Confessionário
19 Capítulo 19
Notas iniciais
A noite passou arrastada. Ninguém dormira. Não era uma cidade grande, portanto o falecimento de alguém propagou-se como ar. Belle Louise French era muito querida. Não era difícil se encantar pela moça delicada, gentil, muito inteligente e incrivelmente bela.
Zelena chocou-se com a notícia. Pela maneira que lágrimas caíam e lavavam seu rosto, não tive outra saída a não ser afagar os cabelos dela e puxá-la para um abraço. Regina oferecera-se para ficar com as crianças até o enterro e eu não lembro o que pensei, apenas aceitei e fui embora. Eu não estava evitando-a. Eu só não tinha vontade nenhuma de conversar. Eu precisava ficar sozinho. Queria pensar, queria me entender, entender o que acontecera com Belle. Entretanto, Zelena queria especular sobre todo e qualquer assunto, debruçando sobre o tema e tornando infinito.
Me pergunto porque a Bruxa Má do Oeste poupou minha vida. Ela poderia ter me matado. Mas simplesmente me derrubou e me deixou jogado sobre o concreto duro e frio, como se fizesse um grande favor a um meliante. Porque ela me queria vivo? Ouvimos batidas na porta do hall. Levantei-me antes da minha esposa e fui até a porta. Emma e David me aguardavam na varanda. Acenei para eles e saí da casa, fechando a porta atrás de mim.
"O que houve?"
"Encontramos isso." Emma retirou um pequeno papel do bolso e entregou à mim. "Acho que pertence à você."
Desdobrei com cuidado e logo reconheci a caligrafia sofisticada. Belle. O papel era antigo e áspero, e as letras eram suaves, sem marcar o papel.
"Querido Robin,
Se está lendo isso com certeza estou morta. Mas não se desespere. Eu sei dos riscos e estou disposta a pagar por eles. Nunca existe nada em minhas posses que interesse à Bruxa. É uma armadilha.
Certifique-se que sob a bancada da frente, na segunda prateleira da vitrine, ainda há um punhal de aço afiado, cujo cabo é revestido de escamas de sereia. Se ele não estiver no lugar, é porque consegui envenenar a Bruxa. Não perca tempo perguntando como e nem porquê. Ela estará morrendo. Esse é o meu presente de despedida para vocês. Estou te dando a chance de vencê-la. Vivi muitas coisas e se há um legado que queiro deixar é o de gratidão por todas as coisas que vocês realizaram e o amor que dedicaram à mim.
Não deixe a Regina escapar. É meu último pedido ao meu melhor amigo e pelo qual eu serei grata até depois da morte.
É sua hora de vencer.
Amo você querido amigo.
Adeus, Belle."
Ergui a cabeça, com os olhos novamente marejados. Belle havia se sacrificado por nós. Dera sua vida para que pudéssemos ganhar alguma vantagem. Eu sentia muito orgulho dela, tanto que talvez pudesse rasgar meu peito. "Quem mais leu essa carta?"
"Somente nós dois, Robin." Assegurou David e pela maneira que me encarou eu soube que ele tinha captado a essência do tema Regina, mas pretendia esquecer o que lera. David tinha honra, e eu o respeitava por isso.
"Vocês encontraram o punhal?"
"Não. Era o único que faltava." Respondeu Emma. "O que nos leva a crer..."
"Que a Bruxa Má do Oeste foi realmente ferida e está morrendo. Mas como?"
"Esse punhal a qual ela se referiu chama-se Punho de Arquimedes. Ele possui o chamado veneno da maldade na sua lâmina. Quando alguém é ferido por ele, o veneno alimenta-se da maldade. Quanto mais má a pessoa for, mais rápido o veneno se espalha até que se propaga para todo o corpo e o portador vai ao óbito." Respondeu David.
"Ou a bruxa vai bancar a legal daqui para frente ou vai sentenciar-se à morte gradativa?" Não era uma solução efetiva. Mas dadas as circunstâncias, tínhamos mais agora do que nunca antes. Olhei pela janela, e avistei Zelena em frente à televisão, distraída. "Bem... Obrigada pela carta. Eu preciso descansar um pouco antes do enterro, caso não se importem."
