Conectados por laços
11 Problemas do coração
Notas iniciais
Quando cheguei em casa não consegui mais parar em tudo isso que havia acabado de acontecer.
— Eu gosto do Thomas.
Isso se repetia em minha mente sem parar. Isso ainda é algo que não consigo acreditar. Como não notei isso antes?
Me sentei no sofá , não consegui nem ligar a TV. Ainda estava tentando captar tudo.
— Mariana? – Disse Rafael aparecendo do nada.
— AI QUE SUSTO. – Berrei, fazendo-o tampar os ouvidos.
— Ué, eu cheguei e você estava parada aí parecendo uma estátua. – Disse ele jogando a mochila no sofá e indo para a cozinha.
— Ah! Eu estava... vendo como a TV desligada está suja, acho que a casa precisa de uma faxina. – Falei pensando em alguma desculpa rápida. – Podemos tirar esse fim de semana para limpar.
— Pode ser. – Disse ele.
— E aí, como você está se sentindo? – Perguntei
— Já me perguntaram isso umas três milhões de vezes hoje. – Disse Rafael. – Eu tô legal. Não precisa esquentar a cabeça comigo.
— Hum. – Falei. – Desde que nos mudamos para cá você mal fala sobre como está as coisas, eu hein.
— E você é outra que anda de segredos. Por exemplo, você tá chateada com alguma coisa, não é? E naquele sábado lá, com quem você saiu? Fala sério né mana.
— Uuh, ele está sensível ele. – Falei me retirando.
— Asjdsjfh. – Ele disse alguma coisa que eu não entendi.
***
Já era meia noite praticamente e eu não estava conseguindo dormir. Não parava mais de pensar em tudo isso. Acabei pegando o celular e ligando para a Nádia.
— Hello? Mari? – Disse Nádia
— Nossa Nádia, você vai dormir tarde todos os dias? – Perguntei, olhando a escuridão do meu quarto.
— Nem todos. É que eu não estou conseguindo parar de assistir minha série amiga, socorro. – Disse ela
Comecei a rir.
— Mas me conta, o que te deu em me ligar essas horas. – Perguntou Nádia
— Eu imaginei que você fosse a única a me atender meia noite. – Falei. – Ér... como dizer isso...
Estava hesitando se deveria contar ou não.
— Conta logo amiga, está me deixando curiosa. – Disse ela
— Eu gosto de alguém Nádia. – Falei me cobrindo com o edredom.
— PERDÃO? PODE ME EXPLICANDO ISSO DIREITO. – Disse ela bem alto no telefone.
— Eu estou gostando de alguém, mas ele já gosta de outra garota. – Falei
— Miga do céu. – Disse ela
O que eu estava fazendo? Isso tudo é apenas uma confusão, estou sendo idiota. É apenas uma paixãozinha. Eu sei que vai passar, não é e nunca vai ser amor de verdade.
— N-nada não, obrigada por escutar. – Falei
— Mari, Mari? – Disse ela
Desliguei a ligação e continuei olhando para o nada até pegar no sono.
***
Quando entrei na sala de aula no dia seguinte não sabia nem onde enfiar a cara. Nádia brotou na minha frente de repente.
— Podemos conversar Marianazinha? – Perguntou Nádia me puxando para longe dali.
— Ta. – Respondi.
— Minina, que ligação foi aquela de ontem? Você gosta mesmo de alguém?
— Droga, e agora o que eu digo? – Pensei. Tentei pensar em algo convincente e rápido para disfarçar.
— Ahahaha,é claro que não... eu só estava passando um trote em você.– Falei
— Um trote? – Perguntou Nádia, visivelmente decepcionada.
— SIIM! E você caiu direitinho, hihi. – Falei fingindo rir.
— Ahh, fala sério pensei que fosse alguma coisa mais séria. – Disse Nádia marchando para a sala.
— Ufa. – Respirei aliviada. – Agora é só tomar cuidado para não dar outro vacilo.
Voltei para a sala de aula.
— Então garotas, eu estava planejando da gente fazer uma festinha do pijama lá na minha casa. – Disse Luana.
— Oh sim, você comentou isso ontem. – Disse Nádia.
— Já confirmei presença. – Disse Débora mexendo no celular.
— Nossa então eu fui a última, a saber. – Falei. – Quando vai ser?
— Meus pais vão viajar esse fimdi aí eu pensei da gente fazer essa festa do pijama, vamos poder gritar, ouvir música alta e muitas outras coisas a vontade. – Disse Luana
— Por mim tudo bem, vou confirmar presença também. – Falei rindo.
