Notas iniciais
Olá, olá! Apertem o cinto, pois nosso jatinho particular de segredos está prestes a decolar. Espero que gostem de ler tanto quanto estou gostando de escrever.

I — O que um copo de vodca é capaz de fazer

Não sabia como minha irmã conseguia achar aquele tipo de evento interessante. Uma sequência frenética de socos e chutes podiam ser notadas de relance a frente e a gritaria a minha volta era o resultado de uma boa luta. Como assim? Qual era a graça de ver dois caras rolando no chão? Quer dizer... Tudo bem, tudo bem. Até que eles tinham um físico legal e aquele short valorizava ─ e como ─ a visão da plateia feminina... Mas, mesmo assim! Será que eles achavam divertido tomar um banho de sangue toda vez que alguém levava um golpe próximo a eles? Ou então de ter que se desviar toda vez que a luta se aproximava da grade e um ou dois socos sobravam no ar e voavam em direção a primeira coisa que encontrasse?

Se bem que ninguém ali se importava muito com o que vestia ou com o físico. A maioria dos garotos usavam roupas neutras e largadas, enquanto as garotas usavam o mínimo de roupa possível. O que me fazia sentir ainda pior. Enquanto a Tris usava uma roupa curta, bem típico da Beatriz, assim como suas amigas, eu e a Emmy estávamos parecendo zumbis no meio da multidão. Ambas usávamos moletom e shorts velhos e o primeiro calçado que encontramos para vestir assim que recebemos o convite para assistir a luta do namorado da Tris, o grande rei do MMA do submundo, Brandon.

─ Eu vou pegar mais bebida pra gente! ─ Tris aproximou-se e gritou em meu ouvido ─ Daqui a pouco começa a luta do Don! Não saiam daqui! ─ não tive tempo para protestar, já que ela e suas duas amigas ─ Mel e Johana ─ se jogaram no meio da multidão e abriram caminho em direção ao bar.

Encarei Emmy e a peguei olhando em volta e na tentativa de copiar os movimentos de algumas garotas, enquanto sorria calorosamente para alguns garotos ou jogava o cabelo castanho de um lado para o outro. seus óculos de grau desapareceram para se enturmar com o público e não passar o que ela chamaria de vergonha total.

Quando decidi voltar minha atenção à mais uma das lutas que acabara de ser anunciada pelo locutor escondido no meio da multidão e, possivelmente, segurando um microfone ligado às grandes caixas de som, fui pega desprevenida por um grupo de pessoas me empurrando cada vez mais pra frente, forçando-me como um escudo até que eu choquei meu corpo contra a grade alta que me separava do ringue e ali eu fiquei.

Não era muito fã dessas coisas e era óbvio, porém a experiência de assistir tudo tão de perto, preciso dizer, aflorou um sentimento, até então, desconhecido em mim. Algum tipo de onda eletromagnética me forçava a olhar fixamente para os corpos dentro daquela grade que se movimentavam rápido demais para que meus neurônios alcoolizados pudessem captar com mais detalhe. Eu me forcei a prestar mais atenção aos detalhes, e, aos poucos, fui me acostumando com os movimentos constantes do soco que um dos oponentes levava. Eu sentia que tinha uma super audição naquele momento e conseguia captar o som do contato entre o punho fechado e o maxilar. Minha respiração parou no instante em que, num golpe final, o adversário que apanhava incansavelmente caiu no chão apagado. Por um milésimo de segundo, todo mundo a minha volta fechou-se em silêncio, aguardando qualquer movimento do cara caído. Quando o cérebro de todos compreendeu que era uma vitória, a massa inteira pulou e gritou o nome do vencedor.

─ Don! Don! Don!

Só então pude realmente olhar para o vitorioso que erguia os braços para a multidão em comemoração com a torcida enorme que almejava por qualquer movimento seu em retorno.

Infelizmente, quanto mais as pessoas pulavam e comemoravam, mais eu era esmagada contra a grade, até que percebi ficar insuportável o suficiente, inclusive para respirar, e resolvi movimentar-me, empurrando alguns bêbados que me prensavam, para conseguir respirar ar puro.

Depois de muito lutar contra a maré, consegui alcançar um ponto livre no grande galpão e respirar com mais facilidade. Agora, ao invés de fedor de álcool, desodorante barato e perfume de marca, eu era capaz de quase sentir um ar mais límpido invadir meus pulmões e trazer clareza aos meus pensamentos.