"Sem problemas. Vamos, Emma." David puxou a loira e eles se distanciaram, conversando em baixo tom. Voltei para dentro da casa, imaginando o que meus filhos estariam fazendo.
POV Regina
Abigail e Roland correm pelo jardim, enquanto cuido da minha macieira. Eu poderia me acostumar com isso. Com as gargalhadas infantis, com a presença leve e contagiante deles. Penso em Robin. Sei que está arrasado e me sinto muito culpada pelo que aconteceu. Eu jamais deveria ter permitido que Belle fosse a isca. Eu tentei, vez após vez, fazê-los mudar de ideia — mas de nada adiantou.
Eu vi os olhos dele, cheios de dor e sofrimento e aquilo me machucou por inteira. Robin era um homem decente e bom e acabara de perder uma amiga. E eu, bem, eu não importo. Nem para Henry, que atualmente acha que sou a prefeita carente e socialmente desajeitada. Coloco as maçãs no cesto e me sento sobre o banco de madeira. Roland está mexendo na terra e com um pouco de magia faço aparecer um balde e uma pá de plástico ao seu lado. Primeiro ele se assusta, mas me devolve um sorriso apaixonante enquanto agradece. Percebo que Abigail prostrou-se na minha frente e fica ali parada me olhando.
"Algum problema Abby?" Ela estendeu os bracinhos e eu sorri, colocando-a no meu colo. Ela sentou com uma perna de cada lado do meu corpo, quase enlaçando minha cintura. Seus olhos brilhavam. "Você já é bem grandinha para ficar no colo."
"Mas eu gosto de ficar no seu colo. Não posso?" Ela me respondeu, fazendo carinho no meu cabelo com seus dedinhos frágeis e pequenos. "É bom ficar assim pertinho de você." Ela me abraçou e eu adorei a sensação. Seu coraçãozinho batia acelerado e eu não iria contar à ela, mas me sentia exatamente assim.
"Sua mãe não te deixa sentar no colo dela?" Questionei, acarinhando os cabelos lisos e dourados. Roland estava entretido com o barro, sujando-se com uma alegria radiante. "Minha mãe morreu." Encarei a pequena criaturinha. "Abby, estou falando da sua nova mãe."
"A Zelena não é minha mãe." Havia certo ressentimento nas palavras dela, e eu simplesmente não tive como ignorar. Meu instinto maternal me dizia que havia algo errado. Algo além de uma simples incompatibilidade de gêneros. O que Zelena teria feito para essa garota a ponto de causar tamanha rejeição?
"Você não gosta da Zelena, Abby?"
"Não." Abby acariciava meus cabelos. Coloquei os dedos sob seu queixo e ergui sua cabeça. "Olhe nos meus olhos, bebê. Zelena machucou você?"
"Não."
"Tem certeza? Você pode confiar em mim. Eu posso proteger você de qualquer coisa."
"Tia Zelena não é uma boa pessoa, nem para mim, nem para Roland, nem para meu papa."
"Mas por que você diz isso?"
Ela apertou minhas bochechas e me fez sorrir involuntariamente. Havia algo por trás das palavras singelas e espontâneas da menina que me deixava ao mesmo tempo preocupada e furiosa. "Eu não posso dizer nada, Regina."
Imaginei que não. E mesmo se eu questionasse Robin imediatamente, possivelmente ele acreditaria em sua esposa e me afastaria de seus filhos. E eu adoro essas crianças. A ideia de não vê-las novamente me assombra. "Eu queria que você fosse a minha mãe."
Meu coração sangrou. Eu queria que essa garota fosse minha. Eu cuidaria dela mais do que cuido de mim mesma. Protegeria ela de todos os males. Eu a amaria... Na verdade, eu já amo. Abigail, desde o nosso primeiro encontro, conseguiu me enxergar além da aparência. Além da camada de frieza e formalidade da prefeita. Ela olhava em meus olhos e via minha alma de cima à baixo, como se fosse uma página a ser lida. Abigail depositou fé no meu coração sem ao menos me conhecer e esse motivo já fez com que me rendesse ao rostinho angelical imediatamente. O pensamento me entristeceu por segundos quando me recordei de quanto Henry me via dessa maneira. Quando tinha carinho em seus olhos. "Eu não posso ser sua mãe de verdade. Eu teria que casar com o seu pai que já é casado. Mas posso ser sua mãe de mentirinha."
