Consequências

35 Meu amor é um estranho


Notas iniciais
E aí gente? Apareci de novo! Eu disse que eu podia sumir, mas eu uma hora ou outra ia acabar brotando aqui! Cheguei!

Alguns dias se passaram, Choi Young Do estava ficando irritado e tentou várias vezes invadir a UTI para ver Taila, mas foi impedido por Kim Tan. Que o alertou dizendo que se ele fizesse isso, seria expulso e só a veria quando ela recebesse alta. Quando Taila foi transferida para o quarto, ela já estava conversando, e sua mãe e sua irmã passavam o dia todo com ela. Roberto foi liberado para visitar a filha, para receber permissão do médico, ele praticamente o ameaçou apunhalá-lo com uma caneta.

Taila ainda tinha que fazer vários exames, mas estava se recuperando rápido, de acordo com o diagnóstico dos médicos, que ficaram surpresos. Marcela apareceu na sala de espera para buscar Choi Young Do, Kim Tan e os outros colegas, que não os abandonaram por um segundo sequer.

—Pai o que havia acontecido com você na UTI, você estava passando mal? — Perguntou Taila ao pai.

—Não foi nada demais.

—Estranho, você é sempre tão forte. Mas fico feliz que esteja bem — ela abraçou a cintura do pai sorrindo. Roberto estranhou o comportamento da filha. Mesmo que ele soubesse que ela havia sofrido um trauma muito grande, algo estava errado.

—Seu namorado está aqui! — Anunciou Marcela, enquanto Kim Tan e Choi Young Do entraram praticamente juntos no quarto. Ela sorriu como uma criança.

Ela queria correr para os braços dele, mas não podia se levantar da cama, mas podia se sentar. Cada um foi para um lado da cama esperando um abraço. Kim Tan sabia que ela ia abraçar seu namorado primeiro, então apenas ficou parado.

A surpresa foi enorme, quando Taila se ajoelhou na cama, mesmo com as orientações médicas para que ela permanecesse sentada, já que podia trazer sequelas e até mesmo ter dificuldades para andar. Ela passou seus braços em volta do pescoço dele, e tocou seus lábios aos dele. Todos ficaram completamente assustados, tanto por ela se expor a uma condição que ainda não possuía, quanto estar beijando Kim Tan ao invés do seu namorado Choi Young Do, que estava logo ao lado dela, completamente surpreso.

Assim que voltou para o seu lugar, sentada como deveria ter permanecido, ela sentiu uma dor terrível em suas costas.

—Você está bem?

—Estou! Jay? É você? O que aconteceu com o seu cabelo?

Jay se aproximou dela, abraçando-a delicadamente para não a machucar. Choi Young Do estava com ciúmes, mas principalmente seu coração estava doendo, pois até aquele momento ela nem sequer havia olhado para ele. Coisas terríveis estavam passando pela sua cabeça, e um medo terrível o invadiu.

—Como você está baixinha?

—Estou bem, eu acho. Eu nem sei como eu vim parar aqui. Onde nós estamos? Nos Estados Unidos? No Brasil? Onde? E por que há tantas pessoas de olho puxado aqui?

—Taila... — começou Kim Tan, sendo interrompido imediatamente por Roberto.

—Filha, me responda umas perguntas bem rápido, não pense.

—Está bem — ela respondeu sorrindo, após segurar na mão de Kim Tan, que a segurou firme.

—Por que eu desmaiei?

—Porque você passou mal.

—O que o Kim Tan é seu?

—Meu namorado.

—Em que ano estamos?

—2011.

—Quantos anos você tem?

—Quinze.

—Qual a última coisa que você se lembra?

—Do beijo do Kim Tan no Réveillon.

Taila respondeu tudo em inglês, então todos, com a exceção de Chan Eun Sang e Yang Mi entenderam tudo o que eles haviam falado. Choi Young Do sentiu seu coração se acelerar e se apoiou em Marcela para não cair.

