Conspiração Divina - Versão I
7 Traição.
Notas iniciais
Como vocês sabem eu mudei o nome da fanfic D: Pois é, pois é. Mas eu adorei usar o nome Mercy, baseado na música do OneRepublic, que aliás tem tudo haver com a fanfic ;)
Espero que tenham gostado, tanto do nome, quando da nova capa, que eu já pensavam em colocar á um tempinho *-* hahah'
E o mais importante: espero que estejam gostando da história ♥
Depois de me oferecer o cigarro e eu recusar, ainda com uma cara de espanto, ele o colocou entre os lábios, sacou o esqueiro e o acendeu cuidadosamente, tragando a fumaça em seguida. Parecia ser uma coisa que ele fazia normalmente, já que não ouvi nenhuma tose ou algo do tipo. Enquanto permanecia com a fumaça no pulmão, ele deixou que seus olhos se perdessem na paisagem á nossa frente, e como se o que estivesse nos cercando fosse uma das maiores maravilhas do mundo, falou:
- Se você reparar bem, esse lugar está ainda mais lindo do que era.
Olhei para a direção que ele olhava, tentando ver o que ele via. Mas acho que eu não era tão detalhista como ele, á ponto de ver alguma beleza em um campo coberto de mato alto.
- Não consigo ver beleza alguma. — Retruquei.
E pela primeira vez naquela manhã, não me repreendi por fazê-lo. Senti como se eu e Evan fossemos amigos há anos, e que eu podia falar de qualquer coisa com ele. Eu estava gostando da companhia dele. E por um momento, qualquer suspeita que eu tinha, se foi, restando apenas uma onde de calor que emanava dele para mim.
- Como eu disse, olhe bem. — Ele apontou com a mão esquerda, o cigarro pendendo por entre seus dedos. — A beleza não está apenas no que é visto com clareza. Está naquele detalhe que nós só podemos ver se ficarmos atentos.
Respirei fundo e segui, com meus olhos, a direção que ele apontava.
Um pequeno esquilo corria no meio do matagal, com uma pequena semente nas patas, enquanto pulava se esquivando dos buracos o suficiente para poder ver por cima do capim. Quando finalmente ultrapassou o labirinto, ele correu em direção à uma grande árvore e se perdeu por entre as folhagens. Olhei para Evan indignada. Como ele havia notado isso?
Ele devolveu meu olhar, um sorriso escapando por entre seus lábios, antes de ele e tragar e dizer.
- Sou detalhista. — Deu de ombros.
- Era impossível ver uma criatura tão pequena em meio à um mato tão alto. — Comentei ainda boque aberta. — Mesmo sendo "detalhista".
- O impossível é só questão de opinião, Melanie. — Novamente ele deu de ombros e em seguida recolocou o cigarro em sua boca.
Evan parecia ter todas as respostas na ponta da língua. Mas é claro que ele tinha, sabe-se lá quantas garotas ele já tinha trazido para um encontro nesse campo e contado a mesma história? Espera, aquilo não era um encontro!
Afastei os pensamentos da minha cabeça e me levantei, colocando-me de pé quase em frente a ele. Evan subiu seus olhos lentamente e me encarou.
- Você já quer ir?
Eu não queria ir, cedo ou tarde teria que admitir isso para mim mesma. Mas era necessário. Não poderia pensar em mais nada enquanto o caso de Ambre não estivesse completamente esclarecido. Dessa forma, optei por assentir com a cabeça.
- Sabe, quando se burla a primeira aula, você espera ela acabar. Para poder entrar sorrateira no segundo horário.
Ele riu depois de explicar, agindo como se eu fosse uma criança que precisasse de explicações de coisas que eram óbvias. Eu sabia que não poderia voltar até a primeira aula ter acabado, mas também sabia que teria que me livrar dessa vontade de ficar perto dele o tempo todo. Então encarei o relógio, arregalando meus olhos ao notar que teria ainda, no mínimo, vinte minutos de aula.
Suspirei profundamente e voltei á me sentar ao seu lado.
- Minha companhia é tão ruim assim? — Sua voz era brincalhona, mas eu pude notar um leve tom de seriedade. Eu era detalhista quando se tratava disso.
- Não é isso. — Garanti. — Estou adorando estar aqui, de verdade. — Ele assentiu lentamente.
- Mas...
- Mas, vim para cá tentar refazer minha vida, Evan. — Desabafei. — Não posso me dar ao luxo de ter um encontro, enquanto sei que o assassino da minha irmã está solto por aí.
- Foi você quem falou em encontro. — Ele riu. Maldita boca!
