Conquistado

1 Minha admiradora.


Notas iniciais
Minha primeira fanfic com o Midora, me deem uma folga ^^

Estava em mais um dos treinos da Shutoku, aquilo não podia ser considerado difícil quando se acerava todos os arremessos mesmo do outro lado da quadra. Porém nós tínhamos que melhorar para a liga de Inverno, não suportaria perder para a Seirin novamente. Estava com o meu objeto da sorte do dia – um lenço de bolso azul – e já havia conferido o meu horóscopo do dia. O meu dia tinha tudo para ser perfeito e mesmo assim algo parecia estar fora do lugar.

O treino acabara no mesmo horário de costume, porém ao olhar para a arquibancada do ginásio notei o que estava fora do lugar. Ela não estava ali e aquilo era estranho, o nome da garota? Kotoko Oizumi, uma garota do fundamental que decidira que era apaixonada por mim do nada e sempre vinha aos meus treinos.

Ela estudava em um colégio aqui em Tóquio e era um ano mais nova do que eu, um dia ela apareceu no meu treino e disse que era apaixonada por mim me deu um beijo na bochecha e saiu correndo. Não que nenhuma garota nunca tivesse se dito apaixonada por mim no tempo da Teiko – mesmo a maioria preferindo o Kise – mas eu nunca me aproximei delas, nunca tive tempo para relacionamentos ou qualquer coisa que possa atrapalhar o basquete. Aquele gesto de Kotoko foi desconcertante, Takao passou todo o caminho até a minha casa falando nisso.

E ela voltou todos os outros dias para me ver jogar, mesmo o seu colégio ficando quase do outro lado da cidade e ela fazendo parte da equipe de vôlei, ela sempre conseguia chegar antes do meu treino acabar e ficava sentada na arquibancada me encarando. O que é claro, só rendia mais piadas sem graça do Takao. Ela sempre vinha ver o meu treino, sempre sorria e batia palmas quando eu fazia uma cesta e de algum modo ela simplesmente se enquadrara na minha rotina. Ela me esperava na porto do vestiário após o treino, perguntava como ia o meu horóscopo, fazia milhares de perguntas e me acompanhava durante boa parte do percurso até que cada um ia para a sua casa.

— Acho que a sua namorada não veio hoje – disse Takao se apoiando no meu ombro, o empurro e reviro os olhos indo para o vestiário.

— Ela não é a minha namorada – digo revirando os olhos e indo me trocar.

Faço tudo da forma mais lenta possível. Tomar banho, me trocar, cuidar das minhas unhas e arrumar as minhas coisas para enfim sair do vestiário. Mas ela não estava lá com os cabelos vermelhos molhados, o sorriso na face e aquela inocência típica dela. Kotoko não era o meu tipo de garota em nenhum sentido da palavra. Eu gosto de garotas maduras, altas, mais velhas e morenas, Kotoko não se encaixa em nenhuma destas categorias. Ela é bem mais baixa do que eu, está no fundamental, é mais nova e seus cabelos são de um ruivo que parecia capaz de por fogo em qualquer lugar.

Ela não estava ali, será que ela finalmente entendeu que não somos namorados? Será que eu nunca mais a veria torcendo por mim? Que tolice, ela era escandalosa demais e atrapalhava a minha concentração. Como seria nos jogos do campeonato de inverno? Bem não seria, ela aparentemente não estaria lá.

Takao ficou me irritando o caminho todo falando da Kotoko até que eu o mandei pastar. O meu horóscopo me disse que hoje eu teria um bom dia, bem eu não estou vendo nada de bom aqui. Continuo o caminho sério evitando pensar em Kotoko e no sumiço dela, até que chegamos ao parque. Ao parque onde sempre nos separamos e cada um vai pelo seu caminho, dou uma olhada no parque e me surpreendo ao ver os familiares cabelos rubros sentados em um balance infantil. Quando vejo já estava ao seu lado.

— Olá Kotoko – digo no tom sério de sempre.

Ela estava lá sentada de cabeça baixa, não com costumeiro uniforme de marinheira típico do ensino fundamental mas com o uniforme do vôlei. Seus olhos âmbar me encaram e eles estavam vermelhos e marcados pelas lágrimas que insistiam em cair. Nunca a vi assim tão fragilizada, arrumo os meus óculos quebrando o nosso contato visual.

— O Peter me pediu em namoro hoje – ela dispara olhando para baixo – ele invadiu o meu treino e se declarou, disse que podia me fazer feliz...

Sinto algo estranho dentro de mim, algo que nunca havia sentido antes, mas que parecia ter começando no momento que descubro que outro cara a pediu em namoro. Um cara da idade dela, do colégio dela e que era tão emotivo quanto ela. Sabia que ele combinaria com ela, ele era o tipo de garoto que ela deveria namorar e ir assistir os treinos não eu.

— E porque está chorando, não deveria estar feliz? – digo sério ainda ao seu lado.

Ela para e me encara, depois meche os pés inquieta. A quanto tempo ela estava ali chorando? Porque estava chorando? As garotas não querem romance? Ela não deveria estar aos beijos com esse garoto? Mais uma vez sinto algo estranho ao pensar nela beijando outro cara. Já estava tão acostumado com a sua presença e o seu carinho que devia estar apenas estranhando o fato de que não a veria mais.

— Eu não respondi nada, só sai correndo... Eu acho que só queria pensar, fugir de tudo e de todos – ela confessa sem me encarar — eu gosto tanto de você Midorima que as vezes até dói, eu nunca tinha gostado de alguém tanto assim mas quando olhei nos seus olhos eu só pensei que queria ficar com você pra sempre e no meio disso eu fui atropelando a sua vida e me metendo no meio dela, queria tanto passar um tempo com você que eu forcei a barra... E agora tem o Peter...

Realmente no inicio eu não gostei nada da forma como ela simplesmente entrou na minha rotina, do modo como ela me observava nos treinos e parecia estar sempre por perto... Mas depois ela simplesmente começou a fazer parte da minha vida e de algum modo pensar nela fazendo essas coisas por outro cara tinha um gosto amargo na minha boca.

— Você ama ele? – pergunto e arrumo o meu óculos.

Ela faz que não lentamente e uma sensação de alivio preenche o meu corpo de forma involuntária, eu não devia estar sentindo isso. Não pela Kotoko, olho para o modo como ela estava frágil e de olhos chorosos e lhe estendo o lenço de bolso azul que era o meu objeto da sorte de hoje. Ela me encara durante alguns segundos sem saber o que fazer e então o pega hesitante.

— É o seu objeto da sorte – ela sussurra baixo, mas não me surpreende com o fato dela saber disso. Mesmo Kotoko não sendo de câncer ela acompanha mais o horóscopo do meu signo do que o do dela – você acha que eu devia tentar amar o Peter, ai você poderia ficar em paz sem que eu te atrapalhasse...

E então eu simplesmente não penso e quando eu vejo eu havia beijado-a. Havia sido um beijo na boca, o meu primeiro beijo na verdade e ele tinha o doce gosto dos lábios de Kotoko misturado ao de suas lágrimas. Sabia que era bobo, irracional e egoísta. Mas eu apenas não estava disposto a abrir mão dela, porque sem que eu percebesse de algum modo ela havia me conquistado.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!