— Perfeito então, depois a gente combina o horário e tudo direitinho. – Disse Luana dando joinha para mim.
— O que você tá fuxicando aí Débora? – Disse Nádia tentando espiar o que Débora estava vendo no celular.
— Nada. – Disse Débora, guardando o celular.
— Eu podia jurar que vi o Samuel aí. – Disse Nádia sorrindo maliciosamente. – Huuuumm, Débora você deve uma explicação.
— AI NÁDIA SAI PARA LÁ. – Disse Débora empurrando Nádia de brincadeira. – O que aconteceu foi que no dia do trabalho eu tirei uma selfie com o Samuel, mas não cheguei a postar ainda.
— Por que não? – Perguntei – Ele é tão legal.
— Sei lá não somos tão próximos. Vai que ele fica irritado. – Disse Débora. – Mas... você ficou próxima dele Mari?
Antes que eu pudesse responder um professor chegou e tivemos que nos arrumar em nossos lugares.
Olhei ao redor se Thomas havia vindo. Ele estava lá olhando para minha direção.
—... – Encarei aqueles olhos profundos.
— Senhorita Mariana.– Chamou o professor
— Uh?
Finalmente me toquei.
— Desculpe professor, estava viajando agora, rsrs. – Disse eu.
Ele voltou a dar a aula.
— Miga, tem certeza que está tudo bem? Você normalmente adora a aula dele. – Sussurrou Nádia virando para trás disfarçadamente.
— Eu estou bem. – Sussurrei chegando á cabeça para frente, para ela ouvir melhor.
— Okay. – Ela respondeu.
Não consegui prestar a atenção na aula em nenhum momento, ou eu lembrava daqueles olhos profundos do Thomas ou eu lembrava da fome em que eu estava por ter saído de casa sem tomar café da manhã.
Finalmente deu o intervalo, saí voando para comprar um salgado na cantina.
— Ai que saco, está lotado isso aqui. – Falei comigo mesma.
— Oi Mari! – Disse Samuel aparecendo do meu lado do nada.
— Oi Samuel, vai comprar um salgado também? – Perguntei
— Vou. – Ele respondeu enquanto olhava como estava cheio. – Parece que tem bastante gente na nossa frente.
— Né, estou morta de fome aqui. – Falei
Samuel se enfiou no meio das pessoas desesperadas e voltou depois de alguns minutos com um salgado.
— Toma. – Disse ele sorrindo.
— Ah! Obrigada Samuel, você conseguiu tão rápido... – Eu disse. – Aqui meu dinheiro, compra um para você.
— Não precisa, não estou com tanta fome assim.
— Você comprou justamente um dos que eu mais gosto, de frango. – Falei
— Que coincidência, também compro ele direto.
Não consegui pensar em nada para responder enquanto ele sorria olhando para mim.
Nádia deu um pulo aparecendo do nada, como ela sempre faz. Débora e Luana vieram logo atrás.
— Nossa Mari, por isso você saiu correndo né sua loka. – Disse ela me dando tapinhas nas costas quando me viu com um salgado na mão.
— Claro, eu estava morrendo de fome. Ainda bem que o Samuel conseguiu comprar esse salgado para mim. – Falei sorrindo para o Samuel.
— Oi Samuel... – Disse Débora
— Oi Débora, Oi Luana. – Disse Samuel
— Samuel, compra um para mim também? Estou com preguiça de entrar no meio desse povo. – Disse Nádia
— Pede para o seu namorado ué. – Disse Samuel saindo de fininho.
— O DANI NÃO VEIO HOJE E VOCÊ É MAIS RÁPIDO PARA PEGAR O SALGADO. – Gritou Nádia assim que o viu indo embora. – Ai que saco viu.
— Vamos ir lá comprar Nádia, antes que lote mais ainda. – Disse Luana
— Vamos. – Disse Nádia
— Vou esperar vocês lá na sala. – Eu disse.
Enquanto eu estava caminhando pelo corredor e comendo meu salgado, Lanna apareceu na minha frente.
— Olá queridinha. – Disse Lanna. – Gostou de limpar a sala com aquelas ratas da suas amigas?
— Lanna, você não tem vergonha? Precisou ir correndo para a diretora para nos ferrar, já vi que você não tem caráter.
— Me poupe. – Ela respondeu. – Vem comigo.
Ela começou a me puxar pela mão e me levou até o banheiro.
Vick e Aryane estavam lá.
— E você ainda nem viu nada. – Disse Lanna fechando a porta.
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