Notas iniciais
MINHA PRIMEIRA AOMOMO FUCK YEAH Tudo bem gente? Sei que AoMomo tem se tornado um pairing bem popular aqui pela tag e eu já estava querendo escrever sobre eles fazia um tempo, e só agora achei o AU perfeito. Acabou ficando maior do que eu esperava, hehe.

Posso afirmar com absoluta certeza que Momoi Satsuki nunca pensou que seria capaz de matar alguém.

Mas, oras, aqui ela está.

–D-Dai-chan...

Seus olhos se enchem de lágrimas. Suas mãos estão trêmulas; a arma que ela carrega ameaça cair.

Aomine Daiki continua no chão, abismado.

Momoi solta uma exclamação e joga a arma como se ela tivesse se transformado em uma barata enorme. A garota respira rapidamente. Jesus, não acreditava que tinha atirado em alguém...

–Eu estou bem — é a única coisa que Aomine diz. Ele levanta-se do chão, e analisa o corpo a sua frente. Cutuca-o com o pé. Não há mais movimento — Obrigado, Satsuki. A-Acho que você salvou minha vida.

Momoi não conseguia falar. Ela nem sabia o que tinha acontecido direito. Na verdade, a única coisa que tinha visto era Daiki se arrastando no chão, tentando se livrar daquela coisa, chutando-a, em pânico, com a visão da própria morte nos olhos.

E aí Satsuki meteu a mão no cinto da calça e pegou aquela arma que jurou nunca usar, apontou para o troço e apertou o gatilho várias vezes.

Se havia algo que a assustava mais do que aquelas coisas, era ter que ficar sozinha no meio delas. Simplesmente não sobreviveria sem Aomine ao seu lado, tinha certeza disso. Por isso seu instinto mais selvagem foi protegê-lo acima de tudo.

Aomine ergue a cabeça rapidamente, e olha ao redor, depois pousando o olhar na rosada.

–Ouviu isso?

Momoi não ousa se mexer.

–Eles estão vindo.

Ela engole em seco. Aomine pega-a pela mão, e eles saem correndo porta afora.

É noite, e está gelado. As ruas da cidade estão escuras e barulhos de passos ecoam pelas ruas. O vento bagunça o cabelo de Momoi conforme eles correm montanha acima, deixando a cidade baixa para trás. Ao chegar no topo da colina, podem ver. Podem ver tudo: milhares e milhares deles, sendo atraídos para a antiga casa onde estavam minutos atrás. Ah, sim, Aomine tinha explicado que eles eram atraídos pelo barulho...

–Dai-chan — Momoi quase não consegue falar de tanto que chora.

–Shh, não faça barulho. — ele pede baixinho, mas passos e alguns gemidos podem ser ouvidos daquela casinha de madeira na direita.

Os dois congelam no lugar. Foram descobertos.

A portinha da casa se abre lentamente, e um deles sai de lá de dentro. É uma mulher. Seu vestido está em farrapos, e ela tem um tom meio cinza. Sua perna está manchada de sangue, e ela não consegue andar direito porque falta um pedaço do seu tornozelo.

Ela tinha ouvido alguma coisa, mas parece que perdeu sua isca. Momoi e Aomine continuam em absoluto silêncio, somente olhando para a coisa a sua frente. O coração de Momoi voa em sua garganta e ela recua dois passos, tropeçando numa placa caída e fazendo barulho de metal.

A mulher vira a cabeça. Daiki aperta o taco de baseball em suas mãos.

A coisa avança com velocidade absurda, a boca aberta e os braços estendidos. Um choro rouco sai de sua garganta, ecoando pela colina e descendo até a cidade baixa. O garoto sabia que era questão de segundos até que aquela multidão subisse a montanha.

Daiki avança na direção da mulher, e acerta sua cabeça com o taco algumas vezes até ter certeza de que ela parara de ser mover.

–Dai-chan, eles estão vindo — Satsuki consegue sussurrar enquanto olha para baixo pela beirada da estrada. São tantos que é impossível contar.

Aomine Daiki estava desesperado. Seria seu fim, não seria?

Momoi pega em sua mão, e puxa-o ladeira acima. Não falta muito para chegarem à cidade alta. A maioria daquelas coisas não conseguiria subir a ladeira por suas más condições, então seria mais fácil despistá-los lá em cima. O garoto e a garota continuam correndo, a sede e a fome apertam-lhe as gargantas e os estômagos.