Liv! ─ ouvi alguém gritar ─ Pelo amor de tudo que é mais sagrado! Ainda bem que te encontrei!

Uma versão ruborizada da minha amiga Emily surgiu de uma outra parte da multidão e me alcançou, sorrindo, completamente animada.

Encarei rapidamente o copo vermelho que ela segurava e senti-me obrigada a questionar:

─ Eu só te deixei por, sei lá, uns três minutos e você já mudou de ideia quanto a beber? Achei que havíamos concordado que se você fosse mesmo dormir lá em casa, não poderíamos deixar nenhum rastro de álcool. ─ cruzei os braços e a encarei atordoada.

O problema de Emily com a bebida era que ela nunca sabia parar, então sempre éramos descobertas por minha mãe quando ela chegava em casa com um odor repugnante de qualquer bebida derramada em suas roupas.

─ Ah, relaxa, Liv! Foi só um copo de nada! ─ argumentou Emmy enquanto balançava seu copo ─ Mas não muda o assunto! Onde você estava? Quando aquele pessoal doido chegou nos empurrando, te pedi de vista e achei que nunca mais ia encontrar. Fui parar do outro lado quase e tive que voltar nadando entre as pessoas. Aí a Tris me achou, perguntou onde você estava e eu não sabia o que responder. Mas agora, vendo seu estado, tenho certeza que você estava melhor que eu que aceitei esse copo de vodca pra ficar mais calma e tentar aproveitar os segundos finais da luta do Don. Falando em Don, acho que ele e a Tris brigaram de novo, antes dele entrar no ringue, porque ela estava meio exaltada, falando que não ia mais assistir o que ela chamou de-

Um anjo dos céus interrompeu o falatório descompensado de Emmy, anunciando os próximos lutadores e, obviamente, que Emily mais almejava ouvir soou no microfone.

─ E também teremos Zeny Barnes, representando a Máfia!

─ Ai meu Deus! Vem, Liv! Temos que correr pra assistir essa! ─ puxando-me exasperada, Emmy nem se deu conta quando seu copo pulou de sua mão e voou pelos ares até cair no lugar mais indesejado: meu casaco.

─ Merda, merda, merda! ─ grunhi revoltada e soltei-me de seu puxão o mais rápido que consegui.

─ Puta merda! Desculpa mesmo, Liv! Que droga! O que você vai fazer?

─ Eu sei lá! ─ berrei o mais alto que consegui, lutando contra a gritaria de exaltação aos lutadores que já entravam no ringue. Olhei em volta, buscando alguma solução plausível para aquele problema aborrecedor, quando fomos, novamente, atingidas pela multidão e afastadas. Enquanto Emmy era empurrada de encontro a maré em direção ao ringue, eu lançada rumo à parede mais distante pela massa absurda que buscava pelos melhores lugares para assistir a luta a seguir.

Zeny era, provavelmente, o maior rival já enfrentado por Don nos últimos meses e, definitivamente, o homem dos sonhos de Emily, desde a última vez que ela o vira lutando em um outro momento, em um outro conjunto de MMA clandestino.

Na verdade, suas súplicas insistentes para virmos esta noite fora o que me convencera a abandonar o livro de anatomia II para estar aqui esta noite. Ela sabia que o Zeny viria, pois ele divulgou em seu status que já estava a caminho da boate Zoom para se “divertir um pouco com a cara de alguns idiotas.” Aquilo foi claramente um código para anunciar sua participação na luta desta noite e minha doce e terna amiga Emily não perderia por nada a chance de reencontrar o seu lutador favorito.

Observei a mancha escura em meu moletom e passei próximo ao nariz, para tentar averiguar se a situação estava realmente muito ruim. E estava. Estava mesmo! Não só pelo fato de, bom... eu ter tomado um banho de vodca, mas porque eu não estava usando nada por baixo. Literalmente nada.

