Notas iniciais
Oi gente! Tô tentando responder todos os comentários, aos poucos eu consigo. Eu uso a internet muito mais por celular do que pelo notebook e via mobile não dá pra responder, por isso sejam pacientes mas não deixem de comentar, é muito importante para mim. Espero que gostem do capítulo. Beijo.

Eu estava fuçando nos produtos do antiquário de Gold enquanto tentava entender o plano de Belle. Obviamente, eu temia pela segurança dela. Se uma bruxa matara Rumpelstiltskin, mataria qualquer um.

"Eu posso ficar escondido." Sugeri e ela balançou a cabeça negativamente, rejeitando minha proposta.

"Não, Robin. Eu não vou colocar você em risco."

"E vai se colocar em risco? Como você vai se defender?"

"Eu tenho alguns truques na manga. Gold me ensinou muitas coisas para quando ele não estivesse por perto."

"E você acha que ela morderá a isca?"

"Eu tenho certeza." Respondeu Belle. Seus olhos pareciam ainda mais fundos e a mancha escura sob eles também.

"Belle... Você tem dormido?"

"Não muito."

"E nem comido nada, pelo jeito."

Ela voltou a me encarar com um sorriso tímido nos lábios. Belle French não tinha muitas pessoas com quem contar agora. Eu sabia que Hook e Ruby apareciam vez por outra. Éramos a família que ela possuía.

"Vamos comer alguma coisa. Pegue um casaco."

Ela sorriu timidamente mas aceitou o convite.



Dois cheeseburguers, uma porção de fritas, uma salada de frutas e um copo interminável de milkshake. Apenas depois de devorar todos esses itens foi que vi Belle suspirar, satisfeita.

"Você toda delicadinha, nem parece ser esse saco sem fundo." Comentei, rindo. Tinkerbell havia se juntado à nós pois havia pouco movimento na lanchonete. Ela se oferecera para cobrir Ruby enquanto essa estava sem a proteção da capa.

"Eu estava com um pouco de fome, só isso."

"Um pouco?" Tinker sorriu. "Se isso é você com um pouco de fome, não quero nem ver quando estiver com fome de verdade. Aliás, Robin, onde está sua esposa? Você nunca a apresentou oficialmente."

"Acho que as vezes ele esquece que é casado." Brincou Belle. Encarei as duas com meio sorriso entre meus lábios. Eu não esquecia, por nenhum segundo sequer. As vezes, eu bem que gostaria de esquecer.

"Vocês duas estão sendo injustas comigo. A questão é que Zelena não é exatamente simpática, ela é muito reservada. Não é muito sociável."

"E o que vocês tem em comum?"

"Além de sexo, claro." Alfinetou Belle.

"Vocês acham que eu sou um pedaço de carne?"

Belle e Tinkerbell se entreolharam antes de começarem a rir. "Olha." Começou Belle. "Você é um pedaço de carne bem tentador. Mas eu sou sua amiga e você é casado, então nunca vai acontecer. Não insista."

"Aposto que ela deve deitar e rolar."

"Eu aposto que não." Respondi, com a cabeça baixa e encarando a cerveja à minha frente. Um silêncio se expandiu, até que finalmente tornei a encará-las. Ambas me encaravam estupefatas. Tinker limpou a garganta e fez a pergunta que ambas pensaram.

"Robin, você nunca..." Ela ergueu as sobrancelhas, insinuando o óbvio. "Com a sua esposa?"

"Não. Aqui em Storybrooke não."

"Porra! E ela não fala nada? Já fazem meses!"

Não era meu assunto preferido para conversar com duas mulheres. O que eu podia dizer? Que estava apaixonado pela mulher que todos na cidade desconfiavam e acusavam de ser a culpada de todos os males? Eu não podia expor Regina. Não era certo e nem justo com ela. "Eu não me lembro dela. Não lembro como nos apaixonamos, como nos casamos, nada. É como se estivéssemos nos conhecendo agora."

"Mas você não sente vontade? Ela é muito bonita."

"Eu... Ela é linda. Gostosa. Tem um corpo incrível. Mas eu não sou mais esse tipo de homem. Não vou transar com ela para tirar uma casquinha sendo que não sei ainda meus reais sentimentos sobre tudo isso. No momento, vejo Zelena como alguém por quem tenho carinho e respeito."

Tinkerbell sorria para mim com certo brilho nos olhos. Não entendi o por quê, mas vi seu olhar direcionando-se para a porta, cujo barulho familiar acusava a entrada de novos clientes e me virei também. Regina caminhou até o balcão despreocupadamente, e notando que não havia ninguém lá dentro, olhou em volta, fixando a sua atenção na nossa mesa. Ela respirou fundo e nós trocamos olhares, ainda que breves — que ela logo interrompeu, virando-se para o balcão novamente.

