Confessionário
15 Capítulo 15
"Robin, nós precisamos conversar."
Zelena acenou com a cabeça para a cozinha e foi caminhando na frente. Dei uma última olhada em Roland e Abby, brincando próximos do calor da lareira. Abigail me olhava de um jeito, como se eu lhe fosse familiar. Como se quisesse dizer algo.
"Se comportem, crianças. Eu já volto."
Atravessei a sala e entrei na cozinha. Zelena me esperava, com as duas mãos na cintura e um pé batia inquieto contra o chão. Ela não estava muito feliz.
"Robin, que ideia foi essa?"
"Zê..."
"Você não sabe quem essa criança é. Ou filha de quem é. Numa cidade como essa, você tem que tomar cuidado com quem coloca dentro de casa."
Dei risada. "Zelena, não seja tão neurótica. Quer dizer que essa menina é a Bruxa Má do Oeste?"
"Não foi isso que eu disse."
Cheguei mais perto e a beijei. Ela amoleceu com o contato, e com cuidado, deslizei minhas mãos pela parte de baixo das suas coxas e a coloquei sentada sobre a mesa, me posicionando entre suas pernas. Meus dedos acariciam sua nuca, envoltas pelo belíssimo cabelo ruivo. Beijei seu pescoço algumas vezes, arrancando suspiros audíveis.
"Olha para aquela criança, Zelena. Eu não podia deixa-la morar no meio do mato, vasculhando latas de lixo para sobreviver." Beijei a linha de seu maxilar. "Que espécie de homem eu seria se fechasse os olhos para a dificuldade do meu próximo?"
"Oh Robin..." Gemeu ela, e me puxou pela nuca com força. Eu nem me lembrava da ultima vez em que tivera um momento íntimo com uma mulher. Zelena e eu fomos obrigados a recomeçar do zero. Era como se tivéssemos acabado de nos conhecer, portanto, intimidade ainda era um terreno desconhecido.
Mordi o lóbulo da sua orelha e senti suas unhas nas minhas costas. Ela é gostosa, e eu não me canso de olhar. Acariciei suas coxas e minha mão estava subindo a baía do vestido quando ouvi uma voz delicada e infantil ao meu lado.
"O que eles estão fazendo?"
"Coisas de adulto. Não é bom ficar olhando, é nojento." Respondeu Roland, e assisti enquanto ele segurava na mão de Abigail e a levava de volta para a sala.
Afastei me de Zelena. Ela parecia ainda mais infeliz. Por um minuto achei que fosse esganar a garota, tamanha a raiva em seu olhar. Ela desceu da mesa e beijou minha bochecha. "Depois resolvemos esse assunto. No quarto. Trancados." Sussurrou e eu dei um tapa em sua bunda antes de caminhar até onde as crianças estavam.
Regina estava em pé, encostada no balcão da Granny's. Podia sentir seus olhos em mim. Sabia que estava me encarando, mesmo que tentasse disfarçar. Eu a entendo, realmente entendo. O que aconteceu na casa da bruxa foi muito... Singular. Pode ser que seja apenas uma boa química, pode ser que tenha apenas rolado um clima. Mas eu sei que não posso me permitir avançar com isso. Sou um homem casado, pai e líder de um grupo de homens. Sou um homem que honra compromissos.
Arrisquei olhar para ela, que agora conversava com uma moça loira, cujos cabelos estavam presos em um coque. Eu precisava me desculpar. Era melhor que houvesse alguém por perto para aplacar nossos ânimos. Caminhei até elas, com dois copos de whisky. Bebida incrível por sinal. Uma pena que não existia na floresta encantada. A loira ficou ao lado dela, me olhando com curiosidade.
"Regina." Cumprimentei. Ela me encarou na defensiva. "Espero que me desculpe por aquele dia. Não quis aborrecê-la."
"Você estava certo. Foi a melhor decisão a ser tomada. Não há nada a ser desculpado."
Ofereci o whisky, e a loira o pegou. Regina a fitou e eu tive vontade de rir.
"Ah! Tinkerbell, Robin. Robin, Tinkerbell."
"Eu queria conhecê-lo há muito tempo." Me pergunto o que será que ela quis dizer com isso. Mas preferi não insistir no assunto. A loira simpática sorriu e Regina apontou o copo. "Eu não bebo durante o dia."
"Quem sabe numa noite, então." Respondi, e logo me afastei. Eu me lembraria daquilo. A loira afastou se dela momentos depois, e eu peguei meu pacote, saindo logo em seguida.
Almoçamos no acampamento. Observei Roland no colo de Zelena na enquanto acariciava seu cabelo cacheado. Abby estava sentada no chão, ao meu lado. Seu cabelo estava preso em uma belíssima trança, e ela parecia outra criança com essas roupas novas e limpas. Ela estava sempre me encarando com seus grandes olhos cor de púrpura.