"Você pode casar com o Robin. Ele gosta de você." Ela não fazia ideia do que dizia, coitada. Sorri com tristeza no olhar. Robin e eu não tínhamos nada, nem sequer um bom roteiro. Desafortunados e com destinos tão distantes que a ideia de se cruzarem um dia era um bom motivo para gargalhar por horas a fio. "Eu gosto muito do seu pai, Abby." Acariciei o rostinho delicado. "Mas como um bom amigo."
"Amigo não serve." Sussurrou ela, emburrada. Gargalhei. Como ela conseguia ser adorável de tal maneira? Queria morder aquelas bochechas delicadas! "Ah Abby! Você tem alguma noção das coisas que fala?" Continuei rindo. Ela segurou meu rosto com suas mãozinhas e chamou minha atenção. "Estou falando sério!"
Afaguei seu cabelo e beijei a pontinha de seu nariz. "Vamos tomar um banho? Robin logo vem buscar vocês." Vi sua careta mas ignorei-a, colocando-a no chão. Peguei o cesto de maçãs e chamei Roland, que veio todo lamacento e sorridente para perto da irmã. "Hora do banho, crianças."
Roland correu para o interior da minha casa e eu agradeci mentalmente por existir um feitiço que fizesse toda a limpeza por mim. Abigail começou a correr, mas antes se virou para mim e disse sorridente. "Eu sei que mentiu sobre o que sente pelo meu papa."
"Banho, Abby."
"Não se preocupe, Gina. Seu segredo está a salvo comigo."
Ela piscou com apenas um de seus olhos cor de púrpura e correu para dentro da casa, enquanto eu a seguia com um sorriso genuíno no rosto.
Eu estava bem atrás da multidão. Muitos deles se aproximavam da cova, e diziam belíssimas palavras, antes de colocar alguma flor sobre o caixão de madeira maciça. Há algum tempo atrás, me dei ao luxo de imaginar como seria meu enterro. Não seria tão popular quanto o de Belle. Se fosse atualmente, estaria praticamente vazio. Nem Henry se lembraria.
Eu não tinha nada a dizer e estritamente por isso, limitei-me a ficar ali, em pé atrás e ao lado das outras pessoas, simplesmente acompanhando. Eu diria muitas coisas à Belle, se pudesse mas agora não faria nenhuma diferença. Pediria desculpas por tê-la trancafiado todos aqueles anos. Pediria desculpas por todas as respostas atravessadas, desprezo e ofensas. Pediria desculpas por ter permitido que ela embarcasse nesse plano absurdo de se tornar mártir. Robin não me olhara nenhuma vez desde que chegamos e eu entendia, apesar da ideia de que ele ia finalmente me deixar em paz e voltar para sua esposa me deixar completamente devastada. Eu não tenho a mínima ideia do que penso estar fazendo. Ele é casado. Lembre-se disso.
O tempo está ridiculamente sombrio. Está frio e venta muito, o vento vem fino e agudo, quase como um choro atormentado. Algumas pessoas estão agarradas aos seus guarda-chuvas escuros, com medo de serem abocanhadas por alguma intempérie climática. Ruby Lucas terminara seu discurso e fora embora chorando, a pobre moça não podia ficar muito tempo fora das grades da delegacia. Graças à quem quer que fosse essa bruxa inescrupulosa que roubara sua capa vermelha, Ruby não tinha paz. O medo de se transformar na sua forma mais primitiva a acompanhava por onde quer que fosse. O medo de matar alguém querido em uma das suas transformações era ainda maior e por isso ela implorou para ser trancafiada.
