Consequências

6 O conforto de um abraço


–O que você está dizendo Choi Young Do? — gritou ela envergonhada, retirou o braço dele que permanecia pousado em seu ombro e correu para o lado de Kim Tan.

–Estou dizendo a verdade. Você vai negar?

–Para de dizer essas coisas idiotas, seu cretino!

Kim Tan empurrou-o para trás, ele acabou se desequilibrando em uma cadeira e caindo no chão. Sua intenção não era brigar com Kim Tan, mas ele havia se machucado na queda. Levantou-se rapidamente e como vingança o empurrou também.

–Por que é que você está se metendo nisso? — gritou Choi Young Do nervoso, cerrando os dentes.

–Pare de incomodar a Taila!

–Parem vocês dois! — gritou ela, entrando entre os dois. Impedindo que eles se aproximassem para uma próxima briga. — Choi Young Do não insinue que nós estamos saindo ou algo assim, ou vão pensar que é verdade...

Ele se aproximou dela e puxou-a pelo braço em sua direção, deixando o corpo deles bastante próximo, mas não a ponto de imaginar que dali poderia sair um beijo. A expressão dele era de ódio e a dela era assustada, por um puxão repentino. Aquela reação só fez com que Kim Tan ficasse mais irritado, Chan Eun Sang segurou em seu braço e com apenas um olhar ela conseguiu fazê-lo se acalmar um pouco, mas ele ainda não conseguia aceitar aquela situação.

–Esqueceu que quem decide isso sou eu? — ela puxou o seu braço de uma vez girando-o e fazendo-o passar entre os dedos dele. Ele nem sequer percebeu o movimento que ela fez e todos ao redor ficaram impressionados.

–Não! Você não decide nada! Pare de se meter no que não é da sua conta.

Ele encarou-a de uma forma assustadora. A forma que só olhava para alguém quando planejava brigar. Era a primeira vez que ele havia encarado uma garota daquela forma. Sentia vontade de começar uma briga com ela ali mesmo, mas ao mesmo tempo queria apenas recuar e esquecer que havia criado aquela situação. Queria contar tudo para todo mundo, mas ao mesmo tempo, já havia se acostumado em ter a presença dela na sua casa e queria apenas manter aquele segredo.

Ele apenas levantou a cabeça e saiu dali como se nada tivesse acontecido. Seus passos eram firmes e pesados. Seu rosto estava sério. Todos os alunos começaram a comentar. Os garotos do segundo ano estavam muito curiosos, mas não queriam chegar em frente a Rachel ou perguntar a Taila que estava com a respiração pesada. Ela encarava a todos como havia encarado Choi Young Do. Era como se fosse uma garota totalmente diferente da menina sorridente que havia aparecido ali há pouco tempo.

–Kim Tan! Será que ela está bem? — perguntou Chan Eun Sang preocupada. Ela agora tinha certeza das suas suspeitas, mas o resto da turma estava pensando que Taila e Choi Young Do eram mais do que amigos e até mesmo pensando que Taila podia uma amante dele. E os comentários não estavam sendo ditos de forma agradável.

–Você se importa... — começou ele sem sequer olhar para ela. Aqueles comentários estavam fazendo Kim Tan ficar enfurecido, estava começando a ficar vermelho e abrindo e fechando os punhos o tempo todo. Taila permanecia parada em frente a eles, e isso estava o irritando cada vez mais. — Se eu for falar com ela por um instante?

–Claro que não. Você deve ir!

–Obrigado — sua voz saiu um pouco engasgada.

Ele olhou para a namorada por um instante. Depois caminhou em direção a Taila e tocou nos ombros dela. Aquele toque quente fez com que ela se descongelasse daquele lugar e suas pernas começassem a se mover junto com as dele. E ainda com a mente em branco, ela seguiu Kim Tan, como sempre havia feito.

Os dois saíram do colégio e foram em direção a um café ali perto. Era um lugar belo, e bastante sofisticado. Ele possuía cores neutras como marrom e preto. Ele indicou para que ela se sentasse em uma cadeira, do lado de fora do estabelecimento. Ele sentou-se em outra cadeira ao lado dela. Respirou fundo apoiando os cotovelos sobre a mesa e esfregando as mãos no rosto e pelos cabelos, desalinhando seu cabelo.

