Robin estava sentado em uma praça observando crianças brincando com seus artefatos de madeira. Regina havia entrado na mercearia há meia hora com o intuito de achar algo para vestir, e ele supôs que ia demorar bem mais do que ela dissera. As pequenas crianças divertiam-se ao fazer bolas de barro e arremessar nos outros. Chutavam a terra e rolavam nela, despreocupados. Ele invejou o tempo em sua vida que se sentira assim. Em que ignorava suas responsabilidades, ou quando estas simplesmente não existiam.

Havia uma mulher sentada a uma certa distância dele. Ela possuía alguma descendência oriental, pois seus olhos eram bem puxados e quase sumiam quando ela sorria – mas ao mesmo tempo, possuía uma pele bronzeada e cabelos num tom chocolate. Possivelmente era mãe de uma das crianças suja de barro até o topo dos cabelos.

Robin estava distraído quando uma bola de barro voou até seu rosto, jogando-o para trás. Um silêncio mortal se instalara ao seu redor, possivelmente o medo infantil de que ele fosse começar a gritar e correr atrás deles. Mas ele levantou-se rapidamente. "Vocês quase me pegaram, crianças." Brincou ele, e os pequenos logo voltaram a brincar. Um de seus olhos parecia irritado, e Robin tentou limpar com a manga de sua camiseta.

"Você está bem?"

Ele utilizou o outro olho e identificou-a como a mulher oriental. Ela parecia preocupada com a força com que aquela bola de barro o acertara.

"Eles não fizeram de propósito."

"Não tem problema. São crianças." Respondeu ele, sentando-se novamente. Com alguma dificuldade, conseguiu abrir os dois olhos, embora um deles estivesse visivelmente irritado e avermelhado.

"Você é novo aqui? Acredito nunca tê-lo visto no povoado."

Robin segurou a mão dela e depositou um beijo casto na parte posterior de sua mão. "Prazer, milady. Meu nome é Robin de Locksley. Estamos apenas de passagem."

"Estamos?" Questionou ela, checando ao redor rapidamente com os olhos se havia despercebido alguma pessoa.

Ele sorriu. "Eu estou com uma... amiga."

"Ah sim." Sorriu ela, como se tivesse captado algo que ele não soube dizer o que era. Ela o fitou por algum tempo, o que deixou Robin um tanto constrangido. Em um ímpeto desesperado para deixar de ser o centro das atenções, ele fitou as crianças. "Qual é o seu filho?"

"Aquele com os cabelos espetados." Levou menos de um segundo para ele identificar o garoto. Alto, magro, e com os cabelos arrepiados. Pela maneira como o menino encarou Robin, esse começou a se perguntar se a bola de barro fora mesmo desproposital.

"Deve ser um orgulho para você e para o seu marido."

Um lampejo de dor atravessou o olhar dela, o que não lhe passou despercebido. A mulher fitou o filho por um momento, como que mergulhando em seus próprios pensamentos por algum tempo. Como se as palavras dele tivessem lhe tirado a âncora, e seu barco houvesse se movido alguns instantes. Mas ela logo se reestabeleceu.

"Leeko morreu há um ano atrás." A voz dela havia mudado quase que imperceptivelmente, embora a dor estivesse ali. "Foi mais difícil no começo. Mas aos poucos, você precisa seguir em frente. Se não por você, pelos filhos. O filho é a fibra que nos mantêm, pois a dor da perda de um cônjuge..."

"Nos arremessa para um abismo de escuridão, dor e pesar. Passamos os dias vegetando sobre as memórias. Nos penalizando pelos erros. Nos culpando pelas palavras não ditas." Completou Robin. Ele se lembrava de tudo que passara quando Marion morrera. De como se arrastara por dias e dias, semanas, e meses. Até se dar conta de que Marion havia lhe deixado um legado, uma responsabilidade. Um filho a ser criado com todo o amor do mundo.

Roland.

