Conectando-se
19 Capítulo 19 - Reconquistando
Notas iniciais
Reconquistando gerúndio do verbo reconquistar. O mesmo que: restaurando, recuperando.
***
— Nossa, eu preciso desesperadamente de um café. — Sara comenta com Nick após soltar mais outro bocejo — o quinto — em um curto espaço de tempo em que estão ali na sala de áudio e vídeo.
Os três meses em que ficou de licença médica, deixaram-na desacostumada com o horário de trabalho. É a sua quarta noite de volta à ativa e ela vem sofrendo para aguentar o turno inteiro. Seu relógio biológico ainda está demorando para se readequar com aquele horário que antes do acidente, ela era tão acostumada a seguir.
Nick a olha e sorri com dó da amiga.
— Vai lá, Sara. Eu vou assistindo essas fitas sozinho, quando você voltar eu te atualizo caso apareça algo relevante para o caso.
— Vou aceitar a sua proposta. Prometo não me demorar.
Ele assente, voltando a encarar a tela do computador após sua amiga deixar a sala com rapidez.
Enquanto vinha pelos corredores, Sara torcia para ter café pronto na copa e, principalmente, ser um café recente. Caso contrário, terá de se virar sozinha com a cafeteira nova que ainda não sabe mexer direito. O utensílio super moderno, com controles eletrônicos, tinha sido comprado recentemente após o antigo queimar.
Ao adentrar na copa, ela vai direto ao balcão onde está a cafeteira. Para sua sorte tem café e parece ter sido feito recentemente. Se serve de um pouco e ao se virar após bebericar uma pequena quantidade da bebida quente, é que nota a presença de Grissom do outro lado da copa, segurando uma caneca de café enquanto está encostado à pia. Ele está elegantemente vestido em um terno marinho e é visível sua cara de cansado.
— Olá! — Sara toma a iniciativa do cumprimento após ficarem em silêncio se encarando por quase meio minuto.
— Oi, Sara!
Grissom não contém o sorriso tímido de felicidade por estar vendo Sara depois de, praticamente, uma semana que passaram sem qualquer contato.
Quando seu avião pouso de volta em Las Vegas após longos e tediosos quatro dias em que passou em Los Angeles, participando daquela evento do governo, o qual ele tinha ido representando o Laboratório Criminal, o diretor não pensou duas vezes em vir ao laboratório altas horas da noite, com a desculpa de pegar uns papéis caso alguém perguntasse a razão de estar ali naquele horário, quando na verdade estava ali somente pelo simples propósito de ver Sara, ainda que de longe, mas vê-la circulando por um dos corredores do lugar. Só não achou que conseguiria também falar com ela.
— Como tem passado? — com alguns passos, Grissom se afasta da pia e se aproxima da mesa de refeições que está posta entre Sara e ele.
— Bem melhor por estar de volta ao trabalho. Porém sofrendo um pouco para me readequar ao horário. — de modo involuntário, a morena acaba deixando escapar um sorriso ao falar esta última parte.
Grissom assente com um espichar de lábios e sem tirar os olhos da perita.
Todo esse tempo sem contato com Sara apesar de pouco, lhe pareceu uma eternidade. Sentiu falta dela a cada dia em que não se falaram.
Os meses em que passaram em constante contato pelo celular, lhe fizeram criar uma dependência absurda da morena. Sentia uma falta danada das conversas deles, de receber suas mensagens de "bom dia" ou então seus áudios alegres. Era a melhor forma de iniciar suas manhãs.
Só que desde que Sara soube a verdade, acabaram-se as mensagens e os áudios, ficando no lugar um amargo silêncio e a ausência total de contato. Isto está matando Grissom por dentro.
— E seu pé?... Não sente mais nada? — preocupa-se em saber.
— Ah, ele está ótimo. Não sinto mais nada. Só que ainda tenho que manter aquele cuidado de não forçá-lo muito.
— Claro. — balança a cabeça de leve.
"Me perdoa!", Grissom sente ímpetos de dizer, mas se cala por achar que aquele AINDA não é o momento e nem o lugar.
O silêncio outra vez toma conta do ambiente. Sara observa seu chefe e com surpresa não o vê desviar o olhar dela como habitualmente Grissom cansou de fazer ao longo desses anos todos em que eles já trabalham juntos. Pelo contrário, o diretor faz questão de sustentar o olhar e ficar lhe encarando de volta de uma maneira um tanto doce e carinhosa, que faz o coração da morena balançar.
De forma inevitável e involuntária, ela acaba se recordando de todas as coisas que Arthur lhe disse enquanto encara Grissom.