Hook estava falando, algo sobre como Belle o perdoara e vira algo de bom nele, algo sobre como a pequena bibliotecária era exímia em ver nas pessoas a essência que nem as próprias conheciam. Meus olhos se encheram de lágrimas. Eu olhei para Robin, que permanecera o tempo todo com os olhos cravados no caixão. Eu podia imaginar sua dor. Seu sofrimento. Ele me encarou de volta, o que me surpreendeu. Mas não nos soltamos. Sustentei o olhar que ele firmemente encarava. Muito tempo se passou, assim como os alvoroços dentro de nós. Não era fácil engolir meus sentimentos por esse homem. Eu odeio Tinkerbell por ter me conectado à ele dessa maneira. Eu odeio o pó de fada por ter me levado até ele. E me odeio por ter permitido que ele se aproximasse o suficiente a ponto de me envolver.
“Eu gostaria de dizer algumas palavras.” Disse ele em voz alta. Eu dei um pequeno passo à frente, fixando minha atenção no rosto dele e em suas feições entristecidas. Ele pegou uma das pás e jogou um pouquinho de terra. “Belle, você foi uma das mulheres mais excepcionais e magnificas que já tive a chance de conhecer e chamar de amiga. Eu sinto muito que tenha acabado assim, mas não acabamos ainda. Eu vou fazer o que me pediu. Por você. Porque se tinha alguém que sempre teve a razão, este alguém foi você. Você está levando um pedaço meu junto com você, ratinha.” Ele sorriu e eu juro que vi uma pequena e solitária lágrima escorrer pelo rosto másculo. “Mas está deixando um pedaço seu comigo. E é por isso que eu lhe agradeço. Por ter feito a diferença na minha vida.” Robin colocou a rosa sobre o caixão e o tocou por alguns segundos. “Adeus.”
Eu estava com a garganta seca como o deserto e os olhos marejados quando ele passou por mim, e foi embora caminhando, para o meio do nada. Robin não olhou para trás. Observei se as pessoas estavam observando, mas na verdade, ninguém estava se importando com o que o outro fazia. Estavam tristes demais para se ocupar com a vida de outrem. Meu coração batia aceleradamente. Eu podia deixa-lo para lá. Podia focar no enterro, e depois ir para casa. Nada disso me traria problemas. Seria a melhor decisão a ser feita e nos pouparia de mais intimidade. De mais tentações.
Mas eu não sou essa pessoa, não é mesmo? Eu não fujo dos problemas. Eles que fogem de mim.
Eu estava relendo a carta que Belle havia deixado para mim pela milésima vez, sentado em um tronco caído, com apenas a vasta floresta ao meu redor. Ouvi um barulho em uma árvore logo atrás de mim. Regina estava ali parada e tentou disfarçar o fato de que estava me vigiando.
“Acho que não sou muito boa na arte de espionar ninguém.” Confessou ela, saindo de trás do tronco e se aproximando.
“Não foi o David ou a Emma que mandaram você aqui, foi? Porque não estou afim de interrogatórios sobre a Belle agora.”
“Na verdade eu estava apenas esticando minhas pernas, sabe... Dando uma volta pela floresta e de repente encontrei você aqui.” Essa justificativa dela era tão horrorosa que eu não sabia se ela estava tirando sarro da minha cara ou realmente querendo que eu acreditasse naquilo. E talvez eu devesse ter rido, porque sorri sem nenhuma vontade e isso apagou o sorriso do rosto dela imediatamente. “Como você está?” Perguntou ela, receosa. Sentou-se ao meu lado, no tronco e me encarou, mas eu olhava para a frente.
“Eu não estou muito disposto a esticar as pernas pela floresta, se é o que quis dizer.” Sorri e ela finalmente relaxou.
“Vai me dizer o que tem nessa carta que você está lendo e relendo?”
“Que carta?” Perguntei, me fazendo de desentendido. Mas Regina levantou as mãos e me mostrou a carta que eu tinha colocado no bolso entre seus dedos. “Essa daqui. Eu não costumo usar magia para essas finalidades mas não pude resistir à curiosidade.”
“Você tem sorte que eu estou resguardando minhas energias para caçar a Bruxa Má do Oeste.”
