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33 Garota nova
Notas iniciais
Eu e Rafael saímos para ir ao mercado e comprar coisas que nossa tia pediu.
— Você pegou o sabão em pó? – Perguntei enquanto conferi as coisas que minha tia havia anotado em uma pequena folha de papel.
— Já. Tá aí dentro do carrinho. – Disse Rafael trazendo um saquinho com morangos.
— Você gosta mesmo de morangos né, ô pessoinha para gostar de morango. – Falei rindo da cara dele.
— Aah fala sério né mana, haha. – Ele disse colocando o saquinho dentro do carrinho.
— Então acho que pegamos tudo. Vamos ir pagar. – Falei, guardando o papelzinho no bolso.
— Nem quero ver para levar todos esses sacos para casa. – Disse Rafael sofrendo só de pensar.
— E você ainda não queria vir ajudar. – Falei, enquanto caminhávamos em direção ao caixa.
— Poxa, estava ocupado tentando passar uma fase lá no game. Podia ter vindo com a tia né. – Ele disse
— Ela está ocupada fazendo almoço. – Falei. Comecei a colocar as coisas para a moça do caixa passar. – O tio está trabalhando como sempre, só sobra você né imprestávelzinho.
— Que bosta. – Rafael reclamou.
Passei o cartão e coloquei a senha. Começamos a dividir os saquinhos que cada um iria levar. Sacaneei o Rafael e o deixei levar os mais pesados.
Começamos a caminhar, daria uns 15 minutos até nossa casa. Mas como somos lerdos levaria um pouco mais para chegarmos.
— Argh, todas as coisas pesadas estão aqui. Sinto que meus dedos vão cair com esses sacos a qualquer segundo. – Disse Rafael fazendo uma careta de raiva.
— Que nada. – Falei dando risada da expressão de raiva dele. – Mas que irmão fofo eu tenho.
— Mas é o que? – Rafael deixou os sacos no chão e começou a balançar as mãos. – Já ouvi tantas pessoas me chamarem disso.
— De fofo? Sério? HAHAHA, JESUS. – Comecei a rir alto ali, aposto que muitas pessoas que passavam me encararam.
— É sério caralho. – Disse Rafael, pegando os sacos novamente e voltamos a caminhar.
— E como está indo na sua sala? A gente mal se encontra pela escola. – Perguntei
— Ér... está indo tudo beleza. – Ele respondeu
— Você já encontrou alguém que gosta? – Perguntei curiosa
Ele pareceu chocado com a pergunta, ficou perdido na hora de responder.
— A-alguém que g-gosto? – Rafael respondeu de uma maneira incrivelmente fofa.
— Sim. – Eu disse, com os olhos brilhando. Se eu pudesse vomitar arco íris esse seria um momento perfeito.
— Talvez eu goste de alguém..., mas é diferente do que você imagina. – Rafael disse olhando para o chão.
— MEU DEUS, ENTÃO VOCÊ GOSTA MESMO DE ALGUÉM? ME PERGUNTO COMO ELA DEVE SER. – Falei, acabou saindo mais alto do que eu queria que saísse.
— Puta merda. – Ele disse coçando o ouvido. – Sim eu gosto de alguém. Mas é realmente complicado.
— Complicado? Mas por que mano?
—... Apenas é. – Ele respondeu brevemente
— O que ele quis dizer com complicado? – Pensei
— Mari? – Ouvi alguém me chamar, voltei a olhar para frente e quase cai para trás ao perceber quem era.
— Samuel? O que você tá fazendo aqui? – Perguntei
— Estou voltando do meu curso de informática. Quer ajuda para levar isso? – Ele perguntou
— Se isso não te atrapalhar claro! – Respondi
— Muito prazer meu nome é Rafael. – Rafael disse me olhando feio.
— Sou Samuel. É seu amigo Mari? – Samuel perguntou
— Ele é meu irmão novo. – Falei. Por um minuto esqueci que Rafael estava ali também.
— Que maneiro, não sabia que tinha irmão. – Disse Samuel
— E eu não sabia que fazia curso sábado de manhã. – Eu disse, enquanto ele pegava alguns sacos que eu estava segurando.
— Pois é eu faço em fim de semana porque de segunda a sexta faço outras coisas. – Samuel disse
Começamos caminhar em direção em direção á minha casa.
