Confessionário
13 Capítulo 13
"Você é idiota, cara."
Paraliso. Eu posso jurar ter ouvido minha própria voz. Sinto um movimento do ar e me viro rápido. Há um homem ali — e me surpreende porque, oras, como conseguiu me alcançar?
Fito-o com atenção e sinto meu estômago revirar. Sou eu. Este homem sou eu. É uma versão idêntica de mim e sorri debochadamente com uma espada brilhante nas mãos. "Pegue a sua." Diz ele e me joga uma das espadas. "A luta precisa ser justa."
Eu estava certo que estava alucinando mas isso foi antes de sentir a espada em minhas mãos. Não era uma espada de mentira. Eu podia sentir o gume da espada, cortante e fatal. Olho para ele, que me encara com maldade. De todas as coisas que já me aconteceram na vida, essa definitivamente era a mais insana.
“Eu sou você. Aceite logo.” Disse ele, enquanto eu tentava digerir aquela situação. Olhei para trás por cima do ombro. Regina estava lá. Olhei para o muralha. Dos espinhos cortados escorria um líquido viscoso e escuro. Notei que meu pulso também sangrava, com um corte razoável.
“Você deveria ter tomado cuidado, amigo. A sua obsessão pela Rainha vai acabar lhe matando.”
“Cale-se.”
“Se tivesse sido prudente, teria ficado no castelo e deixado-a morrer.”
“Eu não sou como você.” Sibilei. Aquele homem estava me deixando com nojo.
“Claro que é. Olhe para mim. Somos a mesma pessoa.”
O encarei. “Você pode ter a minha aparência, mas está longe de ser como eu.”
“Ainda bem. Eu não seria burro o suficiente para me cortar em uma planta sob o Feitiço do Espelho.”
O Feitiço do Espelho.
“Você achou mesmo que fosse beijar Regina e acordá-la?”
Fiquei em silêncio. Mas minha sósia gosta de brincar, de modo que continua atingindo o meu psicológico. Estamos andando em círculo, sem tirar os olhos um do outro. Quando se há espadas envolvidas, todo cuidado é pouco.
“Você é ingênuo, Robin. Não é o verdadeiro amor dela.”
Engoli em seco. Não ia demonstrar insegurança para uma merda de um feitiço.
“Está aí dentro de você. A insegurança, a dúvida, o medo. Sabe que existe essa chance. Regina pode amá-lo mas ela ama muito mais Daniel.”
“Quem?”
“Seu primeiro amor.”
Lembrei da história contada por David. Mas David havia dito que o rapaz morrera pelas mãos de Cora…
“Não importa. Nem que eu tenha que levá-la desacordada para casa, nós vamos embora.”
“Vai atravessar todo aquele inferno de volta com uma mulher moribunda? Vai morrer. Ambos irão morrer.”
“Todos nós morreremos um dia, não é?” Sorri.
Ele veio até mim com a espada. Me defendi como podia, usando a espada como um escudo contra as suas investidas. Sua força era intrigante. Uma alucinação não poderia ter tal força, muito menos uma aparição. Ou poderia? Eu começava a ficar cada vez mais chocado com o que a magia pode realizar. Não é a toa que as pessoas vendem sua alma por ela.
O silêncio nos acompanha. Tudo que se pode ouvir agora é o tilintar das espadas brigando e a agua da cachoeira, seguindo seu fluxo natural. Confesso que não sei até onde vou aguentar na defensiva. Não sou um homem de espadas. Sou um arqueiro. Minha habilidade é colocar uma flecha no arco, mirar no inimigo e atirá-la sem errar o alvo. Lutar com espadas requer uma destreza que eu não tenho certeza se possuo.
Dou um passo em falso e sinto a lâmina dele escorrendo pelo meu peito. Um risco de sangue se faz presente.
“Parece que hoje é seu dia de morrer, Robin Hood.”
Me levanto e volto a lutar. Uso a força contra ele, empurrando-o contra os espinhos. Ele desvia e eu quase me machuco neles, mas desvio rapidamente. A espada dele parece tão mais forte que a minha. Continuamos a nos enfrentar, pé contra pé, espada contra espada. Ignoro o fato de estar lutando contra eu mesmo, e continuo. Posso pensar nisto depois, se estiver vivo. Sinto a espada dele me acertar na coxa e sei que começou a sangrar, pois um calor familiar se acende naquela área.
