Consequências
22 Pequenos detalhes fazem toda a diferença
Notas iniciais
Taila e Choi Young Do chegaram em casa sem trocar uma palavra sequer. Aquele sentimento de tensão, estava tomando conta do ambiente. Aquele beijo havia deixado tudo mais estranho para eles, embora fosse ali que ambos puderam ter certeza do que realmente sentiam um pelo outro. Taila subiu as escadas apressada, queria evitar que Choi Young Do puxasse qualquer conversa com ela, mais do que ele, ela ainda estava confusa com seus sentimentos, embora tudo o que ela mais quisesse era esquecer Kim Tan.
Assim que entrou em seu quarto, fechou a porta imediatamente e escorou-se nela. Tocou seus lábios levemente e deixou-se cair no chão deslizando suas costas vagarosamente pela porta.
—Isso foi a prova de que ele gostava de mim? Mas o que é que está acontecendo comigo? Por que essas coisas ficam acontecendo? — Começou a esfregar as suas mãos em seus cabelos, deixando seus dedos se entrelaçarem entre os fios. — Eu não posso pensar no Choi Young Do, pelo menos, não até eu terminar as provas. Mas o que eu faço? Será que ele vai me pedir em namoro? Será que ele vai me ignorar? Será que eu deveria ignorá-lo? — As perguntas não paravam de aparecer na cabeça de Taila, deixando-a cada vez mais confusa.
Ela se levantou e foi em direção a escrivaninha, estava pensando seriamente em se mudar da casa dele, assim ela não se sentiria obrigada a fazer nada mais por ele. Já que havia adiantado todo o dever de casa dele apenas para se concentrar em seus estudos, que nunca haviam sido tão difíceis.
Taila começou a ler um texto, mas nada a fazia parar de pensar no beijo de Choi Young Do e o que poderia vir pela frente. Ela começou a pensar até mesmo em cenas estranhas, que também envolviam Kim Tan e Chan Eun Sang. Ela começou a imaginar os dois chegando de mãos dadas ao colégio e todos os alunos comentando entre si sobre o novo casal surpresa. Kim Tan aparecia em frente a eles, sozinho, caminhando lentamente em direção a eles.
—Eu já imaginava que vocês iriam ficar juntos, desde que eu descobri que vocês moravam juntos.
—Fomos feitos um para o outro — Choi Young Do a abraçou.
—Agora que você está namorando com o Choi Young Do podemos ser melhores amigas — dizia Chan Eun Sang aparecendo de repente, segurando o braço de Kim Tan.
—Eu nunca imaginei isso de você Taila! — Park Soo Yong apareceu como um vulto na frente dela, encarando-a como se fosse lhe dar um tapa. — Eu disse que gostava de você e a forma de você me rejeitar foi namorando o meu pior inimigo, a pessoa que mais me causou dor nesse mundo, você é uma pessoa horrível!
—Não se preocupe hoobae* — Rachel apareceu do nada no lugar de Park Soo Yong, fazendo-o desaparecer do nada. — Eu não disse desde o começo que ela não passava de uma garota que ele passava as suas noites de sexta... quem dirá se eles não fizeram mais do que nós imaginamos enquanto ela morava na casa dele.
—Isso não é verdade! — Taila gritou desesperada, se vendo no meio de uma roda e todos em volta a encarando.
—Quem irá acreditar em você? — Todos começaram a rir e chamá-la do apelido que Rachel lhe deu. Inclusive Choi Young estava apontando para ela.
A respiração de Taila se alterou e os batimentos cardíacos dela estavam muito acelerados. Acordou assustada, sentada à sua escrivaninha, com o rosto marcado pelos seus cadernos e livros. Estava ofegante, colocou a mão no peito e respirou fundo, para tentar se acalmar.
—Isso foi só um sonho Taila — confortou-se. — Mas é realmente isso que eles irão pensar se descobrirem que eu morei aqui. Definitivamente eu não posso dizer a ninguém e muito menos namorar o Choi Young Do. Acho que eu devia me mudar... mas eu não quero morar sozinha — ela deitou novamente a sua cabeça na mesa e ficou ali, apenas pensando no que deveria fazer de sua vida. — O que eu faço?
Quando desceu para a cozinha, já era onze da noite. Ainda estava pensativa. Havia chegado a várias conclusões que queriam se desfazer no momento em que ela viu Choi Young Do tomando um copo d’água na cozinha. Escorado no balcão da pia, usando o seu pijama e com o seu cabelo caído sobre a testa, completamente bagunçado.
—Você está bem? — Perguntou ele, olhando para ela um pouco espantado.
—Claro que estou.
—Você não parece estar dormindo bem — ele apontou para o rosto dela com seu dedo indicador, ela afastou seu rosto incomodada com a ação. — Você está com marcas de caneta em seu rosto.