Aproveitei meu tempo sozinha, prensada na parede por livre e espontânea vontade, já que a multidão se aglomerava mais a frente, só para tentar raciocinar com mais clareza no que fazer para me livrar da mancha da melhor maneira possível. Até que a ideia brilhante me veio a mente! Tris tinha uma jaqueta na parte de trás do carro, e eu sabia disso, pois eu vim por todo o trajeto incomodada com o fato da minha coxa estar pressionando o botão dela que estava jogada de mau jeito no banco. Eu sabia também que a mala do carro estava destrancada, então eu não teria muita dificuldade em entrar em seu Scenic. É uma boa ideia, não é? Eu não tinha muito tempo para pensar, pois queria evitar que o cheiro da vodca se impregnasse em meu peito, então procurei pela saída o mais rápido que consegui, desejando me ver livre de tudo aquilo.

Não demorei a encontrar a saída com porta de correr e com um gesto amigável do enorme segurança que a protegia, pude perceber que eu era livre para sair. Não que fosse, de fato, proibido, mas, geralmente, de acordo com Tris, algumas pessoas com os celulares expostos são revistadas, para que nenhuma informação muito importante dali de dentro seja revelada no mundo externo.

Acho que meu olhar desesperado para a camisa toda suja foi um sinal verde de que era inofensiva, pois a porta automática abriu um pequeno espaço para permitir minha saída.

─ Finalmente ar puro! ─ falei exasperada, sem temor e de forma bem dramática enquanto a cada passo me via longe daquele zoológico.

Quando mais me afastava, em direção ao carro de Tris que estava estacionado do outro lado do terreno baldio que servia como garagem para os visitantes da boate, pude sentir-me idiota por ter considerado sentir alguma de especial enquanto assistia a luta antes. Tudo bem que havia uma energia, mas nada tão grande quanto eu havia imaginado.

O carro roxo destacava-se entre um jipe estilo militar e uma caminhonete azulada, então não tive muitas dificuldades para encontrar o automóvel da minha irmã. Antes de pressionar a alavanca de abertura do porta-malas, assegurei-me, olhando para os lados, de que ninguém estaria por perto.

Essa era um daqueles períodos típicos de fim de noite de Orlando. Um frio gostoso e refrescante tomava posse dos ares. Observei atentamente todos os corredores de carro formados aos meus dois lados e não vi nenhum movimento. Estava tudo limpo. O que era bom, afinal eu não ia querer nenhum estanho me olhando enquanto trocava de roupa.

Abri o porta-malas com cuidado, evitando fazer qualquer barulho extremo, ainda incerta quanto ao fato de estar realmente sozinha. Havia diversas embalagens de fast-foods espalhadas, junto de algumas camisetas amarrotadas de Don e algumas embalagens de... espera! Eca! Camisinhas! Apoiei o meu joelho o mais distante o possível da cartela que eu havia flagrado e rezei mentalmente para que aquela distância entre meu corpo e o banco do carro fosse ideal para alcançar a jaqueta. Tateei com a mão pelo encosto do banco, até conseguir sentir a ponta do tecido jeans. Puxei no mesmo instante e, pulei para fora da mala, com medo de esbarrar em coisa pior do que camisinhas ainda lacradas.

Pensei em voltar para a boate e me trocar, porém, obviamente, a cada segundo que eu passava com aquele moletom, mais impregnado o odor da bebida ficaria, então, tomada pela coragem e pela pouca porcentagem de álcool em meu organismo, decidi enfiar-me entre o jipe de janelas de insulfilme totalmente escuro e o próprio carro da Tris. Parei de frente para a janela alta e escura do jipe e coloquei minha jaqueta entre as pernas, somente para conseguir arrancar meu moletom o mais rápido possível.

Enquanto o removia, o odor de álcool subiu pelas minhas narinas e deixei escapar uma careta. Por obra do destino, o cordão do gorro ficou agarrado na corrente do meu colar, o que dificultou a passagem pela minha cabeça. Depois de lutar muito, puxar e repuxar, consegui remover completamente minha vestimenta.

Sorri, vitoriosa, mas o sorriso logo se desfez, quando, ao encarar a minha frente, deparei-me com uma situação extremamente inesperada.

─ Vista legal.

A primeira coisa que consegui fazer foi bloquear os meus seios com ambos os braços, deixando o casaco cair no chão e afastar-me o suficiente até minhas costas esbarrarem no carro logo atrás de mim.

─ Seu... seu pervertido! ─ eu grunhi enquanto olhava para os lados, desejando, do fundo do coração, encontrar uma alma viva para me proteger do que quer que esse estranho planejasse fazer comigo.

