Confissões De Hermione
5 A Floresta Proibida
Notas iniciais
A Floresta Proibida me causava arrepios e imagino que em Rony também. Harry caminhava à nossa frente, notando se alguém nos vira sair do castelo. O vento do lado de fora estava congelante, nossas bochechas perderam a cor e os lábios racharam quase que imediatamente.
– Está muito frio, Harry! disse Ron
Harry concordou com um balançar de cabeça e transferiu sua capa à mim. Porém, no mesmo momento um feitiço fez com que outras capas aparecessem, além dos cachecóis das respectivas casas.
Rony parecia mais confortável. A neve cobria quase que todo o gramado de Hogwarts, as árvores perderam suas identidades e mais pareciam grandes pedaços de algodões.
– Será que fomos vistos saindo? Questionou Rony
Fiz pouco caso da pergunta de Weasley, afinal todos estavam no Salão Comunal se deliciando com o jantar. Nossa única preocupação era com Filch e seu gato demoníaco, mas segundo nos informaram, o paspalhão estaria recrutando, naquele instante, alguns alunos da Sonserina para as Masmorras, devido o mau comportamento.
Caminhávamos em silêncio, as luzes da cabana de Hagrid estavam acesas. Tínhamos que ter cuidado, pois qualquer deslize seria definitivamente fatal. Hagrid era bom e, assim como ele, possuía um coração enorme, mas não aceitaria saber que estaríamos entrando na Floresta Proibida na calada da noite para nos encontrarmos com um fantasma.
– Lumos Maxima! Disparou Harry
Quando me dei conta já estávamos adentrando na Floresta. Rapidamente saquei minha varinha e, assim como Harry, também produzi o feitiço de luminosidade. Confesso que me sentia receosa por não saber ao certo o que nos esperava. O ataque recente em Hogwarts me fazia pensar que Você-Sabe-Quem estaria por perto, pronto para provocar uma avalanche sanguinária novamente.
A Floresta era assustadora, não havia como negar. Às arvores pareciam fazer parte de um cenário aterrorizante de um filme de terror. No alto das copas, corvos dormiam, enquanto nenhum resto mortal aparecesse para os alimentarem. Ron não dizia nada, apenas arregalava os olhos. A varinha parecia dançar em suas mãos.
– Vocês viram alguma aranha? Gaguejou Ron
Um riso tímido escapou de mim. Rony tinha pânico de aranhas e às vezes até sonhava com um ataque inexistente. Da última vez em que o professor RJ Lupin nos ensinou a controlarmos nossos medos, uma aranha gigante saiu do armário de encontro a Ron. Sua cara de espanto foi comentada por todos de Hogwarts. Gargalhada-.
– Está rindo do que, Hermione? Perguntou Rony
Tentei me controlar ao máximo, enquanto prestava atenção onde pisava, porém não fui forte o bastante.
– Você se lembra da aranha do armário? Gargalhei descontroladamente
Rony pareceu me odiar no momento, ainda mais por detestar o assunto. Sua cara de nojo respondeu o que queria dizer. Lembrar-se da aranha da aula de Lupin era como se embebedar com cerveja amanteigada. Estava mais calma e descontraída, quando de repente Harry gritara.
– Abaixem-se! Stupefaça! disparou
Havia um lobisomem preste a nos atacar. Permanecemos abaixados atrás de uma imensa pedra que cobria nosso corpo. Harry era valente e, em momento algum pensou em recuar. Rony apenas chorava, chorava como uma criança sem chupeta.
– De onde ele saiu? Perguntei
– Lobisomens vivem em florestas, alunos na Escola. É difícil entender, Hermione? Disse Ron aos berros.
Enquanto a criatura se aproximava, disparos e mais disparos eram enviados em sua direção. Harry cogitou a hipótese de conjurar o patrono, mas de fato aquele não era um momento tão sufocante. Estávamos apenas à frente de um lobisomem, ou melhor, de um cachorrinho.