Desvio no sentido anti-horário e o acerto no peito.
Morra, desgraçado.
Puxo a espada para que dê vazão ao sangramento, mas tudo que consigo é ouvir a risada dele.
“Bom golpe, Robin. Quem sabe na próxima?”
Ele não morreu. Acabei de espetar uma espada em seu peito e ele está gargalhando. Onde essa é uma luta justa? O que vou fazer? Continuo me defendendo, mas começo a olhar em volta. Não há para onde fugir. A luta é inevitável, assim como percebo, a minha morte também é. De repente, um lampejo de luz brilha em minha mente.
Me viro de costas para a muralha. Brinco com ele. Meu sorriso o irrita, de modo que ele vem com mais agressividade para me atacar — é isso o que eu quero. Ele arrisca um golpe e alguns espinhos caem no chão.
Obrigado, amigo.
Finjo cair sentado, e seguro um dos espinhos na mão enquanto me levanto rapidamente. Ele me encara, vitorioso. Jogo a espada no chão, entregando a luta. Ele levanta uma das sobrancelhas.
“O que está fazendo? Vai desistir aqui? A metros da sua amada?”
“Me mate.”
“Eu não entendo.”
“Ande logo, imbecil. Faça o que tem que fazer.”
Minha sósia joga a espada no chão. Não entendo o que ele está fazendo. Mas entendo quando ele retira uma faca da cintura.
Que gentil da sua parte, amigo.
“Você é louco, Robin Hood.”
Ele alça a faca em seus dedos e a enfia com força nas minhas entranhas. Sinto a dor atingindo a minha espinha. Esse plano tem que funcionar ou vou morrer. Ele esta colado em mim, apertando a faca contra o meu abdômen e posso ver suas íris. Elas não tem cor. Não tem vida. Sorrio para ele, ainda que me sinta muito fraco.
“Por que está sorrindo seu retardado paquiderme? Você está morrendo.” A voz dele carregada de incompreensão e raiva me diverte. Retiro o espinho e o enfio com força contra o seu pescoço. Vejo-o suspirar, e o seguro contra mim por apenas um instante.
“Ainda estou morrendo. Você já está morto.”
Solto-o no chão. Olho para a frente, e vejo os espinhos se deteriorando. Eu quebrei o feitiço. Segundos depois, a única coisa que me afasta de Regina é a distância.
Cambaleante, começo a andar. Cada passo que dou é mais doloroso. Sinto que meu sangue está escorrendo generosamente, mas não posso parar. Regina vai me salvar. É o que eu espero. Se é que eu vou conseguir acordá-la. Não, não. Eu estava me rendendo ao jogo que aquele ser colocara na minha mente. É a caminhada mais angustiante da minha vida. Tenho medo de não conseguir chegar até ela. Meus joelhos cedem. Eu levanto a cabeça e a observo, faltam apenas alguns metros. Meus joelhos estão fracos contra o chão, mas eu os forço. Levanto-me e continuo.
Mais um passo.
Mais um passo.
Só mais um.
Mais outro.
A fraqueza que me acomete é forte, mas eu vou, cambaleando, desequilibradamente. Coloco a mão sobre a faca, ainda presa em meu abdômen. Se tirá-la, sei que meu sangue vai jorrar como água. Seguro-a ali, e continuo. Lágrimas ameaçam escorregar mas eu as engulo, e continuo. Falta tão pouco.
Aguente firme, Robin.
Lembro-me das palavras de Abigail. Nada é impossível em um mundo repleto de magia, querido. Tudo que você precisa é acreditar.
Eu acredito.
Quando toquei na esquife, senti meu coração disparar novamente. O que é não é necessariamente uma coisa boa, quando se têm uma faca espetada em seu corpo, mas eu não me importo. Abro a tampa de cristal e parece que estou vivendo um sonho. Regina está tão bela neste vestido. Sua pele cintila, branca e perolado. Seus cabelos negros delicadamente pousados no travesseiro macia. Ela parece um quadro. Parece um desenho feito para impressionar reinos. Faço um carinho no rosto dela, sentindo sua pele macia e suave e mal posso acreditar que estou vendo-a novamente. Meus dedos estavam ensanguentados, de modo que um risco de sangue agora atravessa a têmpora dela. Seguro-a pela nuca, puxando-a para perto de mim. Sei que estou sujando tudo. Me perdoe por isso, Rainha.