—Você sabe quem eu sou?! — Perguntou ele em inglês, se aproximando dela desesperado. Gritando. O desespero nos olhos dele, a deixaram completamente assustada. — Taila você e lembra de mim?!

—Quem é ele Kim Tan? — Perguntou evitando olhar para ele, estava com medo. Kim Tan sabia bem como ela reagia na época quando estava com medo.

—Choi Young Do, venha comigo um instante.

—Não! — Ele gritou. Segurou nos dois ombros de Taila e a sacudiu. — Você não pode me esquecer, não depois de me fazer me apaixonar por você. Não faça isso comigo.

—Mas eu amo o Kim Tan.

Kim Tan segurou o amigo e o puxou para fora, antes que alguém chamasse a segurança. Yang Mi estava sorrindo em seu cantinho ao lado de Park Soo Yong, que lhe deu um tapa de leve e lhe encarou com seriedade. Chan Eun Sang ficou sabendo logo o que estava acontecendo e ficou desesperada. Ela não poderia imaginar que estava a ponto de perder novamente o seu namorado. Ela sabia que Kim Tan não a abandonaria naquele estado, sabia o quanto ele gostava de Taila. E podia sentir quase a mesma dor que Choi Young Do estava sentindo.

No jardim do hospital, Kim Tan o soltou e ele caiu no chão. Chorando como uma criança, abraçando as suas pernas e escondendo seu rosto entre elas. Kim Tan respirou fundo, ele não estava nada bem, mas tinha que manter o controle.

—Choi Young Do você tem que entender que ela sofreu um trauma muito grande. O médico disse que ela ia ficar confusa no começo.

—Eu não vou perdê-la para você, de novo não!

—Eu não quero roubá-la de você. Eu quero que ela recupere as memórias dela. Doutor! — chamou, Kim Tan, o médico de Taila que estava passando por ali, ele tentou fugir para não ter que falar inglês, mas não conseguiu. Acabou tendo que ir falar com eles. — O que está acontecendo com a Taila doutor? Por que ela não se lembra das coisas que aconteceram?

—Eu avisei a vocês que ela ficaria confusa e talvez até mesmo perdesse a sua memória.

—Ela vai recuperar as memórias dela, não vai?

—Eu não sei — disse o médico com sinceridade. — O acidente dela foi muito grave e provavelmente ela esqueceu tudo aquilo que a fez sofrer e voltou para a época mais feliz da vida dela. Alguns pacientes criam outras realidades e até mesmo acreditam ser outras pessoas em casos assim. Vocês precisam exercitar as memórias dela de uma maneira saudável. Não façam com que ela se assuste e que ela mesma não queira se lembrar. Se isso acontecer, as coisas podem ficar ruins e ela pode até mesmo nunca se lembrar de vocês.

O médico saiu imediatamente, enquanto os dois permaneceram assustados.

—Memória mais feliz da vida dela — disse Choi Young Do, rindo, fingindo estar feliz, enquanto apenas queria derramar mais lágrimas. — Você é a memória mais feliz da vida da Taila.

—Choi Young Do vamos fazer com que ela se lembre de você!

—Eu não quero! Faça ela feliz, como você sempre fez — ele saiu caminhando, em direção à rua. Uma caminhada sem rumo para colocar seus pensamentos no lugar. Kim Tan começou a xingar e a chutar o vento irritado. Nunca pensou que algo como aquilo poderia acontecer.

Já era noite, Taila estava em seu quarto lendo um livro enquanto descansava. Sua irmã estava se preparando para ir para casa tomar um banho. Taila pediu para que ela fosse, já que Kim Tan havia dito que ficaria com ela à noite. Ele chegou um tempo depois, estava conversando com Chan Eun Sang, tentando acalmá-la. Ela sabia o que havia acontecido entre eles no passado, e tinha medo de que Kim Tan desenvolvesse qualquer sentimento por Taila durante esse tempo em que ela está sem suas memórias.

