Confiar
2 • Capítulo 2
Notas iniciais
Em um pedaço de pergaminho, numa letra inclinada, estava escrito.
“Corredor do sétimo andar. Barnabás, o amalucado. Amanhã, depois do jantar.”
“Por quê Draco quer que eu vá para a Sala Precisa?”
Mas ela sabia quê aconteceria. Ela iria lá. Por que precisava saber o quê tinha acontecido. Precisava entender.
Andou o mais rápido possível para a Sala Comunal. “Amanhã, após o jantar”. Ela estava muito perturbada. A realidade não tinha ‘caído’ ainda.
Depois do banho, deitou-se e se cobriu. Seus pensamentos tinham cabelos ruivos. Ela adormeceu.
Pelas duas horas da madrugada, ela acordou. Como se tivessem jogado um balde de água fria no rosto dela. Totalmente acesa.
“Eu beijei Draco Malfoy”.
A realidade caiu na cabeça dela como um meteoro. Aquela coisa, pessoa loira de olhos cinzentos. Harry odiava ele.
“Eu beijei ele”.
Ela se levantou. Precisava esclarecer as ideias, precisava falar com alguém.
Foi até o dormitório de Gina.
– Gina, Gina. – Hermione sussurrava, enquanto sacudia a amiga. – Acorda. Preciso falar com você.
Gina se virou, piscando.
–Hermi...one...? Por Merlin, o que você tá fazendo aqui? Que horas são?
Ela piscou enquanto se sentava. Hermione se sentou na frente dela.
– Se eu te contar uma coisa, você jura não contar para ninguém? Nem pro Rony? – Droga. O Rony. Mais um pouco da realidade caiu nela.
Gina se assustou.
– Não, quero dizer, sim; não conto pra ninguém.
Hermione respirou fundo.
– Eu beijei o Draco Malfoy.
– Você o quê?
– Eu não sei como aconteceu, só sei que... Sei lá. – Ela colocou o rosto nas mãos. – É tão confuso.
Gina parecia animada.
– Me conta tudo! Ele beija bem?
Hermione não pode deixar de rir.
– Não sei, Gina!
– Mas e aí, como que ficou?
– Ele quer que eu me encontre com ele amanhã. – Hermione estremeceu.
– Hmmmm. O quê aquele idiota quer com você? Ele não te falou nada?
– Não. – Quanto mais pensava, mais percebia que não sabia de nada.
– Vem, deita aqui. – Gina bateu no seu travesseiro. – Amanhã você organiza as ideias.
Hermione adormeceu. Gina teve muitos sonhos cômicos.
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Quando acordou de manhã, Hermione saiu do dormitório de Gina, se arrumou e desceu para a sala comunal. Harry e Rony estavam acordados.
Desceram para tomar café.
– Hermione...? – Rony chamou.
Hermione voltou dos seus devaneios.
– Sim?
– Poxa, como você tá desligada. Eu te perguntei qual foi a pior nota da sua vida.
– E. – Ela respondeu, se sentando na mesa.
Tinham uma visão perfeita da mesa da Sonserina. E de um certo loiro que sentava lá.
Draco e Hermione se olharam.
Malfoy desviou o olhar.
Hermione se sentou, pálida.
– Tudo bem, Mione? Desde que acordou você tá meio estranha...
– Tô... tô legal. – Hermione mentiu.
Mas sempre que passava a língua pelos lábios sentia. Gosto de menta.
O resto do dia passou, assim dizendo, normalmente.
Na hora do jantar, Hermione olhava embrulhada para a mesa, já cheia das mais deliciosas sobremesas. E depois olhou para a mesa da Sonserina.
Seu coração parou.
Draco se levantou e foi embora. Sem Crabbe, sem Goyle. Ele olhou para Hermione. E piscou.
– Hermione, você pode me ajudar com a minha lição de DCAT? – Gina parou ao lado dela.
Hermione não entendeu. Ela sabia que Gina sabia do seu ‘encontro’.
–Po-posso sim. – Hermione respondeu.
– Ótimo. Meninos – Ela se virou para Harry e Rony. – Hoje não quero que vocês cheguem perto da Biblioteca. Hermione e eu vamos estudar. NÃO nos atrapalhem.
Ela se levantou e puxou Hermione porta afora. Ao começarem a subir as escadas, disse:
– Não se preocupa. Vai dar certo. Vai lá na Sala Precisa e descobre o quê está acontecendo.
Hermione sorriu. Gina era um gênio.
– Só me conta tudo depois. – Ela sorriu.
– Ok. – Hermione começou a subir as escadas.
“Mas por que meu coração tá batendo tá forte? Que droga. Deve ser por que eu sou curiosa. Só pode. Por Merlin!”
Ela parou na frente do quadro de Barnabás.
Então percebeu.
Que frase ela tinha que dizer?
– Aquele idiota deve estar rindo de mim agora, nossa! Eu não acredito que eu fiz isso! Como eu iria entrar na Sala Precisa sem saber do que eu preciso? Imagino que ele quer que eu tente ‘Eu preciso do Draco Malfoy’! Hermione, seu trasgo!
Ela estava muito vermelha.
Um movimento mínimo começou na parede a sua frente.
Era uma porta. Uma pequena porta. Que crescia devagar.
Era grande e lustrosa. Provavelmente de carvalho.
Hermione hesitou e colocou a mão na maçaneta.
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