bill – você é tão... apertado!

Bill apenas riu, rebolando levemente, me fazendo finalmente conseguir penetra-lo novamente. Mais uma vez, recomecei os movimentos, sentindo-o ainda mais claramente do que antes, transbordando de prazer enquanto o observava morder os lábios e corar.

Eu não ia aguentar muito mais, então cogitei masturba-lo para que chegasse ao ápice também, mas antes que eu pudesse sequer mover minhas mãos, Bill gritou mais uma vez e ejaculou, se contorcendo inteiro e me fazendo perder o controle, liberando todo o meu líquido dentro dele.

O ar de repente sumiu enquanto a forte onda de prazer me fazia estremecer, sentindo Bill, no mesmo estado que eu, arranhar minhas costas.

Deslizei para fora dele, gemendo e ainda sentindo os espasmos de prazer. Deitei ao seu lado e percebi como as pontas dos meus dedos formigavam. Era tão estranho, tão bom, tão... inexplicável.

Bill demorou apenas alguns segundos a mais que eu para normalizar a respiração, virando-se para me olhar; eu me apoiara num dos braços e não deixara que meus olhos desviassem dele nem por um momento.

Vi-o corar enquanto puxava o cobertor e se cobria, mas não deixei que fizesse mais nada, puxando-o para mim e fazendo-o deitar a cabeça em um de meus braços, enquanto o enlaçava pela cintura com o outro. Depositei um pequeno beijo em sua testa e ele se encaixou em mim, suspirando.

Eu nunca, jamais sentira aquilo por ninguém. Era simplesmente sensacional estar ali com ele, mesmo agora, em que apenas nos abraçávamos e sentíamos o sono nos atingir em ondas. Eu não tinha como estar mais feliz.

______

Quando acordei no dia seguinte era como se todas as minhas defesas tivessem sido destruídas. Antes mesmo de abrir os olhos, meu rosto já havia se rasgado em um sorriso simplesmente enorme. Eu me sentia tão pateticamente feliz que não conseguia pensar em absolutamente mais nada a não ser o quanto eu amava aquele cara ali do meu lado. Era quase cômico.

Permiti-me abrir os olhos algum tempo depois e, pela claridade fraca no quarto, deduzi que deveria ser muito cedo ainda. Olhei para o lado ansioso, mas Bill não estava lá. Não me preocupei, imaginando que tivesse ido beber alguma coisa, então apenas fiquei encarando o dossel da cama, pensando se deveria ou não ir atrás dele.

Não aguentei muito tempo e joguei o cobertor para o lado, colocando um roupão e calçando os chinelos, indo até a porta de duas folhas. A única coisa que eu queria naquele momento era encontra-lo, ver seu sorriso e olhar em seus olhos para finalmente dizer aquelas três palavrinhas que estivera evitando na noite passada.

Meu coração se acelerou quando coloquei a mão na maçaneta da porta e ouvi sua voz e a de Viktoria.

– E o que você pretende fazer, então, Billy?

Estranhei o tom que eles estavam usando, mas imaginei que apenas não quisessem acordar ninguém. O meu sorriso só aumentou quando finalmente girei a maçaneta e o avistei do outro lado do corredor, no início da escada. Ia me aproximar, mas Bill voltou a falar, o que me deteve. Maldita mania de querer escutar a conversa dos outros essa minha!

– Bem, entre nós não aconteceu absolutamente nada sério, você sabe melhor do que ninguém que eu não gosto dele – disse Bill. Franzi o cenho, sem conseguir me mexer – Foi só o calor do momento, eu não estava muito bem. Teria evitado se não estivesse fora de mim, mas tia Berta havia me enfiado uma farmácia inteira goela abaixo para que eu estivesse bem à noite, eu nem sabia direito o que estava fazendo, nem me lembro do que disse pra ele. Quero dizer, foi um erro, só isso. Quando isso tudo acabar e eu estiver de volta a Alemanha, vou fazer questão de apagar todos esses dias da minha mente, exatamente tudo o que aconteceu por causa dele...

Todo o ar ao meu redor pareceu sumir e eu não consegui fazer mais nada exceto fechar a porta e me recostar nela, escorregando até o chão.