Havia um cara bem ali, dentro do carro! Bem ali, na minha frente, me encarando com a janela – agora – aberta, deixando transparecer apenas a silhueta de sua face por conta da luz baixa.

─ Espera! Eu, pervertido?! Mas foi você que parou em frente ao meu carro e começou a tirar a roupa, garota! ─ apesar do sutil tom de indignação com minhas ofensas, pude sentir um toque de travessura em suas palavras.

─ É que eu... ─ Merda. Infelizmente, ele tem razão. Fui eu quem parei ali e comecei a arrancar a roupa. ─ Você não podia, simplesmente ter mantido a janela fechada?

Eu ainda não era capaz de ver seu rosto totalmente, por conta de toda a sombra que permeava o local, contudo, pude ver com mais clareza a silhueta de um sorriso brilhante se formando antes dele completar:

─ Então você preferiria não saber que tinha um cara te olhando dentro do carro? Tipo um voyeur?

─ Eca! Não. ─ gemi, em desprazer com a suposição. ─ É só que...

Inspirando fundo, tomei coragem para me arrastar pela lateral do carro, rumo à ponta dianteira, onde eu iria usar como escape para me esconder do outro lado e conseguir vestir a jaqueta da Tris.

Segura e bem distante dos olhos pervertidos do estranho, puxei a jaqueta que ainda permanecia presa entre minhas coxas. Era preta, pesada e cheia de rasgos propositais nas mangas e, infelizmente, não cobria totalmente a minha barriga que acabou ficando exposta ao frio. Se não fossem a droga dos meus peitos excessivamente volumosos, eu conseguiria cobrir até a cintura, mas eu não poderia reclamar já que o objetivo fora alcançado.

Ouvi o som de uma porta de carro se abrir e fechar e, por um instante, cogitei a possibilidade de correr e gritar por ajuda, mas algo, dentro de mim, segurou-me antes de qualquer movimento.

─ Hey, miss topless, deixou cair isso aqui. ─ sua voz soou não tão distante.

Virando-me em sua direção, o peguei me encarando, do outro lado do capô, segurando meu moletom sujo.

─ Ah, ótimo! ─ funguei, sem saber ao certo o que fazer ─ Obrigada. Pode jogar que eu pego daqui.

Agora, com a luminosidade da Lua me favorecendo, eu conseguia o enxergar com mais facilidade. Ah, merda! Não podia ser verdade uma coisa dessas.

─ Zeny Barnes? ─ esguichei apavorada.

─ Que? Ah, não! Tudo bem, agora faz sentido. Você é uma delas. ─ ele revirou os olhos, erguendo o moletom, como se aquilo fosse uma prova de um crime perverso.

─ Do que você está falando? ─ indaguei, sem compreender nada. ─ Sou uma o que?

─ Uma das meninas daquele grupinho de stalkers. ─ ele grunhiu e jogou o casaco em minha direção, parecendo irritado.

─ O quê? ─ cruzei os braços, perdendo a oportunidade de pegar o casaco que caiu logo a minha frente no capô ─ Claro que não! ─ bufei, totalmente ofendida com a acusação.

─ Ah, não? Então, vai me dizer que parou justamente em frente ao meu carro, minutos antes da minha luta, começou a fazer um strip tease exatamente de frente para minha janela e isso tudo foi apenas uma terrível coincidência?

O jeito como ele pronunciava as palavras e cruzava os braços largos em seu peito fez-me distrair rapidamente. Só naquele momento pude notá-lo usando uma camisa branca de mangas curtas, exatamente como a que ele usou na última luta que assisti ao lado de Emmy, no mês passado.

Precisei piscar algumas vezes, para tirar a imagem da camisa completamente coberta de sangue que eu vislumbrara voar plateia a dentro, como um troféu que ele dava a um fã alucinado ao jogá-la em direção ao grupo que gritava seu nome.

─ Claro que não! Não seja patético! ─ O que ele havia perguntado mesmo?

─ Ah, então admite que veio fazer um strip tease para mim? Fala sério! Garota, por que você simplesmente nã-

─ Ei, ei! Espera! Não foi isso que quis dizer! ─ ergui as mãos, fazendo-o se calar ─ Eu parei sim em frente ao seu carro, mas você perdeu a parte em que eu abri a mala desse aqui. ─ bati no capô do Scenic roxo da Tris que graças aos céus estava ali como uma testemunha inumada da minha inocência ─ Eu não faço ideia do que você quer dizer com esse papo de stalker ─ Mentira, na verdade eu sabia ─, e eu só sei quem é você porque o meu cunhado irá lutar essa noite e garantiu que irá te derrotar em menos de três minutos.

