Notas iniciais
Desculpem a demora! Eu demorei um pouco mais para postar esse, tive uma semana difícil e corrida e sei que o capítulo não é tão grande mas prometo que agora recupero o ritmo. Uma boa semana para vocês e espero muitos comentários dizendo o que acham, suas teorias e tudo mais. Beijos amores (;

Meus dias estão se arrastando feito correntes de ferro no calcanhar de um prisioneiro. Regina está cada dia mais distante, e Zelena tem se mostrado uma mulher íntegra, bondosa e respeitosa. Eu sei que as chances de eu ter algo com Regina estão mortas. Ela não me olha mais. Ela desvia seus olhares, ela fecha seus sorrisos, ela atravessa a rua apenas para me evitar. Eu sei o que ela está fazendo e eu deveria estar fazendo o mesmo. Ela está fazendo a coisa certa. Mas por que dói tanto? Por que o gosto é tão amargo?

Sentado aqui sobre o banco da praça, vejo as pessoas passando de um lado para o outro, envoltas em suas realidades, ocupadas com as preocupações de seus cotidianos. Um pai leva sua criança à escola, uma senhora é ajudada por um senhor a carregar suas compras, um casal apaixonado olha as vitrines abraçados. Tudo parece estar em seu lugar. Exceto eu. Algo continua faltando, esse buraco no meu peito continua me assombrando, como se faltasse uma peça, como se faltasse alguém. O que mais poderia estar faltando na sua vida, Robin? Foi a pergunta de Zelena e eu não soube o que responder.

Eu não sei o que falta, eu só sei que falta. Sinto falta de Belle, ela saberia o que dizer. Todo esse tempo se passou e nada da bruxa adoecer, o que quer dizer que ou ela está redimida ou o veneno não faz o efeito que promete. De todo modo, Belle continua morta, nós continuamos sem saber como ou porquê viemos para este mundo e eu continuo sem entender essa sensação de vazio dentro de mim.

Levanto meus olhos e vejo Tinker caminhando até mim. Ela está usando um capuz verde e jeans. Parece ainda mais jovem do que realmente é. Seus olhos cruzam os meus e ela sorri, recatada. “Posso me sentar aqui?”

“Pode.”

Tinker sentou-se ao meu lado e começou a observar as pessoas também. Ficamos ali, em silêncio, por algum tempo. Inclinei meu corpo para a frente, e cruzei meus dedos, apoiando meus antebraços nas minhas coxas. “Como ela está?”

Ela me encarou por algum tempo e depois olhou para os próprios pés, enfiados em um tênis branco. “Ela não esqueceu você.”

Respiro fundo, tentando ajudar o ar a encontrar o caminho até meus brônquios. Era tudo o que eu não precisava ouvir. Regina ainda pensa em mim. Ah se ela soubesse o quanto eu penso nela! “Isso não muda nada, Tinkerbell. Ela pediu para que eu me afastasse.”

“É claro.” Resmungou a fada. Olhei para ela, mas ela fitou os olhos longe de mim, aborrecida. Podia ver nas linhas de sua expressão facial a decepção dela. Era uma garota em um corpo um pouco mais adulto. “Você vai deixá-la escapar por que Regina é uma covarde que tem medo de ser feliz. Tudo bem.”

Engoli em seco. Tinkerbell era amiga dela. Mas suas palavras possuíam dureza e veracidade, como se ela soubesse de muitas coisas que eu não fazia ideia. Ela continuava encarando o chão, os olhos fundos. Sei pouca coisa sobre a amizade delas, mas sei que Regina a adora, e há alguma razão para ela estar sentada ao meu lado agora. Você vai deixa-la escapar... Eram as mesmas palavras de Belle. E eu havia prometido não decepcionar o último pedido da minha amiga, mas cá estava eu.

“O que você quer que eu faça?”

“Eu...” Ela começou a falar e me fitou, silenciando-se. “Eu não entendo como as coisas acabaram desse jeito.” Ela olhou em volta, desconfortável. “A cada segundo, eu mesma perco a fé em tudo que fiz Regina acreditar. E se eu perder a fé em mim mesma, não terei forças para levantar da minha cama.” Ela encarou o chão por alguns segundos, antes de olhar em meus olhos novamente. “Você precisa saber a verdade. Eu devo isso à Regina.”

“Que verdade?”

“No passado, na floresta encantada, antes mesmo de você conhecer Marian, eu conheci Regina. Ela estava casada com o Rei Leopold, pai da Branca. Regina não era feliz, mas não era a assassina impiedosa com uma coroa que muitos de nós conheceram. Era apenas uma princesa que obtivera um final infeliz. Alguém cuja fé no amor e na vida havia se apagado.” Tinker mordeu o lábio e pude ver seus olhos brilhando, marejando. “Ela tentou se matar ou como ela diz, ‘sofreu uma queda acidental’ e eu a salvei. Eu prometi que ela teria seu final feliz, porque veja bem Robin? Como você se sentiria no meu lugar? De ver alguém que passara tanta dor e sofrimento desistindo de amar?” Engoli ruidosamente a bola de ar que se formava em minha traqueia.

