Conexões Perigosas

22 Verdadeiro nome


Tourmaline passava a maior parte do seu tempo livre estudando através de vários livros bruxos ou fazendo pinturas, afinal, quando morava no mundo trouxa com sua família adotiva estudava Artes em uma universidade da Inglaterra. Dessa vez estava em seu quarto pintando um autorretrato com tintas trouxas comuns. Terminando sua obra colocou-a para secar na janela do quarto, sendo derrubada ao chegar de uma coruja com uma carta.

—Mãe? –Tourmaline disse com a voz emotiva ao reconhecer a letra de Sapphirus no papel e rapidamente abriu-a, lendo:

“Querida Tourmaline, provavelmente estarei morta assim que você receber esta carta, mas a morte não precisa significar ausência total. Consegui vivenciar parte de sua feliz, porém agitada infância, e você sempre me alegrou com sua infinita simpatia me fazendo sorrir até mesmo nos momentos difíceis que vivemos em minha atual linha do tempo.

Antes de tudo quero pedir perdão por colocar nossa família em grave risco ao me aliar falsamente ao Lord das Trevas, mas os motivos que me levaram a isso foram simplesmente para derrotá-lo e proteger tanto o mundo trouxa quanto o bruxo, motivações dignas, penso eu, espero que entenda.

Minha amiga, Anna Lewis, cedeu a casa em que estamos refugiadas no mundo trouxa, mesmo enfrentando alguns problemas com a Guerra Bruxa ela nunca deixa os amigos necessitados. Harlow não está tão bem quanto nós, mas acredito que Dumbledore e a Ordem da Fênix o ajudarão em breve.

Sei que não poderei compensá-la com a minha presença para vê-la crescer ou até mesmo ensiná-la a fazer alguma poção mágica interessante, mas quero que viva num lugar especial, deixarei de herança para você o lugar onde cresci, a casa da minha família agora é sua. (... casa de número 590), não esqueça a palavra mágica para abrir a porta: IUSTITIA. Existe uma chave escondida na casa, está dentro de um vaso de cerâmica que fica na lareira. Ruby também receberá uma carta dizendo a sua devida herança, fiz o voto perpétuo com um amigo de longa data para entregar-lhes as suas devidas cartas.

Espero ter saciado parte de suas saudades com estas palavras, não se esqueça Maline, eu te amo!

Sapphirus Erin Iuglandis

25.10.1981 às 11:27 p.m.”

Lágrimas escorriam pelo delicado rosto de Lin ao ler e imaginar sua mãe a chamando pelo antigo apelido, “Maline”. Colocou novamente o autorretrato apoiado na janela e deitou-se na cama encarando a bonita caligrafia de Sapphirus. Chorava pela saudade que sentia de ver a sua família completa; um pai de expressões sérias, uma mãe sorridente, uma irmã de 1 ano que dormia o dia inteiro e um elfo doméstico como melhor amigo. Mas seus pais estavam mortos, quase não via Ruby, e Marvin era um elfo livre e sempre ocupado, sua vida estava diferente. Ela sabia que nada de sua antiga rotina voltaria, então mais forte resolveu se recompor e sem compartilhar as informações de sua carta com qualquer pessoa, saiu da casa de Anna sem notificá-la e foi confiante em direção à casa que um dia já havia sido de sua mãe, ela queria conhecer sua herança.

Usando um método comum de transporte bruxo Tourmaline seguia para o endereço que estava escrito na carta em que recebera, enquanto memórias felizes com a família Iuglandis passavam por sua mente, como em um filme mudo, apenas as imagens lhe importavam. Lin era uma jovem que tinha maior facilidade para guardar memórias visuais mesmo sendo um pouco esquecida normalmente. Após aproximadamente 25 minutos ela chegou numa rua com mansões de várias famílias ricas e tradicionais do mundo bruxo.

— Caramba, vou ter que andar por essa rua toda? –Disse ela para si mesma já que não encontrava a casa que procurava.

Após mais alguns minutos caminhando pela longa rua, pôde avistar uma mansão de cores amarela e preta, certamente era o lugar que sua trisavó –Adamantem Baumann- lufana havia construído com sua fortuna muitas décadas atrás, e com certeza a casa onde Sapphirus havia crescido. Sem perder seu precioso tempo Tourmaline foi em direção à porta da mansão, girou e sacudiu sua varinquaha apontando para a fechadura e sussurrou “Iustitia”.

Imediatamente a porta destrancou-se, era certo que Lin utilizasse esse método para entrar no lugar já que a única chave de que era ciente da existência estava do lado inferior e próximo à lareira da sala de estar. Entrou calmamente na casa fechando a porta, e com diversos olhares curiosos e surpresos com o que conseguia enxergar.

A sala em que entrara parecia ter o tamanho do quarto onde ela ficava escondida em Hogwarts, a decoração era antiga mas ainda assim única e bela. Andou rápido até a lareira assim que a viu e pegou a chave da mansão que se encontrava embaixo de um belo vaso de cerâmica verde e amarelo. Guardou a chave em um dos bolsos interiores de seu casaco azul quando decidiu ver o que mais tinha dentro da cerâmica. Colocou a mão direita trazendo para fora do recipiente um ingrediente mágico que parecia enxofre, aproximou do rosto para poder identificá-lo mas isso trouxe apenas uma reação diferente, Lin deu um passo para a direita e nem teve tempo suficiente para perceber que já estava dentro da lareira, o pó fez com que Tourmaline espirrasse, fazendo o ingrediente cair no chão da lareira e transportando-a dali.

Lin aparatou em um lugar estranhamente calmo, saiu da lareira e também da casa abandonada para onde foi transportada, ela não tinha pó de Flu para voltar para a sua nova casa e não sabia que lugar era aquele, estava completamente perdida.

Chegou numa rua escura com casas que pareciam estar abandonadas a muito tempo, andou sem parar por quase uma hora até chegar ao ponto de ficar cansada e sentar no meio fio de uma calçada, estava quase desistindo de procurar por algum lugar conhecido ou por alguém quando, de repente, ouviu ruídos de pessoas conversando próximo dali. Levantou-se, virou o olhar para o seu lado esquerdo e enxergava os borrões de dois corpos.

“Será que sou míope?”- Ela imaginou já que não conseguia compreender o que estava vendo. Decidiu se aproximar e apenas por isso pôde entender quem eram as duas pessoas que estavam em seu campo de visão, reconhecendo os dois, gritou pouco antes de saírem dali:

—Dumbledore! Harry Potter! –Ela correu em direção a eles chamando a atenção para si.

—Tourmaline? O que faz aqui? –Dumbledore perguntou assim que ela se aproximou ofegante.

—O que? Tourmaline? Não seria esse o nome a irmã da Ruby, que está morta? –Harry não entendeu e Lin não conseguindo disfarçar arregalou os olhos na direção de Dumbledore, que apenas com um gesto positivo com a cabeça a acalmou.

—Harry, teremos de lhe explicar assim que chegarmos a Hogwarts. Mas por enquanto, terá de guardar segredo.

—Certo. –Harry assentiu um pouco surpreso.

Dumbledore estendeu o braço para os jovens que o tocaram e desaparataram em seguida. Desse dia em diante todo e qualquer bruxo saberiam o verdadeiro nome de Lin, saberiam finalmente que Tourmaline Maya Iuglandis estava viva.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.