"Já venho." Comentou Tinker e caminhou até ela. Regina era uma pessoa bem reservada mas Tinkerbell tinha o dom de fazê-la sorrir. Elas conversaram por algum tempo, enquanto Tinker preparava seu café.

"É ela." Comentou Belle, chamando minha atenção. Eu olhei para Regina pela ultima vez e voltei minha atenção para minha amiga. "Regina."

"O que tem ela?"

Belle apenas riu docemente. Finalmente, ela parecia a verdadeira Belle French. Sorridente, iluminada e doce. "Não consegue se apaixonar pela sua esposa porque está apaixonado por ela."

"Você lê romances demais, ratinha de biblioteca."

"E você não negou. Dá para ver na maneira como você olha para ela e dá para ver na maneira que ela olha para você."

"Mas eu sou casado, Belle."

"Eu sei. E essa é a sua penitência. Você a quer, mas sabe que não pode. Seu código de honra te ordena que cumpra seu compromisso com Zelena, independente do que seu coração diga e eu te conheço, pedaço de carne. Você segue o código."

"Pare de ler meus pensamentos." Brinquei mas no fundo, me senti um tanto desesperado. Ela tinha plena razão. Era o que eu queria. Mas eu sabia que era um fruto proibido, um objetivo inalcançável. Sabia que estava além dos meus limites. O que eu me tornaria se não fosse capaz de respeitar meus próprios valores?

Observei Regina pegando seu copo e saindo sem olhar para trás. Ela possivelmente entendera tudo aquilo antes de mim. Não podíamos ficar juntos. Essa não era a nossa história. Este não era o nosso destino.



Anoiteceu em Storybrooke. Havíamos realizado outra reunião há algumas horas. Tive que deixar Belle sozinha, e eu estava com péssimos pressentimentos a respeito. Eu estava de tocaia atrás da loja, com minha balestra em mãos. Pedi para Zelena não sair de casa e trancar tudo, nada me preocupa mais do que o bem estar dos meus filhos. Abigail podia ser adotiva, mas isso não mudava nada. Era minha filha e eu morreria se algo acontecesse com ela.

David e Emma passavam por ali a cada meia hora, certificando-se de que estava tudo bem. A nossa missão era manter Belle segura e só então pegar a maldita Bruxa. Regina estava por perto também. Ela havia enfatizado novamente que era perigoso para Belle. Que quem quer que fosse quem procurávamos, era alguém muito poderoso e sem um pingo de compaixão. Parecia que ela estava preocupada, mas ninguém deu muita atenção.

Um vento gelado bateu contra mim, me forçando a fechar meu casaco. Quando levantei a cabeça, um cheiro adocicado penetrou em minhas narinas e eu instantaneamente adormeci.



"Robin! Robin!" Levantei a cabeça e me deparei com os olhos amendoados de Regina. Ela estava ajoelhada ao meu lado. Fitei seus olhos e percebi algo errado.

"O que aconteceu? Vocês pegaram a bruxa?" Perguntei, enquanto me levantava.

"Robin... Eu não sei como te dizer isso."

Foi então que eu entendi. Corri para dentro da loja, deixando Regina para trás. Meu coração, acelerado, batia ruidosamente. Não, não, não. Por favor, não. Tropecei em alguém e sequer me desculpei. Por favor, Belle. Não faça isso comigo. Passei por Branca, cujos olhos estavam inchados de tanto chorar. E eu a vi.

Corri até o corpo inerte no chão e a tomei em meus braços, ajoelhando-me. Belle tinha uma pequena escoriação na têmpora esquerda. Sua pele estava gelada, tão fria quanto a noite lá fora e eu enfiei o rosto em seu pescoço, molhando sua pele sem vida com minhas lágrimas quentes. "Não, não, não..." Eu choramingava no delírio da dor tão imensa que parecia rasgar meu peito. Eu deslizei meu polegar sobre o rosto delicado. O mesmo rosto que estava sorrindo para mim há horas atrás, com o rosto enfiado no copo imenso do milkshake. Acariciei seu rosto, tentando memorizar seu sorriso e palavras doce, seu olhar seguro e sábio em vez dessa imagem horrenda de seu corpo sem alma. "Porquê, Belle? Porquê você me deixou? Por que?"

"Robin." Alguém me chamou enquanto eu beijava o rosto da minha melhor amiga e afagava seus cabelos, tentando prolongar o tempo que tinha com ela, ou com o que restara dela. Não escutei ou fingi não escutar. Belle French estava morta e o que eu ia fazer agora? Minha melhor amiga estava morta. Ela se arriscara para nos ajudar e o que eu fiz? Não fui capaz de protegê-la. Eu não era capaz nem de seguir meu coração, coisa que Belle fazia com destreza e confiança. Ela era muito melhor do que eu. Merecia viver. Merecia a vida bem mais do que eu. Alguém tocou em meu ombro e eu me desvencilhei bruscamente. "Tira as mãos de mim!" Gritei, sem saber a quem.

