Conspiração Divina - Versão I
36 Sejamos francos!
Notas iniciais
Bom, vocês me perguntaram quantos capítulos faltam para CD acabar, e bem, com esse - e se a minha conta estiver certa - faltam quatro D:
Lembram que eu disse uma vez que a fic não passaria de 40 capítulos? Pois é :C
Maaaaaaaas, CDD já tá prontinha e esperando para ser postada! As capas ficaram lindíssimas! Estou até em dúvida em qual colocar >< Se quiserem me ajudar, entrem na página e curtam a que mais gostarem (:
Vamos lá, capítulo 36, nem acredito ♥
Charlote continuava a me lançar seus olhares medonhos, enquanto Evan dirigia seu Jipe — que Charlote roubara — em direção á cidade. Ela estava sentada no banco de trás, enquanto Evan e eu ficamos na frente e por precaução, uma bandana fora amarrada em torno de seus punhos.
Eu não protestei em nada, estava assustada demais para fazer alguma argumentação. O medo corria por minhas veias, se misturando a meu sangue e se tornando parte de mim. Eu estava sem um lar novamente. Como poderia chegar em casa e agir como se nada estivesse acontecendo, quando tudo indicava que Daniel me queria morta?
Neguei para mim mesma esse fato. Queria acreditar que tudo aquilo era só um blefe de Charlote para me ver fraca e poder me tirar do seu caminho. Mas Evan não pareceu completamente surpreso, como se aquilo não fosse nenhuma novidade para ele, como se já esperasse por aquilo. Dessa forma, eu não tinha mais argumentos para negar, não sabia o motivo, mas agora sabia que era Daniel quem estava atrás de mim. E pior, ele não era nem mesmo meu primo.
Durante todo o caminho Evan segurou minha mão, deixando apenas uma no volante. Seu toque me trazia paz e acalmava meu peito, como se quando ele me tocava todos os problemas desaparecessem. Eu podia ouvir Charlote bufar no banco de trás e podia ver seus olhos se revirarem, pelo retrovisor. Mas nada disso importava, eu preferia fingir que ela jamais existiu.
Evan não havia dito para onde estávamos indo, por isso me surpreendi quando chegamos no teatro Coronado, o palco do espetáculo que eu fiz ao saber algumas coisas sobre o passado de Evan e aonde ele jurou que me protegeria. Já haviam se passado semanas, cinco ou seis, mas a sua promessa continuava firme e ele esbanjava confiança e força, como se nada pudesse passar por ele e chegar até mim.
O Coronado era o típico lugar aonde eu não deveria estar. Visto que eu nunca tinha sido um Anjo para ter minhas assas arrancadas, mas como da última vez, ninguém fez nenhuma objeção sobre isso. Eu poderia perguntar a Evan agora, como pensei em fazer antes, mas sabia que isso só me levaria a mais perguntas, o que me faria ficar louca de pedra. Ás vezes, ficar no escuro é a melhor saída.
Passamos pelo salão principal, Evan foi na frente, segurando Charlote pelo punho e tentando não chamar mais atenção do que o necessário. Eu fui atrás, ponderando meus passos e tentando controlar minha respiração, enquanto mantinha meus olhos fixos no chão e ignorava os olhares que eram lançados para mim. Os sussurros não paravam, vinham de todos os lados, porém, ninguém dirigia uma única palavra à nós, como se soubessem que não deveriam se meter em assuntos alheios. Evan já tinha mencionado isso. Tinha dito que os Anjos Caídos tinha regras, como todos os outros, entretanto, cada um cuidava de sua própria vida desde que nenhuma dessas leis fossem descumpridas.
Charlote permanecia em silêncio, permitindo que Evan caminhasse com ela pelo corredor sem nenhum problema, algo dentro de mim dizia que nada mais poderia machucá-la. Por que ela já estava machucada.
O corredor parecia infinito, Evan sempre seguia em linha reta, sem se dar ao trabalho de olhar para os lados ou de se certificar que estávamos seguindo o caminho certo. Todo esse silêncio e essa falta de informação me deixavam apreensiva, mas eu não falaria nada antes da hora certa.
Quando finalmente chegamos ao destino planejado por ele, agradeci aos céus e me joguei em uma cadeira, enquanto assistia Evan fazer o mesmo com Charlote e se posicionar em sua frente, em seguida. Minha respiração estava desregular, mas eu fazia questão de procurar um pouco de sanidade em minha mente e me manter quieta, antes que causasse algum tipo de confusão.