— E você como está? — Sara quebra o silêncio com a pergunta enquanto seus olhos desviam dos azuis do diretor para à xícara em suas mãos.
Assim que pôs os pés de volta ao trabalho, Sara ouviu dos colegas sobre Grissom estar fora da cidade em viagem representando o Laboratório em um evento do governo. No fundo ficou aliviada por saber daquilo. Ainda não estava preparada para encontrar o chefe ainda. E, agora, que o tem diante de si, descobre que também ainda não estava preparada para esse encontro, mesmo após os dias de ausência do diretor no laboratório.
— Cansado da viagem e de ficar fazendo politicagem com um bando de gente chata.
"E, principalmente morrendo de saúdes de você!", Pensa o homem.
— Deve ter sido um saco para você essa viagem, já que detesta esse lance de política.
— Pois é... — por incontáveis vezes Grissom sentiu ímpetos de vir embora do evento, por não suportar mais toda aquela puxação de saco e blá blá blá de conversa política. Mas, para sua infelicidade não podia deixar o evento, porque estar lá fazia parte agora do seu trabalho. — Mas pelo menos consegui fazer alguns contatos rentáveis para o laboratório.
— Menos mal!
Outra vez o silêncio se faz presente. Porém dura apenas um instante, já que Sara se pronuncia outra vez.
— Grissom... — Sara deposita sua xícara de café sobre a mesa e juntando as mãos, encara o diretor.
— Está tudo bem, Sara?
O homem nota que a expressão da perita muda drasticamente para bem mais séria.
— Eu quero aproveitar a oportunidade para te pedir desculpas pelo que o Greg fez.
Assim que retornou do Alabama, ela ficou bem irritada ao saber pelo próprio amigo sobre Greg ter ido contra o que lhe prometeu. Sara quis matar Sanders por isso. Falou um monte ao amigo que ouviu calado, para não atiçar mais a ira da morena.
— Você não tem porquê se desculpar, Sara. Está tudo bem.
— Não está tudo bem, não. Greg não tinha nada que fazer o que fez. Agiu como um intempestivo, irracional e se não fosse pela sua benevolência que eu soube, ele poderia estar sem emprego agora.
A morena acabou descobrindo sem querer por Catherine, que Grissom além de não querer punir Greg pela agressão, ainda pediu para que aquele fato fosse mantido em sigilo para não chegar aos ouvidos de terceiros, o que provavelmente prejudicaria e muito Sanders.
— Eu não poderia punir um amigo por estar defendendo a amiga, sendo que eu sei que merece aquilo. Sem contar, que no lugar do Greg, eu também teria a mesma atitude para defender a Catherine.
— Ainda assim, ele não...
O ruído sonoro do celular de Sara interrompe sua fala. A perita puxa o aparelho do bolso da calça e vê na tela o nome de seu companheiro de trabalho, piscando na tela.
— Fala, Nick!
— Ei, achei uma pista quente sobre o nosso caso. Você já terminou de tomar seu café?
— Já sim.
— Então corre pra cá, porque acho que temos um suspeito em potencial.
A morena podia sentir a empolgação do colega com quem fazia dupla aquela noite.
— Já estou indo então.
Ela encerra a chamada e encara Grissom que durante os poucos segundos em que a morena esteve falando ao celular, ficou observando-a direto.
— Eu preciso ir.
Grissom assente.
— O Greg vai te procurar pra pedir desculpas.
Sarah tinha feito seu amigo prometer que se desculparia com o diretor pela agressão cometida, assim que Grissom retornasse de sua viagem.
— Não tem necessidade disso.
— Tem sim. E se não for pedir muito, gostaria que você o desculpasse.
— Eu já desculpei.
— Bom!... Agora preciso ir.
— Sara! — Grissom chama quando a perita está alcançando a porta de saída da copa.
— Sim?
— Se eu, ao invés de, te pedir que me desculpe, peça que me perdoe por tudo... Você é capaz de me perdoar também, como eu já perdoei o Greg?
Grissom indaga dando algumas passadas lentas até se aproximar um pouco mais da perita.
— Nesse momento não! — responde com sinceridade. — Agora, preciso ir. Até mais.
Ela sai às pressas da sala, deixando Grissom sozinho e entristecido pela negativa que ouviu.
***
"Conquistar uma pessoa é fácil, o difícil é reconquistar", alguém disse por aí.
Há quem concorde e quem discorde da frase.