Ali, sozinho, eu chorei.

Pela primeira vez, eu apenas fechei os olhos e deixei que as lágrimas corressem livremente pelo meu rosto, sem me importar em limpa-las. Chorei pelo que tivemos e pelo que ainda esperava que tivéssemos. Eu pensara por um momento, erroneamente, que valeria a pena assumir os riscos. Por mim. Por Bill.

E agora, lá estava eu, com o coração em frangalhos pela primeira vez na minha vida por causa de um amor não correspondido. O problema, no entanto, não era a recíproca, e sim o fato de que ele fingira tão bem na noite passada que eu simplesmente acreditara em tudo. Então eu amaldiçoei a maneira como eu me deixara levar por algo que deveria ser claro que não havia volta. Não haviam cartas reservas e eu me senti caindo naquele mesmo abismo que eu pensara ter atravessado tão rapidamente.

Chorei, mas não permitiria que aquilo se prolongasse mais do que o necessário e, naquele momento, ele não merecia minhas lágrimas, então apenas as enxuguei e me vesti, esperando pelo momento que Bill cruzaria a porta e eu finalmente acabaria com toda essa farsa, de uma vez por todas.

Eu não me importava mais em ser mandado para nenhum colégio na Inglaterra; a ideia parecia tão distante que eu simplesmente ignorei. Por um longo tempo eu cogitara a ideia de assumir que eu não tinha porra de namorada nenhuma, eu acreditara que talvez fosse dar certo, mas me esquecera de prestar atenção nos detalhes, que piscaram para mim durante todo esse tempo.

“Essa noite, eu sou seu”, dissera Bill. Eu não percebera, mas aquilo significava o fim. A verdadeira última noite.

Quando ele finalmente entrou no quarto, não me permiti olhar em seus olhos. Ele vestia aquele mesmo roupão preto e eu me esforcei para não pensar no modo como ele parecia bonito daquele jeito.

Apenas me levantei de onde estivera sentado, me esquivando de Bill, que praticamente pulara ao meu lado e fui em direção à minha carteira, entregando-lhe os dois mil euros que lhe devia.

– O que é isso? – perguntou ele, olhando para o pequeno bolo de notas.

– O combinado era até sábado – respondi ainda sem encara-lo. Temia que me debulhasse em lágrimas outra vez como uma garotinha se o fizesse. – Você pode ir embora agora e esquecer tudo o que aconteceu. Vou mandar um carro levar você e suas malas até o aeroporto.

– Como é? Tommy, o que você acha que...?

– Não me chame assim – cortei-o, finalmente erguendo meus olhos para os seus, que pareciam confusos. Engoli em seco – Nunca mais.

– Então é isso? – perguntou ele, parecendo indignado. Revirei os olhos com sarcasmo. Pra toda essa ceninha agora? Será que ele era tão bom ator assim?

– É, é isso.

– E o que você acha que eu sou, afinal? Alguma prostituta? Ou uma daquelas vadias com quem você e seu primo costumam sair? – gritou ele, parecendo furioso agora – O que, então? Eu não sei se percebeu, mas eu sou home, caralho! Você acha que pode me usar só porque eu tenho essa cara de bonequinha e depois me mandar embora como se eu não tivesse sentimentos?

– É, é isso ai, é exatamente isso que eu acho. Não era isso que você queria, afinal? O dinheiro está ai, não tem do que reclamar! – respondi abrindo a porta do quarto, convidando-o a se retirar. – Eu estava te pagando para fingir que tínhamos um relacionamento. Só fingir. Eu não estou nem ai para o modo que você pensa que eu deveria agir. Você não tem o direito de me cobrar nada além do dinheiro, que está ai, inclusive a mais do que o combinado.

– Ótimo! – berrou ele com as mãos fechadas em punho, passando por mim e me jogando as notas, que voaram por todo o corredor – Eu não preciso do seu dinheiro, pode ficar com ele e voltar a ser o que era antes de tudo isso. Finja que nunca me conheceu, é melhor assim, e eu faço questão de ir embora, obrigado.

Fiquei sem saber o que dizer, mas ele não esperou resposta, apenas desceu as escadas correndo, de dois em dois degraus, enquanto meu semblante duro desmoronava e eu sentia meu peito encolher e tentar esmagar meu coração.