Os punhos de Charlote foram desamarrados e a bandana caiu no chão, enquanto ela lançava um olhar irado para Evan, que não parecia se abalar tão fácil. Sua voz continuava calma, porém cuidadosa, quando voltou a falar.
– Vamos continuar nossa conversa aqui, Char. Espero que não se importe. — Um sorriso brincou em seus lábios, fazendo o rosto de Charlote amolecer e suas barreiras caírem aos poucos. — Não queremos ser interrompidos, queremos?
Charlote negou com a cabeça e esperou que Evan voltasse a falar.
– Tem visto Harry?
– Faz algum tempo desde que tive notícias dele. — Murmurou. — Harry quem me disse sobre Daniel, eu acreditei prontamente. Conhecemos nosso irmão, Evan.
O olhar de Evan pousou em mim e seus olhos negros cintilaram sobre os meus. O sorriso que eu tanto amava, apareceu brevemente, como se me lembrasse que eu não precisava temer a nada.
– Por falar em Daniel, — Recomeçou, voltando sua atenção para Charlote. — Você não me contou detalhes sobre o assunto.
– Não tenho nada a declarar. — Seus ombros se ergueram e os olhos azuis se fixaram brevemente nos meus. — Ele a quer morta. Nós a queremos morta.
– Tudo bem. — Evan suspirou. — Entendi essa parte. Tenho uma pergunta a fazer, se não se importa. — Charlote não respondeu, seus olhos se cravaram nos de Evan a espera de sua próxima fala. Meu coração perdeu uma batida, eu sabia o que ele iria perguntar. Era exatamente o que eu pensava, o que tinha assombrado nossas cabeças por tanto tempo. — Quem matou Amber?
– A gêmea? — Perguntou prontamente. — Matá-la não estava nos planos, nunca tinha acontecido antes. Melanie nunca teve uma irmã gêmea nas vidas anteriores e quando seu pai se intrometeu, conseguindo mandá-la para longe antes que Daniel notasse que ela era a certa, ficamos confusos. Pensávamos que Amber era o sacrifício, mas estávamos errados. Agora o tempo para o ritual passou e teremos que esperar algum tempo para o próximo.
Naquele momento eu não sabia mais como respirar. Sentia meus pulmões se apertando e fechando minha garganta, enquanto meus olhos perdiam o foco.
Amber foi morta por minha culpa, como eu sempre imaginei que tinha sido. Era eu quem deveria ter sido morta e não ela. A culpa pesava em meus ombros e fazia meu corpo latejar. Eu estava me sentindo suja, porque querendo ou não, parte da culpa era minha.
Evan se manteve firme, seus ombros estavam mais rígidos que antes, e a tristeza dominava seu rosto. Eu podia ver sua expressão ser coberta por uma dor parecida com a minha, uma dor tão profunda que seria capaz de destruir o espirito de qualquer um. Mas não o dele. Evan continuava em pé, na mesma posição, se mantendo firme como se ainda fosse algum tipo de guerreiro.
– Porque se refere a você e Daniel como um só, Charlote? Conspirou juntamente à ele, é isso?
– Não é bem assim. — Charlote riu. — Daniel queria matá-la para nos salvar. Eu não o ajudei em seu plano, mas tinha plena consciência dele.
– Daniel à matou em suas vidas passadas? — Perguntou, atraindo minha atenção para ele. Charlote assentiu. — Ele conseguiu fazer isso por quatro vezes, não creio que falharia agora, mesmo com Amber existindo.
– Não sei o motivo, Evan. Talvez Deus tenha criado uma garota igual a sua preciosa Melanie, para que Daniel se confundisse e fizesse o ritual com a pessoa errada. — Rebateu friamente. — Pergunte isso à ele e não à mim. Já disse tudo o que sei, não sirvo para mais nada, Evan. Me deixe ir.
– Na verdade serve. — Evan respondeu, saindo da frente de Charlote e se sentando na cadeira à meu lado. Eu estava prestes a tocá-lo, quando sua voz voltou a ecoar pela sala, gelando meus ossos. — Diga à Daniel que quero me encontrar com ele. Diga que levarei Melanie.
Notas finais
Perguntas? Comentários? Podem mandar!
Beijos e se cuidem ♥
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