O fato é que na conquista precisamos mostrar ao outro quem somos e lidarmos com sentimentos como: atração, desejo, envolvimento, amor, entre outros.
Já na reconquista precisamos mostrar ao outro quem deixamos de ser. E as emoções com as quais lidamos agora são outras: ressentimento, falta de perdão, incompreensão, dor, revolta e outras emoções desencontradas e difíceis de lidar.
Sem contar a quebra de confiança que precisamos recuperar.
Mas... Confiança se recupera?
Os mais otimistas dizem que SIM. Só que não é nada fácil conseguir isto, pois como já dito antes: reconquistar é muito mais difícil do que conquistar.
Porém, a boa notícia é que o amor é o mais poderoso de todos os sentimentos humanos. Se há amor, ele supera tudo.
O amor restabelece as coisas, cura as feridas, lava a alma, completa a vida das pessoas.
O amor é um bálsamo divino para superar a dor da perda, dores em geral.
É certo que a vida é cheia de altos e baixos, dúvidas e certezas, erros e acertos. Ninguém é perfeito neste mundo. Mas se você ama uma pessoa de verdade, esteja preparado/a para se humilhar. A expressão pode soar forte, mas é isso mesmo. Você terá que se humilhar para provar àquela alma ferida que ela é tudo para você, que você não consegue viver sem ela.
E é, exatamente isto que Grissom resolve que fará. Ele irá provar à Sara que é merecedor do perdão da perita e, principalmente, de uma chance com a morena, pois Sara é tudo para ele e não consegue mais viver sem ela.
E sua primeira ação é mandar uma mensagem de texto com um bom pedido de perdão.
"Sara... Não sei se você lerá esta mensagem ou a apagará sem ao menos abrir. Quero acreditar e torcerei muito para que você dê uma chance a mim de abrir e ler o que estou te enviando. Primeiro de tudo, quero dizer que não há desculpas pela forma como errei com você. Nunca foi minha intenção magoar alguém como você, por quem eu tenho tanto amor. E é do fundo do meu coração que eu lhe peço perdão. Não peço que esqueça o que cometi de errado, mas sim que me perdoe. Errei, menti, falhei e perdi, mas só vou descansar quando você me perdoar. Sei que talvez, eu não mereça o seu perdão, mas você merece um pedido de desculpas eterno meu."
Ao apertar o botão de enviar, Grissom suspirou. O primeiro passado tinha sido dado. Agora era seguir com os outros.
***
Sara leu e releu a mensagem uma porção de vezes logo que chegou em casa, porém não mandou nada em resposta. Grissom precisará muito mais do que um texto daquele, com palavras bonitinhas para ganhar seu perdão. Mas tem de admitir que achou fofa a mensagem.
No dia seguinte lhe chega outra mensagem pela manhã, também logo após chegar em casa.
"Bom dia!
Você pode não ter me perdoado ainda, mas...
Vou te reconquistar. Mesmo sem saber por onde começar.
Vou te reconquistar. Mesmo sem saber quantos muros pra isso vou derrubar.
Vou te reconquistar. Mesmo que os monstros da minha alma eu tenha que matar.
Vou te reconquistar. Mesmo que dá história, histórias de dor eu tenha que apagar.
Vou te reconquistar. Mesmo que por horas meu coração venha a parar.
Vou te reconquistar. Mesmo que por mais um único segundo, viver no teu olhar.
Vou te reconquistar. Mesmo que eu invente um novo significado para a palavra amar.
Vou te reconquistar. Todos os dias até o mundo acabar.
Vou te reconquistar... só para cada segundo valer a pena te amar.
Alguns segundos antes da minha vida acabar...
Ainda terei tempo para mais uma vez...
Te reconquistar."
Mesmo tentando bancar a forte e não se deixar abalar pelas palavras bonitas do texto, inevitavelmente, ao fim da leitura Sara tem um discreto sorriso torto no canto dos lábios e os olhos levemente marejados.
Pelos dias seguintes daquela semana, a morena recebeu de Grissom uma mensagem por dia, sempre pela manhã após chegar em casa. E todas as mensagens começando sempre com um "bom dia" seguido de um poema ou um texto.
Na semana seguinte as mensagens se transformaram em bilhetes que ela encontrava dentro de seu armário ao final do turno.
"Se você desistir de mim,
simplesmente vou te reconquistar;
De você não desisto nunca..."
Cada dia um novo bilhete com uma nova mensagem sobre perdão e reconquista.
"Eu sei que te magoei mas eu vou fazer de todas as formas possíveis, pra te reconquistar de novo."
