Confiar
23 • Capítulo 23
Notas iniciais
- Hermione? – A professora Minerva colocou uma mão sobre o ombro da garota. – Você pode fazer um favor para mim?
- Sim, professora. – Hermione se forçou a sorrir.
- Ótimo. Sabia que podia contar com você. Vá a enfermaria e diga ao Sr. Malfoy que seu pai mandou dizer que ele vai passar as férias no Caldeirão Furado. – A professora se virou e começou a andar novamente em direção a porta da Sala Comunal. Ela parou. – Obrigada, Granger.
- De nada, Professora. – Quando Minerva passou pelo buraco do retrato, Hermione bateu a cabeça na mesa da Sala Comunal. Estivera arrumando sua mala, o expresso de Hogwarts iria partir amanhã de manhã. Quando finalmente terminou, tinha que fazer isso.
Ela se levantou e saiu da Sala Comunal. Andava decidida pelo corredor. Queria fazer Malfoy pensar que nada do que ele falara havia afetado a garota, e que ela estava muito bem, obrigada. Hermione levantou a cabeça e fez a curva para entrar na enfermaria.
- Madame Pomfrey? Tenho um recado para um aluno que está aí. – A professora a olhou por cima dos seus óculos redondos.
- Esse garoto Malfoy vive na enfermaria, e é sempre você que cuida dele. Acho que vou pedir a Minerva para que coloque um Elfo Doméstico pra me ajudar por aqui... – Ela falava enquanto abria a porta. – Ele está logo ali. – Ela apontou para uma maca a um canto. Hermione andou até lá. Draco estava dormindo.
A garota esperou até que Madame Pomfrey entrasse em sua salinha particular. Ela pegou um copo de água e o jogou no rosto de Malfoy.
- Por Merlin! Que droga é essa? – Draco se sentou na cama, enquanto passava a mão pelo rosto. – Quem foi o Trasgo que... Há. É você, Hermione. Existem jeitos mais carinhosos de se acordar o namorado. – Ele sorriu.
- Seu pai mandou dizer que você vai passar as férias no caldeirão furado. – Ela deu as costas para o garoto.
- Ei, Granger! Que foi que aconteceu? Você nunca falou comigo assim. – Draco levantou uma sobrancelha.
- O que aconteceu? – Hermione virou o rosto, lágrimas corriam. – O QUÊ ACONTECEU? VOU TE DIZER O QUÊ ACONTECEU. VOCÊ ME XINGOU DE UM JEITO QUE EU NUNCA VOU ESQUECER NA VIDA. E DEPOIS AINDA FICOU SE AGARRANDO COM A PARKINSON NA MINHA FRENTE! – Ela chorava.
- Como assim? Eu não saí da enfermaria ainda. Pensa bem, Granger. Ontem eu te convidei pra ir a Hogsmeade, e passei mais uma noite aqui. E chegamos no dia de hoje. Eu não tive tempo de sair da enfermaria. – Ele sorriu. – O quê você andou fumando, Hermione?
Aquilo foi demais para a garota, ela se virou e começou a andar até a porta da enfermaria, que se abriu. Pansy Parkinson. Quando ela viu Hermione, parou.
- O quê você está fazendo aqui? Pare de perseguir o meu namorado, ele terminou com você ontem. – Ela colocou as mãos na cintura, depois andou até Draco. – Oi Draquinho, você já está bem? Eu fiz as suas malas. – Ela sorriu.
Draco olhou para a garota, depois para Hermione.
- Eu... Não sei do quê você está falando, Pansy. Eu estou com a Hermione, você sabe. – Pansy ergueu uma sobrancelha.
- Mas, ontem, Draco... Você não lembra? Você foi até o pub, e depois voltou. Disse que tinha terminado com a Granger, e pediu pra namorar comigo. – Ela cruzou os braços. – Não se lembra de nada?
- Não. – Draco balançou a cabeça. – Eu nunca faria isso. Nunca terminaria com a Granger. Você pode ser minha amiga, Parkinson, mas eu amo a Hermione.