–Ah, eu não acredito que isso está acontecendo. Por que você está tendo contato com o Choi Young Do? Eu não te disse que era para ficar longe dele?!

–Me desculpe, Kim Tan!

–Você não tem jeito mesmo, não é? Eu te pedi para não se envolver com nenhum garoto daqui.

–Eu não estou envolvida com ele. Foi só um mal entendido.

–Eu espero que você esteja falando a verdade. Eu fico preocupado com você.

–Não precisa se preocupar comigo. Eu estou bem. E prometo que não estou caçando confusão com ninguém.

–É bom que você esteja falando a verdade! Está vendo porque eu tenho que cuidar de você ainda?

–Ah, que raiva! — ela começou a sacudi-lo e gritava alto enquanto lhe dava leves tapas no ombro. — Por que você faz isso, seu imbecil?!

–O que deu em você? O que foi que eu fiz? — ele começou a rir.

–Eu estava quase conseguindo parar de gostar de você! Isso está me irritando.

–Você ainda gosta de mim? Eu sabia que eu era irresistível mesmo — eles começaram a rir enquanto ela continuava dando leves tapas nele. Ele sentia cocegas com alguns deles.

–Se você não namorasse a Chan Eun Sang, eu te roubar dela. Mas pelo menos eu sinto que ela é sincera quando diz que gosta de você. E ela também é bonita.

–Não é? Eu fico muito feliz ouvindo isso de você. Eu odiaria que você e ela fossem como a Rachel.

–Não quero nem imaginar algo assim, a Rachel é extremamente detestável. E você fica tão bonitinho brigando por minha causa...

–Eu já perdi a conta de quantas vezes eu já briguei por sua causa. Eu já briguei mais por sua causa do que briguei por causa da Chan Eun Sang. Por que vocês garotas só arranjam confusão?

–Exagerado! — ela lembrou-se que Choi Young Do já havia gostado de Chan Eun Sang, e isso seria um grande motivo para brigas entre os dois.

–Exagerado?! — ele ficou indignado e começou a rir enquanto falava. — Você já me fez brigar com uma velhinha por causa de um lugar no ônibus, me fez brigar com um cara porque ele tinha jogado um papel na praia, você me fez brigar com um sorveteiro porque ele tinha dado um sorvete maior pra um menino de sete anos, me fez...

–Está bem! — rendeu-se com um sorriso radiante. — Eu já entendi, mas no caso da velhinha eu estava com o braço machucado. E o do sorvete não foi justo e eu ainda paguei mais que o menino.

–Você ainda continua a mesma menina de sempre — ele deixou seu belo sorriso radiante aparecer. Ela sorria de volta para ele, mas nada conseguia parar o seu coração de se acelerar como se ela fosse ter uma parada cardíaca ali mesmo.

–Kim Tan, você não vai me perguntar nada sobre os comentários...?

–Não! Eu sei que você vai me contar tudo do começo ao fim. Eu só estou preocupado com você, mas eu ainda confio que você está em boas mãos. Afinal, você não é mais criança.

–Você fala como se eu fosse mais nova que você! Esqueceu que nós temos a mesma idade? — ele sorriu novamente e passou o braço em volta do ombro dela e puxou-a para perto, até que seus corpos se colaram. Ele a abraçou firme, como só havia feito enquanto moravam nos Estados Unidos.

–Me desculpe por não gostar de você como você gosta de mim, mas cada vez mais eu percebo que eu não mereço você.

–Boa desculpa!

Ela empurrou-o desfazendo o abraço, com o olhar desconfiado. Ele sorriu novamente. Ela se levantou evitando olhar para ele e disse:

–Vamos voltar para a escola! Está na hora da minha aula.

–Está bem! Algo me diz que nós vamos levar uma punição por termos saído da aula sem permissão.

–É sério?! Droga, eu imaginei que era como nos Estados Unidos. Eu não posso levar uma bronca, senão eles chamam o meu pai e eu não quero nem pensar nisso.

Os dois saíram correndo de volta para o colégio. Eles empurravam um ao outro pelo caminho, com a intenção de ganhar tempo e chegar primeiro à escola. Kim Tan conseguiu chegar primeiro após derrubá-la no chão e acabou fazendo a sua comemoração em câmera lenta.