Sara no fundo já se vê admitindo que... Tem começado a gostar de tudo aquilo.
As mensagens anteriormente enviadas, e agora os bilhetes que chegam, estão conseguindo mexer com ela, fazendo o ressentimento ir diminuindo a cada dia um pouco mais.
"A mágica do amor não é conquistar uma pessoa a cada dia, e sim reconquistar a mesma todos os dias."
Seu chefe tem se mostrado empenhado mesmo em reconquistá-la.
Em cada pequeno texto como aquele em que ele deixa dentro do armário da perita, sabe lá Deus em que momento do horário corrido do serviço dele e sem deixar que alguém o veja fazendo isso. Grissom só reforça mais suas intenções de reconquistá-la.
"Você é a mais bela de todas as poesias,
Feita de versos que rimam com perfeição,
Vou recitá-la ao ritmo do seu sorriso,
Guardá-la para sempre no coração."
***
Certa vez, mais precisamente, na terceira semana desde que Grissom começou a lhe mandar primeiramente mensagens pelo celular e, posteriormente deixar bilhetes dentro de seu armário, Sara foi surpreendida quando estava com os amigos quase no fim do turno, na sala de descanso, com Juddy aparecendo no local para lhe entregar um vaso com uma planta composta por espetaculares folhas verdes e flores laranjas em formato de pétalas, que chegou na recepção do laboratório em nome da perita.
— Tá, namorando, Sara?
— Eu não! — responde a pergunta feita por Warrick. — Obrigada, Juddy.
— Por nada.
A recepcionista se retira da sala, deixando Sara sob olhares de inquisição dos amigos.
— Então é algum admirador secreto, que arranjou. — supõe Nick.
A morena não se dá ao trabalho de dizer algo em resposta, pois está mais curiosa em saber quem mandou aquilo, ainda que remotamente desconfie de quem possa ter sido.
Será que ele teria coragem?
Com o cartão em mãos, ela lê a seguinte mensagem:
"Esta planta é um Lírio. Eles têm vários significados dependendo da cor. Esse lírio laranja, especificamente, representa admiração e fascínio, que são duas coisas que tenho por você."
Não há assinatura e a mensagem tampouco foi escrita a punho, mas de um modo estranho e curioso, Sara acredita que tenha sido Grissom quem lhe mandou aquilo.
A morena sorri de modo contido pela ousadia de seu chefe. Mais um sinal de seu empenho em tentar lhe reconquistar e ganhar seu perdão.
— De quem é, hein Sara?
— Não sei, Greg. Não veio com assinatura. — mostra aos companheiros curiosos o cartão.
Ainda bem que Grissom não assinou ou escreveu de próprio punho esta mensagem ou os companheiros de trabalho, seriam capazes de reconhecer sua letra.
Com seu vaso de lírio, Sara ia em seu carro toda sorridente. No percurso para casa vez ou outra, ela lançava um olhar para o vaso de lírio e inevitavelmente, deixava escapar um sorriso.
Será mesmo que foi ele?
Havia cinquenta por cento de dúvida e os outros cinquenta eram de uma certeza ilusória.
E caso tenha sido seu chefe. Grissom está conseguindo lhe dobrar com todos aquelas mensagens e gestos delicados. Mas o curioso é que a perita mal tem visto o diretor ao longo desse tempo em que Grissom vem lhe mandando aquelas coisa. O diretor parece ter se escondido enquanto lhe envia as mensagens.
— Ai, Grissom o que eu faço com você?!
***
Gil entra em casa esgotado pelo dia atribulado. Reuniões com o secretário, depois o prefeito e para fechar o pacote, ainda teve que lidar com questões burocráticas quanto aos contratos com os contatos que fez em Los Angeles, os quais renderão tecnologia de ponta ao laboratório.
Mas um sorriso escapa por seus lábios enquanto larga sobre o aparador as chaves e umas pastas, ao se recordar da imagem de Sara sorrindo para o vasinho de planta amor-perfeito de cor roxa, que o diretor havia dado um jeito de colocar dentro do armário da morena. Junto ao vaso da planta tinha um bilhete com os seguintes dizeres:
"Não somos um amor para recordar e sim um amor para viver!"
E o diretor dará tudo o que tem e também o que não tem, para viver aquele amor.
Já tem mais de três semanas que está mandando mensagens, bilhetes e recentemente plantas acompanhadas com um bilhete, tudo com o intuito de reconquistar seu amor.
De Sara não recebeu qualquer resposta por nenhuma das coisas que enviou, o que é um pouco frustrante, mas paciência. Não será por isso que desistirá de sua reconquista, do seu grande amor.