“Mas...”

“Me deixa terminar, Robin. É um assunto muito complicado para mim.” Alertou ela e eu balancei a cabeça, confirmando e aceitando seu pedido. “Eu arrisquei tudo para ajudar Regina. Não me pergunte por quê. Eu sou uma fada, meu objetivo é acreditar, acreditar na magia, acreditar em finais felizes, em tudo que é bom e decente. E eu acreditava em Regina. Acreditava em sua felicidade, em seu potencial. Eu acreditava na segunda chance dela. Roubei dos meus superiores algo que nos revelaria quem era o amor verdadeiro dela, quem estava destinado a ser o seu final feliz.” Ela sorriu e limpou uma das lágrimas que escorriam de seus olhos. “Mas Regina nunca foi em frente. Ela fugiu. Ela abandonou a chance de ser feliz, porque tinha medo. Porque não sabia o que era ser amada, porque quando ela se permitiu amar alguém esse alguém teve o coração arrancado e esmagado na sua frente. Regina teve medo de ser feliz e escolheu abandonar essa opção, entregando seu coração e sua alma para a escuridão e trevas e então se tornou a temível e cruel Rainha Má. Branca de Neve tornou-se seu objetivo de vida, e matá-la era o único pensamento prazeroso que ela conseguia manter.”

Essas palavras doeram mais do que mil facadas. Ah, Regina! Até longe de mim, conseguia tocar meu coração de maneiras extraordinariamente inusitadas. Tinkerbell engoliu suas lágrimas, respirando fundo e limpando seu rosto. De repente, algo me entristeceu. Isso quer dizer que Regina deve ter alguém, assim como eu tenho Zelena. Alguém está destinado a ficar com a mulher que amo. É isso o que Tinkerbell veio fazer. Me mostrar que não há porque eu manter esperanças, meu destino não é Regina Mills. O que eu estava pensando? Que ela ia dizer algo diferente? Tudo que eu podia pensar é que eu estava atrapalhando Regina. Que ela devia estar com o seu amor verdadeiro, e eu era um empecilho. Mas eu a amo. Amo mais do que a minha vida e mais do que a minha felicidade. Se a felicidade dela mora nos braços de outro homem, o mínimo que posso fazer é trazê-lo para ela, e permitir que ela seja feliz, mesmo que não seja comigo. Às vezes, amar é deixar partir.

“E como podemos encontrar esse homem? Ele deve estar em algum lugar por aqui.” Perguntei, alerta. Tinker me olhou confusa, os olhos avermelhados.

“Você entendeu o que eu acabei de dizer?”

“Sim.” Sorri, embora eu soubesse que meu rosto transparecia a dor que aquelas palavras causavam. “Mas a felicidade dela é o que importa. Se para Regina ser feliz, eu precisar caçar este homem e levá-lo até os braços dela, eu o farei.”

“Robin, é você.”

Meu cérebro não processou a informação corretamente, de modo que me virei para ela com uma taquicardia iminente. “O que você disse?”

“É você, idiota. Você é o homem destinado à Regina. Você que estava naquela maldita taverna, foi de você que ela fugiu. Robin de Locksley, você é o final feliz dela. O amor verdadeiro.” Tinkerbell sibilou as palavras com um quase límpido desespero. Ela me encarava com tristeza. “Mas eu não sei o que aconteceu. Eu jurei à Regina que o pó das fadas nunca erra. Ele não mente. Se ele disse que vocês são almas gêmeas e vão ter seu final feliz, é o que vai acontecer. Só que você...” Tinker ficou em silêncio, encarando-me.

Minha mente processou o que havia sido dito e eu captei o resto da frase. “Sou casado.”

“Sim.” Confirmou a fada. “Eu não sei como isso aconteceu. Algo está errado. Não era para ser assim, nada disso era para ser assim.”

Regina estava destinada a ficar comigo, era só nisso que eu conseguia pensar. Regina e eu temos nossas vidas cruzadas desde um passado incrivelmente longínquo. Desde antes do nascimento de Roland. “Regina sabia disso?” Perguntei, embora eu soubesse a resposta. De repente, tudo fazia sentido. A reação dela à tatuagem. A tatuagem. “É a minha tatuagem, não é?”

“Como você sabe disso?”

“Era a minha tatuagem, não era? Foi o que ela identificou. Se ela conhecesse meu rosto, teria me reconhecido mas não. Ela só reconheceu...”

“A tatuagem.” Tinker balançou a cabeça, levantando-se. Ela olhou ao redor, e colocou o capuz de volta, tampando seus cabelos e escondendo seu belo rosto. “Essa tatuagem é um dos sinais que liga vocês dois, Robin. O leão é o rei dos animais. E todo rei precisa da sua rainha.”