Robin sentiu uma dor enorme no peito. Ele nunca teria Roland, teria? Roland era filho de Marion, e ele havia retornado no tempo. Para antes do encontro deles. Ele escolheu Regina. Com tantas discrepâncias, desavenças e decisões ocupando sua mente, ele não havia percebido o que realmente havia colocado em jugo. O que aquela aventura lhe estava custando. Se ele beijasse Regina, esqueceria de Roland para sempre. Tudo seria apagado. O que diabos Pandora havia feito? Ele não queria esquecer de seu filho! Era uma piada horrível. Ele tinha que escolher entre beijar Regina e manter suas memórias de uma vida que ele não teria de volta.

"Você já perdeu sua esposa?" Questionou a mulher à sua frente, trazendo-o de volta. Por algum tempo, sua mente havia divagado e ele esquecera que estava no meio de uma conversa. Porque você descreveu exatamente como é.

"Sim."

"Então você tem filhos?"

Robin sorriu para ela, embora seus olhos estivessem terrivelmente tristes. "É complicado de explicar. Eu não tenho mais filhos."

Ela iria concluir que eles haviam morrido, e ele não sabia se aquilo era melhor ou pior do que a verdade sobre eles. De qualquer modo, ele não estava disposto a explicar. Aquela conversa trouxera à tona sentimentos que ele havia mantido sobre uma espécie de dormência e lidar com estes sentimentos era uma luta intensa e cansativa.

"Eu sinto muito." Respondeu ela.

Robin sorriu, observando as crianças que haviam cansado e agora estavam sentadas no chão conversando. "Tudo bem. Tudo tem um propósito, não é o que dizem?"

"Me conte sobre a sua amiga. Como ela é?"

"Regina é..." Os olhos dele brilharam como faróis numa ilha deserta. Seus lábios se curvaram em um sorriso largo e bonito, encantador à primeira vista. "Ela é linda, mas não só por fora, sabe? Ela tem um coração enorme, e bonito. E delicado. Ela é encantadora em sua simplicidade e elegância, ela sente as coisas com tanta intensidade... Ela tem esses olhos que olham a gente com profundidade e parece que vão engolir a nossa alma. E quando ela sorri, uau, parece que o mundo todo está em paz. Às vezes, ela é muito cabeça dura, e não há quem consiga mudar sua opinião e ela pode ser bem temperamental quando quer."

Robin estava sorrindo. Havia tanta coisa sobre o que se falar. Sobre cada pequena coisa que fazia com que ele se apaixonasse por ela sempre, independente de timing, independente de lugar, de mundo, de dimensão. Ele poderia ficar a noite toda ali e pela manhã ainda teria pequenos detalhes sobre ela para falar. Sobre como Regina Mills era maravilhosa e encantadora e que era humanamente impossível não se apaixonar por ela.

"E ela sabe que você a ama?"

Robin encarou-a por alguns segundos. "Não." Respondeu finalmente. "Eu não posso contar para ela."

"E o que vai acontecer se ela decidir ficar com outra pessoa porque acha que o senhor não a ama?"

Aquela era uma ótima pergunta. Uma dúvida que o assombrava desde que ele retornara para este mundo. Ele não sabia o que aconteceria se as coisas tomassem outro rumo. Se ele estragasse tudo, e Regina não o quisesse, e a história se tornasse outra. Ele não teria nada. Ele perderia Regina, e perderia tudo que havia sacrificado por ela. Não lhe restaria nada. Robin ainda estava divagando sobre a resposta quando a mulher levantou-se e se aproximou dele.

"Quando contar a ela, diga a essa Regina que ela é uma mulher de muita sorte. Que mulheres lutam dia e noite por um amor como esse." Ela se debruçou e beijou a bochecha dele antes de se afastar, pegando o filho pela mão e desaparecendo assim que virou à esquina, bem longe na rua.



"Quem era aquela mulher que você estava conversando? Você a conhece?"

Regina estava bonita em sua nova vestimenta, embora ela não tivesse mais nada que lhe remetesse a uma princesa. A calça justa por baixo do colete grosso de pele de carneiro lhe dava a aparência muito mais de bandida do que realeza. Seu cabelo estava preso em uma trança feita sem muita cerimônia. Botas altas estavam amarradas às suas canelas.