A única razão que lhe fará desistir disso, será se Sarah lhe mandar parar com aquilo. E, como até agora ela não mandou, então, o diretor segue firme e forte em sua empreitada, com a esperança de já estar próximo de, quem sabe, ser perdoado. Caso ainda esteja longe, continuará e não irá parar sem conseguir o perdão de Sara e assim, tê-la em sua vida do jeito que devia ter sido desde certa palestra.
Mais dois dias de bilhetes deixados dentro do armário de Sara e então Grissom foi mais incisivo em suas intenções.
***
"Você balançou meu mundo à primeira vista. Fez com que eu desconsiderasse qualquer pessoa que se aproximasse de mim.
Não foi como de costume, não foi como se encantar, ou gostar, não foi nada disso.
Foi alguma coisa que eu não sei ao menos explicar, uma espécie de transe, conexão.
Eu soube que pertencia a você.
Todas as partes de mim se atraiam como pólos negativos e positivos.
Era engraçado, porque mesmo com os meus medos, eu idealizava nas minhas lembranças, sonhos e pensamentos, momentos entre nós dois. Momentos lindos e felizes.
Eu nunca assumi isso a você nem a ninguém, mas agora estou aqui e essa é a minha confissão, a minha redenção.
O que sinto por você é maior que qualquer coisa que já fui capaz de sentir na vida. É incapaz de ser explicado. É a certeza. A razão, o motivo. É pra vida toda. É simplesmente amor!
Eu amo você, Sara Sidle!
Amo como nunca amei ninguém antes!
E nada me fará mais feliz nesse mundo que passar o resto da minha vida ao seu lado, honey!"
Às lágrimas, é assim que a perita se encontra sentada em sua cama, com o celular em uma das mãos enquanto a outra está sobre a boca, abafando os soluços de seu choro, após ouvir o áudio enviado por Grissom mais cedo enquanto ainda estava dormindo.
Assim que pegou o aparelho para ver as horas, a morena se deparou com a notificação de uma mensagem de Grissom no aplicativo de mensagem instantânea. Abriu seu contato e com surpresa viu que se tratava de um áudio. Colocou para escutar e o resultado era aquele seu estado em prantos.
Aquela mensagem tão linda, verdadeira e genuína vinda na voz quase trêmula do homem, tocou e emocionou Sara em um grau que fez cair por terra o último resquício de ressentimento que ainda podia haver dentro de si por seu chefe.
Inevitavelmente, ela se recorda de uma das muitas coisas que Arthur lhe disse e que foi, algo no qual lhe marcou dentre tudo.
"[...]Mas tenha em mente uma coisa... que no fim das contas... Você se apaixonou duas vezes pela mesma pessoa, Sara! Porque foi o Grissom quem mais falou com você. Eu e você só nos falamos por uma semana. Você e ele foi quase três meses. Isso é algo muito significativo e que merece ser visto com carinho, Sarah!"
Sim, merece.
Porque SIM, ela se apaixonou pela mesma pessoa duas vezes.
***
Assim que fechou a porta de sua sala após a saída de Conrad, Grissom praticamente correu de volta até sua mesa para pegar o celular e retornar as ligações que Sara vinha lhe fazendo.
A morena já havia ligado três vezes pelo que o diretor notou pela tela do celular que se encontrava no silencioso. Porém, infelizmente Grissom não podia atender a chamada da perita por estar tratando de um assunto muito importante com o Xerife. Mas assim que Ecklie saiu dali, Grissom não pensou duas vezes em retornar a chamada. Só que antes que apertasse o botão para "chamar", uma ligação de Sara tomou a tela do aparelho celular.
— Oi, Sara! Desculpa não ter atendido suas ligações anteriores, eu estava em reunião com o Conrad e só agora que me livrei dele. — em um fôlego só o diretor se apressa em justificar para a mulher.
— Tudo bem, Grissom. Calma e respira. — diz Sara em tom risonho da presa com a qual o diretor falou.
Grissom faz exatamente o que Sara diz: se acalma e respira, antes de indagá-la se aconteceu alguma coisa.
— Gostaria de saber quando é a sua folga?
— Mi-minha folga? — indaga o homem enquanto se senta em sua cadeira.
— Isso!
— Depois de amanhã. Por quê?
— Então, depois de amanhã te espero no Mon Ami Gabi, às 17h.
Foi tudo o que o diretor escutou antes do click finalizando a ligação, sem qualquer despedida ou explicação de Sara para aquele convite inesperado.
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