— Hey, eu também preciso de ajud... – Rafael foi interrompido.
— Que engraçado te encontrar assim do nada. – Falei
— Né, que doideira. – Samuel respondeu
— Eu pensei que você não quisesse mais falar com a gente depois das coisas que a Vick disse. – Eu disse, mas me arrependi de ter comentado sobre isso, pois lembrei da Débora.
— Impressão. Eu fiquei meio sei lá depois dela ter dito aquelas coisas e a Débora não ter desmentido nada. Sei nem o que dizer mais, foi mal. – Samuel parecia se sentir desconfortável com esse assunto.
Rafael continuava ali boiando e sofrendo para carregar os sacos pesados.
Assim que chegamos em frente á casa, Rafael entrou correndo como se sua vida dependesse disso. Samuel me passou os sacos que ele estava segurando.
— Muito obrigada, desculpa se te atrapalhei, você parecia com pressa. – Eu disse
— Não estou com pressa não. – Ele disse rindo. – Não atrapalhou em nada e somos amigos não somos? Qualquer coisa é só falar comigo, cê sabe disso.
O Samuel é com certeza uma das pessoas mais legais da minha sala. Toda vez que ele fala comigo eu me sinto tranquila. Mas por alguma razão eu me senti mal pela Débora.
— Obrigada, haha. – Eu fingi rir. – Então estou voltando para dentro, valeu de novo pela ajuda.
Samuel piscou para mim e eu fiquei sem reação, dei um sorrisinho e apertei o passo para entrar. Assim que fechei a porta comecei a pensar o que tinha sido isso.
***
O fim de semana passou incrivelmente rápido como de costume. Assim que cheguei na escola, comecei a procurar elas. Caminhando mais acabei encontrando Nádia conversando com alguém no corredor.
Nádia estava conversando com uma garota muito bonita. Ela era um pouco mais alta do que a Nádia e eu.
— NÁDIA! – Berrei para ela me ouvir e comecei a acenar.
Nádia olhou para mim.
— MARIII VEM AQUI AMIGA. – Ela berrou de volta.
Me aproximei delas e a garota começou a me encarar.
— Oii, tudo bem? – Perguntei
— Mari essa aqui é a minha prima Amanda. A que eu falei na sexta. – Nádia disse sorrindo.
— Oie, você deve ser a Mariana. Minha prima me contou muito sobre você. – Disse Amanda
— Sério? Nádia espero que não tenha falado merda, haha, brinks. É um prazer conhecer você Amanda! – Eu falei, estendendo a mão para cumprimentar ela.
— O prazer é todo meu. Estou muito feliz de ter vindo para cá. Estava com saudades do Brasil e das pessoas daqui. – Disse Amanda, levando uma mecha de cabelo para trás da orelha.
Ela realmente tem uma áurea de modelo. Ela deve ser uma pessoa incrível.
— Você deve ser muito inteligente. – Comentei
— Não acho que eu seja muito inteligente, mas digamos que sou esforçada. Vou conquistar meus sonhos de qualquer jeito. – Disse Amanda
– Espero que você possa conseguir. – Falei
— E as pessoas daqui são legais? – Amanda perguntou
— CLARO, COMEÇANDO POR MIM. – Disse Nádia
Eu e Amanda começamos a rir.
— E ainda falta você conhecer nossas amigas Débora e Luana. Elas também são top top. – Disse Nádia
— É uma pena que eu não tenha caído na mesma sala que vocês, mas tudo bem! – Disse Amanda sorrindo.
— Tenho certeza de que vai conseguir se adaptar em qualquer lugar que estiver. – Falei
— Obrigada, obrigada. Estou realmente interessada em conhecer mais sobre você...Mariana. Você deve ser mesmo uma pessoa super agradável. – Disse Amanda
— Valeu você também. – Eu disse dando um sorriso.
— Vou continuar mostrando a escola para ela, depois a gente se fala miga. – Disse Nádia
— Até mais. – Falei acenando
— Tchauzinho. – Disse Amanda, ela acenou de volta.
Eu não sei o porquê, mas eu acho que a Amanda não tinha sinceridade nas palavras. Espero estar errada, a achei muito gente fina. E bota fina nisso.
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