Conhecendo a Família no Natal.
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Ele não era bom com preparativos, mas tudo que acontecia no dia 24 de dezembro se resumia a preparativos. Sua avó gostava de ordenar, isso só avançava conforme os anos se passavam e apesar de aparentemente muito mais frágil e fraca, suas ordens continuavam firmes e Neville Longbottom não era capaz de deixar de obedecer. Ainda mais naquele natal em que ele tinha oficialmente convidado alguém.
Ele era bons com plantas, de todos os tipos. Principalmente com os cactos fossem eles venenosos ou não. Mas colocar toalha na mesa, pratos e talheres parecia ser algo de outro mundo. Porque a cada vez que sua vó falava mais alto ele deixava um prato cair e tinha que remendar com um feitiço rápido.
Tinham escolhido pratos vegetarianos, apesar da expressão de poucos amigos que a senhora fez ao escutar que a convidada do neto não comia carne, ela acabou provando que conhecia muitas receitas incluindo aquelas que levavam cogumelos e hortaliças que Neville apenas apreciava de longe. O cheiro da comida era encantador o que ajudava ele a se distrair com mais frequência.
Usou gardênias para os vasos. Foi difícil encontrá-las, mas ele acabou, ao longo dos anos, tendo contatos que conseguiam todos os tipos e plantas e flores.
Depois de muitas tentativas e alguns erros de principiante ele finalmente respirou aliviado para a mesa de jantar que havia conseguido arrumar. Sua voz não deu os parabéns, mas carregava nos olhos aquela expressão de orgulho que ele aprendeu a reconhecer tão bem.
Precisava se arrumar e esperar pela chegada mais importante da noite. Oficializariam o namoro. Ela traria uma tia para o jantar, já que a mãe tinha sido mais uma vítima da guerra. Estava em um momento da vida que tinha uma estranha atração por suspensórios. Acabou escolhendo uma camisa azul clara e colocando os suspensórios por cima. O deixava com ainda mais jeito de professor aluado, mas bem no fundo sabia que finalmente tinha se encontrado, que agora era quem sempre quis ser. Sem medo de ser o alvo das brincadeiras dos outros, ou de suas autocriticas que machucavam. Desde que tinha começado com as aulas em Hogwarts, tinha encontrado o caminho de volta ao lar. Tanto do lado de fora, quanto do lado de dentro de si.
A campainha tocou na hora certa. O que fez que um sorriso de lado tomasse conta da face de sua avó. Ela estava aprovando a pontualidade dos convidados. Abrir a porta e encontrar a doce Hannah usando um lindo vestido amarelo fez com que o coração de Neville desse algumas cambalhotas.
Estava sozinha, a tia tinha perdido o avião já que morava na América do Norte e aparentemente estava uma tempestade daquelas pelos lados de Miami. Mas trouxe em suas mãos um caixa de chocolate decorada e também um pequeno buquê de rosas amarelas. Neville sabia que sua garota dos sonhos tinha uma queda para a cor, talvez fosse por causa de sua casa de Hogwarts, ou por ela ser um verdadeiro sol iluminando tudo em volta.
Parecia nervosa já que sua mão suava frio.
— Você está linda! — Neville cochichou assim que se aproximou para ajudá-la a entrar. — Não se preocupe.
— Isso me deixa ainda mais preocupada. — sua fala entredentes.
Neville entendia muito bem o nervosismo, ele mesmo estava quase correndo para o banheiro. Sua barriga continuava no ritmo de cambalhotas e ele não sabia explicar se para o lado bom ou para o lado mau.
Hannah Abbout, tinha as maçãs do rosto avermelhadas. A garota tímida da escola acabou se tornando uma mulher exuberante em todas as suas curvas. Neville ainda não entendia como ela havia se apaixonado por ele, mas ficava satisfeito por ter acontecido. Mesmo sendo alguém que chamava atenção Hannah parecia não perceber o efeito que causava em todos. Tinha o sorriso sincero e os olhos brilhantes. Ao entregar as rosas e o chocolate sorriu.
— Espero que goste senhora Longbottom. — Respirou fundo antes de continuar. — Obrigada por me receber em uma data tão importante e familiar.