—Sério? — Passou a mão no rosto tentando tirar as marcas sem sucesso. Depois se afastou para um copo e enchê-lo com água. — Você não me parece preocupado com essas provas.
—E não estou. Mesmo que eu não estudasse muito ano passado minhas notas foram boas. Eu não sei por que, mas eu me dou muito bem em provas.
—Isso é bom.
—Por que você se esforça tanto? Seu pai não parece ser uma pessoa que te cobra ter boas notas.
—Ele não me cobra, mas... eu não admitiria para mim mesma não ter boas notas. Ir mal na única coisa que eu sei fazer.
—Isso não é a única coisa que você sabe fazer. Você sabe dançar. Lembra que estávamos fazendo isso hoje mais cedo?
—Eu não... Ei! Como você ousa tratar o meu treinamento de um ano dessa forma? Idiota!
—Ei! Você não deveria estar xingando o dono da casa!
—Por quê? Vai me expulsar da sua casa?
—Vou!
—Não se preocupe — ela abaixou o olhar imediatamente — eu vou me mudar amanhã.
—Como? Mas por quê? Você está indo embora por minha causa? Por causa do que eu fiz? — Ele realmente parecia estar se sentindo culpado pela decisão que ela havia tomado.
Ela balançou sua cabeça de um lado para o outro.
—Acho que eu já morei muito tempo com você e isso foi tempo demais para que nós começássemos a confundir nossos sentimentos e por isso aquilo aconteceu...
Ele soltou uma leve risada forçada.
—Eu não estou confuso, você deve estar, já que você ainda parece gostar muito do Kim Tan. Eu tenho plena certeza dos meus sentimentos, eu sempre tive. A Chan Eun Sang é o meu primeiro amor e isso eu não posso negar, mas eu também não posso negar que estou gostando de você.
—Young Do...
—Se quiser se mudar, se mude. Mas pense bem antes de me dar uma resposta. Eu estou com sono, então vou subir.
Ele saiu. Ela queria a todo custo pará-lo, mas sua voz não saiu naquele instante. Como ele disse, ela ainda estava bastante confusa. Talvez até mesmo por ter passado quatro anos gostando de Kim Tan, seu coração tenha se acostumado a ele e esteja com medo de sofrer aceitando uma nova pessoa.
No dia seguinte, Taila juntou suas coisas. Era sábado de manhã, e as provas semestrais começariam na segunda-feira. Afastar-se de Choi Young Do até o fim das provas era o seu objetivo principal no momento. Nenhum dos alunos ainda havia sido informado sobre qual viagem fariam após as provas. As viagens eram feitas por alunos do segundo ano, elas eram destinadas a eles. Mas o colégio Jeguk sempre abriu suas exceções aos alunos do terceiro ano, o que muitos outros colégios também faziam. Mas raramente alunos do terceiro ano costumavam viajar porque estavam a um passo de entrar na faculdade e precisavam se esforçar.
Taila pediu que um taxi viesse até a porta da casa e os seguranças fizeram questão de ajudá-la a carregar as malas, já que estavam bastante pesadas. Choi Young Do acordou quando ela estava pronta para cruzar a porta da frente e ir em direção ao taxi.
—Não vai nem se despedir? — Descia com as mãos nos bolsos da calça do pijama. — Eu sabia que você era mal-educada, mas nem tanto.
Somente após ele terminar de falar que ela se virou e ficou de frente para ele. Assim que o viu seu coração acelerou e as palavras que antes havia ensaiado para dizer a ele, agora estavam presas na sua garganta. Se rejeitá-lo havia sido uma opção, seu corpo não iria deixar que aquilo acontecesse.
—Eu vou ver você no colégio.
—Você morou na minha casa por todo esse tempo e nem sequer ia me dizer adeus, isso é realmente frio. Me lembra o meu pai.
—Fiquei com medo que você quisesse me impedir.
—Eu pensei em fazer isso — ele finalmente chegou perto dela, com uma expressão séria. — Agora por sua causa eu terei que recontratar a minha empregada. Mas pelo menos posso dizer uma coisa com a consciência limpa, já que você está indo embora.
—Dizer o quê? — Ela estava ansiosa, como se ficar perto dele fosse perigoso. Tudo o que seu corpo queria era se aproximar cada vez mais do dele, como se não houvesse mais nenhum espaço entre eles. Prender-se em seus braços e pedir para que ele não a deixasse ir.
—Você é a pior cozinheira que existe! — Ela gargalhou com indignação, esquecendo-se totalmente do que seu corpo queria fazer há pouco.
—Se você não gostava por que me pediu para cozinhar? — Aumentou o tom nervosa. — Você é realmente...
—Você era a minha escrava, o que queria que eu te mandasse fazer? Mas realmente eu nunca comi uma comida pior que a sua. Onde foi que aprendeu a cozinhar?
