— Hinamori, Hinamori! Você não vai acreditar... Consegui uma entrevista na Mode! — Rangiku disse com os olhinhos brilhando e um sorriso de orelha a orelha. Trabalhar na Mode era o seu sonho desde que tinha doze anos. Agora vocês se perguntam: O que diabos é Mode? Simplesmente a revista de moda mais conceituada em toda Nova York. E Rangiku, como toda boa amante da moda, não poderia deixar essa entrevista passar.

— Meu Deus! Sério, Rangiku-san? Isso é incrível! Espera só até aqueles editores esnobes saberem disso... A garota da jardinagem indo para um castelo fashion! Deve ser um sonho.

A verdade era que ambas trabalhavam em uma revista sobre jardinagem de, diga-se de passagem, segunda. Mas vai falar isso pro editor em chefe, o tal do Hitsugaya. Nossa, era capaz dele demitir Rangiku, matar e fazer adubo dela!

Estava se trocando no banheiro, uma vez que era o horário do almoço e todos haviam saído. Havia colocado suas melhores roupas na bolsa e como não queria acabar com sua única chance de conseguir a carreira que queria, não havia contado para ninguém. Acredite ou não, Rangiku tinha medo do tão famoso olho gordo.

— Ai, te juro, Hinamori... Nem consigo crer nisso ainda. Eu! Na Mode! Parece até com a história daquela Aurora, né?! Aliás, você já viu meu currículo? Sempre confio em você pra essas coisas!

— Rangiku-san... A Aurora passou quase todo o filme dormindo. E li sim, aliás... Fluente em Japonês? Mas Rangiku-san, você não sabe falar nem um oi em Japonês! Mesmo sendo descendente...

— Ai, tanto faz. — Deu de ombros, fazendo uma careta. Segundos depois e abrira a porta do que ela gostava de chamar o seu provador pessoal no trabalho (cá entre nós, era apenas a porta em que dividia o banheiro em si da única parte em que você tem privacidade), trajando uma saia até a altura dos joelhos azul com uma blusa da mesma cor, mas um tom mais escuro, com mangas até pouco depois dos cotovelos, separados por um cinto bem na sua cintura e vestia também um casaco curto de pele até a altura do cinto na cor laranja e sapatos dourados.

— Mas Momo, pensa bem... Ninguém vai procurar no Japão! Digo, vamos torcer pra que a editora em chefe adore minha carinha e meu senso de estilo, aí tudo vai dar certo...

Rangiku suspirou. Falava isso pra Hinamori mas na verdade estava tentando acreditar nas suas próprias palavras. Realmente não falava quase nada de japonês, mesmo sendo filha de um casal nascido em Tóquio. Nunca se interessou muito em aprender mas sempre colocava em seus currículos.

A sorte sua é que o chefe antes de Hitsugaya nem terminou de ler e já a contratou, mas alguns meses depois de ter sido aceita na revista ele se demitiu e decidiu seguir a carreira de médico. Uma pena, Kurosaki Isshin realmente era um bom chefe. Nunca exigia nada de ninguém e você sempre poderia contar com ele pra levar todos pro bar depois do expediente. Hitsugaya também era um bom chefe, apesar da pouca idade. Mas passava muito trabalho...

Olhou no seu relógio. Meio dia e meia. A entrevista era em uma hora, então tinha tempo. Hinamori iria lhe dar cobertura caso Hitsugaya suspeitasse muito do seu atraso de, bem... Duas horas.

— Olha a hora! Falta tempo mais vai entender o trânsito de Manhattan. Me deseja sorte, Hina! Te adoro! — Beijou a bochecha da amiga.

Parece que já estava adivinhando. Havia demorado exatamente quarenta minutos e, ainda bem, já estava na rua a caminho do seu destino. Mas, assim como o canto de uma sereia atraia marinheiros, a vitrine de uma loja lhe atraiu. Estava quase hipnotizada, especialmente ao ver uma linda echarpe rosa no manequim. Era certo, precisava daquela echarpe!

Entrando na loja, tudo era bem sofisticado e realmente gritava riqueza. As paredes eram decoradas em tons de branco e marfim, com alguns detalhes dourados dos suspensórios para segurar as roupas. No entanto, Rangiku nem havia prestado atenção. Bem, ao menos em qualquer coisa que não fosse a echarpe.

E nossa... Como era linda! Mas calma. Ela tinha pouco tempo antes de achar o prédio e o andar em que era sua entrevista, e além disso já possuía várias dívidas...

— Rangiku, não. Você não precisa disso. Você já deve o banco até o pescoço e precisa ir para sua entrevista... — Falou para si mesma.

Mas era tão linda! Era quase como se o próprio manequim estivesse falando consigo e lhe convencendo a comprar. Olhou-se no espelho à frente: realmente lhe fazia parecer mais alta, realçava seus olhos e ainda deixava o seu corte de cabelo parecer dez vezes mais caro do o que realmente era... Imagine como poderia ser chamada. A garota da echarpe rosa.

— A echarpe rosa, por favor. — Sorriu para a caixa, não pensando duas vezes antes de levar. Estava pela metade do preço, também!