A essa altura, no entanto, enquanto Bill batia a porta da frente e sumia por ela, todas as portas do corredor se abriram, revelando toda minha família com os cabelos em pé e de pijamas, se reunindo ao meu redor como um enxame.

– Acabou – murmurei, tentando me esquivar – Como podem ver, era tudo uma grande farsa. Desculpem-me, mas eu nunca tive uma namorada.

– Nós sabemos – disse tio Henri, dando-me um soco no ombro com uma mão e segurando o bebê com a outra.

– Você subestimou sua família, meu bem – respondeu tia Berta – Você, Viktoria, Gustav e Georg.

– Eu só ainda não entendi por que você escondeu de todo mundo que era gay – comentou tio Steve – Eu sempre soube que tinha alguma coisa errada com você, de qualquer modo, o que não quer dizer que eu imaginasse que...

– Espera, como é que é, colega? – perguntou Stu, irrompendo no corredor de samba-canção e pantufa de ursinho. Parecia ridículo, mas eu nem estava vendo-o direito – Tom é gay? GAY?

– É isso ai – respondeu Viktoria, sorrindo.

– Stu, querido – disse tia Lisa, achatando os cabelos do filho como se isso fosse fazer com que deixassem de ser rebeldes – Billa não é uma garota. De fato, se chama Bill.

– Bill Kaulitz! – completou Gustav, ajeitando os óculos no rosto.

Stu ficou estático, mas eu mal via o que estava acontecendo. Como assim, todo mundo sabia de tudo?

– Pois é – continuou Georg – Isso quer dizer que, esse tempo todo, você esteve tentando, em vão, se me permite dizer, pegar um cara.

Não consegui prestar atenção no que Stu fez depois de colocar a mão na testa e sair de perto escorando pelas paredes. De algum modo, parecia que ia vomitar.

– Tom, querido – recomeçou minha mãe. Agora eu finalmente entendia o porque de todo aquele papo sobre eu ter dado um passo muito grande por uma pessoa improvável. – Eu sinceramente acho que você deveria...

– Então não estão zangados? – interrompi-a – Quer dizer que vocês todos sabiam desde o início sobre Bill ser um homem?

– Sim – respondeu tio Hans.

– E por que diabos não me contaram?

– Como tia Berta disse – tornou tia Megan, colocando as duas mãos no meu rosto – Você subestimou nossa inteligência, meu bem.

– Mas não dissemos nada porque achávamos que você não sabia. – completou Bonnie, dando de ombros.

– Não queríamos estragar tudo! – disse tia Kristina, pegando o bebê do colo do tio Henri.

– Além do mais – continuou Bonnie – Vocês dois simplesmente pareciam apaixonados demais, não é mesmo, Sandy?

– Sim – concordou ela – Você semprre gostarr de garrotas bonitas e Billa serr uma, apesarr de serr um garroto, de qualquerr modo.

– E achamos que você devia ir atrás dele, querido – acrescentou dona Simone.

Revirei os olhos, fixando-os na porta da frente, onde podia ver a sombra de Bill sentado nas escadas de acesso.

– Vá atrás do Bill – repetiu meu pai – E peça desculpas, sim?!

– Por que eu deveria? – perguntei, ainda sentindo como se minhas entranhas tivessem sido roubadas.

– Você é burro, por acaso, pra não ir? – perguntou tio Danny. – Eu cheguei ontem, mas não pense que não vi como você olhava pra ela... quer dizer, ele. Arre!

– Ele não quer o mesmo que eu – respondi, olhando para Viktoria – Eu ouvi quando ele disse que queria esquecer tudo depois dessa festa, só adiantei um pouco algo que já me parecia inevitável.

– E você é realmente um idiota de primeira classe, como Stu vive dizendo – tornou ela, me batendo – Bill não estava falando de vocês dois desse jeito que você está pensando, ele...

– Eu sei o que ouvi – respondi, segurando suas mãos para que parasse de me estapear, desviando o olhar os para meus pés.

– Não sabe, não, imbecil! Você ouviu só um pedacinho da conversa e já acha que sabe tudo o que rolou!