"Era uma mulher qualquer que estava no parque com o filho." Respondeu ele, olhando para a frente.

Regina considerou dizer algo, mas achou melhor permanecer em silêncio. Eles caminhavam para fora da cidade em silêncio. Robin não estava com um semblante de quem queria conversar e ela estava suficientemente irritada também. Irritada com ele por ser uma linguarudo, porque eles poderiam ter passado a noite ali sem precisar passar a noite na estrada. Irritada porque o que ela estava fazendo? Robin não a queria. Robin já havia demonstrado com suas ações que ele queria lhe ajudar, mas que não tinha nenhuma intenção com ela, certo?

Eu não quero absolutamente nada em troca (...)

Você não precisa gostar de mim...

"Você vai encontrar um homem bom..."

Os sinais estavam todos ali, não estavam? Ao mesmo tempo, ela começou a se lembrar das sensações, de como ele apertara firme em sua mão enquanto fugiam da igreja, de como ele cuidara dela, da maneira como ele a olhava, das palavras dele fora da taverna. Ele havia sido bem claro. Ela poderia não entender o que se passava na cabeça dele, mas ela sabia que não estava imaginando nada. Era o que havia acontecido.

"Você está bastante quieta." Comentou ele.

"Coisa que você deveria aprender a fazer, não é?" Resmungou ela.

"Como é que é?"

Ela olhou por cima do ombro, irritada. Ele a estava encarando com um semblante nada amigável. "Se você soubesse ficar quieto, nós estaríamos dormindo e não no meio da estrada a essa hora; mas não, o palhacinho da corte tinha que fazer alguma piada!"

"Não é minha culpa que você tem vergonha de dizer que estava com fome ainda! Você não sabe nem comer sem sujar toda a roupa, parece que tem cinco anos de idade!"

Ela se virou de frente para ele, furiosa. "O que isso tem a ver? Eu não nasci em um celeiro que nem você! Eu nunca tinha feito aquilo!"

"Pra sua informação, eu nasci em uma casa."

"Uau, que grande diferença. Aposto que parecia um celeiro."

Robin segurou o pulso dela com firmeza, mas não a machucou. O ato chamou a atenção dela e eles se encararam. "Não ouse falar da casa da minha mãe. Só porque não era um castelo como o seu não quer dizer que não era um lar para mim."

Ele soltou o braço dela e voltou a caminhar, deixando-a para trás. Segurava a corda guia de Bartolomeu com força enquanto chutava os cascalhos do caminho. Não entendia como ela podia ser tão adorável em alguns momentos e tão insuportável em outros. Era um novo nível de estresse. Regina, por outro lado, sentiu-se imediatamente culpada. Havia brincado com algo que significava muito para ele, algo que lhe remetia à sua mãe e a um passado que ele demonstrava ter grande importância. Ela correu atrás deles assim que percebeu que estava no meio do nada, na escuridão completa.

"Robin! Robin!" Gritou ela, mas ele simplesmente parou e deixou que ela se aproximasse. Assim que a ouviu chegando, voltou a caminhar sem sequer olhar para ela. "Olha... Me desculpa. Desculpa ter falado da casa da sua mãe. Não sabia que era tão importante para você. Me desculpa mesmo."

Robin balançou a cabeça no ar, afirmativamente – mas não respondeu. Continuou caminhando. Ela pegou uma pedra pequena e jogou, acertando-o nas costas. Ele parou de caminhar, o que fez com que ela parasse também. Será que o tinha machucado? A intenção dela era só chamar a atenção dele. Robin virou-se pra ela, irritado.

"Sério, Regina? Quantos anos você tem? Por que não acerta a minha cabeça e me salva logo desse tormento que é aturar você?"

Ela semicerrou os olhos. "Você é um bruto."

"E você é uma criança."

"Pelo menos você voltou a falar comigo."

"Do jeito que sua mira é ótima, ia acabar acertando o Bartolomeu. Posso aguentar essa penitência pra proteger meu amigão aqui." Brincou ele, esfregando o dorso do cavalo que relinchou baixo em aprovação. "Você as vezes parece uma carpinteira. Nem dá pra dizer que é uma princesa."