Senti meu rosto corar e arder, aproveitei quando ele se virou para jogar o restante do cigarro fora e me virei para o outro lado, tentando voltar para minha cor normal e conter minha respiração.
Mas era tarde de mais. Senti sua movimentação no banco e em seguida seus dedos arderam sobre a minha pele, enquanto ele virava meu rosto para ele e sorria levemente.
Era um ato comum. Garotos deveriam fazer isso com garotas o tempo todo. Porém, uma pessoa como eu, que nunca tivera um namorado na vida, não saberia como reagir à tal intimidade.
Eu não fiquei brava. Gostei de sentir seu toque, ele afastava todos os fantasmas que assombravam minha mente por semanas. Claro que eu poderia ter retirado meu rosto de suas mãos, e é exatamente o que eu deveria fazer. Evan poderia não ser o assassino de Ambre, mas ainda assim fora o amor da vida dela.
Porém, alguma coisa em mim travava só de pensar na possibilidade de me afastar dele. Eu poderia ficar ali o dia todo, apenas sentindo a pele de seus dedos acariciarem levemente a minha. Eu estava gostando da sensação, seria idiota se estragasse aquilo e provavelmente me repreenderia pelo resto do dia.
Quando finalmente encontrei um pouco de coragem dentro de mim, subi meus olhos e encarei os seus. Nunca me cansaria de olhar para aqueles olhos escuros. Eu o conhecia há menos de dois dias, com poderia estar tão... fascinada? Sim, essa era a palavra. Eu não estava caindo de amores por Evan, ainda que soubesse que estava perto disso. Apenas estava encantada com a sua forma de agir, como se não tivesse pressa para nada, como se não houvesse ao que temer.
Quando perdi que meus olhos se perdessem naquela imensidão negra, eu pude finalmente notar o porque de estão tão envolvida com ele. O porque não ter conseguido parar de pensar nele durante toda à noite, e aquela manhã. No fundo não era porque eu estava desesperada para me desculpar, mas porque eu não conseguia esquecer aqueles olhos, e eu queria vê-los novamente.
Era errado pensar dessa forma e era mais errado ainda desejar profundamente o que estava prestes a acontecer. E aconteceu.
Seus lábios tocaram os meus levemente, como se ele não tivesse certeza do que estava fazendo. E aquela parecia ser sua única dúvida, já que ele parecia sempre estar certo sobre qualquer coisa que estivesse fazendo.
Permiti que meus olhos se fechassem. Eu já havia beijado, mas nenhum beijo se comparava à aquele. Seu toque era macio e ele não tinha pressa. Sua mão esquerda continuava queimando em meu rosto, enquanto a direita se erguia do banco de cimento e caminhava em direção à minha cintura. Meu coração perdeu uma batida quando senti seus dedos quentes sobre o tecido fino de meu uniforme. Como aquilo poderia ser tão intenso para mim se eu não estava completamente apaixonada?
Mas eu não estava. Não poderia estar. Eu mal o conhecia!
E além de tudo, por mais que a parte de mim que estava ali, com Evan, acreditasse em sua inocência, a outra parte, que estava levemente adormecida naquele momento, insistia em me lembrar que existiam pistas, e que ele era o principal suspeito.
Suspeito... Ambre.... Assassinato...
Retirei meus lábios dos seus com uma velocidade que não fora programada e em seguida encontrei seu olhar surpreso. Baixei meus olhos. Como eu pude ser tão burra em negá-lo daquele jeito?
- Me desculpe, Mel... Eu... Eu não sei o que deu em mim...
Antes mesmo que eu respondesse, ele se levantou do banco e começou a andar em direção à saída. Eu não pude impedi-lo, não tinha direito de fazê-lo. Por isso só o observei sumir de vista, para finalmente poder respirar. Uma sensação de paz me invadiu, e apesar do rancor de ter me afastado dele, de uma forma tão brusca, eu ainda pude sentir seu calor.
De alguma forma, completamente errada e estranha, alguma coisa havia se mexido dentro de mim. Como se eu tivesse esperado por aquele beijo durante toda a minha vida.
Notas finais
Não achem que as coisas estão corridas, porque vai dar tudo certo e eu estou seguindo o enredo da minha cabecinha u____u
Eu poderia até explicar essa bipolaridade da Melanie, mas acho que toda garota passa por isso e não precisa de explicação.
E sim, ela está apaixonada.
E eu sei, eu sei, vocês vão falar: Mas Julia, tão rápido?
É um segredo beeem grande que envolve isso, ok? Eu não posso explicar agora, porque perderia completamente a graça. Mas fiquem tranquilas que eu sei o que to fazendo ;D
Agora me digam o que acharam!
Bom dia e se der à tarde, ou a noite, libero mais um (:
Beijos ;*
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