Augusta Longbottom analisou a mulher jovem em sua frente. Sabia que era um pouco mais nova que o neto, talvez um ano ou dois. Sabia da história da família dela, do que a guerra havia feito a eles. Certamente era uma sobrevivente como o neto. Por fim, acabou sorrindo.
— O que uma garota como você viu no meu atrapalhado neto? — Perguntou em tom de brincadeira.
Ela sabia muito bem do que Neville era capaz. Ele sobreviveu aos pais, lutou ao lado dos amigos, se tornou quem queria ser. E parecia perfeito para a função que escolheu. Tinha se tornado um homem honrado, bonito de sua maneira. E estava ali ao lado dela, trazendo a possível esposa para conhecê-la. Mas não deixa de enxergar aquele garoto atrapalhado que esquecia de usar a capa, que perdia o sapo pelo trem, que estava sempre atrasado.
— Vovó… — Neville soltou um gemido constrangido.
Por mais que também fizesse essa pergunta, ouvi-la vindo de outra pessoa era ainda mais constrangedor do que pensar nela. Hannah parecia intrigada.
— Deixe ela responder. — Augusta falou balançando a mãozinha enrugada o obrigando se calar.
Sem alternativa ele deu de ombros, usando sua expressão corporal para já se desculpar com Hannah.
— Tudo. — Ela disse quase sem respirar. — Eu vi tudo de maravilhoso que Neville tem.
Não era a resposta que estavam esperando, mas era a única que Hannah poderia oferecer. Foi exatamente tudo que ela viu no jovem homem que passava os dias apoiado em seu balcão conversando sobre a vida. Viu a gentileza apesar de ser um Auror. Viu o jeito como gostava das plantas e como ficava com as bochechas rosadas tanto quanto ela. Não tinha como não enxergar toda aquela grandiosidade.
Ela conhecia ele da época de Hogwarts, estava sempre com Luna Lovegood e Gina Weasley. Elas diziam o quanto o garoto era um bom amigo. Infelizmente Hannah teve que deixar a escola assim que a guerra explodiu. Sua mãe tinha sido presa, foi um verdadeiro caos a sua vida. Reencontrar Neville alguns anos depois foi a melhor brincadeira que o destino já havia feito a ela.
— Boa resposta senhorita Abbout. — A vó de Neville disse acenando positivamente com a cabeça.
Sentaram-se primeiramente no sofá. As mãos dos dois o tempo todo entrelaçadas como se fossem adolescentes. Mostrando a pureza daquele amor. Que apesar de outros relacionamentos, encontrou-se ali. Entre eles. Em uma sintonia gigantesca.
Augusta gostava de contar histórias, não foi diferente naquele 24 de Dezembro. Ela pode atualizar Hannah sobre todos da família e também marcos históricos que poucos tiveram a oportunidade de presenciar. Entres eles, o principal, a queda do Senhor das Trevas.
O jantar estava maravilhoso. Hannah sentiu-se emocionada ao perceber que não havia carne em nenhum dos pratos. Era a primeira vez que se sentia tão bem recepcionada, seu coração se aqueceu e percebeu que aquela família era o tipo de família ao qual gostaria de fazer parte. Porque não julgavam as pessoas, apenas estendiam os braços e recebiam com todo o carinho que poderiam oferecer.
Neville sorria o tempo todo, também se permitia contar histórias dos alunos e das aulas que planejava e muitas vezes não davam certo. Sabia o nome de quase todos, principalmente daqueles que davam trabalho. Imaginava como seria quando os filhos dos amigos chegassem até ele. Parecia orgulhoso por ter sido escolhido como padrinho do segundo filho de Harry Potter, mas Hannah sabia que estava orgulhoso por Gina, uma de suas melhores amigas, tê-lo reconhecido como alguém capaz de apadrinhar o filho. Era muita responsabilidade, mas Neville parecia especialmente agradecido por ela.
De sobremesa tinham torta de abóbora e sorvete de baunilha. Uma combinação que fazia o estômago de Hannah sorrir. Um de seus doces preferidos. Pouco antes da meia noite deixaram tudo arrumado. Augusta Longbottom separou potes com um pouco de comida. Neville juntou algumas flores como se fossem um buquê. Estavam prontos para visitar os pais dele. Hannah tinha se preparado especialmente para esse momento. Tinha pesquisado sobre os efeitos da maldição cruciatus, escolheu seu melhor vestido. Aquele que ela achava que deixava as pessoas felizes. Em sua bolsa colocou várias balas com sabores sortidos. Lembrava-se de um dia o namorado dizer que a mãe dele gostava muito de balas.