“Me desculpe pela demora.” Beijei sua testa delicadamente. “Amar você dá muito trabalho para um mero mortal como eu.” Beijei sua bochecha com carinho. “Mas eu faria tudo novamente por você, Regina. Eu te amo mais do que a minha própria vida.”
Beijei-a. Sua boca estava fria e gelada, mas a minha estava demasiadamente quente. A dor tornava tudo febril. Senti uma vibração me atravessando, mas ignorei-a. Senti seus dedos na minha nuca, e foi impossível impedir as lágrimas de caírem. A boca dela se abriu um pouco, e os lábios dela se alimentaram dos meus por alguns segundos.
“Eu sabia. É você, Robin.” Sussurrou nos meus lábios.
Ela abriu os olhos, e me fitou, adoração e admiração. Como eu senti falta desses olhos castanhos! Regina me abraçou e eu gemi sofregamente. Ela baixou os olhos e viu a faca. “Meu Deus! Robin!” Num segundo, Regina levantou-se do esquife. Ela estava um tanto desorientada, mas eu já havia caído de costas no chão. Assisti quando ela se ajoelhou ao meu lado, acariciando meu maxilar. “Como aconteceu isso?”
“Feitiço do Espelho.” Sussurrei.
“Você quebrou um Feitiço do Espelho?” Ela parecia surpresa.
“Sim…” Eu estava com dificuldades de ficar acordado.
“Robin! Robin! Não dorme, por favor. Eu vou cuidar disso.”
Regina puxou a faca com força, mas senti que ela estava cuidando do ferimento. Aos poucos, senti a dor diminuindo, até que cessou por inteiro. Ela estava fraca, e caiu deitada sobre o meu colo. Ficamos deitados no chão por algum tempo. Ter Regina em meus braços novamente era como um sonho, um do qual eu jamais queria acordar.
“Robin… Alguém se feriu na minha ausência? O que aconteceu por aqui?”
“Eu não sei… Assim que acordei dos ferimentos de Zelena, saí pela estrada atrás de você. E isso foi há muitos, muitos dias atrás.”
Ela se apertou contra mim.
“O que será de nós agora?”
“Podemos ir para casa, por favor? Eu sinto saudades do Roland.”
Regina subiu por cima de mim, e com um joelho de cada lado, sentou-se por cima de mim. Ela rastejou como uma leoa, até seus lábios estarem nos meus, com mais desejo do que os beijos anteriores. Sua boca era quente e avassaladora. Achei que morreria sem sentir isso novamente. Ainda bem que eu estava errado. Ela se afastou, levantando-se e me estendeu a mão para que eu levantasse. Aceitei, e logo estávamos caminhando. Não éramos o casal mais saudável de todos. Eu tinha acabado de levar uma facada no abdômen e sabe-se lá quanto tempo ela esteve adormecida naquele esquife. Mas precisávamos voltar para o castelo.
“Eu tenho uma coisa a dizer…” Comecei, um tanto tímido.
“Sim?”
“Não faço a mínima ideia de onde estamos. Eu nem sei como cheguei aqui, Regina. E voltar pelo mesmo caminho, digamos que não é uma boa ideia.”
“Robin, precisamos ir embora. Por que não podemos voltar por onde você veio?”
“Eu não quero enfrentar Kalagarians, Smaug ou a Floresta Perdida novamente, Regina. Não estamos em condições físicas para nenhum dos dois.”
Regina estava paralisada, me encarando. Acho que falei alguma coisa errada. Ela fitava meu rosto, analisando cada uma das minhas feições e traços. Sua respiração acelerou-se por alguns instantes, o tórax subindo e descendo.
“Robin… Você lutou com Kalagarians? Com o Smaug?”
“Sim. Mas acho que com o Smaug foi mais uma fuga do que uma luta, propriamente dita.”
“Você entrou na Floresta Perdida?”
“Entrei.”
Ela me deu um soco no peito. “Seu idiota! Por que fez isso? Você poderia ter morrido!”