"Cala a boca, ladrão." Resmungou ela e passou por ele, arrancando a corda do cavalo e caminhando para dentro da escuridão sozinha. Robin ficou observando com um sorriso no rosto. Por mais irritado que ficasse com ela, continuava perdidamente apaixonado. Mesmo quando ela o irritava. Mesmo quando o tirava do sério com poucas palavras.

Acompanhou-a de certa distância, observando seus movimentos. Ela puxou a corda e montou no equino. Virou-se para ele e encarou-o em silêncio. "Vai me dar a gentileza da sua companhia no cavalo ou vai ser orgulhoso e esfolar as pernas novamente, senhor Locksley?"

Ele pensou em responder. Pensou em dizer que o cavalo era dele – mas ele estaria entrando nesse jogo mental infantil dela. Como dois bebês chorões. Respirou fundo e se aproximou, passando os dedos numa carícia delicada pela crina de seu animal. "Apesar de eu preferir abraçar um cacto, eu vou aceitar seu convite."

Ela revirou os olhos e ele subiu no cavalo. Com cuidado, ele deslizou as mãos pelo abdômen dela e segurou firme. Regina mordeu o lábio inferior com aquele movimento, questionando o que estava sentindo. Resoluta, ela deixou esses pensamentos diluir-se e ordenou para que o cavalo corresse.

E assim ele o fez.



Muitas horas depois, Robin estava guiando o cavalo com ela em seus braços. Regina havia dormido, exausta e ele mesmo começava a sentir os primeiros sintomas da exaustão. Ela estava deitada sobre seu peito, e ele precisava ter cuidado redobrado para que ambos não caíssem de cima de Bartolomeu. Ele avistou um pequeno riacho onde poderiam descansar algumas horas.

Entrou na mata e levou o cavalo até a beirada do riacho. Parados ali, ele delicadamente colocou a mão no rosto dela, os dedos deslizaram até a nuca e seu polegar ficou sobre a maçã do seu rosto. "Regina." Chamou ele, sem muito alarde. Não queria assustá-la. "Regina, chegamos."

"Uhum." Gemeu ela, sonolenta. Não havia nenhuma chance de ele conseguir descer e descer ela sem eles caírem. Ele sacudiu os ombros dela, segurando o rosto dela.

"Regina! Acorda!" Gritou, e ela assustou-se, dando um soco em cheio na parte alta do estomago dele e jogando-o de cima do cavalo. Ela se desequilibrou e caiu por cima dele. Robin deu um urro profundo e Regina temia ter quebrado algum osso dele. Ela engatinhou até ele, debruçando-se sobre ele.

"Meu Deus, Robin! Está tudo bem? Você está sentindo as pernas, merda... Você não sabe acordar as pessoas seu idiota?"

"Você me socou." Sussurrou ele, e ela pousou a mão sobre o abdômen dele, genuinamente preocupada. Se ele não estivesse sentindo tanta dor, estaria rindo do rosto dela – tão completamente transtornado por culpa e preocupação, fora o fato de que ela acabara de acordar. Era adorável.

"Não foi proposital e você sabe disso! Você consegue se levantar? Acho que posso ter quebrado alguma costela sua, o que nós vamos fazer se você estiver machucado de verdade?"

Ela debruçou seu rosto sobre o dele e por algum tempo, Robin esquecera de respirar. Ela estava tão próxima dele. A mão em seu maxilar, aquela proximidade. Podia sentir os cabelos longos caindo sobre o seu tórax. Lembrou-se de outras ocasiões em que ela fizera isso e como eram seguidas de beijos que o faziam perder o folego.

"Você está com febre?" Perguntou ela e ele riu mentalmente. Ela não fazia ideia do que estava fazendo.

"Não, mas bateu um calor." Brincou ele, sorrindo e ela bateu em seu tórax com o punho fechado.

"Imbecil."

"Regina, isso dói!"