— Tem certeza que quer ir junto? — Neville sabia que era algo complicado. Nem todas pessoas aguentam o impacto. E Hannah já havia conhecido a sua avó o que também garantia uma carga emocional intensa.
Augusta acompanhava a conversa em silêncio fingindo está alheia ao que diziam. Mas era o momento certo de saber as intenções da jovem com seu neto.
— Claro que tenho. — Ela disse arrumando o vestido. — Escolhi essa roupa especialmente para conhecer seus pais. — Depositou um beijo doce na bochecha do namorado. Segurando-lhe uma das mãos a apertou demonstrando segurança. — Vamos?
— Está na hora mesmo. — Augusta disse aliviada. A garota tinha expressões doces e suaves, mas demonstrou firmeza. Percebeu que seu neto, afinal de contas, tinha um gosto excelente para namoradas. Sendo aquela a primeira.
Aparataram em frente ao Hospital St. Mungus, Neville estava acostumado a passar os natais ali naquele lugar. Ele sua avó não deixavam que seus pais ficassem sozinho, mesmo que não se lembrassem do garoto. Naquela noite Frank e Alice Longbottom estavam animados, provavelmente os enfeites e todas as pessoas que visitavam seus familiares. Apesar do costume nunca deixava de ser difícil para ele.
Seu pai percebeu as mãos dadas entre eles. Apontou e perguntou:
— Sua namorada? — Neville assentiu com nó na garganta. Gostaria de apresentar Hannah ao pai e dizer que era a mulher de sua vida. — Ela é muito bonita.
— Muito Obrigada. — Hannah disse sorrindo. — Poderia lhe dar um abraço?
Frank Longbottom deixou. Então Neville assistiu sua namorada envolvendo seu pai em um abraço carinhoso. Sem receio. Sem medo. Apenas cheio de respeito e carinho. Logo o pai se distraiu com o que sua avó havia levado para comerem.
Foi a vez de se aproximar de Alice que estava sentada na cama, segurando o buquê de flores que Neville havia improvisado. Hannah se aproximou delicadamente.
— Que flores bonitas. — Disse com a voz suave.
Alice sorriu e esticou o braço para tocar o rosto da jovem loira em sua frente.
— Você também é muito bonita. – Disse entre risadinhas.
— Obrigada. Eu soube que a senhora gosta muito de balas. — Hannah pegou o saquinho de cetim da bolsa. — Então lhe trouxe algumas de presente.
Alice Longbottom agarrou o pacote agradecida. Estava tão feliz com as balas que deixou de prestar atenção neles.
Os olhos de Neville estavam cheios de lágrimas, mas ele não as deixou cair. Não saberia como agradecer Hannah por ter sido tão delicada com as pessoas mais importantes de sua vida. Jamais poderia expressar em palavras a gratidão que sentia.
Quando finalmente a noite estava chegando ao fim, eles deixaram Augusta em casa e aparataram para o quarto de Hannah.
— Muito Obrigado. — Neville disse assim que soube que podia dizer.
— Pelo que?
— Por tudo que fez hoje. — Suspirou. — Pelo que fez por eles.
— Nev, eles são seus pais. Como eu não faria de tudo para agradá-los? — Ela sorriu tocando seu rosto. — São as pessoas mais importantes para você. No momento você é importante para mim. Consequentemente, eles também são muito importantes.
— Você se lembrou das balas.
— Me lembro de todas suas histórias. — Hannah disse o beijando.
Eram novamente apenas eles, como no princípio de tudo. Apenas os dois conversando sobre tudo e não dizendo nada. Beijando-se no escuro.
Foi Hannah entre o beijo que lembrou-se de dizer:
— Feliz Natal.
Neville estava agradecido pelo dia, mas principalmente pelo presente que aquele ano tinha lhe proporcionado. Ter aquela mulher ao seu lado, ambos se amando.
— Feliz Natal!
Aquele era apenas o primeiro natal de muitos que viriam pela frente, incluindo o próximo com uma linda garotinha nos braços. Mas ainda é muito cedo para começar essa história, eles ainda teriam belos meses de namoro pela frente.
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