Taila abriu a porta da casa devagar e fechou mais devagar ainda. Não queria sequer pensar em encarar Choi Young Do depois do acontecido. Tirou seus sapatos e caminhou na ponta dos pés para não ser ouvida. Quando atravessou a sala, viu os pés dele sobre o sofá e foi naquela direção, pois era por ali que iria encontrar as escadas e chegar ao seu quarto.

Passou pelo sofá, apoiou sua mão sobre o encosto do sofá e por um gesto de reflexo olhou para baixo e percebeu que ele estava com os olhos fechados. Ela queria continuar caminhando, mas sentiu uma vontade incontrolável de conferir se ele realmente estava dormindo. Deu a volta no sofá e parou de frente a ele, que estava com os rosto escondido nas almofadas do encosto do sofá. Assim que ela se aproximou, ele se mexeu virando o rosto na direção dela como se pudesse abrir os olhos a qualquer instante. Pode ter certeza naquele momento que ele realmente estava dormindo. Sentou-se no chão em frente ao sofá e observou-o, murmurando para si mesma:

–Ele é ainda mais bonito enquanto dorme. No fundo eu sinto que você é um cara legal e que o Kim Tan só está com medo de eu começar a gostar de você. Mesmo que você seja chato e folgado, eu preferia gostar de você a continuar gostando dele. Pena que eu não posso mandar no meu coração.

Ela jogou-se no chão, como se não tivesse mais forças. Fitou o lustre e olhou para ele com deslumbre e imaginando como se cada problema de sua vida fosse uma daquelas lâmpadas. Que só teriam a chance de ser resolvidos quando chegasse a hora certa, caso contrário, se tornariam somente coisas insignificantes.

–Por que essas coisas só acontecem quando o meu teste está se aproximando?! Quer dizer, mais um teste. Eu tenho que ter confiança em mim, eu passei dois anos somente treinando artes marciais pesadas pra poder adquirir confiança, mas acho que essa insegurança é parte de mim e o teste vai falhar e eu não sei o que pode acontecer se isso acontecer de novo — ela continuava murmurando para não correr o risco de ele ouvir mesmo enquanto dormia. — Da última vez eu fui atropelada, caí de um barranco de seis metros e quase me afoguei. E tudo parece que foi em vão. Por que eu sou tão idiota...

Ela virou-se de bruços e começou a se debater no chão, fazendo barulhos não muito altos, mas bastante irritantes. Não estava chorando, sabia que parte daqueles testes eram culpa dela. E ela não estava sentindo vontade de chorar como já havia sentido antes. Sentia-se como se pudesse lutar com qualquer pessoa, mas a presença de Kim Tan podia destruir tudo isso e fazê-la totalmente vulnerável.

Enquanto se debatia irritada, Choi Young Do espiou com um de seus olhos e moveu-se novamente. Agora estava com a posição da cabeça virada na direção do lustre que Taila observava. Ela parou de se debater e manteve o silêncio. Arrastou-se em direção a ele para observar se ele ainda estava dormindo. Assim que o viu de olhos fechados, colocou a mão no peito e respirou aliviada.

–Ainda bem que você não ouviu nada.

Levantou-se devagar para não acordá-lo e assim que preparou-se para dar o primeiro passo, sentiu algo quente segurando firme o seu pulso. Sentiu o seu corpo congelar, a única coisa que pensava era que ele podia ter ouvido tudo o que ela disse. Ela tentou se livrar daquela mão forte, com aquele mesmo movimento, mas não teve tempo. Ele foi mais rápido e puxou-a de uma vez. O corpo dela se desequilibrou fazendo-o cair sobre o dele. Ela ficou completamente assustada com aquela situação, tentou se levantar na mesma hora. Mas o outro braço dele passou em volta da suas costas a prendendo completamente. Ela sabia que ele detestava seus abraços, e sequer sabia o que fazer naquele momento.

–Choi Young...

–Eu só quero dormir em um lugar silencioso. Acho que essa é a única maneira de te manter quieta.

Notas finais
Bom gente, gostaram de mais um capitulo de consequências? Estou cada vez mais empolgada em escrever essa história. Então, não esqueçam de comentar o que acharam de mais um capitulo, com esse final surpreendente. Até o capitulo 7, bye.