"Leroy acha que foi a Rainha Má quem nos trouxe de volta e apagou nossas memórias." Comentou Zelena, mas não olhava para mim.
"Regina? Não acho."
"Você a conhece, querido?"
Zelena me fitava com seus olhos verdes esmeralda. Seu rosto era delicado e angelical.
"Eu conversei com ela uma ou duas vezes a respeito da bruxa. Mas ela parece tão infeliz com essa amnésia quanto nós."
"Você não a conhece, Robin. Ela pode estar fingindo."
Encarei minha esposa. Essa característica dela de ver sempre o pior nas motivações alheias me incomodava.
"Não podemos julgar ninguém. Quer dizer, todos temos um passado que nos condene Zê. Ela pode ter sido o próprio demônio. Mas e se ela quiser se redimir? Quem é digno de impedi-la?"
"Você tem razão." Respondeu ela, e sorriu para mim. "Alguma notícia do Gold?"
"Não. Ele ainda não apareceu e os Charmings acreditam que ele possa ter morrido na floresta encantada."
"Que bobagem, querido!" Zelena gargalhou. "Quem no mundo conseguiria matar o Senhor das Trevas?"
"Alguém muito poderoso." Respondeu Abby, chamando minha atenção e a atenção de minha esposa. Mas ela sorria inocentemente, e eu baguncei seu cabelo.
"O que você sabe sobre poderes, tampinha?"
Ela se debruçou, ficando na ponta dos pés e abraçou o meu pescoço, beijando minha bochecha com força. Com a mesma velocidade, ela desvencilhou se de mim e saiu correndo.
"Você não vai conseguir entrega-la para a adoção, Robin."
Balancei a cabeça, concordando com ela.
"Se quer adotá-la, é melhor agilizar o processo. Essas coisas costumam ser burocráticas."
"Você acha que é uma boa ideia?"
"Mesmo se não fosse. Você está pronto para se despedir da Abby?"
"Não."
"Então seja o pai que ela precisa. Eu vou te ajudar e apoiar no que for preciso. Casamento é isso, amor."
Caminhei até ela e enfiei minhas mãos em seu cabelo, beijando a vorazmente em seguida.
"Eca!"
"Que nojo!"
Abigail e Roland gargalhavam e gesticulavam vômitos. Eu sorri, e percebi que mesmo com a memória apagada, podia ser feliz.
Flashback ON
POV Regina
Robin se afastou, e eu mantive os olhos nele. Merda. Eu não conseguia mais esquecê-lo. Desde que um flertara com o outro na casa da bruxa, desde que eu pregara os olhos naquela tatuagem de leão, desde que ele me sentenciara ao sofrimento com apenas três palavras. Eu sou casado.
"O que foi isso, Regina?" Indagou Tinkerbell. "Você não aprendeu nada desde a última vez que estragou tudo?"
"É complicado."
"Como pode ser complicado, Regina? Se você tivesse se permitido ser feliz em vez de escolher o mal, talvez sua vida não tivesse se transformado nessa..."
"Nessa o quê? O que a minha vida aparenta ser para você, Tinkerbell?" Eu estava irritada e ela não tinha ajudado em nada.
"Nada. Por que é que me importo, não é mesmo?"
Tinker estava passando por mim quando segurei seu braço. Seus olhos fitaram os meus. Tinkerbell tem uma delicadeza em seus olhos que eu jamais conseguirei obter. "Olha, me desculpa." Eu não estava acostumada a essas palavras ainda." Mas sinto dizer que o seu pó de fadas não funciona direito."
"Regina, é impossível. É magia branca."
"Ele é casado, Tinker." Percebi o semblante dela mudando rapidamente.
"Como é?"
"Ele é casado. Como nós supostamente vamos ficar juntos se ele já tem uma esposa?"
"Isso não faz sentido nenhum, Regina. Tem algo errado. O pó das fadas nunca falha."
Sorri amargamente e a beijei na bochecha, o que surpreendeu Tinkerbell e todos ali presentes. Eles provavelmente nunca me viram demonstrar algum sentimento bom por outra pessoa. "Tem algo errado sim. Eu. Vilões não tem finais felizes e eu já deveria ter me tocado disso. Você fez o seu melhor por mim, e eu sinto muito tê-la feito perder suas asas por isso."
"Regina."
Ignorei a, pois sabia o que ela ia fazer. Sabia que tentaria desesperadamente me fazer acreditar que encontraria uma solução. Mas eu sei que não há. Não vou torcer copiosamente para a mulher dele morrer ou simplesmente sumir. Caminhei até a saída do Grannys, e desci as escadas com os olhos explodindo em lágrimas. Era tarde demais para impedir meu coração de se apaixonar por alguém impossível. A Regina do passado não pensaria duas vezes antes de seduzi lo e tira lo da mulher. Mas eu não sou mais aquela pessoa. Eu vou fazer a coisa certa desta vez. Henry terá orgulho de mim.
Flashback OFF
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