Seus olhos arregalaram-se novamente. "Desculpe! Droga, eu não sou boa nisso de primeiros socorros." Ela se afastou e observou-o se levantar, com alguma dificuldade. Ele sentia dores intensas nas costas e nas costelas onde ela havia caído. Mas tinha quase certeza de que nada havia se quebrado.

"Por que paramos aqui?"

"Para descansar." Respondeu ele, caminhando para longe dela. "Algo que a senhorita deveria fazer também."

Ela observou enquanto ele caminhava até uma árvore grossa. Ele prendeu a ponta da corda em um galho grosso, de modo que Bartolomeu tinha acesso ao riacho e ao gramado. Com alguma dificuldade, ele deitou-se embaixo daquela árvore. Parecia incrivelmente confortado deitado ali e Regina olhou em volta.

Observou a agua descendo tranquila e silenciosa sobre as pedras e seguindo seu percurso. Refletiu sobre o que ela estava sendo para ele: ela não era a água. Ela estava sendo as pedras no meio do riacho, quebrando suas correntes, interrompendo o fluxo natural. E ele estava sendo a agua, contornando-a, buscando saídas, aceitando suas imposições e ainda assim seguindo seu curso natural. Por que? Por que era tão difícil para ela cooperar com ele?

Um tanto acanhada, ela caminhou até onde Robin estava deitado. Ajoelhou-se ao lado dele e deitou-se ali, de costas para ele a uma distância segura. Queria deitar sua cabeça no peito dele e sentir-se segura novamente, como quando ele a consolara. Mas sabia que mesmo ele sendo sua única companhia, não o conhecia muito bem. Sabia muito pouco. Até então, ele mal deixara de ser um estranho e ela não podia apegar-se a ele tão intensamente e tão rapidamente.

Ele remexeu-se e ela o observou assustada. Mas Robin apenas retirou o colete e dobrou-o. Estendendo sua mão, entregou a veste dobrada para ela. "Use como descanso para a cabeça." Regina não teve tempo sequer de agradecer. Ele virou-se para o outro lado, ficando de costas para ela.

Um ato adorável que ela não sabia sequer o que dizer para agradecer. Com cuidado, ela deitou a cabeça no colete e sentiu o cheiro dele, o que fez um sorriso brotar em seus lábios involuntariamente. Ela deitou-se virada para o lado dele, os olhos cravados nas costas bem definidas através das faixas de músculos rígidos. Permaneceu observando-o por muito tempo, até que a respiração dele estabilizou-se e suavizou-se. "Robin?" Chamou ela, mas não houve resposta.

Ela segurou o pingente em seu pescoço e começou a cantarolar baixinho.

Sinistro romance, desafortunado amante
Um duelo pelo amor de sua querida
Quem diria meu caro, que o amor verdadeiro
Que um beijo sincero, custaria sua vida

Um laço partido, uma alma afanada
O juramento fidedigno a morte desfez
Prometo a ti desafortunado amante
Cumprir seus desejos e amar outra vez...

Regina pegou no sono na terceira ou quarta vez que estava cantarolando a cantiga antiga ensinada pelas criadas de seu castelo. A cantiga que havia se tornado seu porto seguro. Segundo as velhas senhoras, tratava-se de um amor proibido entre uma princesa e um guerreiro. O Rei, que não queria sua filha casada com um serviçal, sugeriu um duelo sangrento entre este e um dos príncipes que queria casar-se com a sua filha. O que ocorreu, no entanto, foi uma luta injusta. O príncipe trapaceou e matou o pobre rapaz, mas não antes deste receber o beijo de sua amada princesa. Dizia a lenda que antes de morrer, ele lhe fizera prometer que amaria novamente, deixando um exemplo de amor benigno a ser passado para as nações.

Ela já respirava suavemente, indicando sua redenção ao sono – de modo que não percebeu quando Robin virou-se e passou a admirar seu rosto angelical, refletindo sobre cada palavra daquela cantiga. Ele sabia o quanto significava para ela. Sabia de quem a canção o lembrava. A dúvida permanecia ali, incitando-o, provocando-o, atiçando seus medos. E se ela não se apaixonasse por ele? E se ela não superasse Daniel? O que aconteceria com eles?