Segurei-a para que parasse de me bater, e vi que ela estava chorando. “Por que está chorando, amor? Eu estou aqui, eu estou vivo. Estamos juntos agora!”
“Robin, você podia ter morrido. Parece que não entende. Poucas pessoas sobrevivem a tudo isso. Ninguém sequer consegue passar pela Floresta Perdida! É um buraco negro da magia mais sombria que existe! E se eu tivesse perdido você, seu idiota?”
“Foi preciso para te salvar, Regina!” Gritei, exasperado. “Eu faria tudo de…”
A boca dela me calou. Um beijo desesperadamente quente. Cálido. Senti suas duas mãos duras nos meus cabelos, puxando-os com força. A língua dela era firme e decidida dentro da minha boca. A beijei com a mesma intensidade. Nossas línguas duelavam, o toque era incendiário. Meus dedos se enterraram naquele cabelo negro e macio, brilhoso e cheiroso. Mesmo após todo esse tempo, o cheiro adocicado de maçãs se fazia presente. Quando o ar se tornou evidentemente necessário, nós se afastamos. Ela colou os lábios nos meus, rapidamente e fisgou meu olhar com aqueles olhos de um castanho cintilante. “Nunca mais faça isso comigo.”
“Eu prometo.” Sussurrei e meu coração derreteu ao vê-la sorrir.
“Eu não estou forte o suficiente para teletransportar nós dois para o castelo, Robin.”
Uma ideia me passou pela mente.
“Do que você precisa?”
“De uma poção teleportal, mas onde iríamos arrumar uma? Estamos no meio do nada.”
Coloquei a mão no meu bolso frontal e tirei o pequeno saquinho aveludado de lá. Regina acompanhou meus movimentos e vi o brilho em seus olhos quando ela se deu conta do que era.
“Como… Onde você conseguiu isso?”
“De uma amiga.”
“Robin… Que amiga? Você sabe o valor disso?”
“Não.” A maneira incrédula com a qual Regina fitava o objeto dava a entender que ele era de fato, precioso demais. Mais do que eu poderia imaginar.
“Essa magia é poderosíssima. Mais forte do que qualquer coisa em nosso reino. Há muitas lendas sobre esses objetos. Ninguém nunca vira nenhum, de modo que se tornaram lendas.”
Segurei o saquinho e lembrei-me das instruções de Abigail. Você deve pronunciar essas palavras bordadas nele e ele providenciará o que você precisa. Espero que esteja certa, Abigail. Eu realmente preciso de ajuda agora.
“A fronte praecipitium, a tergo lupi.”
No instante seguinte, observei o saquinho tomando o formato de uma pequena garrafa. Eu nunca iria me acostumar com isso. Regina me olhava incrédula. “Estou começando a achar que você ficou mais poderoso que eu.”
Abracei-a e entreguei a ela o saquinho. Assim que ela tirou a garrafa dele, o saquinho se desfez em uma fumaça bordô.
“É por isso que ninguém nunca viu esses objetos.” Resmungou ela e eu sorri.
Regina abriu a tampa e entrelaçou seus dedos aos meus. Com cuidado, ela bebeu o líquido todo. Respirei fundo. Regina jogou a garrafinha aos seus pés e me abraçou. Dois segundos depois, uma fumaça roxa nos envolveu.
Estávamos no castelo novamente.
Eu estava quase ficando feliz quando notei que as pessoas corriam de um lado para o outro. Ouvi trovões ressoando no céu. Todo esse desespero por uma tempestade? Que exagero!
“Oh não!” Ouvi-a gemer, e seus olhos se encheram de lágrimas.
Busquei o que Regina estava encarando. De longe da montanha, subia uma névoa verde. Névoa de maldição. Zelena. A bruxa má do oeste lançara sua maldição. Era por isso que todos estavam correndo. A maldição os atingiria em minutos. Senti Regina apertando meus dedos com força. Ela estava com medo. Tudo bem, eu também estava.
“O que faremos, Regina?”
Ela me encarou com amor, mas havia também algo incrivelmente assustado dentro dela.
“Regina!”