—Com um amigo americano — disse ríspida. — Estou indo agora.
—Espera! — Ele segurou na mão dela, mas não a puxou, como costumava fazer com Chan Eun Sang. Olhou direto nos olhos dela e disse com um olhar confiante. — Venha comigo!
—Para onde?
—Apenas venha!
Ela o seguiu. Estava realmente incomodada com o fato de ele estar segurando firme a sua mão, a mão dele era quente e confortável, e isso fazia seu coração acelerar. Era como se suas mãos se encaixassem perfeitamente uma na outra. Ele a levou para a cozinha e a colocou sentada diante do balcão, em seguida deu a volta e ficou de frente para ela. Ela ficou completamente confusa com a reação estranha dele.
—O que você está fazendo?
—Vou fazer o café da manhã hoje, aposto que você não comeu nada ainda. E também vou te ensinar como uma pessoa deve cozinhar.
—É sério? Você, Choi Young Do vai cozinhar para mim? Está bem, eu vou esperar.
Ele apenas sorriu torto. Colocou o aventar e começou a se preparar para cozinhar, lavou suas mãos e ajeitou o arroz para colocar para cozinhar, mas antes começou a cortar alguns legumes que estavam em cima do balcão. Taila se levantou, deu a volta no balcão e ficou ao lado dele. Ele nem havia percebido que ela havia se levantado, pois estava bastante concentrado cortando aqueles legumes. Ela segurou o seu braço e o fez parar imediatamente de cortar. Ele virou apenas o seu rosto na direção dela, confuso.
—Se você vai cozinhar para mim, você está fazendo isso errado.
—Como?
—Eu não sou coreana, então eu não consigo comer nada disso a essa hora da manhã. Eu basicamente como bolo, faço panquecas ou tomo café. Eu realmente estou sentindo falta do pão francês brasileiro nesse momento.
—Pão francês brasileiro? — Ele ficou confuso, aquilo não fazia o menor sentido para ele. Ela sorriu. — Mas como você não pode ter se acostumado até hoje? Você está aqui na Coreia há alguns meses.
—Choi Young Do eu não vou começar a fazer um tutorial de como funciona o meu estômago — falou irritada.
—Está bem — ele se rendeu fingindo estar bravo. — Vamos cozinhar juntos.
Ela apenas assentiu sorrindo. Colocou logo o avental que sempre usava quando ia cozinhar para ele e lavou suas mãos após prender seu cabelo. Como conhecia aquela cozinha como a palma da sua mão, ela foi logo pegando alguns ingredientes para que pudessem fazer um bolo juntos enquanto ele estava limpando o balcão.
—Então... vamos começar?
Ele apenas assentiu com uma boa expressão. Eles começaram a quebrar os ovos e a colocar o açúcar como dois parceiros. Nem sequer perguntavam um ao outro o quanto deveriam colocar de cada ingrediente, apenas seguiam suas intuições, como se receitas não fossem feitas para se seguir. Assim que Taila colocou a farinha, ela começou a mexer imediatamente com a colher. Choi Young Do se afastou e foi mexer em um de seus armários, quando voltou estava com parte de uma batedeira nas mãos.
—Acho que você vai terminar mais rápido se usar isso — ele a ligou na tomada e fez questão de colocar perto dela apenas para assustá-la, mas não foi o que aconteceu. Ela tomou imediatamente da mão dele e resmungou:
—Devia ter pegado isso antes.
Ela começou a bater a massa, que já estava ficando pastosa e quase pronta para ir ao forno. Ele apenas ficou parado ao seu lado. Escorado no balcão com os braços cruzados.
—Eu realmente acho que esse bolo vai ficar ótimo.
—Não tenho certeza, mas também não me importo.
—Por que não? Você não queria tomar café da manhã comigo?
—Não me importo com o café da manhã — ele passou o seu dedo indicador na massa e passou-o na bochecha de Taila. — Eu só queria que você ficasse aqui mais um pouco.
Ela desligou a batedeira imediatamente e disse:
—Você é realmente... irresistível.
—Eu sou, não sou?
—E nada convencido — disse com ironia. Passando um pouco de massa no nariz dele. — Mas você tem que me prometer uma coisa, não... você deve me prometer uma coisa.
—O quê?
—Você não pode me atormentar durante as provas semestrais. Não fala comigo, não olha para mim, eu nem sequer existo para você nessa semana. Eu não consigo pensar em nada quando você está perto e isso é um problema.
—Essas provas são tão importantes assim para você?
—São. Muito importantes.
—Está bem, mas somente com uma condição. Após as provas terminarem, nós começaremos a namorar.
—Como assim namorar? Você não está sendo muito apressado?
—Caso contrário eu vou te atormentar tanto que farei todo o seu esforço ir para o ralo — ele estava realmente sério naquilo que estava dizendo.
—Você ficou maluco?
—Completamente.
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