O sorriso lascivo surgiu em seus lábios novamente e eu quase tive certeza de vê-lo revirar os olhos.

─ Você é a cunhada do Ramonez? ─ foi a vez dele bufar ─ Ah, pode falar com ele que... espera! Entendi o jogo dele! Te colocar nua na minha frente para eu perder a hora de chegar na luta? ─ sua mão direita deslizou pelo queixo com a barba por fazer enquanto eu o sentia me analisar ─ Tenho que admitir que não é uma má ideia. Pena que você é do tipo chatinha e sem sal, miss, se não até que eu poderia pensar em algumas coisas para fazer nos próximos dez minutos.

Arfei e arregalei meus olhos, sem saber por qual parte exatamente da frase eu senti-me mais ofendida.

─ Não, seu idiota! Eu sou cunhada do Don e pelo que estou vendo de você agora, tenho certeza de que vou perder minha aposta. Eu tinha certeza de que ele te venceria em cinco minutos, mas ele acertou ao garantir a vitória em menos de três. ─ arqueei minha sobrancelha enquanto deixava meus lábios formarem uma linha fina, impedindo-me de lhe xingar de coisas piores.

─ Que é? Acha mesmo que o Don terá a chance me vencer em menos de três minutos? Posso te garantir, miss, eu acabo com ele em dois. ─ o sorriso voltou aos seus lábios, mas com um toque grotesco de arrogância.

─ Ah, isso eu pago pra ver. ─ não desfiz minha sobrancelha arqueada, porque definitivamente eu detestava-o demais para desfazer minha postura naquele momento.

─ Quanto?

Sua pergunta me pegou de surpresa e tenho certeza que minha feição de dúvida foi extremamente convidativa

─ Quanto você paga, miss?

Ele não estava falando sério, né? Achou mesmo que eu estava tentando algum tipo de aposta? Merda. Acho que sim, porque seu sorriso aumentou com minha indecisão e o período curto em que não lhe devolvi uma resposta.

─ Há! Está dando pra trás, miss?

Revirei os olhos pelo apelido patético que ele insistia em usar enquanto tentava formular alguma resposta coesa mentalmente.

─ Você não vai vencer o Don e ponto final. Ele é o rei do MMA clandestino do distrito. É impossível vencê-lo.

─ Ótimo, essa é sua aposta. E eu aposto que irei vencer antes do cronômetro bater oito minutos. E quando isso acontecer, você terá que fazer um belo strip tease na frente de todos, lá na gaiola, bem na minha frente.

Tremi com a possibilidade, mas evitei deixa-lo ver minha fragilidade, o encarando cética.

Quando o Don esmagar a sua cara no cimento daquele ringue, vou ter que pedir ajuda dos seguranças para levantar você do chão e abaixar o seu short na frente de todos.

─ Ah, miss, se está afim de uma retribuição, não precisa de apostas para ver o que eu tenho para mostrar aqui embaixo. ─ e novamente estava lá o seu sorriso lascivo.

Bufando novamente, decido que era hora de finalizar aquela conversa.

─ Vai sonhando! Essa seria a última coisa que eu iria querer ver na Terra. ─ joguei uma mecha do meu cabelo para trás do ombro dramaticamente enquanto decididamente comecei a caminhar para dentro da boate novamente. ─ Nos vemos lá dentro, Zeny. ─ desejei poder cuspir no chão após dizer seu nome, exatamente como meu avô faz sempre que cita o nome do meu pai, mas achei que aquilo surtiria um efeito contrário no lutador que mais parecia um armário do que um humano.

Quanto mais meu tênis batia no cascalho do chão, me afastando do brutamontes, eu sentia que com as passadas de pés, eu deixava cair minha dignidade e total coragem. Merda. O que eu havia feito, afinal?

Notas finais
Ai, ai... Façam suas apostas! Quem será que realmente ganhará? Zeny ou Liv? Bom, eu já tenho uma ideia, mas se eu contar, seria um spoiler. Vejo vocês nos comentários? Eu seria a pessoa mais feliz do mundo se encontrasse vocês por lá!