Hermione parou com a mão da maçaneta, tinha decidido não ouvir mais nada assim que Pansy Parkinson começara a falar. “O quê está acontecendo?”. Ela se virou.
- Você tá falando sério, Malfoy? Como eu posso fazer pra acreditar em você? Quer dizer, tudo isso pode ser uma mentira gigantesca, que você está inventando.
- Você pode... Não sei. Talvez o cenoura ambulante tenha aquelas “penas da verdade”. Eu poderia escrever para você. – Draco sorriu. ‘Penas da Verdade’ eram invenções de Fred e Jorge, só dava pra escrever a verdade com aquelas penas. Não eram muito vendidas, mas funcionavam. Hermione franziu o cenho. Era uma ideia. Em menos de cincos minutos ela já tinha ido e voltado da Sala Comunal com uma pena da verdade roubada da mochila de Rony e um pedaço de pergaminho. Ela largou as coisas em cima de Draco. Pansy e Hermione pararam uma ao lado da outra.
- Escreve aí. — Pansy apontou o dedo para o pergaminho. Draco riu e começou a escrever. Depois de um tempo, ele entregou o pergaminho para as garotas.
“Meu nome é Draco Malfoy, tenho 16 anos. Eu não faço a mínima ideia do que aconteceu no dia de ontem, só lembro do episódio da torre de astronomia, do dia posterior e do que está acontecendo agora. Eu amo Hermione Granger, e queria que ela me perdoasse pelo que aconteceu ontem, por mais que eu não faça a mínima ideia do que eu fiz ontem.”
- Assim está bom? – Draco riu, sarcástico. – Posso escrever mais, se quiserem.
- Não, tá beleza. – Hermione riu. Pansy fez um ar de ultrajada e saiu num rompante. Ao chegar a porta, se virou.
- Acabou tudo entre nós, Malfoy.
- Como pode ter acabado, se nunca começou? – Malfoy riu da cara de Pansy, ao sair da ala hospitalar. Draco se virou para Hermione; — E aí, o quê eu fiz ontem?
- Você terminou comigo, e foi agarrar a Parkinson no meio da rua. Me falou uma coisas... – Ela abaixou o rosto.
- Ei. – Draco levantou o rosto dela. – Esquece o que eu disse. Não era eu, eu devia estar... – Draco levantou o rosto. – Sobre a Maldição Imperio. – Ele ficou em silêncio por um tempo. – Te disse que viriam atrás de mim. Parece que vieram. E você disse que eu vou ficar no Caldeirão Furado? Isso só confirma a teoria. Meu pai tem medo, e me expulsou de casa. Lindo. — Ele riu irônico. – Abandonado pelos próprios pais.
- Você vai passar as férias sozinho? – Hermione o olhou novamente. — Não pode!
- Como não? Não tem nenhuma lei que me proíba de passar as férias longe de casa. Eu só tenho que voltar pra Hogwarts no início do ano. – Os olhos de Draco se iluminaram. – Você podia ficar comigo.
- Há sim. – Hermione riu. – Como você pretende fazer isso? Eu tenho pais, lembra?
- Sim. Mas você passou no teste de aparatação, lembra? Já tem permissão para isso. Vai para casa, e depois volta. – Ele riu, sarcástico. – Vaaai, fica comigo. Eu vou ficar soziiinho. – Draco fez beicinho.
- Ok, vou ver o quê posso fazer. — Hermione riu. – Posso dizer que vou passar as férias estudando, mas eu quero ver eles, Malfoy. São meus pais. – Ela mostrou a língua para ele.
- Aí. Me encontra no torre de Astronomia, hoje a meia noite. É que depois eu vou demorar um pouco pra te ver, já que você vai voltar pra casa. – Ele fez cara de emburrado, enquanto a garota ria.
- Ok, te vejo lá então. E pelo amor de Merlin, cuida quem está perto de você. – Hermione deu um selinho no namorado. – Eu me preocupo com você.
- Não faça isso. – Ele riu. – Dá rugas.
Notas finais
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