A vista da cidade alta ilumina-lhes a visão, ao mesmo tempo que os deixa sem palavras. Vários deles também perambulavam pelos jardins das casas caras e desertas.

Momoi Satsuki sabia o que tinha acontecido ali. Logo que o primeiro aviso soou, os moradores da cidade alta foram os primeiros a serem evacuados, porque, oras, eram ricos. E nesse mundo, o que têm sorte são os ricos. Os moradores da cidade baixa nem sequer sabiam que havia uma epidemia. Por isso metade deles morreu nas primeiras 24 horas. Os poucos que se recusaram a sair de suas casas na cidade alta acabaram se tornando um deles também. E agora eles estavam ali, à espreita, esperando algum jovem bobo o suficiente que achava que a cidade alta era segura.

Pobres jovens.

Momoi deixou-se cair no chão ao ver a quantidade daquelas coisas na rua. Mas Aomine sabia que não poderiam desistir, ou jamais conseguiriam sair dali sãos e salvos. Por isso puxou a garota para cima numa tentativa desesperada de salvar-se e a deixou num canto da rua, pedindo que fizesse silêncio.

O garoto escolheu uma pedra de tamanho razoável e mirou na janela de uma casa ao longe. Recuou três passos, correu e lançou a pedra, que atingiu o vidro em cheio. O barulho chamou a atenção de todas aquelas coisas, e elas começaram a se mover na direção daquela casa com suas bocas escancaradas, escuras, vazias e famintas.

Os jovens correram. Correram por entre as casas dos ricos, tentando fazer o mínimo de barulho possível, mas ainda na maior velocidade que sua fome permitia. Na entrada da rua 47, viram no topo da colina ao longe uma casa que parecia inviolada. Seria aquela.

Um grunhido alto tira Momoi e Aomine de seus sonhos esperançosos. Eles viram as cabeças; há três daqueles às suas costas. Droga, foram as respirações aceleradas que chamaram atenção.

–Satsuki, corre — Aomine diz o mais baixo que pode, mas Momoi sacode a cabeça — Corre.

–Não vou sair do seu lado, Dai-chan.

Os bichos avançam alguns passos.

–Eu vou distraí-los e a gente se encontra lá em cima.

Apesar da voz firme, o coração de Daiki bate absurdamente rápido em seu peito, e ele teme pela vida dos dois. Era seu dever proteger a pequena, não era? Pelo menos foi isso que prometera.

–Dai-chan...

–Vai, Satsuki — Daiki ergue o bastão acima da cabeça e bate com força no chão, fazendo um estrondo — VAI, SATSUKI, CARALHO.

As três coisas se lançam para frente de uma vez. Momoi, instintivamente, começa a correr colina acima, enquanto Aomine vai pela esquerda.

–Dai-chan!

–CORRE, SATSUKI! CORRE!

Ele corre batendo o taco em todos os lugares, fazendo o maior barulho possível para chamar a atenção deles. Momoi permanece parada no meio da rua, respirando rápido, vendo uma pequena horda deles saindo de todos os cantos da vizinhança. Ela já não vê mais Daiki.

–CONTINUE CORRENDO!

Momoi engole o choro e, o mais silenciosamente que consegue, corre colina acima na direção da casa.

Ela pula a cerquinha que separa a rua do jardim da frente e pega sua arma no cinto. Ainda consegue ouvir todo o tumulto causado lá embaixo, e ouve vidros sendo destruídos e carros sendo amassados. Ela morde o lábio com força ao pegar sua lanterna e lançar um facho de luz pela janela.

Aparentemente não há nada lá dentro. Satsuki vai até a porta e tenta girar a maçaneta; está trancada. Teria que pular pela janela.

Felizmente, esta estava destrancada. Momoi empurra-a para cima e passa uma das pernas, segurando a lanterna com a boca e a arma em uma das mãos. Ela pousa suavemente no chão de madeira, fazendo um pequeno rangido, mas nada parece se mover dentro da casa.