“Você gosta de mim, confesse.” Brincou ela, sem saber a veracidade da resposta. Ela sabia que estava brincando com fogo? “Eu acho que você quer conversar a respeito, só não quer admitir porque é homem e acha que tem algo de nobre em ser durão.”
Olhei para ela, finalmente. Seu rosto era simplesmente maravilhoso. “O que lhe faz pensar que me conhece tão bem, Majestade?”
“Se não quisesse conversar, já teria atirado uma flecha exatamente entre meus olhos. Claro que não ia acertar, mas já estaríamos nos matando.”
Regina era inteligente, e isso fascinava qualquer um, inclusive a mim. “Tudo bem. Talvez seja verdade.” Respondi, dando a ela o benefício da dúvida e já sabendo que ela não desistiria fácil.
“Posso ler?”
“Não vou impedir você.”
Ela sorriu e eu fitei meus pés. Ouvi-la pronunciando aquelas palavras tornava tudo muito mais intenso do que era. Senti meu estomago vibrar. Lembrava-me que eu tinha simplesmente enterrado Belle. Que a garota jovial e carinhosa que cuidara de mim no castelo do imponente Rumpelstiltskin estava morta. Mas Regina não demonstrou nenhuma reação, nem mesmo quando seu nome foi pronunciado. Se isso a abalou, ela foi simplesmente perfeita em disfarçar. Engoli em seco quando ela pronunciou amo você querido amigo. Eu podia estar insano mas parecia ter notado alguma entonação diferente. Na verdade, acho que sou só insano mesmo.
“É uma belíssima despedida, Robin.”
“Eu sei, eu só... Eu fico martelando na minha cabeça o quanto ela foi corajosa e arriscou tudo e o que eu estou fazendo? Não temos nada! Estamos à mercê dessa bruxa horrorosa, e nada parece mudar, estamos nadando sem sair do lugar.”
“Você não pode ser tão duro consigo mesmo.”
“Se eu não for, quem vai ser? Belle era apenas uma garota, Regina. Passou tanto tempo trancafiada e mesmo assim, sabe mais sobre o amor do que eu, que caminhei por mundos e nações.”
Regina parecia assustada com a minha reação, mas logo se recompôs. Eu estava passando por ela quando ela segurou em meu braço com força. “Onde você vai Robin?”
“Matar a bruxa.”
“Robin, você está agindo com base na sua dor. Vai dar errado e você sabe disso. Quer deixar o Roland sem pai? Quer deixar a Abby sem pai pela segunda vez? Você acha que é justo para com eles?”
Regina poderia ter me dado um tapa na cara. Teria doído bem menos que suas palavras. Eu estava agindo como um inconsequente desmiolado. Esquecendo que eu tinha duas crianças, duas almas para zelar, duas barrigas para encher, dois corpinhos para cobrir nas noites frias. É, ela estava certa. O que eu estava pensando? Eu estava triste sim, cheio de raiva sim. Mas nada disso justificaria uma ação tão suicida quanto estúpida. Olhei para ela, que me fitava de volta apreensiva, com medo de que eu tomasse alguma decisão errada. “Nós vamos encontrar o culpado, Robin e ele vai pagar por isso. Eu prometo.”
Ela colocou a carta em minhas mãos. “Não se preocupe em me deixar escapar. Eu não estou indo a lugar nenhum.” Ela virou-se para se afastar, no entanto, ficou ali parada, de costas para mim por algum tempo.
“Está passando bem, Regina?” Ela se virou para mim. Seus olhos estavam cheios de lágrimas e ela caminhou até estar na minha frente, com poucos centímetros separando nossos corpos. “Por que está chorando, Majestade?”
“Me desculpe, Robin. Me desculpe por não ter conseguido impedir sua amiga de seguir com o plano maluco. Eu tentei, juro que tentei. Algo me dizia que aquilo ia dar errado e desesperadamente, eu insisti para que mudassem. Ninguém me ouviu, ninguém se importou. Me desculpe por ter sido fraca e não ter conseguido quebrar o feitiço ao redor da loja do Gold. Eu tentei desesperadamente salvar Belle, mas não fui capaz. Eu fui fraca e a minha fraqueza resultou na sua dor e por isso eu peço desculpas. Foi por um erro meu que sua melhor amiga morreu e vai ser pelas minhas mãos que essa bruxa vai morrer. Eu prometo.”