Levantei a cabeça, ainda abraçado ao corpo de Belle. Regina estava na minha frente, e ela tentava limpar as lágrimas que caíam de seu rosto. Não sei se ela estava chorando por Belle ou por mim e de fato, isso não importa agora. "Faça alguma coisa." Pedi a ela, minha voz ainda trêmula. "Use a sua magia. Salve-a. Eu imploro, Regina. Me ajude."

"Eu não posso, Robin." Ela ajoelhou, tocando meus joelhos. "A bruxa arrancou o coração dela e o esmagou. Não há como reverter isso." Uma dor profunda arraigou-se dentro de mim, como se um verme estivesse me dilacerando de dentro para fora. "Eu sinto muito, Robin. Me desculpe." Continuou Regina. Eu me levantei, trazendo Belle em meu colo. "Não é culpa sua." Foi o que eu disse à ela, antes de caminhar com Belle até o quarto e deitá-la em sua cama. Arrumei seu cabelo e acariciei seu rosto.

"Obrigada por ter me dado a honra de ser seu amigo, Belle. Você era uma das melhores pessoas que eu já conheci." Sussurrei. "Eu amo você." Beijei o topo de sua cabeça e saí pela porta lateral, sem me despedir de ninguém. Eu não quero conversar. Eu não quero ouvir. Tudo que eu quero agora era matar a maldita Bruxa Má do Oeste e eu não desistir até conseguir.



Flashback ON

POV ZELENA

Como eu já imaginava, os habitantes dessa cidade subestimaram minha inteligência. Fizeram uma barricada em volta da loja de Gold, achando que eu não entraria ou pior! Que conseguiriam me pegar. Não podia rir na reunião, mas posso rir agora. Que patético!

Foi preciso apenas um feitiço de sono temporário para derrubar Robin. Eu não queria que nada acontecesse a ele. Gosto dele e entendo porque Regina o escolheu. Cedo ou tarde, ele irá se cansar-se dela, pois Regina é idiota e tem essa ideia de que fazer a coisa certa é algo nobre. Ela não vai querer ficar com um homem casado porque conviveu demais com os mocinhos e acha que é um deles. E isso me deixa muito feliz. A infelicidade dela é o combustível da minha felicidade.

Tranquei a loja por dentro usando magia negra. Regina não conseguiria derrubá-la nem em mil anos.

"Zelena?"

A voz dela captou a minha atenção. Pobre Belle. Derrotada pela perda de seu amor. Destruída pelo luto. Mas não sinto pena. Sinto, na verdade, muito ódio. "Belle."

"O Robin não está aqui. Ele está lá nos fundos."

"Eu sei."

"Você deve ir. Não quer estar aqui quando a Bruxa chegar."

Gargalhei e ela me encarou confusa. "Ela já está aqui, Belle." Seu rosto ficou pálido e ela engoliu em seco, amedrontada.

Rí de seu nervosismo. Com um estalar de dedos, minhas roupas foram substituídas. Meu vestido justo apertou-se contra o meu corpo e meu chapéu delicadamente pousou sobre a minha cabeça. Puxei as luvas de veludo verde escuro até meu cotovelo e sorri, fazendo pose. "Gostou da surpresa, queridinha?"

Os olhos esbugalhados me fitavam em total incredulidade. "Meu Deus..." Ela tentava respirar. "É você." Ela deu um passo para trás. "É você."

"Sim, eu sou a Bruxa Má do Oeste. Vamos direito ao que interessa. Você tem algo meu e eu quero de volta. Onde está?"

"O Robin..." Ela ainda estava em choque. Anda, lerda. "Ele não faz ideia."

"É claro que não, sua idiota. Você acha que meu marido é esperto? Anda logo. Onde está a garrafa?"

Belle me encarava com um misto de nojo e incredulidade. "Você é desprezível. Quando Robin descobrir quem você é, ele nunca irá perdoa-la. Nunca." Ela deu mais um passo para trás. "Ele nem ama você, nunca vai amar. Você sabe disso. Sabe que ele ama Regina.”

Empurrei-a contra uma prateleira de vidro usando um mero sopro de magia. “Eles nunca vão ficar juntos.” Caminhei na direção dela que tentava se levantar. Tinha que admitir, a garota tinha muitos culhões. Eu a peguei pelo pescoço, erguendo-a do ar. “Eu mato ambos se for preciso. Eles não vão ficar juntos, está me entendendo?”

“Qual o seu medo, Zelena? Tem medo de encontrar o amor?”