Ela tenta acender a luz. Por algum milagre, ela acende. Momoi quase chora de emoção. A garota fecha todas as cortinas da sala e acende a luz. É uma casa grande e luxuosa, com tapete de pelos brancos, lareira, armário de vinhos, uma TV grande e quadros nas paredes. Há muito pó. Felizmente, não parece haver ninguém.

Mesmo assim, Momoi ainda mantém seus sentidos alerta. Ainda com a arma na mão, ela vai pelo corredor até a cozinha. Também está vazia. A porta dos fundos está trancada. Ela fecha as cortinas por onde passa. Há uma escadaria para o segundo andar. Lá em cima está escuro. Respirando fundo, ela sobe.

A escada desemboca num corredor estreito e comprido, com quadros nas paredes e janelas. Ela abre a primeira porta: um banheiro. A segunda porta dá num quarto de criança. A terceira porta, aquela no final do corredor, dá para um quarto de casal.

A casa está vazia. Momoi chora de emoção e alívio.

Ela desce até a cozinha para procurar algo para comer. Não come nada faz dois dias, e sente-se imensamente fraca por conta disso. Abre a geladeira, mas está vazia. Os armários só têm pó. Ela vê uma dispensa, e lá encontra algumas coisas enlatadas. Ah, a vida estava sendo legal com ela pelo menos uma vez nesse último mês.

O feijão passara quase um mês da validade, mas a fome era maior que tudo. Momoi abre a lata com o abridor da gaveta, pega uma colher e come tudo num gesto desesperado. Seu estômago se contrai. Seu corpo exalava felicidade em estar ingerindo algo calórico o suficiente em um bom tempo. No último mês, Momoi e Aomine estavam vivendo de pombos assados e biscoitos de água e sal, coisa que acharam embaixo de uma prateleira num supermercado saqueado.

A dispensa ainda tem mais duas latas de feijão, um pacote de farinha, leite estragado, e milhares de cupnoodles. Momoi até chega a rir de felicidade.

Será que o relógio da cozinha ainda funciona? Ele mostra que são 22h30. Momoi sabe que está mesmo tarde. Quanto tempo havia se passado desde que Aomine a deixara? Ele já deveria estar voltando, certo? Afinal, Daiki nunca demorava muito para voltar.

Momoi abre a torneira e vê que ainda há água corrente e limpa na pia. Joga-se em sua direção e bebe o máximo que pode, aproveita para encher seu cantil também. Sabendo que esse deve ser o restinho da água da caixa d'água da casa, enche o maior número de baldes, bacias, panelas e potes com água que consegue. Quando só há um filetinho de água escorrendo, molha um pano e lava-se brevemente.

Satsuki sorri consigo mesma. Aomine sempre sabia quais casas eram as melhores, e ele havia acertado mais uma vez. Agora só restava esperar que ele chegasse.

Momoi pega o relógio da cozinha e sobe até o segundo andar. O cansaço é tanto que suas pernas mal se mantém em pé. Ela vai até a suíte principal e olha pela janela. Tudo está escuro na cidade alta. Alguns vultos passam ao longe, trupicando pelo caminho, perseguindo alguma coisa que fizesse barulho. "Dai-chan", ela pensa com um aperto no coração. Segura as lágrimas.

Momoi vê que não há sentido em permanecer acordada esperando o garoto. Resolve ir dormir. Ela arranca uma página da Bíblia que está na mesa de cabeceira e escreve um bilhete para Daiki, e coloca-o no primeiro degrau da escada, esperando que fosse lido.

Antes de se trancar no quarto, dá uma olhada ao redor. Todo aquele tempo que passara dormindo com medo de ser pega serviu de alguma coisa, estava mais cautelosa e preparada. Abaixo da janela do quarto há um telhado, provavelmente o da garagem. Não é um pulo muito grande, dá para usar numa emergência. Momoi arrasta a cômoda grande e pesada até a porta e se tranca lá dentro. Apoiando o relógio no travesseiro ao lado, a menina deita na cama e o cansaço a pega de jeito.

São 23h40. Aomine Daiki ainda não chegou.

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O dia nasce, mas as esperanças de Momoi Satsuki morrem.

Notas finais
Isso era pra ser uma one-shot, mas eu acho que deixei o final aberto para um segundo ou mais capítulos. Bom, não sei. Digam se curtiram e se gostariam de uma continuação, ok? Obrigada por ler! Beijinhos :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.