“Regina, a culpa não foi sua.” Respondi, calmo e com o coração esmigalhado pelas palavras dela. Resista a tentação de abraça-la, cara. Não vai acabar bem. Afaste-se.
“Se houver qualquer coisa que eu possa fazer para me redimir ou diminuir a sua dor, é só me dizer, e eu”
Regina não terminou sua frase. Enfiei os dedos em seus cabelos e a puxei para a minha. Minha boca tomou a dela, com dor e desespero. Nossos lábios se encaixaram e eu a beijei rapidamente. Não. Eu estava abusando da sorte. Soltei-a repentinamente, temendo ter destruído tudo. Não era isso que ela quis dizer, idiota. Agora ela o odeia.
“Regina, me desculpa. Você disse qualquer coisa e eu... Isso não vai acontecer novamente, me desculpe.”
“Eu disse qualquer coisa, Robin.”
Em seguida, ela deslizou a mão para a minha nuca e me beijou. Cedi acesso e nossas línguas se encontraram, enquanto minhas mãos deslizavam pelo seu corpo, acariciando seu cabelo, contornando sua nuca, acariciando suas costas. Os lábios dela são puramente macios e gostosos de beijar, esfregando-se sofregamente contra os meus num beijo faminto. Alguém estava chorando, mas eu não sabia dizer se era eu ou se era ela, mas não conseguíamos nos largar. Ela acariciava meus cabelos enquanto eu a beijava com carinho, nossas bocas deslizando uma sobre a outra preguiçosamente, línguas deslizando sobre a textura e extensão da outra, mãos trilhando caminhos novos a cada suspiro. Meu polegar deslizava sobre aquele rosto, matando minha vontade de tocar, de acariciar, de contornar cada curva naquele rosto incrivelmente delineado.
Nos afastamos novamente, mas eu ainda não estava pronto. Puxei-a novamente, tomando seus lábios nos meus. O beijo era demasiadamente intenso e poderoso para que eu me fartasse rápido, eu precisava de mais, e mais e mais; o gosto daquela boca era como um elixir de felicidade e eu achava injusto nunca ter sentido essa sensação antes. Segurei em sua nuca e deixei o outro braço circular sua cintura, mantendo-a ali. Eu queria mantê-la ali comigo para sempre. Regina sorriu contra a minha boca, e cruzou seus braços atrás do meu pescoço. Nossas línguas brincavam uma na outra, e nossas bocas já haviam se tornado mais do que íntimas enquanto eu a abraçava com força contra o meu corpo, querendo memorizar aquela sensação para sempre. “Robin...”
O suspiro dela eletrizou algo dentro do meu peito. Soltei daquela boca maravilhosa por um segundo, para beijar a base de seu pescoço com carinho, subindo e descendo. Assim que voltamos a nos encarar, encostei minha testa contra a dela e rocei nossos narizes, depois rocei minha boca na dela até que Regina a entreabriu e eu enfiei minha língua em sua boca de novo, meus dedos acariciando seus cabelos enquanto um beijo quente dava lugar para mais outro, e mais outro e mais outro. Regina tinha o beijo mais delicioso que eu já provara em toda a minha vida e eu estava simplesmente viciado.
Contornei sua cintura e abri seu casaco, deslizando minhas mãos pelos seus ombros afim de derrubá-lo no chão. Mas Regina manteve o casaco no lugar e me olhou com um sorriso cansado. "Não podemos ir tão longe, Robin."
Eu assenti com a cabeça e ela se afastou, desaparecendo em uma fumaça roxa. Não importava mais. O estrago já estava feito. E eu prometera que ia cumprir o que Belle havia me pedido. Eu não deixaria Regina escapar. As palavras dela ecoaram pela minha mente.
“Não se preocupe em me deixar escapar. Eu não estou indo a lugar nenhum.”
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