– Então o que foi?

– Por que não vai lá e pergunta pro Bill, já que você é tão entendido dos assuntos dele? – gritou Viktoria, me empurrando na direção das escadas.

Revirei os olhos e desci as escadas, colocando meu orgulho de lado. A questão é que eu não poderia estar enganado e duvidava que ir falar com ele resolvesse alguma coisa. Eu preferia ir lá e me frustrar do que permanecer ali, no entanto.

Respirei fundo uma última vez antes de abrir a porta e encontra-lo encolhido em um dos degraus, abraçando os joelhos.

– Bill? – perguntei baixinho, torcendo para que ele não escutasse e eu pudesse voltar para dentro e dizer que ele não quisera falar comigo. Infelizmente, ou não, Bill levantou a cabeça, o que me fez entrar em pânico – Está chorando?

Ele não respondeu, apenas enxugou as lágrimas furiosamente. Estendi a mão em sua direção, traindo a mim mesmo, mas sem conseguir impedir.

– Não! – gritou Bill, se encolhendo ainda mais – Não encoste em mim!

Os segundos depois disso se arrastaram incomodamente quietos, enquanto Bill afundava o rosto nos joelhos mais uma vez, fungando.

– Eu ouvi sua conversa com Viktoria – falei de uma vez, olhando para qualquer lugar, menos para ele – Desculpe se fui muito grosso com você, não foi exatamente a minha intensão.

Bill levantou a cabeça e me olhou incrédulo.

– Eu sinto muito ter te tratado daquela maneira – continuei, tentando colocar minha cabeça no lugar –, mas ouvi-lo dizer que queria esquecer tudo o que aconteceu entre nós me fez sair do limite; me desculpe se me deixei confundir tudo e acabei me apaixonando. Eu pensei que talvez você estivesse sentindo por mim o mesmo que eu sentia por você. Quando descobri que estava enganado sobre nós, acabei perdendo a cabeça.

– Estava enganado sobre nós? – perguntou Bill, limpando mais uma vez as lágrimas que manchavam seu rosto – Tom, eu amo você! Deixe de ser idiota, eu não disse para Viktoria que queria esquecer o que aconteceu entre nós, eu estava falando do Stu! Por que ele tentou me beijar! Eu nunca vou esquecer do que aconteceu entre nós, nem que eu quisesse esquecer, não vai rolar. Deixa-de-ser-idiota! – repetiu pausadamente. – Eu sei que eu te amo, eu sempre soube, mas acho que é você que não sabe o que tem ai dentro.

– Eu sei o que eu sinto. Eu sei que te amo, amo o jeito que você age e tudo em você. – conclui, limpando seu rosto de qualquer vestígio de lágrimas e me aproximando de seu rosto – Me desculpe por ser tão imbecil...

Não consegui dizer mais nada, apenas deixei que nosso lábios se encostassem, sentindo que finalmente voltara a onde pertencia, mesmo que não conseguisse ver isso claramente durante um tempo. Bill, agora, era minha vida, e nada deveria nos separar novamente.

Seus lábios se moldavam sobre os meus, seu gosto me embriagava enquanto sentia-o tremer levemente sob meus braços. Eu estava pensando que nada poderia ser melhor quando a porta se abriu atrás de nós e todo mundo caiu pra frente, obviamente escorados ali um segundo antes, tentando ouvir nossa conversa.

– Acho que eles perceberam – comentou Gustav, sendo esmagado por Georg, que lhe deu um tapa na testa pela brilhante dedução.

Eu e Bill nos entreolhamos e rimos. Agora tudo estava bem.

Eu gostaria de dizer que nós vivêramos felizes para sempre depois disso, mas no fim, meu Conto de Fadas não era um dos mais tradicionais, se quer saber. Além do mais, ainda nem tínhamos terminado o ensino médio, quem sabe o que ia acontecer com a gente depois disso? Eu sinceramente não me importava. Já dizia o poeta: viva o segundo!

Notas finais
(Reprimindo o impulso de colocar FIM bem grandão ali em cima u_u)
Bubu, acabou D: Mas foi grandinho, né?! Acho que deu tudo certo (:
Obrigada por tudo, pessoal!