Pensei no caminho que tinha trilhado até ali. Odeio Belle French. Odeio-a com todas as minhas forças. E ela ainda não sabe porquê. Joguei-a contra outra parede, e outros produtos foram se partindo, caindo no chão e sobre ela. Peguei-a pela perna e arrastei-a até o centro da sala. Ela não chorava. Belle era forte e se eu não a odiasse profundamente, a admiraria por sua coragem e bravura. Eu estava quase deitada sobre ela. Via sua respiração enfraquecida e sabia que ela não aguentaria muito. Ri da sua cara, deleitada pela sua fraqueza. Sofra, querida Belle. Por mais irônico que possa parecer ela parou de lutar. Segurei em seu pescoço com minhas mãos encobertas pela luva e ela não demonstrou nenhuma resistência. Fechou os olhos e permaneceu com um sorriso no rosto e isso me incomodou profundamente.

“Do que está rindo, sua demente?” Belle não respondeu. Bati sua cabeça contra o chão, exasperada. “Do que você está rindo? Eu não vou perguntar de novo!” Algo amargo se espalhava pelo meu palato. Belle sabia algo que eu não sabia. Ela tinha alguma vantagem obscura, e o fato de estar morrendo não importava. O desespero se apossou do meu corpo. “Onde está a merda da garrafa?” Belle sorriu. “Eu não sei do que você está falando.” Respondeu, completamente rendida abaixo de mim.

Segurei seu pescoço com força. “A garrafa com as lágrimas da Regina. Sei que Gold as esconde aqui em algum lugar.”

Belle sorriu, e eu vi lágrimas escorrendo ao lado dos seus olhos. Essa menina é louca. Eu não entendo o que pode existir de tão bom que ela continue sorrindo sabendo que iria matá-la. Algo dentro de mim odiava essa sensação. A sensação da derrota. Da perda. De estar sendo passada para trás. De estar perdendo algo, uma posição, uma vantagem. Eu tenho sido subjugada minha vida toda. Agora é a minha vez de vencer. Enfiei a mão no peito dela e arranquei seu coração. Ele pulsava com força. Um coração puro. Quem diria, um coração tão belo e pulsante dentro da meiga e delicada Belle. Afinal, era de se esperar algo sombrio no coração de alguém que amava Rumpelstiltskin.

“Quando arranquei o coração do Rumpel, ele não era assim.” Sussurrei, provocando-a. Senti que a respiração dela mudou. “Era negro, quase que completamente. Mas havia um ponto de pureza, um ponto bem vermelho no mar de escuridão. E eu desejei, desejei ardentemente que fosse eu.” Apertei o coração dela um pouco, apenas para vê-la se contorcer abaixo de mim. “Eu estava perdidamente apaixonada por ele. Acho que a situação de professor e aluna não ajudou. Mas tudo que ele queria era saber de você.” Abaixei-me a ponto de ficar bem próximo do rosto dela. “Ele lutou bem menos que você. Eu tinha a posse de sua adaga e de seu coração, ele nada pode fazer. Mas eu não pude fazer com que ele me amasse. Porque ele amava você.” Sibilei, com asco de estar contando aquela vergonha. Nem Rumpelstiltskin me achava digna de seu amor e isso me mutilava a cada segundo. “Mas não importa. Ele está morto, e você logo estará morta também.”

“Quais foram as últimas palavras dele?”

“Isso importa?”

Eu poderia mentir, mas preferi contar a verdade. Ia machucá-la ainda mais e era exatamente o que eu queria.

“Ele disse: As vezes, a melhor xícara de chá é a lascada, Belle. O que eu achei um desperdício de últimas palavras. Agora eu pergunto…” Sorri para ela com toda a maldade possível dentro de mim. “Quais suas últimas palavras, Belle French?”

“Vai se foder, Zelena.” Senti uma dor absurda no abdômen. Quando olhei para baixo, havia metade de um punhal enfiado em minhas entranhas. A dor era excruciante. Medonha. Olhei para ela com os olhos queimando. Maldita. Apertei seu coração com força, e me regozijei dos seus gritos agonizantes e suplicantes. Cravei minhas unhas nele e a fiz chorar de dor até que finalmente não sobrou nada de seu coração — e nem de sua vida. Me levantei com cuidado e retirei o punhal. Consegui curar o ferimento, mas percebi que havia algo preto subindo pelo ferimento. O punhal estava envenenado. Ela tinha me condenado à morte.

Eu preciso achar uma solução imediata. Não vou morrer antes de concluir o meu plano. É a minha maldição. É o meu jogo. É a minha vez de vencer e nada nem ninguém vai tirar isso de mim. Não importa quantos reinos serão devastados. Não importa quantos tesouros serão saqueados, não importa quantas crianças serão sacrificadas. Não importa quantas pessoas irão morrer.

Eu destruirei Regina.

O único final feliz... será o meu.

Flashback OFF