Tinkerbell afastou-se, sem se despedir e me deixando para trás com o coração se esvaindo, sangrando por todos as suas artérias, até que eu sentisse uma dor tão grande quanto um infarto. Eu era o destino de Regina, mas estava casado com Zelena. Eu estava destinado. Eu fizera uma tatuagem sem saber que ela era um sinal de que o meu futuro estava traçado. E de algum modo, eu mudara tudo. Eu escolhera outro caminho. Regina me deixou para trás e eu acabei me tornando Robin Hood. Regina sabia, sabia quem eu era. Sabia que eu estava destinado à ela e precisou afastar-se de mim ao descobrir que eu era casado. Consigo imaginar seu sofrimento. Consigo imaginar a guerra interna que ela sofrera, tendo que decidir entre ser feliz e fazer o que é certo. Consigo imaginar o que é para ela me ver todos os dias e ter que fingir não sentir nada. Fingir não saber que nossos caminhos sempre estiveram cruzados.

Regina estava sendo a heroína que eu um dia pensei que eu fosse. Mas eu não era. Eu não sou nada comparado ao coração dela. Comparado à determinação de Regina de fazer o que é certo. Eu sou apenas um erro. Um erro enorme. Eu sou aquele que a deixou ir.

POV Abigail

Roland ainda não se lembra de Regina. Perguntei de novo, e ele nem se lembra do casamento. Um sentimento ruim está alojado no meu peito.

Caminho até Zelena, que está sentada na beira da piscina com um biquíni verde. “Tia Zelena.” Chamo, e ela abaixa a cabeça, erguendo o chapéu enorme que há sobre a sua cabeça e os cabelos ruivos sacodem com o vento. Nem está tão calor para estar deitada na beira da piscina, se quer saber. Ela tira os óculos de sol do rosto e me encara. “O que foi agora, Abigail?”

“Roland não se lembra de Regina.”

“E eu com isso?”

“Não foi esse o combinado.” Respondo, nervosa. “Eu curei você. Roland devia estar lembrando de tudo agora.”

Zelena gargalhou e eu me senti pequena demais. Ela sentou-se sobre a cadeira de plástico, ficando na minha altura. Ela acariciou meu cabelo enquanto sorria. “Ah Abby!” Ela sorriu. Eu odiava esse sorriso. Ele era mau. “Você é tão boba! Foi como tirar doce da boca de criança! Você achou mesmo que eu fosse devolver as memórias do seu irmão?”

“Mas você prometeu!!!” Gritei, com as lágrimas querendo brotar dos meus olhos. “Eu fiz o que você pediu, você está trapaceando!!!” Minha voz era fraca. Eu sou fraca. Fraca perante a malícia dessa mulher, eu sou... sou apenas uma menina.

“Acorda, Abigail! Isso aqui é a vida adulta! As pessoas mentem, enganam e trapaceiam! Nada é diferente!” Zombou Zelena. “Vai fazer o quê? Me matar? Destruir a casa novamente? Faça isso! Você vai ver como Robin vai ficar desolado! Ele vai ficar magoado com você! Vai afastar você do Roland e da sua querida Regina e vai te devolver para o meio do mato!”

Lágrimas estão escorrendo do meu rosto. Zelena mentiu e eu acreditei, porque sou uma burra. Eu me afasto mas ainda escuto os gritos dela. “Você não passa de uma criança ingênua e burra, Abigail! Não pense que é especial, porque você não é! Você é estúpida como uma porta!”

A gargalhada de Zelena me acompanhou até o outro lado da piscina, onde me sentei, abraçada aos meus joelhos. Olhei para Roland, que brincava feliz com um carrinho. Eu queria ser como ele. Eu queria ser feliz, leve, sem preocupações. Mas tem alguém dentro de mim que fica conversando comigo e não me deixa em paz. E esse alguém está gritando comigo, assim como Zelena acabou de gritar.

Você não pode fazer nada, Abigail. Diz a voz misteriosa. Você não pode alterar o futuro. Já está escrito.

Eu não quero que meu pai fique com a Zelena. Eu quero que ele fique com a Regina. Algo me diz que é assim que as coisas têm que ser. Você não pode interferir, Abby. Mas eu não sei o que fazer. Eu sei que ele tem passado bastante tempo em casa e os dois estão sempre sorrindo um para o outro. Eu não quero que isso aconteça. Eu não quero que seja assim. Está tudo errado, eu sinto que está.

Você não pode interferir.

No que eu não posso interferir? Eu não entendo. Eu só quero que todo mundo seja feliz.

Você não pode alterar o curso das coisas.

Estou chorando.

Olho para a piscina, e vejo sangue. Acho que machuquei meus pés ou minhas mãos. Checo-os, na tentativa de identificar algum ferimento, mas não encontro nada. Olho para o meu reflexo e me assusto.

Estou chorando.

As lágrimas são feitas de sangue.