—Como você está? — Perguntou ele entrando. Ela sorriu como nunca.

—Estou bem, logo vou poder passear na praia com você de novo.

—O que é isso? — Perguntou ele um pouco sem jeito. Aquela situação o deixava mais preocupado do que qualquer outra pessoa ali.

—Ah, é o meu livro favorito, minha irmã trouxe para mim — ela lhe mostrou a capa do livro e ele leu em voz alta.

—Fahrenheit 451. Acho que já ouvi falar desse livro. Parece ser muito bom.

—E é — ela complementou sorrindo para o livro. Logo depois o colocou no criado-mudo ao lado da cama e tocou de leve o braço dele. Ele se sentou na cama, de frente a ela, segurando firme a sua mão.

—Taila, você tem certeza que não lembra de nada mesmo?

—Lembrar de quê? Eu perdi a memória ou algo do tipo? — Ela começou a rir como se a situação fosse impossível de acontecer. — Nós não estamos em um filme. Mas como eu vim parar no hospital.

—Você ainda acha que a vida não é um filme, não é? Mas não vamos falar disso agora, o médico pediu para não comentarmos sobre isso ainda. Então descanse um pouco — ele pegou as cobertas e a cobriu, ela se ajeitou para descansar. Antes que ele pudesse se afastar da cama, ela o segurou pelo braço, levantando um pouco a sua cabeça.

—Fica aqui comigo. Pelo menos, até eu dormir — ele pensou rapidamente, mas sabia que não negaria um pedido de Taila, principalmente naquelas condições.

—Está bem! — Ela ainda estava segurando a mão dele, e usou o braço dele como travesseiro. Fazendo-o ficar em uma posição desconfortável, já que ainda estava sentado. Ele apoiou seus cotovelos na cama e seus rostos ficaram perto, como ela queria, mas ele nem sequer estava pensando em nada, apenas no fato que deveria tê-la feito chorar muito no passado. — Posso te fazer uma pergunta?

—Claro, quantas você quiser.

Ele respirou fundo, estava com medo da resposta e até mesmo com medo de que ela nunca recuperasse a sua memória.

—Se uma pessoa fizesse algo ruim para outra pessoa no passado, que o amava intensamente. E essa pessoa traída o abandonasse por um longo tempo. Ele seguisse o seu destino e encontrasse o amor que ele não conhecia. Mas por alguma pendência do destino eles se encontrassem novamente e o destino os colocasse na mesma situação já ocorrida, o que você faria se estivesse no lugar dessa pessoa? Você continuaria com a pessoa que você está ou você tentaria consertar os seus erros do passado?

—O que essa pessoa precisa saber é que nem sempre voltar no passado é o melhor remédio, às vezes a sua pendência com aquela pessoa não é a que você imagina que é. Diga a essa pessoa que ele pode resolver o seu erro do passado sendo verdadeiro e honesto, essa é a chave. Mas a propósito, quem é essa pessoa? — Ela perguntou animada.

—Não é ninguém que você conhece...

—É o Jay? Só pode ser o Jay... mas quem seria a outra pessoa?

—Você é curiosa demais — resmungou ele, puxando o seu braço de volta.

De repente a porta se abriu. Os dois ficaram curiosos, pois poderia ser o médico. Mas não era ele, era Choi Young Do vestido de terno, um terno idêntico ao dos seguranças de Roberto. Ele entrou no quarto com firmeza, mantendo o corpo ereto. Kim Tan queria rir, enquanto Taila admirou a sua beleza, mas para ela, não existia ninguém mais bonito que Kim Tan.

—Quem é você? — Perguntou ela incomodada, queria ficar às sós com Kim Tan.

—Eu sou o seu novo segurança — respondeu ele em inglês, lançando seu famoso sorriso irônico, seu sorriso de bad boy. — Seu pai me mandou vir, me mandou ficar vinte quatro horas grudado em você.