Viramos ao mesmo tempo, e sorri ao ver Branca de Neve abraçando-a com força, chorando descontroladamente. “Achei que nunca mais a veria novamente!” Regina soltou minha mão para abraçar sua enteada com carinho. Ambas choravam, e eu me senti feliz por estarmos em casa.
“Papa!”
Corri até meu filho, que vinha correndo na minha direção. Beijei o topo da sua cabeça e apertei o pequenino corpo contra o meu. Regina veio até nós e nos abraçou. Permanecemos alguns segundos assim. Quando abri meus olhos, percebi que ela me encarava. “O que vamos fazer? Eu não quero perder você novamente.” Sussurrei.
“Eu não sei o que fazer, Robin.”
“Você tem que casar com o meu papa, Gina.” Choramingou Roland, beijando-a na bochecha.
Regina me encarou e eu a encarei, com a mesma certeza no olhar.
Roland é um gênio.
“Archie!” Gritou Regina, e com algum tipo de magia fez com que o psiquiatra aparecesse na nossa frente.
“Regina?” Ele parecia confuso e ao mesmo tempo irritado. “A maldição vai nos atingir em minutos! Será que nem assim você consegue me deixar em paz?”
“Case a gente.” Disse ela, sorrindo e eu adorei o som das palavras.
“Como?” Ele parecia confuso.
“Case a gente logo, grilo.” Reafirmei o que ela dissera. Anda, amigo. Estamos sem tempo.
“Isso é sério?”
“Pela misericórdia dos deuses, Archie. Case logo a gente! A névoa está chegando!”
Ele virou-se para mim, e eu podia jurar que ele estava me analisando, na certa me considerando um lunático suicida ou algo assim. Não me importo com isso. Tudo que quero é que meu laço com Regina seja selado, de modo que a maldição não nos separe.
“Acredito que os votos serão improvisados, não é?” Questionou ele, mas recebeu um olhar pouco amigável da minha futura esposa e por isso, acelerou o processo. “Regina. Comece.”
“Eu, Regina, aceito você, querido e adorável Robin Hood, como meu querido esposo. Prometo estar ao seu lado em todos os momentos, de vida ou de morte, independente de reino, independente de feitiços e maldições. Prometo-lhe total posse do meu coração, porque sei que é ao seu lado que pertenço. Prometo-lhe fazer o meu melhor para nossa família. Só não preciso prometer amá-lo e respeitá-lo, pois meu amor por você está longe do meu controle. Longe da minha alçada. É como um bem maior, alocado para sempre no interior da minha existência. Nem a morte conseguirá fazer com que eu deixe de amar você.”
Archie estava boquiaberto, e eu senti vontade de beijá-la.
“Robin.” Chamou o psiquiatra. “Apresse-se.”
“Regina… Hoje, eu lhe entrego meu coração. Aceito você como minha amada esposa, e prometo, que serei compreensivo, fiel, colocando a felicidade da nossa família sempre em primeiro lugar. Onde quer que os caminhos nos levem, seja na vitória, seja na derrota — eu estarei ao seu lado. Você é o meu amor, e a minha vida, você é cada linha, cada palavra, é o meu tudo. Eu aceito como meu objetivo fazer seus dias repleto de amor, felicidade e companheirismo. Eu amo você, Regina. Mais do que achei que conseguiria amar alguém.”
Archie olhou para Regina e depois para mim. Ele parecia não estar acreditando muito no que estava acontecendo. Mas engoliu em seco.
“Sendo assim, pelos poderes a mim concedidos pela Rainha, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.”
Regina puxou-me pela bainha da roupa, e me beijou. Deixei que meus braços circulassem sua cintura e a segurei contra mim. Roland enfiou-se entre nós, nos abraçando. Nossas bocas curtiam uma a outra, deliciadas pela sensação de posse. Regina era minha. Minha esposa.
Peguei Roland no colo e notei a névoa circulando o castelo. Chegara a hora. Regina me abraçou e ficamos os três abraçados, enquanto todo o castelo era tragado pela mágica da maldição. Regina acariciou meu maxilar e beijou o topo da cabeça de Roland.
“Eu amo você, querido.”
“Eu também te amo, Gina.” Respondeu o pequeno, sorrindo.
Vi os olhos dela se enchendo de lágrimas e a beijei.
Foi minha última lembrança antes da cortina feita de névoa verde nos atingir.
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