— Ótima escolha, é a última que temos. Será 120 dólares.

120 dólares?!?! Se isso era estar pela metade do preço, imagina o preço todo. Ela não estava nadando em dinheiro não, minha senhora!

— Okay... — Suspirou, pegando uma nota de cinquenta na sua carteira. — Cinquenta em dinheiro, por favor. — Já notou o olhar feio da mulher para si. Que se dane! — Trinta nesse cartão...

— Vinte nesse... — Deu lhe outro. — E mais vinte nesse, por favor.

Era hora de passar o último cartão, e nossa — a abusada digitava como uma máquina! Matsumoto possuía um sorriso ainda no rosto, tentando ver ao mesmo tempo o que o computador dizia por pura curiosidade, mas sem sucesso, afinal.

— Recusado.

— O quê? Não é possível, eu recebi esse cartão mês passado! Pode tentar novamente, por favor?

Ela tentou mais uma vez.

— Realmente recusado.

Droga! Queria muito aquela peça de roupa, e agora que não podia comprar queria mais ainda...

— Não pode reservar, moça? Posso pegar o dinheiro rapidinho!

— Não reservamos itens em liquidação... Sorry.

Mas que cretina abusada! Rangiku bufou, só faltava dar a louca que nem a Lindsay Lohan e sair correndo dali com a peça. Mas calma, calma. Não iria fazer isso ainda. Saiu da loja, procurando algum lugar que pudesse sacar dinheiro. Um caixa eletrônico ou sei lá!

Achou então uma vendinha de cachorro quente com uma fila enorme. Sério, era uma loucura como as pessoas amavam cachorro-quente em Nova York. Só tinha mais cinquenta em cédula, o que era reservado para o seu táxi até a revista de jardinagem, mas teria que arriscar.

Entrou na fila, mas logo passou direto pelas pessoas em questão de segundos. Tinha pressa!

— Desculpe-me, desculpe-me... — Falou em quanto passava pelas pessoas, obviamente com olhares nada amistosos.

— Oi! Moço, moço! Você poderia me ver um hot dog pequeno... O de três dólares, e me voltar o troco mas com uma nota de vinte nele ao invés de totalmente trocado?

— Querida, tenho cara de banco? — O homem riu enquanto preparava a comida do homem ao seu lado.

— Por favor! É para uma echarpe realmente importante! É pra minha tia que está no hospital agora e...

— Uma echarpe importante! Olha essa! E eu que trabalho aqui há dez anos e nunca ouvi essa. — Riu debochando.

Rangiku revirou os olhos. Odiava quando debochavam de si.

— Eu compro todos os seus hot dogs!

E então, o homem parou.

— Você quer comprar cem cachorros quentes? Com cinquenta dólares? Ótimo... Mas você vai lavar os pratos, porque não vai dar pra todos.

— Ok! Eu compro tudo, eu...

Foi parada por uma leve risada vinda de alguém que estava ao seu lado. Mal havia prestado atenção nele, aliás. Era um homem alto, com cabelos prateados e vestido com uma roupa branca. Seu rosto era um pouco estranho... Até mesmo parecia que ele sempre estava sorrindo. Mas, pensou, havia algo muito atraente nele.

Segurava uma nota de exatos vinte dólares. Juntou as sobrancelhas. Não estava entendendo, afinal, ele era um completo estranho.

— Não vai pegar?

Foi tudo o que ele disse, ainda com aquele mesmo sorriso que, para alguns, poderia ser considerado um tanto sinistro no rosto. Mas Rangiku devia admitir, realmente caía bem nele.

— Muito obrigada, moço, — Respondeu, pegando o dinheiro. — Mas espera... Você está dando dinheiro pra uma completa estranha. Tem certeza?

Ai, Rangiku. Só aceita!

— Ué, pensei que você queria. Nesse caso... — Fez com que se fosse pegar a nota de volta, no qual Rangiku rapidamente puxou para si e simplesmente sorriu.

— Eu quero! Nossa, muito obrigada senhor! Você é um anjo, minha tia vai amar saber que alguém tão legal ajudou ela! — Uma mentira, mas era melhor do que "oi, não pude resistir e quero gastar dinheiro pra ir belíssima ganhar um emprego".

E ele apenas sorriu mais uma vez, começando a andar para longe da loira.

— Muito obrigada! Ei, moço! Moço! Qual seu nome? — Gritou de forma que ele fosse escutar.

E ele não respondeu.

~ x ~ x ~ x ~ x ~

Finalmente havia chegado no endereço certo, arrasando com sua mais nova peça de roupa rosa. Como não combinava bem com o casaco, o havia tirado e colocado entre a alça de sua bolsa.

O prédio era imenso, como esperado. Ao entrar, já havia um grande painel com os nomes "Kuchiki Publications", praticamente estampando o nome da família do dono para quem quisesse ver. Andou até a recepção, sendo recebida por um homem com corte de cabelo chanel e algo que pareciam ser penas na altura de sua sobrancelha esquerda e outra no final de seu olho do mesmo lado.

— Kuchiki Publications, como posso ajudar?

