Consequências Fatais
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Respirei fundo, afim de me preparar para ver meu futuro marido com um smoking impecável e feito sob medida. Com o cabelo magnifico e aquele sorriso. Mas... Por quê eu não estava feliz?
Ouço batidas hesitantes na porta.
— querida? Está na hora.
Assenti com a cabeça uma vez e me levantei, devagar. Estava ao máximo tentando atrasar de algum modo o casamento.
Minha mãe esperou paciente encostada no batente da porta. Parei um instante olhando para ela. Seus cabelos escuros estavam presos e pequenas presilhas brilhantes jaziam nos fios, em um penteado complicado demais para minha cabeça, seu vestido era de seda na cor salmon. Imaginei se minha mãe era feliz com meu pai. Supunha que sim.
Balancei a cabeça em afirmativa mais uma vez e me juntei a ela, rumo à limosine que nos esperava na entrada da casa.
A grande igreja gótica estava decorada com arranjos florais de todos os tipos, lírios, orquídeas, rosas brancas e vermelhas, e tulipas, todas decoravam a grande entrada da igreja.
Olhei para dentro, e por algum motivo notei que andava muito calmo onde nos encontrávamos — basicamente escondidos dos países inimigos, todos os poderosos se recusavam a ficar exatamente no meio guerra, onde os pobres estavam, o grande caos instalado...
Balancei a cabeça para espantar os pensamentos ruins. Não, agora não! Fui ensinada a não me importar com essas pessoas, e era isso que estava determinada a fazer.
Saí do carro, meu pai nos esperava à porta, com seus cabelos grisalhos domados — como sempre — e seu terno impecável, um fatasma de um sorriso aparaceu, mas não um sorriso de verdade, isso nunca!
Parei na sua frente e ele não disse nada, apenas me ofereceu seu braço para, assim, entrarmos na igreja.
As portas se abriram, todos se levantaram e se viraram para me encarar, tentei, sem sucesso não ficar vermelha. A marcha nupcial começou a tocar, e começamos a andar até meu noivo, que estava exatamente como eu imaginara.
Muitos convidados — especialmente mulheres — me encaravam com olhares inquisidores. Algumas estavam descontando suas frustações nas flores decorativas que se encontravam nos bancos, suspirei e continuei a caminhar ao lado de meu pai, que parecia não se importar com alguns olhares fulminantes.
Olhei para meu futuro esposo, e desviei o olhar, não estava conseguindo encara-lo, achava que havia algo de errado comigo, cá estava eu, entrando em uma igreja extremamente decorada, em cima de um grande tapete vermelho, com pétalas de rosas jogadas no chão, prestes a me casar com o homem mais cobiçado pelas mulheres, e não sentia nada. Absolutamente nada.
Chegamos ao altar, mais rápido que eu desejava, meu pai me deu um beijo na testa, mas ainda assim, não falou nada, nem para mim, nem para Steph.
Assim que pegou minha mão Stephen franziu o cenho para mim, que dei de ombros.
— cadê seu buquê? — ele perguntou confuso.
Praguejei baixinho.
— me esqueci.
— certo, mas vamos ao que importa — ele murmurou de volta me dando o mesmo sorriso de quando nos conhecemos. E desta vez meu coração ficou indiferente.
O padre começou a falar, e eu simplesmente não prestei atenção em nada do que ele disse. E mal escutei os votos de Stephen. Apenas ouvi o "Eu te amo" que ele pronunciou no fim dos votos.
Passei a dizer os meus de forma automática, as palavras apenas saíam de modo que eu não processava seus significados.
Terminei de falar, e o padre mandou colocarmos as alinças, Steph colocou minha aliança de forma delicada, suas mãos estavam quentes e macias, não eram mãos de um noivo ansioso, nervoso ou estressado com o casamento, elas deveriam, no mínimo estarem frias, certo?
Assim que pôs o anel em meu dedo anelar ele beijou a palma da minha mão.
Coloquei a aliança em seu dedo, desta vez eram meus movimentos que estavam sob modo automático, quase robóticos.
Escutei o padre nos anunciar oficialmente como marido e mulher.
Então Stephen me beijou. E foi o beijo mais esquisito que tive em toda minha vida. Ele estava com os lábios contraídos, como se não quisesse me beijar e tivesse nojo desse simples ato. Nos separamos e ele sorriu para mim de modo que supostamente deveria ser verdadeiro, mas a felicidade não chegou até seus olhos claros.
Todos bateram palma, mas sem muita felicidade, nada mais justo. Aparentemente todos estavam se sentindo como eu. A única diferença é que eu esperava que fosse só por hoje mesmo, e que logo iria passar. Mas com o tempo descobri que tudo estava com tendência de só piorar.
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