– Onde essa louca está indo? cochichou Rony enquanto permanecia abaixado.
Harry não respondeu e continuou disparando contra a criatura peluda.
– Olha aqui, cãozinho asqueroso! Não entramos nessa joça de floresta para sermos devorados por um homem descontrolado que em noite de lua cheia se transforma em cachorro. Tudo bem, eu sei que você tem fome, mas não somos nada apetitosos. Talvez devesse se preocupar com o que realmente importa, estamos aqui em busca de Petter Lacun e você não nos atrapalhará agora, por favor. Se mande daqui! Discursei.
Não soube ao certo o que causara tanto sofrimento no lobisomem, que ao ouvir o nome de Petter Lacun começou a se rastejar no chão com dificuldade, até desaparecer floresta adentro.
– Caracas! Como é que consegue falar com lobisomens. Você é incrível, Hermione! Disse Ron.
Eu sorri, enquanto Harry se levantava com Rony. Suas vestes estavam sujas e repletas de folhas secas. Eu não havia entendido o porquê do desconforto da criatura, mas talvez Petter Lacun fosse sim o tipo de fantasma com quem devêssemos nos preocupar.
– Ande, temos pouco tempo e não começamos tão bem! disse.
Harry permaneceu quase todo o tempo calado. A Floresta Proibida não era um local que lhe remetia boas lembranças.
– Mione, onde marcou com Petter Lacun? Questionou Harry
– Não sei, apenas disse que viria ao seu encontro na Flores... Fui interrompida por um grito de pânico produzido por Weasley.
– Fantasmaaaaaaaaaaaaaa! Gritava Rony
Viramo-nos imediatamente. Harry já segurava sua varinha, enquanto eu apenas observava a criatura com quem me encontrei na biblioteca dias atrás. Era ele, o fantasma esquisito de Petter Lacun. O postergaste nos examinava, enquanto se aproximava lentamente. Ron não esboçava reação, apenas olhava fixamente para o chão. Harry apontava sua varinha para a coisa e eu me preparava para derramar todas as perguntas que estavam guardadas em mim.
– Trouxe companhia, sangue ruim? disse Lacun
– Mais uma palavra e eu acabo com você, fantasma! Defendeu Harry
À medida com que o observávamos, Lacun se aproximava mais. Porém, em uma fração se segundos, parou. Lacun permaneceu ali, imóvel como uma pedra até que começasse a questioná-lo.
– Você, por acaso, tem algum tipo de envolvimento com os ataques que Hogwarts vem sofrendo? Perguntei sem titubear.
O fantasma gargalhou. Uma gargalhada que ecoou na Floresta Proibida, fazendo aves e animais se dispersarem.
– Eles sabem quem voltei, sabem também que estou forte. respondeu
Não entendi ao certo o que queria dizer. Talvez ele se referisse à Dumbledore e o Ministério.
– Eles quem? Questionei
– Ah, não se faça de idiota, garotinha! Dumbledore sabe que voltei e que estou perto de acabar com Hogwarts. Seu temor por mim é evidente, afinal, deixei marcas que jamais poderão ser apagadas nessa escola de imprestáveis...
Minha impressão de que Lacun desabafaria estava certa. O fantasma disparou a falar de maneira que não pudéssemos o interromper.
– Lembro-me como se fosse hoje, eu era assim como vocês. Pertencia à casa Lufa- Lufa e, tecnicamente, teria tudo para ser mais um idiota. Eu fui além e desde o princípio Dumbledore sabia que eu não era como todos os outros alunos. Com o passar do tempo e já com espinhas na testa, decidi que meu lugar não seria lá e, mesmo que fosse, sentia que não pertencia a aquele lugar. Fui nomeado Monitor por Alvo, confesso que fez muito por mim. O cargo só me serviu para crescimento pessoal e, sem que soubesse, me aliei ao bruxo mais poderoso que o mundo mágico: Lord Voldemort. Dumbledore nunca desconfiou das informações que repassava. Tudo que acontecia em Hogwarts era enviado ao Lord das Trevas e foi assim, graças a minha ajuda, que o primeiro ataque aconteceu.