— Oi! Eu tenho uma entrevista na Mode marcada às uma e meia pra Matsumoto Rangiku, por favor! — Disse, deixando a sua bolsa nova em cima do balcão.

— Matsumoto, deixe-me ver... Uh... A vaga já foi preenchida.

— Como assim, já foi preenchida? Mas a entrevista é agora!

— Não, querida... A entrevista foi ontem. Como eu disse, já pegaram a vaga. — O homem falou, realmente parecendo tocado pela situação.

— E... Falando no diabo. — Ele disse, apontando discretamente para uma loira altíssima de pele morena e olhos verdes, trajando um longo vestido branco e com cara de poucos amigos. — Tier Halibel. Olha, se me perguntar... Também não sei o que ela faz aqui. Não sei o que deu no Byakuya para contratar esses de quinta, embora o senso de moda do editor em chefe seja impecável...

— Byakuya? — Perguntou, logo se dando em conta que era o dono de tudo aquilo. — Verdade. As vezes esqueço que a editora não é mais a Yoruichi...

— É. Agora é o Aizen e, cá entre nós, linda... Ele é um partidão, maravilhoso... Mas muito louco. Nem chegue perto. Mas vai saber, né... Rende milhõõões pro Kuchiki. Também prefiro a Yoruichi, mas depois do desentendimento com o Byakuya, ela preferiu sair e montar a sua própria revista... E olha hoje! Competindo com a Mode pelo primeiro lugar em popularidade e vendas!

— Pois é... Que pena. Realmente pensei que ia ter minha entrevista hoje. — Suspirou, cabisbaixa.

— Calma, calma. Gostei de você. E essa bolsa, então? Gucci? Amei! — Rangiku sorriu. — Então... Aqui é o seguinte. A empresa Kuchiki é como uma escada. A Mode é o topo, mas que graça teria começar pelo topo, né?! Nesse exato momento, eles estão entrevistando candidatos para a revista de finanças. Pense no seu quarto degrau.

— Revista de finanças? Eca! — Fez uma careta.

— Epa, epa! Não esnobe! Ok, eu entendo... Não existe muita beleza em cálculos, eca mesmo, mas... Uma vez que você entra, você entra. São poucos passos de distância para a Mode. E olha, cá entre nós... Eu ouvi rumores.

— Rumores?

— É, rumores. De que o Aizen não é mais tão confiável, e que o ricão Byakuya pretende colocar a irmã no comando... Uma loucura só, mas pode ter certeza e reze pra que isso aconteça, porque ela é bem mais legal. Viu? Um passo a mais.

Rangiku adorou a notícia. Kuchiki Rukia realmente tinha uma reputação maravilhosa, então esperava que aquilo fosse verdade. Também pelo fato de ter acabado de conhecer alguém que gostava de fofocar tanto quanto ela.

— Bem, se isso for verdade... Estou dentro! — Exclamou, recebendo um cartão de visitante do homem que lhe desejou boa sorte. — Muito obrigada...

— Yumichika, meu amor.

— Yumichika! Isso. Sou a Rangiku, muito prazer.

~x ~x~x~

A tal revista de finanças não era bem como esperava. Claro, Rangiku esperava um lugar aonde fosse o mais próximo do inferno, mas até que era arrumadinho. Ninguém esbanjando glamour, mas as pessoas andavam bem e possuíam suas próprias mesas que eram bem ajustadas.

— Boa tarde! Me chamo Kira Izuru. — Um garoto loiro se aproximou de si. — Creio que esteja aqui pela vaga?

— Sim! Sou a Rangiku. Mas me diga, Kira... Como é essa vaga?

Queria saber se não estava saindo de Atividade Paranormal e entrando em O Chamado, afinal. Não queria morrer em sete dias por números.

— Bem, você basicamente terá que estar bem atualizada no mundo financeiro atual, e escrever sobre isso. É de editor, então basicamente o chefe lhe dará um tema e você vai fazer um artigo sobre ele.

— Ok, não parece tão difícil... Me diga, ele é um chato? — Fora bem direta, o que fez o loiro se enrubescer levemente com sua pergunta. Tinha essa reputação de ir direto ao jogo, afinal.

— Ah, não... O Ichimaru-sama é... Bem, você vai logo descobrir. — Apontou com a cabeça levemente para a sala de seu chefe aonde abriu a porta transparente.

Franziu a testa ao escutar a resposta incerta do jovem, apenas olhando para o que havia a sua frente quando percebeu que a atenção de Kira já não era mais voltada para a mesma, e sim para o seu chefe, o qual possuía belos cabelos prateados e um sorri...

Ah, essa não.

Era o louco do hot dog.

Notas finais
Aqui o primeiro capítulo segundos depois como prometido! Hahahaha. Espero que gostem! :D É minha primeira fic GinRan então eu realmente espero que dê certo! Amo demais esse casal, queria que [SPOILER PRA QUEM NÃO TERMINOU O ANIME] o Gin não tivesse morrido. :/ E ok, agora vou realmente dormir porque nossa... Tá muito tarde ahahaha. Beijos! ♥ Scodelario.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.