Kim Tan com um movimento discreto, aprovou a atitude de Choi Young Do, assim ela poderia se lembrar dele e ao mesmo tempo, eles evitariam que ela agarrasse Kim Tan novamente.

—Desde quando meu pai manda um segurança ficar dentro do meu quarto, e ainda mais um segurança estrangeiro. Eu me recuso a ter um segurança como você.

—Qual é o problema comigo? Eu sou o melhor segurança nessa área.

—Área de ser intrometido. Saia! Eu tenho que dormir — gritou rispidamente.

—Taila acho melhor você não dizer nada — disse Kim Tan, se levantando e ajeitando as cobertas dela. — É melhor você não comprar briga com o seu pai.

—Tem razão — Kim Tan sabia que ela não ia contestá-lo, então resolveu tomar a frente.

—Eu tenho que ir, não vou poder ficar a noite toda com você.

—Eu sei — ela disse desanimada. — Você pode pelo menos pode me dar um beijo? Somos namorados, não somos?

Ele sorriu, se aproximou e se curvou, aproximando seu rosto da testa dela e tocando suavemente seus lábios nela.

—Isso é um beijo por acaso?

Com as suas duas mãos, ela as tocou no rosto dele e o puxou em direção ao seu, encostando seus lábios novamente aos dele. Ela sentiu novamente seu coração bater forte, mas uma sensação estranha lhe veio, como se o beijo de Kim Tan não fosse mais prazeroso como já havia sido um dia. Em sua mente, ela tarjou isso e apenas dizia a si mesma que era o efeito dos remédios sobre ela.

Choi Young Do ao ver sua namorada beijando outro homem, segurou sua raiva apertando seus punhos, queria muito pará-los e bater em Kim Tan, mesmo sabendo que a culpa não era dele. Que não era de ninguém ali. Assim que o beijo terminou, ele apenas fingiu que estava sério e calmo. Kim Tan disse um pouco sem graça:

—Taila você não pode me beijar assim, estamos na frente do segurança.

—Mas como vamos nos beijar se ele vai ficar perto de mim vinte e quatro horas? Não posso nem ficar sozinha com você. Por que você é assim só comigo? Você sempre beija qualquer uma que vê pela frente.

—Eu não faço isso! — Gritou Kim Tan em sua defesa.

—Não faz — disse ela com ironia.

—Taila durma um pouco, amanhã a gente conversa. Ah, e segurança novato, não pense em fazer nada com a minha namorada.

—Não se preocupe, não farei nada com a “sua” namorada.

Kim Tan saiu em seguida. Choi Young Do, cruzou seus braços e se sentou no sofá do quarto. Encarando-a.

—O que você está olhando? — Perguntou ela impaciente.

—Sua cara.

—O que tem na minha cara?

—Você é bonita.

—Como se alguém ficasse bonita nesse estado — disse ela, em um tom baixo, sentindo um mal-estar.

—Você está.

—Eu não vou te dar nenhum aumento, então, por favor, pare!

Ela embrulhou a sua cabeça como uma forma de se esconder. Ele sabia que aquilo de alguma forma tinha algo a ver com Kim Tan e o fato de ele nunca ter olhado para ela. Depois de uma hora e meia, ele se levantou e foi em direção a ela, descobriu sua cabeça e ajeitou as cobertas dela. Acariciou levemente o rosto dela, com as costas de sua mão e sussurrou:

—Como você pode acreditar que não é linda? — Começou ele em coreano. — Eu pensei um dia que eu nunca esqueceria a Eun Sang, mas você roubou totalmente meu coração, nunca existirá lugar para nenhuma mulher além de você. Eu te amo, Taila Monteiro.

Notas finais
Gente, espero que vocês tenham se emocionado e estejam gostando da fanfic. Não sei se vocês perceberam mas nossa fanfic já tem um ano e 2 meses, longa, não? Não esqueçam de deixar um comentário e beijos