Recordo-me vagamente dos mortos enfeitando o piso gélido da escadaria principal. Aqueles que confiaram em mim, morreram e os que não confiavam, também. Meu plano era perfeito. Ajudei a enterrar os mortos e derramei lágrimas sobre muitas lápides.
Havia uma garota que se chamava Alana Floyer que, por sinal, era apaixonada por mim. No dia do ataque ela correu para os meus braços buscando proteção, mas ao invés de protegê-la, a arrastei até o banheiro masculino e a assassinei com um feitiço mortal. A partir deste momento começou minha sede por dominar a todos, de me tornar o mais poderoso.
Voldemort me contemplava e minha reputação aumentava cada vez mais. Mi Lord confiava em mim, eu era seu escudo, seu refúgio. Com o passar dos anos, Dumbledore me convocou e me convidou a integrar o time de professores. Aquele seria o cargo ideal para eu me aproximar e arquitetar o plano de destruição em massa.
Tudo estava bem. Me tornei professor com apenas vinte anos. Os alunos temiam minha pessoa, odiava aguentar alunos insolentes, mas os suportavam. Meu contato com Voldemort se tornava cada vez mais frequente e Hogwarts estava prestes a ser extinta, assim como o velho idiota de Alvo Dumbledore, no qual estava com a morte programada. Porém, tudo mudou quando um aluno da Grifinória, cujo sobrenome carrega seu amigo de cicatriz na testa, apanhou um pedaço de pergaminho em minha gaveta, onde eu revela os detalhes do ataque arquitetado silenciosamente. James Potter, esse era o nome da criatura que relatou o que aconteceria à Dumbledore. Prontamente fui expulso do grupo de funcionários da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Sabendo do ocorrido, Voldemort prometeu me expulsar de seu grupo de seguidores, também. Porém me dera uma chance caso conseguisse destruir a vida daquele que acabou com meus planos. E então, em uma noite de inverno, comuniquei Snape, através de um berrador, que James Potter sofreria as consequências por um dia ter cruzado meu caminho. Naquele momento estava munido de mais um plano, agora fatal. Encontrei-me com James em uma de suas viagens à Hogsmeade, onde pretendia comprar uma casa para viver com Lily, sua prometida que, naquele momento, carregara em seu ventre o herdeiro dos Potter.
James era sarcástico, mas inteligente demais. No momento em que ficamos cara a cara, mil pensamentos passaram em minha mente. Se não fosse sua incompetência, naquele momento, eu seria o aliado de alma de Voldemort.
Minha varinha já estava apontada, quase perfurando seu pescoço, quando Snape surgiu. Aquele era mais um imprestável do grupo de idiotas de Hogwarts. Minhas ameaças foram em vão, James e Snape pareciam não temer o que eu poderia fazer. Foi então que, enquanto ameaçava matá-lo, Dumbledore surgiu lançando um feitiço, no qual me deixou sem forças e incapaz de realizar qualquer ação.
Eu estava caído ao chão vendo o trio se abraçarem, enquanto agonizava. Devagar minha visão escureceu e quando despertei, passados dois anos, me encontrava ao lado de Voldemort, no qual me contara que por um erro meu Lily e Tiago estavam bem e, naquele instante, já deveriam estar nomeados como os queridinhos de Hogwarts. Não conseguia me mover, preso e impossibilitado de deixar a sala que em minutos lotou. Todos os seguidores de Voldemort estavam presentes, todos para assistirem a morte de Petter Lacun.
Fui morto, porém sem que soubessem, minha alma foi armazenada em algo. Vaguei durante anos por Hogwarts e hoje, necessito que aquilo que se encontra com você, cara Granger, seja destruído e regado com o sangue de uma criatura que entre vocês vivem. Somente assim poderei voltar a minha forma física e terminar tudo aquilo que comecei anos atrás. Mas, pensando na hipótese de que talvez não queira colaborar, adianto-lhes que Hogwarts continuará sofrendo, sem que haja trégua ou piedade.
Meu cérebro latejava, Ron apenas olhava e Harry transpirava. Aquelas revelações caíram como uma bomba. Petter Lacun arquitetou a morte do pai de Harry para se valorizar ao lado de Voldemort, além disso, perdeu a confiança de Dumbledore e foi morto por aquele que dizia ser seu cumplice. E que criatura seria essa? Se negássemos ajudá-lo o que Hogwarts sofreria? Dumbledore deveria saber disso?
Tudo que eu queria naquele momento era se enfiar em um buraco profundo e me enterrar. Maldita hora em que o livro, no qual contém os fragmentos de sua alma, caiu em minhas mãos. Talvez fosse melhor entregá-lo a Hagrid e se livrar das consequências. Mas, de fato, não sabia o que fazer.
O silêncio era doloroso. Lacun continua a nos observar sem dizer mais nada. Harry, Rony e eu nos olhamos. Buscávamos respostas nos olhares, mas nada. Harry teria todos os motivos para se questionar, afinal, estávamos frente a um fantasma de alguém que tentou tirar a vida de seus pais.
– E que criatura seria essa? Quem garante que Hogwarts ficará livre de suas ameaças caso o ajudemos? Perguntou Harry.
Lacun olhou fixamente para os olhos azuis de Harry e, depois de uma longa pausa, decidiu responder.
– Vejam só, que privilégio estou tendo! Conversando com o menino que sobreviveu! Talvez, quando eu retornar a minha forma física, possa te dar um abraço, Sr. respondeu com ironia.
E então, antes que Harry começasse a falar, Lacun o interrompeu mais uma vez.
– Quando a Câmara Secreta foi aberta, pela parede estava. Tente desvendar o segredo e não pinte os tijolos com nada. Gritou Lacun.
– Isso foi uma charada? perguntou Ron.
– É, foi! — Afirmei.
Lacun começara a caminha, rumo às árvores gigantes. Sua silhueta era de alguém gordo, sua barba tocava nos joelhos e suas pernas eram curtas. Certamente não era muito alto ou imponente. Petter havia quase desaparecido por completo, quando gritei.
– Você não respondeu se Hogwarts ficará bem, em segurança, caso colaboremos!
Lacun se virou e, mesmo de longe, ainda conseguíamos ver seu rosto enrugado e cheio de manchas próximas aos olhos grandes.
– Hogwarts ficará intacta! Só me interessa quem me destruiu. Mortos não levantam e o poder do supremo não será eterno. Pensem bem, não poderei esperar muito tempo. Sei que tomarão a atitude mais inteligente, afinal, não é sempre que temos um Potter por perto, não é mesmo? desapareceu.
– Onde ele foi? perguntou Rony assustado
– Não pensou que ele ficaria aqui a noite inteira, não é mesmo? Retruquei
Harry não disse nada. Tive a impressão de que estava com medo, mas nunca diria isso a ele. Sentir medo era algo normal, ainda mais por assuntos que desconhecemos.
Cheguei à conclusão de que Petter Lacun era sim preocupante. Hogwarts não dormiria mais sossegada, enquanto esta ferida estivesse aberta. Agora, restava a nós, exclusivamente, para que este segredo fosse preservado.
– Temos que voltar! Vocês não sabem de nada do que vimos e ouvimos hoje. Alertei.
Harry recolheu a capa que não foi utilizada, enquanto Rony seguia tropeçando. Naquele momento nos preocupávamos apenas com a possibilidade de terem notado nossa ausência. A noite estava cada vez mais fria e o perigo ainda mais eminente.
– Que sejamos fortes o bastante! Desejei em pensamento.
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